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Disciplina + força de vontade: com essa combinação, o diabetes fica na dele, sem atrapalhar a vida de seus portadores

14/11/2014

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Por Fernando Hawad 

Quatorze de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. O objetivo da data é conscientizar a população do planeta a respeito desta doença que atinge 150 países. Só no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas são portadoras do diabetes.

 

Causas, sintomas e tipos

 

O diabetes mellitus é causado pela ausência da insulina, ou a falta de capacidade dela para exercer suas funções. Ocorre quando o pâncreas, responsável pela produção da insulina, não consegue fazer com que o hormônio atinja uma quantidade suficiente dentro do organismo. A falta da insulina proporciona um aumento de glicose no sangue e isso acarreta o diabetes.

Existem tipos diferentes da doença. O diabetes tipo 1, recorrente em crianças, por exemplo, acontece quando há um defeito no sistema imunológico e, como consequência, o pâncreas para de produzir insulina. Entre os portadores da doença, apenas cerca de 10% são do tipo 1.

aplicacao_de_insulina_430Já o tipo 2 é o mais comum. Ocorre em 90% dos pacientes com diabetes. Suas causas estão ligadas ao sedentarismo e à obesidade. Há um defeito na ação da insulina, que diminui a sua secreção. De acordo com o endocrinologista Luiz Clemente Rolim, o crescimento econômico em alguns países tem relação com o aumento de casos do diabetes. “Nós estamos vivendo uma epidemia mundial, especialmente do tipo 2. É diretamente ligada ao que está acontecendo em países emergentes. A migração das pessoas das áreas rurais para as urbanas, um crescimento econômico importante, mas não acompanhado por mudanças nos hábitos de vida. Então, as pessoas que migram, passam a ter uma renda melhor, mas se alimentam de fast food, não praticam atividade física, vivem estressadas com a competitividade no trabalho e não cuidam da saúde como deveriam”, afirma o doutor.

Os sintomas mais comuns são: excesso de sede e urina, aumento do apetite, perda de peso, cansaço, vista embaçada e infecções na pele. Embora o diabetes também tenha causas genéticas, é possível agir para prevenir a doença, especialmente no tipo 2. Alimentação saudável e prática regular de atividades físicas reduzem o risco do problema. “O fator genético não é determinante. É necessário, mas não é suficiente. Ninguém fica diabético só pela genética. A gente vê crianças e até adolescentes obesos, que têm uma carga genética importante para diabetes, e a doença, que era para aparecer com 50, 60 anos, acaba aparecendo 20, 10 anos antes. Porque eles têm a carga genética latente, mas os componentes que vão determinar são o sedentárismo e a obesidade”, esclarece o doutor Rolim, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Ao ser diagnosticado com a doença, o paciente não precisa se desesperar. Se o tratamento for realizado de forma adequada, não há o que temer. Para o tipo 2 existem alguns remédios que ajudam a controlar a produção e a secreção da insulina pelo pâncreas. Já os portadores do tipo 1, precisam tomar insulina diariamente, duas ou três vezes.

A alimentação fica um pouco mais restrita. Não é recomendável abusar de doces, chocolates e tudo que contenha excesso de açúcar. Mas, ao contrário do que se pensa, esses alimentos podem sim ser consumidos pelos portadores de diabetes, desde que seja com moderação. “As proibições estão caindo. Não existe o ‘isso não pode de jeito nenhum’. Se a pessoa tem controle sobre aquilo que come, não tem problema. Por exemplo, se o paciente fez um almoço saudável, comendo uma salada e um grelhado, a sobremesa pode ser um doce, desde que ele não abuse”, explica o endocrinologista.

 

Atletas que superam o diabetes

 

Se o tipo 2 ocorre por consequência de hábitos pouco saudáveis, que tornam as pessoas obesas e sedentárias, o tipo 1 não tem qualquer relação com isso e atinge principalmente crianças e jovens. Portanto, há alguns atletas de alto nível que são portadores do diabetes tipo 1. Mas se você está pensando que isso atrapalha o desempenho deles, está muito enganado.

matheus-santana-piscina2-wander-roberto-cob-texto_450Com o tratamento correto, não há motivo para o atleta se preocupar. É só fazer o que sabe dentro do campo, da quadra, da piscina ou em qualquer lugar onde seja disputada a sua modalidade. Uma das grandes promessas da natação brasileira, Matheus Santana, nosso medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim, é um exemplo disso.

