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Wushu Sanda: o boxe chinês cresce no Brasil

01/05/2015

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Por Fernando Hawad

A cultura oriental já está entrelaçada nos costumes brasileiros. Seja na culinária, ou nas artes marciais. A procura pelas lutas que surgiram no Oriente não para de crescer. E há uma modalidade que atrai cada vez mais adeptos: o boxe chinês. Em especial, o wushu sanda (se pronuncia “sandá”), um estilo de kung fu que proporciona aos praticantes um preparo físico melhor, mais agilidade, flexibilidade, e maior capacidade de coordenação mental. Se você pensa que a atividade é violenta, pode ter certeza que está enganado. Para os praticantes que não visam ao alto rendimento, querem apenas se exercitar, aprender a arte, ganhar qualidade de vida e diversão, as aulas são dinâmicas, atraentes e sem combate direto entre alunos. Ou seja, você pode voltar para casa cansado, mas voltará com o corpo bonito, perfeito, sem qualquer tipo de hematoma.

 

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Um pouco da história

 

A origem do sanda nos remete a uma época muito antiga. Os primeiros registros históricos da arte marcial, que se caracteriza por um combate corpo-a-corpo como sistema de autodefesa, são dos anos A.C. O termo sanda significa, literalmente, luta livre. Um momento importante para a massificação da arte foi no começo da década de 1950. A China se envolveu na Guerra da Coreia, apoiando a Coreia do Norte no combate contra a Coreia do Sul e seus principais aliados, entre eles, os Estados Unidos. 

wushu-china-texto_410Após enfrentar as poderosas tropas norte-americanas, o governo chinês decidiu investir no preparo de seu exército para lidar melhor com situações adversas, como encarar um inimigo mais forte. Foi então que se desenvolveu o chamado sanshou, que significa mãos livres. Da mesma forma que a arte surgia com a finalidade militar, também começaram as primeiras competições no âmbito civil. Mas na época ainda era tudo realizado de forma clandestina, sem regras claras, sem um órgão que determinasse as normas para os combates. Óbvio que o resultado disso não poderia ser legal. Vários competidores se lesionavam. Em alguns casos, acabavam com danos irreparáveis ao próprio corpo e à própria saúde.

Somente no ano de 1979 o Comitê Chinês de Esportes Nacionais incorporou o sanshou ao wushu, transformando a arte oficialmente em uma modalidade. Três anos mais tarde, criou-se uma metodologia de ensino, treinamentos e regras oficiais. 

Em 1988, a China realizou seu Primeiro Festival de Wushu. O sanshou contou atletas de 15 países, incluindo o Brasil, que participou com os membros da Academia Sino-Brasileira de Kung Fu. Apesar de o termo sanda ser mais antigo, o governo chinês padronizou a arte com o nome de sanshou. Posteriormente, a nomenclatura sanda voltou a ser utilizada, se referindo às competições profissionais. É como se o sanshou fosse a parte amadora da modalidade, que não permite certos tipos de golpes. Já o sanda se refere à atividade profissional, às competições de elite. 

Desde 1990 existe a Federação Internacional de Wushu e a primeira Copa do Mundo da modalidade foi realizada em 2002. Quase cem países possuem competições oficiais. 

 

Dos filmes para a realidade

 

Ao falar de China aqui no Brasil, pode-se pensar em algumas coisas. A pastelaria, o tradicional yakisoba, ou os famosos filmes de artes marciais. Quem nunca se imaginou fazendo os incríveis golpes de Bruce Lee? O lendário ator, diretor e lutador sino-americano, que faleceu em 1973, deixou um legado importante para a arte marcial e inspirou muita gente a mergulhar neste mundo.

“Eu sempre fui muito fã do Bruce Lee. Na minha cidade, aqui no interior de São Paulo, não havia kung fu na época. Fui achar em uma academia em Bauru, que é ao lado de onde eu moro. Todo dia eu pegava o ônibus e ia para os treinos. Já comecei meio velho, tinha 24 anos, foi em 2000”, conta o lutador e técnico Adriano Pitoli.

Adriano rapidamente se transformou em um dos principais nomes do Brasil no sanda. Logo em 2000, ano em que começou a praticar a modalidade, se tornou campeão brasileiro. No ano seguinte, conquistou o Mundialito. Foram inúmeros títulos ao longo da carreira. Ao completar 35 anos, Adriano teve que se retirar das competições oficiais. A regra do sanda só permite atletas abaixo desta idade nos campeonatos. Mas ele não deixou o esporte. Hoje continua na ativa, formando lutadores para o futuro e propagando a arte que ama. Tem a sua própria equipe e faz parte da comissão técnica da seleção brasileira.

caio-sanda-texto_399De acordo com Adriano, que também é diretor da Federação Paulista de Kung Fu, a modalidade vem crescendo a passos largos no país, e isso se deve ao sistema de padronização adotado cinco anos atrás. “Na época em que eu lutava, não existia um sistema de graduação para o sanda no Brasil. Era como o boxe convencional. Não havia uma cartilha para seguir, como ocorre em outras modalidades. Não tinha faixa. A partir de 2010 houve uma padronização do sistema de graduação. Com isso, a modalidade passou a crescer muito. Ano passado nós tivemos seletiva com 87 lutas. Agora os professores têm um norte, têm o que seguir. Ficou melhor até para formar professores. Hoje nós temos os delegados regionais, formados pela Confederação, e cada Federação conta com os seus delegados, que formam os instrutores”, explica Adriano.

Se Bruce Lee foi o seu grande motivo para começar no sanda, ele pode se orgulhar de ter inspirado o próprio filho, Caio Henrique Pitoli (foto). Movido pela paixão do pai, o jovem, hoje com 19 anos, deu os seus primeiros passos na arte marcial aos 16. Apesar do pouco tempo de carreira, Caio já acumula conquistas expressivas. Em 2014, se sagrou campeão pan-americano na Costa Rica. “Foi um momento muito bacana. A conclusão de um trabalho forte. Estava treinando em dois períodos. Treino muito pesado. Fiquei bem contente com aquela vitória”, afirma Caio, que também faturou o Torneio internacional The Witness Figthers, realizado em dezembro do ano passado, no México. 

Ainda invicto na categoria até 70kg, Caio deseja que a temporada de 2015 seja tão profícua como a anterior. “Estou me preparando para o Sul-Americano do Paraguai, daqui a dois meses, e para o Mundial da Indonésia, que será em novembro. São os meus objetivos neste ano”, diz o jovem lutador, que é treinado pelo próprio pai. 

 

Uma boa opção para explodir as calorias

 

aula-sanda-texto_300Se você está com aqueles quilinhos a mais que tanto incomodam e quer uma atividade diferente, saiba o que sanda pode ser uma ótima alternativa para entrar em forma e redefinir o corpo. “É uma aula extremamente aeróbica. Com uma hora e meia você pode perder 800, 900 calorias. Você trabalha o corpo inteiro: soca, chuta, projeta. O mais legal é que eu consigo trabalhar com o alto rendimento e com alunos que só buscam o condicionamento físico. Então a gente separa. Tem o aluno que vai, treina duas horas, faz a mesma parte física que o atleta profissional, mas na parte de lutar, ele fica só fazendo os movimentos nos equipamentos. Não toma soco, não toma chute. Vai para casa contente”, explica Adriano Pitoli. 

 

Fotos: Divulgação/FPKF


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