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Vida saudável: ela está ao alcance de todos, mas adaptar-se é preciso

04/07/2012

vida_saudavel_texto_afp_320Mude seu estilo de vida e viva melhor

 

Por Manoela Telles

A adaptação a um estilo de vida saudável é algo que divide opiniões. De um lado, pessoas que não abrem mão de praticar atividades físicas. Do outro, as que não conseguem se adaptar a uma rotina com exercícios físicos ou não encontram tempo para se dedicar a ela.

“A dificuldade inicial é lidar com a resistência do grupo social e profissional, que não entende que academia deve ser levada como uma atividade essencial do seu dia. Compromissos de trabalho e saídas noturnas, durante a semana, prejudicam o estabelecimento de uma rotina. Do ponto de vista da alimentação, com horários corridos, muitas vezes, saímos de casa sem tomar café, almoçamos com pressa e compensamos num jantar farto para compensar a debilidade da alimentação de um dia inteiro”, explica Eduardo Café, coordenador-técnico de Pesquisa da PUC-Minas, apontando as principais dificuldades que enfrentou ao mudar seus hábitos de vida.

Iniciar uma mudança no estilo de vida não é tarefa fácil. Especialmente para quem nunca teve o hábito de praticar esportes. De acordo com o Professor Dr. Renato Miranda, especialista em Psicologia do Esporte da Universidade Federal de Juiz de Fora, a falta de vivências positivas de quem nunca praticou atividades físicas gera afastamento e resistência, já que não se percebe sua importância.

“Quando não se dá importância, não se percebe a necessidade. E necessidade é tudo que é importante para a pessoa. Para alguém que desde a tenra idade praticou esportes, iniciar um programa de exercícios não é tarefa das mais difíceis. No entanto, para quem sempre foi sedentário, é preciso despertar e descobrir algo que impulsione”, explica.

Falta de tempo não é desculpa, mas é importante começar aos poucos

vida_saudavel_ioga_afp_texto_360Há quem aponte a falta de tempo ou de ânimo como justificativa para o sedentarismo. No entanto, cuidar da saúde deve ser prioridade, assim como o estudo e o trabalho. Segundo Renato Miranda, é possível fazer um planejamento e ajustar o tempo para que a prática de atividades físicas possa estar inserida na rotina.

“A percepção do tempo para se exercitar, muitas vezes, não é uma interpretação objetiva. Se a pessoa pensar concretamente, encontrará trinta minutos (ou até vinte, em último caso) para o exercício físico. Um bom profissional de Educação Física poderá auxiliar a confecção de uma rotina funcional de treinamento. Ao iniciá-la, seja uma atividade como andar ou correr, tente pensar como atleta e procure perceber que o treinamento é parte da sua vida, tão importante como o trabalho”, aconselha.

Para driblar a falta de ânimo é indicado começar a se exercitar aos poucos, de modo a não sentir esgotamento. Isso é importante para que o iniciante não sinta muitas dores musculares, nem a sensação de corpo cansado e assim, venha a desistir do objetivo. A inércia inicial é um obstáculo e deve ser superado. Após três a cinco semanas do início do treinamento, com a prática de exercícios por trinta minutos, de cinco a seis vezes na semana os resultados já podem ser sentidos e o progresso será um fator motivador para a continuidade.

Fase do alarme

Durante o processo de adaptação, além de dores musculares, poderão surgir pequenos distúrbios no sono e apetite e dores de cabeça. Esses fenômenos são normais e fazem parte do período inicial, chamado de “fase do alarme”. Trata-se de um momento inicial e transitório, uma fase de adaptação do corpo à nova rotina. Com o tempo, o indivíduo desenvolve resistência e se adapta ao exercício.

De acordo com o especialista trata-se de uma etapa crucial. É nela que o iniciante pode vir a desanimar e abandonar o programa de exercícios. Para superar o processo de luta interior que é manter-se ativo fisicamente, o ideal é ter o apoio de professores com qualidade profissional e pessoal para atingir os objetivos pretendidos.

Vida saudável na prática

A origem da palavra dieta está no grego e significa estilo de vida. Logo, não faz sentido uma dieta ter data para começar e terminar. Estar em dieta significa mudar o estilo de vida e quando se trata de uma vida saudável é um processo contínuo.

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“Comecei a malhar aos 16 anos, nunca levei academia a sério e várias eram as desculpas para faltar. Quando chegava após os exercícios, comia quase o dobro do habitual. Há um ano, comecei a me exercitar constantemente, com acompanhamento nutricional. A primeira motivação foi estética. Mas ao iniciar o processo e passar por uma dieta nutricional, percebi a importância da saúde e da alimentação. Hoje, o exercício é algo crucial na minha vida. Estou mais vaidoso e confiante. O maior ganho que tive foi na saúde. Há pouco tempo, subi um vulcão no Equador, a 4 mil metros de altura. Apesar do ar rarefeito e da subida íngreme, consegui realizar com certa tranquilidade, devido aos exercícios aeróbicos e a força na perna adquirida com o exercício físico”, relata Eduardo Café.

De acordo com o especialista Renato Miranda, a adaptação a um estilo de vida saudável inicia basicamente com sete horas regulares de sono, alimentação controlada e exercícios físicos como parte da rotina. O ideal é incentivar a prática de esportes ainda na infância para que o exercício físico se fixe na memória, desde cedo, como algo prazeroso, satisfatório e eficaz. Com o tempo, a consciência da importância de se manter saudável emerge naturalmente.

4 passos para ter um estilo de vida saudável

1. Escolha bem os alimentos que vai comer

Não compre alimentos para ter em casa que sejam muito calóricos como biscoitos, chocolate, refrigerante, sorvete e bolo. Quando você está com fome, a tendência é comer esse tipo de alimento (Seu cérebro te impulsiona para isso). Durante as refeições, coma devagar. Procure beber o mínimo de líquidos (nunca acima de 120ml). Coma alimentos saudáveis, se possível, com a orientação de um nutricionista e endocrinologista.

2. Comece a malhar agora mesmo

Estabeleça uma rotina disciplinada de exercícios. Vista uma roupa adequada e faça algo que goste ou tenha uma possível percepção de que possa vir a gostar. Ou inicie uma atividade indicada por um profissional (Mesmo que você, pretensamente, considere que não lhe agradará). Comece a se exercitar aos poucos para não sentir-se esgotado e não desenvolver muitas dores musculares e assim, desanimar do treinamento.

3. Organize seu tempo para poder fazer atividade física

Sua saúde é tão importante como trabalho e estudo. Reserve ao menos, vinte minutos por dia, para se dedicar à saúde. Se for preciso, busque ajuda de um profissional de educação física. Pense como um atleta e perceba que o treinamento é parte da sua vida.

4. Tenha um sono regular

Exercícios físicos ajudam a regular o nível de produção dos neurotransmissores, responsáveis por uma boa noite de sono. A dopamina promove o sentimento de recompensa e motivação. A endorfina diminui o impacto das dores pois tem efeito analgésico e controla ansiedade. A serotonina induz o relaxamento e o sono e promove bom humor. Faça sua última refeição três horas antes de dormir e evite alimentos que contenham gordura animal pois não facilitam a digestão.

Não consuma remédio para dormir, a não ser em caso extremo, com orientação médica especializada.

Fotos: AFP