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Memória Olímpica

Lars Grael

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Influenciado pela família, Lars Grael tem uma forte ligação com o esporte desde criança. Seu pai Dickinson Grael, um coronel do exército apaixonado pelo esporte, foi precursor do paraquedismo no Brasil e, dentro das Forças Armadas, praticou diversas modalidades esportivas, além de presidir a Comissão Desportiva Militar Brasileira e ter sido vice-presidente do Conselho Internacional do Esporte Militar.

Lars nasceu na cidade de São Paulo, no dia 9 de fevereiro de 1964, mas, como filho de militar, experimentou diversos endereços. As aulas de vela começaram ainda cedo, de maneira lúdica, no Iate Clube de Brasília, onde passou parte da infância. Nos períodos em que morou longe do mar, usava as férias escolares para encontrar o avô Preben Schmidt e seu entusiasmo pelos barcos, em Niterói. Assim, aprendeu os primeiros segredos de cabos, velas, ventos e marés, juntamente com os irmãos Axcel e Torben.

larsgrael-sulamericanostar-2_450Além do pai e do avô, a referência no esporte também veio por meio dos tios gêmeos Axel e Erik, os primeiros velejadores do país a vencerem um Campeonato Mundial. 

Lars começou a competir de Optimist e Pinguim. Mais tarde, ao se mudar para Niterói, foi convidado a ser proeiro do irmão Torben, já reconhecido por um grande velejador, na Snipe. Problemas de saúde com um tripulante, fizeram Torben sair à procura de um substituto. Nessa classe, conquistaram juntos os primeiros títulos de expressão: bicampeões brasileiros e campeões mundiais (na cidade portuguesa do Porto, em 1983). 

Diante dos bons resultados, os irmãos insistiam em participar como dupla dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Entretanto, os tipos físicos de Lars e Torben eram diferentes, o que prejudicava o bom desempenho do barco. Certa vez, Lars teve que engordar três quilos para poder estar no peso ideal para uma competição.

Desfeita a dupla, Lars migrou para a classe Tornado, o catamarã olímpico que aumentou sua coleção de medalhas. Foi este barco que o levou a dois pódios olímpicos: os bronzes de Seul-1988, com o proeiro Clinio Freitas, e Atlanta-1996, ao lado de Kiko Pelicano. Lars ainda participou das edições de Los Angeles-1984, onde terminou em sétimo lugar, e Barcelona-1992, finalizando em oitavo. Além disso, foi pentacampeão sul-americano, 10 vezes campeão brasileiro e campeão de tradicionais semanas de vela, como Kiel, na Alemanha. 

Apesar das conquistas, a carreira de Lars sempre foi relacionada a momentos de superação por falta da estrutura adequada. Se para as outras modalidades esportivas conseguir apoio financeiro não era fácil, na vela isso parecia ainda mais difícil. Apesar da tradição familiar e da paixão pela vela, a família Grael não tinha um dos quesitos que a classificava como naturalmente da modalidade: ser da elite. 

Foto: Míriam Jeske

lars_grael_-_miriam_jeske_460_460A preparação para a quinta participação olímpica, em Sidney-2000, já estava em andamento quando um acidente mudou os rumos da vida de Lars. Em setembro de 1998, durante um campeonato em Vitória, uma lancha invadiu a área destinada aos competidores e colidiu com o barco de Lars, lançando-o ao mar. velejador sofreu a mutilação de uma das pernas, mas não se afastou do esporte por muito tempo.

Adaptando-se às circunstâncias que sua nova condição física lhe impuseram, Grael passou a se dedicar mais à política, sua outra paixão, sempre buscando melhorias para os atletas nacionais. Foi dirigente do Instituto de Desenvolvimento do Desporto (INDESP) e Secretário Nacional de Esportes, no governo de Fernando Henrique Cardoso, além de membro do Conselho Fundador da Agência Antidoping Mundial (WADA). Também atuou como  coordenador técnico da equipe de vela do Brasil nas Olimpíadas de Sidney, acumulando a função de preparador técnico de seu irmão Torben.

Em 2006, Lars voltou a dedicar-se exclusivamente à vela, competindo na classe Star. Em 2008, disputou a seletiva olímpica brasileira para os Jogos de Pequim, porém, foi derrotado pelo favorito Robert Scheidt. Em fevereiro de 2009, após 11 anos, Lars Grael voltou a integrar a equipe permanente de vela olímpica ao conquistar a Semana Pré-Olímpica em Porto Alegre. Em 2010, chegou a ocupar a quarta colocação do ranking internacional da classe Star da Federação Internacional de Vela (ISAF).

Sem parar de competir, em abril de 2015, Lars assumiu a reativada Comissão Nacional de Atletas, ligada ao Conselho Nacional do Esporte (CNE), por sua vez vinculado ao Ministério do Esporte. Sua principal missão é levar contribuições e ideias de vários atletas para a instituição que rege a política esportiva do país.

Não há dúvidas de que a competição faz parte da vida de Lars, mas a cooperação também se manifesta na sua trajetória, com a participação em um projeto social. O Instituto Rumo Náutico/Projeto Grael iniciou a comunidade de Niterói na vela, ensinando crianças e jovens. 

 

Texto baseado no livro "Heróis Olímpicos Brasileiros", da autora Katia Rubio, e no site larsgrael.com.br


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