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As “magrelas” conquistam o país

10/09/2012

bicicletas_avenida_paulista_afp_texto_400Em SP, 304 mil pessoas já usam bicicletas como meio de transporte. Na capital do Amazonas, despontam projetos como o Pedala Manaus.


Por Patrícia Osandón

A troca do carro pela bicicleta tem se tornado uma iniciativa cada vez mais comum em várias cidades brasileiras. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, a utilização da bicicleta como meio de transporte quase dobrou entre 1997 e 2007, saltando de 162 mil para 304 mil, segundo a pesquisa Origem e Destino, coordenada pelo Metrô-SP. Conforme a pesquisa, o principal motivo das viagens diárias por bicicleta, nos dias úteis, é o trabalho, com 71%. O segundo motivo é educação, com 12%, seguido por lazer, com 4%.

“A bicicleta tem uma relação muito forte com as questões que envolvem a saúde e o meio ambiente. Para o meio ambiente, os ganhos são grandes, como a não emissão de gases poluentes. Ela é considerada um meio de transporte ecologicamente correto. Para o trânsito, a bicicleta é um meio eficiente para curtas distâncias. Em relação à saúde, há muitos ganhos, como os benefícios cardiovasculares. Mesmo com tantos benefícios, os ciclistas ainda enfrentam muitos desafios, como a topografia e o clima do país”, explica Ulysses Vitorino dos Santos, mestre em Educação Física, pela Universidade Gama Filho. Durante o mestrado, Ulysses estudou o tema “O imaginário social de praticantes de ciclismo: entre o urbano e a natureza”, na qual procurou identificar sentidos de natureza e de ciclismo presentes no imaginário dos ciclistas.

Em todo o Brasil, espalham-se iniciativas de conscientização e disseminação da bicicleta. Após muitas experiências de pedaladas solitárias em Manaus (AM), o biólogo Ricardo Braga Neto, o Saci, decidiu reunir um grupo de amigos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para pedalar à noite na cidade. “Começamos com meia dúzia de pessoas. O grupo começou a crescer e hoje estamos com cerca de 300 pessoas pedalando às terças-feiras na cidade”, conta Ricardo, hoje um dos coordenadores do projeto Pedala Manaus, criado oficialmente em janeiro de 2010.

O Pedala Manaus é coordenado por um conselho autônomo que é composto por indivíduos da sociedade civil que têm interesse em estimular o uso da bicicleta como meio de transporte, lazer e esporte na capital do estado do Amazonas, participando voluntariamente da sua construção. Seus integrantes acreditam na capacidade de transformação social, ambiental e econômica que a bicicleta pode trazer para os cidadãos e o ambiente urbano de Manaus.

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Às quintas-feiras, o grupo também se reúne na chamada “Quinta alternativa”, na qual também são realizadas atividades educativas. “Procuramos ensinar questões básicas sobre os direitos e os deveres do ciclista, os cuidados e ajustes da bicicleta, o uso do capacete, da luz e da sinalização, e a conduta no trânsito”, explica. O ponto de partida inicial do grupo é o Parque dos Bilhares, localizado no centro de Manaus. Para Ricardo, “pedalar é um verbo no plural”.

No âmbito do projeto, as ações de conscientização pela preservação do meio ambiente são constantes: “Dentro da cidade, ainda é pequena a proporção de pessoas que fazem uso da bicicleta. Estamos organizando uma campanha de respeito ao ciclista para trabalharmos tanto com ciclistas quanto com motoristas. Queremos que a bicicleta seja mais utilizada. A partir do momento em que as pessoas começarem a adotar uma alternativa que não é poluente e que utilize menos espaço, contribuirão para diminuir a quantidade de carros e de ônibus. A ideia do Pedala Manaus é que a bicicleta seja encarada com um veículo, um transporte sustentável”.

