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Álcool e esporte: será que essa mistura combina?

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 Por Katryn Dias

Quando falamos em drogas, poucas vezes incluímos o álcool na lista. Isso porque, ao contrário de outras drogas como maconha e cocaína, o álcool é aceito e até bem visto para consumo social. Alguns copos de vinho, cerveja ou vodka permitem integração de pessoas de variadas idades e estilos. Mas, aliada ao fácil acesso, a aceitação da bebida aumenta o risco de problemas como o alcoolismo e suas doenças correlacionadas. 

Segundo a Fundação Para Um Mundo Livre da Droga, o álcool é classificado como uma substância depressiva, que distorce a capacidade de discernimento de quem o consome. Por outro lado, a bebida também pode produzir um efeito estimulante, o mais procurado por consumidores que desejam se sentir mais “soltos” em eventos sociais. 

Para afastar a ameaça do alcoolismo, o esporte é um dos caminhos mais apontados por pesquisadores. Para o médico Rogerio Morihisa, especialista em prevenção e uso de drogas, cultivar hábitos saudáveis de vida é uma maneira de manter adolescentes e adultos longe da bebida. “A prática esportiva, sendo um dos muitos hábitos saudáveis que o ser humano pode adotar, funcionará como um fator de proteção contra o uso de álcool e outras drogas", afirmou Morihisa em entrevista ao Esporte Essencial.

Mas e quando o álcool e o esporte se misturam?

 

Álcool no alto rendimento

 

Não é possível melhorar o desempenho atlético com o consumo do álcool. Mas a substância está na lista de restrições da Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) para modalidades em que o uso pode prejudicar o desenvolvimento da prova ou trazer perigo para a segurança. Aeronáutica, automobilismo, caratê, pentatlo moderno, motociclismo, motonáutica e tiro com arco são modalidades em que o álcool está completamente vetado. Em outros esportes, o consumo é permitido em pequenas doses com o objetivo de reduzir a ansiedade e o tremor, causando relaxamento. 

bebidas-texto_450Mesmo com a liberação, atletas das modalidades não listadas acima devem pensar bastante antes de pedir um mero copo de cerveja. Segundo os médicos, o grande efeito que o álcool traz para o corpo de um esportista é a desidratação dos músculos, o que pode levar a lesões e rupturas musculares. 

Pesquisas analisadas pelo American College of Sports Medicine indicam ainda que quantidades pequenas e moderadas de álcool podem exercer efeito sobre uma série de habilidades psicomotoras, como tempo de reação, precisão, equilíbrio e coordenação motora para movimentos complexos. Também influenciam o desempenho físico, como o metabolismo energético, o consumo máximo de oxigênio e a frequência cardíaca.

Ingerir álcool pode ainda reduzir a sensibilidade do atleta ao agravamento de lesões e, em competições realizadas sob temperaturas muito baixas, provocar hipotermia. O álcool aumenta a vasodilatação cutânea, permite a perda de calor e diminui a percepção do frio. 

“Já que o álcool não mostrou efeitos benéficos sobre o desempenho físico e ainda pode levar a redução da capacidade em determinadas situações, é importante que todos os profissionais da área desportiva esclareçam os atletas sobre o uso de álcool em competições desportivas”, reforça o American College of Sports Medicine em seu posicionamento oficial*. 

Por isso, a orientação do American College of Sports Medicine é que o atleta não ultrapasse 15ml de álcool puro para cada 23kg de peso corporal por dia. Isso equivale, para um indivíduo de 68kg, a três garrafas de meio litro de cerveja a 4,5%, a três taças de 120ml cada de vinho a 14%, ou a uma dose de 90ml de uísque a 50%.

*Posicionamento publicado no documento entitulado “The Use of Alcohol in Sports”.

 

 

O consumo por amadores

 

Recentemente, o Brasil começou a viver um movimento que incentiva a prática de esportes dentro de instituições de ensino superior. Cada vez mais associações atléticas universitárias são criadas e, a partir delas, surgiram várias competições esportivas para reunir times de diversos cursos.

alessandra-farina-handebol_450_01Nestes eventos, porém, o esporte não é o único foco. Além dos jogos, as festas e as choppadas (com chopp ou cerveja liberada) são grandes atrativos. O problema é que os atletas, ainda que amadores, podem ter o desempenho alterado por conta do consumo de álcool.

Jogadora do time de handebol de Comunicação e Artes da UFRJ, Alessandra Farina (de laranja na foto) passou por uma experiência ruim quando misturou álcool e esporte. “Eu evito sempre beber em dias de jogo. Mas em uma competição em Juiz de Fora, no ano passado, eu só tinha um jogo à tarde, então resolvi ir à festa do dia anterior e bebi muito mais no que devia”, contou. Mesmo se hidratando depois, ela sofreu durante a partida: “Não acordei me sentindo mal, mas quando comecei a fazer exercício, cansei muito rápido. Em cinco minutos de jogo, estava me sentindo como se estivesse treinando há uma hora. Estava sem resistência física, eu me sentia pesada e meu o reflexo ficou mais lento. Joguei muito mal. Serviu de lição para eu nunca mais beber na véspera de um jogo”, revelou.

Como destacou Alessandra, ainda que o atleta esteja sem beber no dia da sua competição, a famosa ressaca pode trazer efeitos desagradáveis. “Várias horas depois do consumo, podem aparecer cãibras musculares, tremores, náuseas, vômitos e grande irritabilidade”, explica o site do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), de Portugal. 

 

 

As consequências em longo prazo

 

leses-esportivas-crianas-e-adolescentes-shutterstock_400Acompanhando estudantes noruegueses de 13 a 19 anos de idade, pesquisadores avaliaram como a prática de esportes, durante a adolescência, tende a predizer o uso de álcool na etapa tardia da adolescência e na fase adulta. No início da análise de Tove e Lars Wichstrøm, metade dos estudantes estava envolvida em atividades esportivas (50,7%) e aqueles que não praticavam exercícios apresentaram maior frequência de episódios de embriaguez.

Outro estudo divulgado por pesquisadores alemães e publicado em 2012 pelo jornal “Alcoholism: Clinical & Experimental Research” revela que os efeitos colaterais do consumo do álcool são maiores do que o imaginado por médicos. De acordo com os resultados, o hábito de ingerir bebidas alcoólicas mata mais rapidamente do que o fumo. Alcoólicos morrem 20 anos mais cedo, em média, do que a população geral.

“Beber também pode contribuir para outros comportamentos de risco, como tabagismo, excesso de peso e obesidade. O álcool é um produto perigoso e deve ser consumido apenas dentro das diretrizes”, endossou o professor responsável pela pesquisa, John Ulrich, da Universidade de Medicina de Greifswald.

Fotos: Divulgação e Arquivo pessoal de Alessandra Farina


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