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Esporte e sustentabilidade: cuidando do corpo e do meio ambiente

09/04/2014

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Por Ivete Silva

Os temas sustentabilidade e preservação ambiental estão na pauta de ONGs, órgãos governamentais e da imprensa há algum tempo. A preocupação com a natureza não é recente, o movimento ambientalista iniciou suas primeiras mobilizações por volta da década de 1970. Hoje relatórios sobre o aquecimento global e demais assuntos relacionados à causa ambiental são publicados com frequência e cientistas buscam soluções para os caminhos que o planeta está tomando.

"Atletas também estão desempenhando papel ativo na promoção de atitudes sustentáveis que contribuem para o ambiente e para o desenvolvimento da sociedade"

Pessoas que não estão envolvidas diretamente com mobilizações pela causa ambiental contribuem da maneira que podem dentro da sua rotina. Seja fazendo coleta seletiva com os resíduos gerados em suas casas, evitando o desperdício de água ou levando seu coletor para a praia. A adoção de novos hábitos ainda está caminhando a passos lentos, tendo em vista a grande quantidade de lixo que se acumula pelas cidades, provocando enchentes ou boiando em mares e lagoas.

Não são poucos os relatos de sofás, geladeiras e outros objetos inusitados “perdidos” em águas pelo Brasil afora. Em janeiro de 2014, a velejadora Martine Grael encontrou um televisor na praia de São Francisco, em Niterói, enquanto praticava stand up paddle. A praia localizada na Baía de Guanabara sediava no mesmo período a Copa Brasil de Vela.

Em meio a tantas discussões sobre o tema, atletas também estão desempenhando papel ativo na promoção de atitudes sustentáveis que contribuem não apenas para o ambiente, como para o desenvolvimento da sociedade. São ações que aos poucos contagiam outras pessoas a tomarem o mesmo caminho.

bruno_jacob_2014_1_420Um projeto que une preservação ambiental e disseminação da prática de esporte náutico surgiu pelas mãos do baiano Bruno Jacob. O atleta de jet sky freeride decidiu fabricar seu próprio equipamento. Competindo desde os doze anos de idade, Bruno queria baratear o custo para os praticantes e popularizar sua modalidade dentro do Brasil.

Mas seu cuidado com os recursos naturais aos quais temos acesso não é recente. “Desde que eu iniciei a carreira, sempre procuramos utilizar como combustíveis óleos totalmente biodegradáveis”, relembrou Bruno.

A moto aquática produzida por Bruno apresenta a fibra do casco proveniente de garrafa pet e a parte de aço vem de sucata. O motor ainda é importado, já que não existem fabricantes nacionais. Além de vender o produto em terras brasileiras, ele também tem sido exportado.

O GiroX foi concebido ao longo dos anos, em meio aos treinos, e concretizado como trabalho de conclusão de curso de Bruno em sua graduação de Engenharia, após mais de seis meses de testes. Com o auxílio de seu técnico e eco_sup_1-texto_300_01mecânico, Clayton Lopes, fabrica os jet skis, que ao final ficam cerca de 40% mais baratos que os concorrentes.

Outra iniciativa sustentável que vem da Bahia é o ECO SUP. Um grupo de praticantes de stand up paddle que se exercitam pela Baía de Todos os Santos encontravam com frequência grande quantidade de lixo durante as atividades. Os atletas da região, amadores e profissionais, juntaram-se ao mergulhador Bernardo Mussi e seu grupo Fundo de Folia para promover uma ação de conscientização sobre o estado no qual se encontravam as águas locais.

Em sua primeira edição, no dia 09 de março desse ano, o grupo recolheu aproximadamente 1,5 tonelada de lixo incluindo geladeiras, fogão e até mesmo duas bicicletas. Com a repercussão positiva, o Stand up Paddle Bahia pretende organizar o II ECO SUP em 2015. Para Nicole Saback, membro do SUP Bahia, a resposta positiva a projetos do tipo tem uma explicação. “Os atletas de SUP normalmente têm uma conexão muito forte com o mar. É natural que se preocupem com o estado de conservação deste. Eles ‘abraçaram’ a ideia e mostraram-se muito engajados”, avaliou.

A sustentabilidade também está presente na gênese de um esporte: o futebol de saco. Praticado em uma quadra, o futsac utiliza uma bolinha que só pode ser tocada pelos pés, pelo tronco e pela cabeça. Mas a redonda não se destaca apenas por ser o centro de atenção dos jogadores, há um motivo que a faz futsac_campbrasileiro2011_369_369ser diferenciada: é revestida por crochê e seu interior é preenchido por grãos de garrafa pet.

“No começo eu recheava as bolinhas com pedra brita e feijão. Tentei vários recheios, como areia e outros grãos, até que encontrei o pet reciclado moído. Percebi que ele seria o ‘recheio’ perfeito para colocar nas bolinhas”, conta Marcos Juliano Ofenbock, idealizador do futsac e também presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Saco (CBFSac).

Para definir qual seria o revestimento, também foram feitos alguns testes até chegar ao crochê. As costureiras que ajudaram Marcos pelo caminho formam hoje a Associação Curitibana de Crochê, fundada por ele em 2006. Hoje existem mais de 300 crocheteiras cadastradas. A parceria é tamanha que a Associação fica no mesmo local onde está a CBFSac. 

futsac_bolinha_2_178_178A sede da Confederação ainda guarda mais uma surporesa: uma quadra feita com borracha de pneu reciclado e compactado. “No próximo ano vamos construir um grande Centro de Treinamento de Futsac em Curitiba com seis quadras e todas elas vão utilizar esse piso de borracha de pneu reciclado e imagino que mais quadras assim vão surgir por todo o Brasil”, revela Marcos Ofenbock.

Diante de cada adaptação possível e que provoca poucas interferências em sua essência, faz todo sentido a frase do presidente da CBFSac: “o futsac é um esporte novo que carrega o ‘selo verde’ em toda as suas etapas".

 

Fotos: Divulgação


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