A preocupação ambiental torna-se ainda mais relevante devido à situação vivenciada pela Região Amazônica. “O contexto de conservação em Manaus não é tão bom quanto no Amazonas como um todo. Manaus tem uma série de problemas ambientais que as cidades do entorno não têm. Temos fomentado que as pessoas visitem trilhas e locais ao redor de Manaus com bastante vida e pratiquem atividades esportivas. Boa parte da população brasileira hoje vive no meio urbano. São as pessoas que estão concentradas nas cidades que vão gerar as demandas e impactar nos sistemas. Se não forem focadas ações diante dessa perspectiva, dificilmente vamos conseguir resolver o problema”, afirma.

Ricardo explica que a mudança na conduta dos motoristas foi significativa desde a atuação do projeto em Manaus: “Muitos deles se interessam, perguntam, participam, se informam e vêm participar do movimento. O fato de estar nas ruas de maneira organizada, de maneira respeitosa, abre um novo olhar para a questão. Deve partir de nós mesmos o exemplo. A bicicleta tem sido cada vez mais bem vista pelos brasileiros”, finaliza.

rodas_da_paz_brasilia_divulgacao_texto_323Conscientização ambiental por meio da bicicleta

Em outros estados, iniciativas similares de incentivo ao uso da “magrela” se proliferam, em várias esferas, desde o terceiro setor até a iniciativa privada. Em Brasília, a ONG Rodas da Paz, que nasceu em 2003 com o objetivo de reagir ao crescente número de acidentes e de mortes no trânsito do Distrito Federal, organiza com frequência ações na área do meio ambiente, como passeios ciclísticos em defesa dos temas ambientais. A ONG promove ações para um trânsito seguro para todos, com especial atenção para os usuários da bicicleta. Entre as ações da equipe estão palestras educativas, protestos, passeios ciclísticos e a permanente vigília sobre o Estado para garantir, a todos, o direito de transitar em segurança pelas ruas.

No Rio de Janeiro, foi reinaugurado no final de 2011 o BikeRio, um sistema de empréstimo e aluguel de bicicletas, precedido pelo Pedala Rio, que foi suspenso devido a problemas com furtos, erros no sistema eletrônico e a própria falta de bicicletas. A utilização do BikeRio é relativamente simples. O projeto conta com 60 estações e 600 bicicletas, distribuídas nos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea, Botafogo, Urca, Flamengo e Glória. O usuário pode utilizar a bicicleta por até uma hora, sem pagar nada. Caso exceda os cinco minutos, o usuário paga uma taxa de R$5,00 a hora. O benefício é poder realizar vários passeios gratuitos em um mesmo dia, sendo necessários apenas 15 minutos entre eles. 

Outra iniciativa é realizada pelos Bike Anjos, uma atividade voluntária desenvolvida por ciclistas experientes, que ajudam pessoas que querem aprender a andar de bicicleta na cidade com mais segurança. Os ciclistas do projeto oferecem assistências em melhores trajetos para serem realizados, acompanham os iniciantes em suas primeiras pedaladas e ensinam a manutenção básica e as medidas de segurança no trânsito. Os Bike Anjos oferecem o serviço gratuitamente em várias cidades brasileiras, bastando o interessado preencher um formulário no site do projeto.

Produção Mundial de bicicletas

Consumo mundial de bicicletas

China – 67% (80 milhões de bicicletas)
Índia – 8% (10 milhões de bicicletas)
Brasil – 5% (5 milhões de bicicletas)
Outros – 20% (24 milhões de bicicletas)
China – 21% (25 milhões de bicicletas)
Estados Unidos – 15% (18 milhões de bicicletas)
Japão – 9% (11 milhões de bicicletas)
Índia – 8% (10 milhões de bicicletas)
Brasil – 5% (5 milhões de bicicletas)
Outros – 43% (51 milhões de bicicletas)

Segmentação das vendas de bicicletas no Brasil

Das bicicletas vendidas no País:
  • 50% das bicicletas são do segmento de Transporte
  • 32% das bicicletas são do segmento Infantil
  • 17% das bicicletas são do segmento de Recreação e Lazer
  • 1% das bicicletas são do segmento de Competição
Estima-se que o Brasil tenha atualmente uma frota de 65 milhões de bicicletas.

Fonte: Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Veja também: www.abraciclo.com.br.

Fotos: AFP / Divulgação (Pedala Manaus e Rodas da Paz)


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