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A luta diária pela sobrevivência do atletismo no Brasil

23/09/2015

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Por Fernando Hawad, edição de Katryn Dias

Modalidade central dos Jogos Olímpicos, o atletismo é um conjunto de atividades esportivas que são oriundas da Grécia Antiga. Apesar da tradição de obter bons resultados em épocas passadas, o momento atual do atletismo brasileiro não é nada animador. No Mundial de Pequim, realizado em agosto, o país conseguiu uma medalha (prata de Fabiana Murer no salto com vara) e participou de apenas três finais. 

Os resultados preocupantes no alto rendimento podem ser explicados pela falta de estrutura na base. Palco dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro sofre com poucos locais de treinamento. Se a estrutura é minguada, a procura de crianças e jovens pela modalidade também decresce. Mas alguns professores ainda lutam bravamente para que o atletismo sobreviva no Brasil.

 

Mas enfim, o que é o atletismo?

 

São três as modalidades que compõem o atletismo, de uma forma geral: corrida, saltos e lançamentos. As corridas podem ser de curta distância, como 100m rasos, de média, caso dos 1500m, ou de longa, como as provas de 10000m e a maratona (42km). Os atletas velocistas normalmente apresentam um físico mais musculoso em relação aos fundistas, que tendem a ser mais magros. 

lanamento-de-disco_500Há também os atletas generalistas, que participam das provas de decatlo (para homens) e heptatlo (para mulheres). São as chamadas provas combinadas, que mesclam corrida, saltos e lançamentos. As disputas de decatlo e heptatlo em competições oficiais se dividem em dois dias.

A idade ideal para o começo da prática do atletismo é entre 10 e 11 anos. Ao iniciar, criança experimenta todas as provas até encontrar aquela em que seu biotipo se adapta melhor. Depois de um tempo de treinamentos, os professores aplicam um teste para descobrir a aptidão da criança para determinada prova. “Quando comecei, eu fazia um pouco de tudo, porque precisamos conhecer todas as provas do atletismo. No início, meu treinamento era no dardo e no disco. Depois, fui treinando um pouco mais de velocidade e foi aí que o treinador percebeu que eu era bem rápida e daria para me tornar uma velocista”, lembrou a campeã pan-americana Franciela Krasucki, em entrevista ao Esporte Essencial.

 

Benefícios do atletismo para a saúde

 

A prática do atletismo traz uma série de ganhos para a saúde. Entre os maiores benefícios estão o aumento da capacidade aeróbica, a diminuição do risco de problemas cardíacos e de obesidade. A corrida é a atividade mais eficaz para o controle do peso do corpo, a queima de calorias e gorduras, e também para manter a taxa de colesterol ideal.

O atletismo pode ajudar também a diminuir os níveis de estresse e ansiedade, além de prevenir doenças como hipertensão, derrame cerebral e diabetes. Antes de começar a atividade, a pessoa deve procurar um acompanhamento médico, para saber se está apta a realizar os exercícios. 

“O esporte é tudo. Além de transformar vidas, ele é bom para a saúde, para o crescimento, e ainda ocupa o seu tempo ocioso”, exalta a professora Solange Chagas. 

 

A um ano dos Jogos, situação da “cidade olímpica” é triste

 

Principal palco do atletismo carioca, o Estádio Célio de Barros começou a ser desmontado durante as obras do complexo Maracanã para a Copa do Mundo de Futebol, no ano passado. Na época, o governador Sérgio Cabral prometeu que a pista seria reaberta para o treinamento dos atletas após passar por uma reforma, que ainda não saiu do papel. Enquanto isso, os atletas treinam como podem.

“Contávamos com o Célio de Barros, que era a porta para todas as entidades esportivas do Rio. Mas a pista acabou há quase três anos. Os países que sediam Olimpíada constroem pistas, não destroem”, comentou Solange, que é coordenadora do projeto de atletismo do Vasco da Gama.

 

 

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Antes da obras, o estádio sediava importantes campeonatos, como o Sul-Americano e o Troféu Brasil

 

A modalidade, inclusive, está cada vez mais distante dos clubes da cidade. “O Vasco, assim como outros clubes de camisa do Rio de Janeiro, tinha pista. Hoje não temos mais nada. Não temos local para treinamento, vamos onde podemos. É desse jeito que é feito o nosso projeto”, complementou a professora. 