Diagnosticado com diabetes aos oito anos de idade, o carioca, hoje com 18, já está entre os melhores do mundo na prova de 100m livre. Esperança de pódio nos Jogos do Rio 2016, Matheus passou por um momento difícil por conta do diabetes. Em 2013, ele foi cortado da delegação brasileira que disputou o Mundial Juvenil em Dubai. O motivo: estava com a glicemia (quantidade de açúcar no sangue) fora de controle. “O diabetes não atrapalha se eu me cuidar. Na época, não estava me cuidando um pouco, e por isso os resultados dos meus exames ficaram altos. Então, fui cortado por uma questão de saúde mesmo”, disse o nadador em entrevista ao Esporte Essencial no mês passado.

Matheus passou a cuidar melhor do problema. Ele trocou o Botafogo, do Rio de Janeiro, pela Unisanta, de Santos. Em seu novo clube, o jovem atleta conta com uma equipe médica só para si. Disciplinado no tratamento, ele vai deixando o problema para trás e pode se concentrar apenas em baixar cada vez mais os seus tempos na piscina. 

Um dos exemplos mais emblemáticos de esportistas portadores de diabetes vem dos gramados. O ex-atacante Washington, que brilhou em grandes clubes do futebol brasileiro como o Fluminense e o São Paulo, descobriu a doença quando tinha 21 anos e estava começando a carreira profissional no Caxias (RS).

Na época, ele ficou assustado. Chegou a ter dúvidas se conseguiria dar continuidade à carreira, mas não se abateu. Procurou ajuda médica e começou o tratamento. “Os médicos me explicaram a doença e falaram os medicamentos diários que eu teria que tomar. Acho que para mim era até uma situação boa, porque os treinos, a parte física, o meu dia a dia como atleta ajudavam também a controlar a questão da glicemia”, conta o ex-jogador, que atuou até os 35 anos, se aposentando no final de 2010, após conquistar o título brasileiro com o Fluminense.

washington-corao-valente-texto_400_01Washington superou a dificuldade com muitos gols. Conhecido por seu faro artilheiro, ele chegou até a seleção brasileira, disputando a Copa das Confederações de 2001. Mas o ex-atacante afirma que readequar os hábitos alimentares não foi uma tarefa das mais simples. “No começo foi difícil. A gente não queria muito aceitar o problema e essa mudança, que é muito radical na alimentação. Mas depois, conhecendo mais a doença e com o meu amadurecimento também, isso ajudou e ficou bem tranquilo, acabei levando uma vida normal”, explica o agora vereador em Caxias do Sul.

Quando tudo parecia superado na vida de Washington, o diabetes deu um carrinho violento nele. Por conta da doença, uma das artérias coronárias do atleta estava 90% entupida e havia risco de infarto. Na época, alguns médicos chegaram a dar a carreira de Washington praticamente encerrada, mas ele não desistiu. “Em nenhum momento eu aceitei a primeira opinião. Eu respeitava, mas queria procurar mais médicos, ouvir outras vozes. Até que descobri o que é meu cardiologista até hoje e ele disse que haveria uma chance se eu cuidasse. Foi aí que eu acreditei sempre nessa chance e deu certo”, afirma.

Decidido a continuar jogando, o atleta implantou um stent, tubo inserido na artéria para impedir seu entupimento. Após um ano e meio longe dos gramados, foi liberado a voltar pelo Atlético Paranaense. A recompensa não poderia ser melhor. Em 2004, Washington marcou 34 gols no Campeonato Brasileiro, recorde absoluto da competição. Depois, ele fechou contrato com um time japonês. Em 2008, acertou com o Fluminense. No clube carioca, se tornou ídolo da torcida, que o chamava de “Coração Valente”.

E por ter superado todos esses obstáculos com muita garra, Washington é a pessoa ideal para deixar um recado aos portadores de diabetes. “Não é o fim do mundo. Se você controlar a sua alimentação, se praticar o seu esporte, vai viver o resto da vida sem problema.” 


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