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Na Educação Física Também tem Bullying

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Por Joana Coccarelli

A Educação Física escolar é uma oportunidade única para desenvolver nas crianças competências positivas como colaboração, senso de equipe, aceitação e perseverança. Por isso é apontada como uma das ferramentas mais eficientes no combate ao bullying.

time_feminino_bullying_300No entanto, esse jogo corre o risco de virar completamente: sem a devida autoridade do professor, a competitividade pode fazer com que determinados alunos subjuguem outros, criando campo fértil para abusos verbais ou até mesmo corporais.

A promoção de maior contato físico entre indivíduos e do alívio para energias e emoções acumuladas é altamente benéfica para a criança – mas, sem um bom gerenciamento, limites podem ser desrespeitados.

Segundo a mestra em Psicologia e especialista em desenvolvimento infantil Priscila Tenembaum, isso acontece porque jovens e crianças são mais competitivos do que adultos que praticam esportes de forma amadora. A pressão para se afirmarem num mundo que exige apenas o melhor de cada um transforma o espírito esportivo infantil numa ansiosa disputa pelo primeiro lugar.

Assim, crianças com sobrepeso ou menor habilidade para desempenhar um papel de excelência num jogo coletivo correm o risco de serem deixadas de lado: o medo de “ser escolhido por último” pelos colegas mais hábeis se concretiza, gerando um golpe na tão delicada auto-estima infantil.

Os jovens ou muito jovens nem sempre possuem a segurança necessária para sofrer derrotas: perder um jogo pode gerar uma frustração acentuada, que alunos mais aptos perceberão e poderão reafirmar através de “brincadeiras” sem tanta graça assim.

Tal problemática não deve ser desprezada por educadores como um inconveniente corriqueiro. Na verdade, cabe a todos observar o comportamento da criança que tem sofrido os ataques: isso pode confirmar a gravidade do que vem ocorrendo.

“Em geral a criança passa a não querer mais participar dos jogos , do esporte favorito ou de times que reúnem determinados colegas”, afirma Priscila. Ela acrescenta que é comum, ainda, que o pequeno reclame de dores, que podem ser reais, possivelmente causadas pelo estresse, ou inventadas, para que seja dispensada de participar da aula.

Contudo, essa espiral descendente pode ser interrompida – ou nem mesmo chegar a acontecer. O herói dessa história é o próprio professor de Educação Física: “É preciso sistematizar a entrega de bons valores dentro da prática esportiva, utilizando-a como difusor teórico e prático das boas competências”, diz André Ramos, coach especializado em inteligência emocional e Educação. “Os alunos levarão consigo os valores exercitados durante a prática de esportes até quando não estão em aula”.

Mas como isso se concretiza efetivamente?

tcnico_300“É importante que o próprio professor busque o aprimoramento pessoal, passando por vivências que promovam o autoconhecimento”, comenta André. Isso significa reconhecer seus próprios sentimentos e aceitá-los - principalmente os negativos. Dessa forma, o professor estará internamente preparado para lidar com as emoções negativas dos seus alunos.

Isso envolve, por exemplo, o não julgamento da agressividade e da passividade das crianças que respectivamente promovem e sofrem o bullying.

No lugar de culpar o agressor (“Mau caráter!”) ou a vítima (“Você não sabe se defender!”, “Deixa de frescura”), esse adulto conseguirá compreender melhor as carências dos alunos, levando sempre em conta que os mais jovens muitas vezes encontram dificuldades em elaborar melhor o que sentem, partindo para reações destrutivas.

Portanto uma conduta impensada por parte do educador poderá excluir ainda mais a criança do esporte.

Uma ideia complementar de importância fundamental é a realização de dinâmicas envolvendo jogos esportivos e o aprendizado ético de valores construtivos. Um caminho é mudar um pouco as regras dos jogos coletivos, como o basquete, por exemplo: antes de arremessar a bola, o aluno deverá passá-la para outras três pessoas do time. O jogo fica mais igualitário e cooperativo, harmonizando crianças mais habilidosas com as menos aptas.

O professor pode, ainda, desmanchar as chamadas “panelinhas” que consolidam a segregação de alunos assertivos de alunos tímidos. Ele deverá tomar a frente e escolher os integrantes dos diferentes times, misturando os grupos e colocando alunos mais sujeitos ao bullying em posições importantes.

Outra medida adotada por alguns profissionais é a de mediar debates durante o horário de Educação Física, quando o conceito de vencedor e perdedor, por exemplo, é aprofundado, ganhando nuances.

Priscila Tenembaum ilustra: “O professor pode relembrar os erros cometidos pelos próprios atletas profissionais em grandes campeonatos, como o gol contra do Brasil na última Copa do Mundo. Ou o time da Alemanha, que, ao contrário do Brasil, não tinha craques, mas venceu por ser a melhor equipe.”

O importante é que a criança agressora seja deslocada de si mesma e possa conceber outras formas de existir – em outras palavras, ser capaz de empatia. Assim, ao invés de atacar o colega “diferente”, ele se torna mais próximo e cooperativo. O aluno passa a reconhecer o valor do outro.

time_futebol_juvenil_300Mesmo em circunstâncias competitivas, a criança passa a se tornar capaz de se reconhecer como parte de uma estrutura cujo sucesso depende de apoio mútuo e respeito das diferenças.

Professores de Educação Física, coordenadores e a direção da escola também devem se reunir periodicamente para avaliar os casos de bullying e o grau de efetividade que as medidas tem alcançado para mitigar os casos.

Pais de alunos mais persistentes no comportamento abusivo deverão ser convocados para que as ações sejam estendidas ao lar da criança. O serviço de orientação educacional da escola pode ser de grande ajuda nesses episódios.

O importante é que as ações antibullying sejam realizadas o quanto antes. A Educação Física deve implementar o diálogo e a tolerância ao outro desde as turmas mais jovens – afinal, crianças pequenas assimilam valores, também, através de atividades corporais.

 

Existe oportunidade melhor?


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