Ex-atleta, Solange tem quase uma vida inteira dedicada ao atletismo e ao Vasco. Competiu pelo clube, se casou na Capela de Nossa Senhora das Vitórias, dentro de São Januário, e desde 1978 é treinadora da equipe cruzmaltina de atletismo. A modalidade é uma das mais tradicionais do clube carioca, citada inclusive no próprio hino. 

Se a história do atletismo brasileiro é composta por heróis, como os campeões olímpicos Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz e Maurren Maggi, os profissionais que, com muito amor e dedicação à modalidade, seguem na busca por novos talentos, também merecem a honraria. É o caso de Solange. Sem estrutura digna para a prática do esporte, ela se vira como pode. Treina os atletas da equipe em locais abertos, como a Quinta da Boa Vista, por exemplo. Além disso, está sempre à procura de novas crianças para a escolinha do clube. Solange também dá aulas de atletismo em colégios.

“Podíamos estar ganhando tempo para avançar com os novos talentos, novas descobertas, mas estamos perdendo com a falta de estrutura. Mesmo assim, seguimos trabalhando com o que temos. Os pisos nos colégios não são adequados para a prática, especialmente com crianças de pouca idade. As atividades ficam restritas a uma, no máximo duas vezes na semana, por causa do impacto do solo. O Célio de Barros era o local adequado para o atletismo no Estado do Rio de Janeiro, mas acabou. Ficamos muito tristes com essa realidade. Não há local para treinamento, não há local para evoluir”, lamenta Solange. 

De acordo com a treinadora, a procura de crianças pelo atletismo caiu bastante em virtude deste cenário nebuloso. Estimular a iniciação dos jovens em uma modalidade que padece com poucos locais decentes de treinamento não é tarefa simples. “É muito difícil. Nós ainda buscamos novos praticantes. Eu vejo uma criança na rua, com um tipo esguio, e pergunto se quer praticar. A procura era grande em outras épocas. Hoje em dia, não mais. Até os pais ficam preocupados em colocar suas crianças para treinamentos ao ar livre. Outro dia mesmo tive que cancelar um treinamento na Quinta da Boa Vista porque havia muita confusão no local”, explica a professora, que lamenta o fato de não existir mais pista no Vasco. Até a década de 1980, o clube contava com uma boa pista no Estádio de São Januário, local que serviu muitas vezes para treinos de atletas da seleção brasileira.

Apesar de todas as barreiras, não aquelas que ficam na pista para os atletas pularem, mas as que vêm de fora, Solange Chagas mantém intacta a paixão pelo atletismo. Com um trabalho sério, ela continua fazendo de tudo para manter a chama da modalidade acesa. 

 

O atletismo pelo Brasil

 

A dificuldade encontrada na cidade do Rio de Janeiro para a prática do atletismo é um retrato do atual cenário do esporte de base no Brasil. Em alguns lugares, os recursos provenientes de parcerias com a iniciativa privada proporcionam uma melhoria estrutural. 

atletismo-pinheiros-ricardo-bufolin_copy_450É o caso do Clube Escola Santo Amaro, em São Paulo. O local conta com quadras poliesportivas, academia de boxe, quadras de tênis e piscina semi-olímpica. O atletismo também tem o seu espaço lá. Os alunos que procuram pela escolinha do clube sabem que podem usufruir de uma boa estrutura. “O clube tem uma pista de atletismo, reinaugurada há pouco tempo em parceria com uma empresa privada. O aluno se inscreve, faz o exame médico e as aulas ocorrem duas vezes na semana”, explica Jonas Barbosa, coordenador do centro esportivo do clube. 

Considerado um dos clubes poliesportivos mais importantes do país, o Esporte Clube Pinheiros, também da capital paulista, realiza um trabalho de excelência em várias modalidades olímpicas, como ginástica artística, natação, judô, basquete e vôlei. No atletismo não é diferente, inclusive apoiando atletas paralímpicos. O velocista amputado Alan Fonteles, medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, defende as cores do Pinheiros desde 2014.

Fotos: Divulgação


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