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Na Esgrima o Jogo É Limpo!

26/05/2016

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Por Joana Coccarelli

Armado com florete, espada ou sabre, o esgrimista não deixa dúvidas: joga um jogo cavalheiresco. No entanto não se limita apenas a desempenhar os movimentos e golpes típicos dos duelos de filmes de época. Acima de tudo, observa um respeitadíssimo código de valores. Sim, a esgrima é um esporte que exige elegância tanto dos movimentos quanto da própria conduta moral. O chamado fair play é sua marca registrada.

Sua tabela de sanções é extensa, o que ajuda a manter a retidão dos praticantes. Mas todo esporte possui suas regras, e, em muitos deles, como no futebol, cavar uma falta é tão comum que os torcedores não se espantam. O que há de especial, então, na esgrima?

esgrima_300O ex-praticante Christian Hingst, hoje oficial da Marinha, acredita que os elementos militares presentes no esporte cimentam o jogo limpo e a aderência às regras: “Se você reconstruir a história da esgrima, vai acabar chegando ao Código de Cavalaria e a mística do cavaleiro heroico”. Clarisse Menezes, 23 anos e tetracampeã brasileira de esgrima na categoria espada, completa: “Um esgrimista, por exemplo, não pode virar as costas para o outro. Se um jogador tocar o outro com a arma e o juiz não der, é comum que quem sofreu o golpe acuse, mesmo que isso represente desvantagem para si próprio”.

Foi o que aconteceu com Guilherme Murray, com então 12 anos, no campeonato Pan Americano de Esgrima de Aruba, em 2014: o árbitro, por engano, marcou, a seu favor, um ponto que o classificaria para a próxima fase da competição. O menino, contudo, afirmou que não havia tocado no oponente. O ponto foi revertido para o adversário e Guilherme saiu da competição.

Sua história imediatamente virou notícia, gerando matérias em jornais e televisão; Guilherme, acostumado com a integridade tão característica do esporte, estranhou tanto assombro. Seu pai, Alberto Murray, comenta: “O fair-play é um valor que a esgrima ensina muito bem. A criança tende a conviver com esse espírito de harmonia. Os professores verbalizam a importância do modo honesto de proceder, é uma tradição”. Além de Guilherme, hoje com 13 anos, Alberto é pai de João Paulo, 16 anos, membro da Seleção Brasileira Cadete e Juvenil.

time_esgrima_300O fair play, portanto, é colocado desde o início para o esgrimista, é uma cultura que vai se criando. É verbalizado pelo técnico e é afirmado durante a prática – independente de se o praticante é adepto do florete, da espada ou do sabre. “A esgrima é um xadrez em alta velocidade, você sempre tem que antecipar o movimento e leva-lo a realizar determinado movimento para poder tocá-lo”, comenta Clarisse. Mas, apesar de competirem arduamente pela vitória, a postura ao término do jogo é a de companheirismo, lealdade e respeito ao adversário.

Embora raro, o mau comportamento, todavia, às vezes acontece. Pode ser uma falta cometida por conta de contato físico, quando o jogador não para ao tocar o adversário e sim avança sobre ele. Gestos como esse são mal vistos pelas equipes de esgrima, manifestando um tipo de código de honra semelhante ao das artes marciais, onde a prática não amigável do esporte é condenada.

O caso de Guilherme ilustra maravilhosamente o que a esgrima tem a ensinar até para quem não a pratica: sempre sai ganhando quem mantém o caráter intacto.


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