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Jogos Mundiais dos Povos Indígenas: integração, cultura, arte e esporte

23/10/2015

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Por Fernando Hawad

Promover integração entre as etnias e difundir a cultura indígena. Na primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, vencer é apenas um detalhe. A partir desta sexta-feira (23), Palmas, capital do Tocantins, recebe o evento que vai contar com diversas etnias de 22 países. Até o encerramento, no próximo dia 31, os atletas indígenas participarão de provas de várias modalidades, como canoagem, natação, corrida com tora, cabo de força, corrida de fundo, arco e flecha, corrida de velocidade rústica (100m), arremesso de lança e futebol. Os Jogos são divididos entre esportes de integração, praticados pela maioria dos povos indígenas brasileiros, e modalidades de demonstração, que são típicas de uma determinada etnia. O Esporte Essencial preparou uma matéria especial para que você possa conhecer as modalidades esportivas características da cultura indígena.

 

História

 

Os Jogos surgiram por iniciativa do Comitê Intertribal de Memória e Ciência Indígena e têm o apoio do Ministério do Esporte do Brasil. Será a primeira edição a nível mundial, mas os Jogos dos Povos Indígenas no Brasil surgiram há 19 anos. De 1996, quando o evento estreou em Goiânia, até 2015, com a sede em Xingu, no Mato Grosso, 13 edições foram realizadas. O passo seguinte era reunir povos de outros países. E o sonho se concretizou. Além das diversas etnias brasileiras, os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas vão contar com atletas da Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Congo, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Etiópia, Paraguai, Guatemala, Guiana Francesa, México, Nicarágua, Nova Zelândia, Panamá, Peru, Rússia, Uruguai, Venezuela e Mongólia.

 

“Em 2015, somos todos indígenas”

 

Este é o mote dos Jogos que vão agitar a capital do Tocantins. Mais de dois mil atletas indígenas vão participar das competições e dos eventos artísticos e culturais durante a semana. 

canoagem-indigenas-emerson_silva-secom-to-texto_450Além de esportes tradicionais, os Jogos terão algumas modalidades demonstrativas e desportos nativos de integração, como a pelota maia. A delegação da Guatemala vai apresentar essa modalidade que tem sua origem nos anos a.C. É um jogo disputado entre duas equipes, cujo objetivo é fazer a bola passar dentro de um arco, que fica no alto de uma parede. Os jogadores podem bater na bola com antebraço, ombro, quadril e costas. 

Alguns esportes tradicionais para o grande público serão disputados em Palmas. Casos, por exemplo, da natação, do futebol, e da canoagem. A natação, no entanto, não terá provas em uma piscina. As competições serão em águas abertas, com disputas individuais masculinas e femininas, de 500 a 800m. Também em águas abertas acontecerão as provas da canoagem, uma modalidade que só terá competidores no masculino. As disputas vão ser em duplas. Ao contrário dos campeonatos convencionais de canoagem, nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, cada atleta leva o seu remo de competição. O material pode ser personalizado, demonstrando a cultura da etnia que o competidor representa.

 

Modalidades Indígenas de Integração

 

Corrida com Tora – Não basta ser veloz. É preciso ter muita força no braço. Assim pode ser definida a modalidade, exclusiva para homens, embora mulheres indígenas também tenham o hábito de correr com tora (pedaço de galho grosso de uma árvore). A corrida com tora pode ser comparada, em termos gerais, às corridas de revezamento do atletismo convencional, com a tora no lugar do bastão. Cada etnia monta uma equipe com dez atletas e três reservas. A tora vai passando nas mãos dos componentes da equipe, até que se completem duas voltas dentro da arena. 

Corrida de Fundo - Prova com mais de oito quilômetros em um percurso determinado com antecedência. Há disputa no masculino e no feminino. Os atletas competem com trajes típicos, incluindo colares e cocares.

indigena-arco-e-flecha-jmpi-texto_450Arco e Flecha – Uma das atividades mais tradicionais dos povos indígenas não poderia faltar nos Jogos Mundiais. O arco e flecha faz parte do evento para valorizar e celebrar a cultura indígena. Cada participante tem três tiros para atingir o alvo que fica a 30 metros de distância. A pontuação é determinada de acordo com o local atingido por cada flecha. A soma dos acertos define o vencedor.

Corrida de 100m – Provas masculinas e femininas, com cada etnia podendo inscrever até dois atletas. Assemelha-se à tradicional disputa de 100m rasos em Jogos Olímpicos e competições gerais de atletismo.

Arremesso de lança – É costume de todas as etnias o uso de uma madeira de ponta afiada para caçar: a lança. Na competição, cada atleta pode executar três arremessos e os pontos são contados de acordo com as distâncias atingidas em cada um deles. Na comparação com o atletismo convencional, essa prova é bem parecida com o lançamento de dardo.

Cabo de Força – Para uma tribo indígena sobreviver, muitas vezes a força física é preponderante. E o cabo de força coloca em prática esse poder das etnias. As competições são duelos entre duas equipes que puxam uma corda dividida por uma fita no centro. O time que conseguir conduzir a fita até o seu próprio campo é o vencedor da disputa. Cada delegação pode ter duas equipes, uma no masculino, outra no feminino, com dez atletas e três reservas. O cabo de força não é um desporto apenas indígena. Já fez parte, inclusive, de cinco edições dos Jogos Olímpicos de Verão, de Paris 1900, até Antuérpia 1920.

 

Jogos de Demonstração

 

Outras modalidades tipicamente indígenas fazem parte dos Jogos Mundiais como esportes de demonstração. São específicos de determinada etnia. 

Akô – Uma corrida com equipes de quatro atletas. Uma vareta de bambu é passada pelas mãos dos componentes, que correm em círculo.

Jawari – Os atletas atiram dardos entre si, a seis metros um do outro. O alvo é o corpo do oponente, da cintura para baixo. Para evitar ferimentos graves, as pontas dos dardos são cobertas por bolas de ceras.

xikunahity-reproduo-texto_450Jikunahati ou Xikunahiti – Uma espécie de “futebol de cabeça”. Jogo que lembra o futebol tradicional, mas sem uso dos pés. É cabeça na bola! As equipes são formadas por oito jogadores e a bola é feita com seiva de mangabeira. Em vez de gols, o objetivo é mandar a redonda para o campo do adversário. Se o time rival não conseguir rebater a bola de volta, a equipe que atacou soma pontos. Ao fim de 40 minutos, duração da partida, quem fizer mais pontos sai de campo vitorioso.

Kaipy – Uma derivação do arco e flecha em que o objetivo é atingir o alvo que se localiza no chão. A flecha é impulsionada por folhas de buriti (espécie de planta). 

Peikrãn – Modalidade disputada com uma peteca. Com a palma da mão, os jogadores tentam manter a peteca o máximo de tempo possível no ar.

Ronkrãn – Duas equipes, com dez atletas cada. Os jogadores se utilizam de uma borduna, instrumento de guerra que se parece com um bastão. O campo de jogo tem dimensões parecidas com um campo de futebol e o objetivo é rebater a bola, feita de coco, para que ela ultrapasse a linha de fundo do campo do time adversário.

 

Mais do que esporte

 

Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas também vão além do caráter esportivo. Com o objetivo de integrar e promover trocas entre diversas etnias, o evento reúne uma programação cultural com diversas atividades. Entre elas, estão saraus musicais e literários, mostras de filmes, debates, apresentações e feiras de arte, artesanado e agricultura. Confira a programação completa aqui.

 

Fotos: Divulgação


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