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Memória Olímpica

José Telles da Conceição

A medalha número 1

Atleta marcou 1,98 m no salto em altura em Helsinque e deu a 1ª medalha olímpica do Atletismo ao Brasil

O eclético José Telles da Conceição fez história no esporte brasileiro, como o primeiro nome do Atletismo a subir no pódio olímpico. Tal fato aconteceu em 20 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque, na Finlândia. Na final, Telles saltou 1,98 m na primeira tentativa e ainda tentou 2,01 m, mas não passou. Não importava mais: o pódio já estava garantido, porque seu concorrente direto, o sueco Gosta Svenson, só havia acertado 1,98 na terceira tentativa e também falhou na busca de 2,01 m. Assim, o brasileiro ganhou a medalha de bronze e Svenson foi o 4º colocado. Ouro e prata já tinham donos: respectivamente os norte-americanos Walt Davis, com 2,04 m, e Ken Wiesner, com 2,01 m.

O atletismo era diferente nos anos 1950, até na técnica do salto em altura, que era feito de frente – as pernas iam antes do tronco, na ultrapassagem da barra. E a medalha de José Telles, nascido em 23 de maio de 1931, tinha pouco mais de 21 anos quando subiu ao pódio na capital finlandesa. 

Telles era um atleta eclético, mas o salto em altura, junto com os 200 m, era sua prova principal. “Ele tanto tinha velocidade horizontal quanto vertical”, explica Ulisses Laurindo dos Santos, antigo corredor de 400 m com barreiras, colega de equipe olímpica de Telles. “Ele corria 100 m, 200 m, fazia 110 m com barreiras, salto em distância, triplo, salto em altura. Encarava até o decatlo”, lembra Ulisses, que exerceu o jornalismo depois que deixou as pistas.

Telles ainda competiu nos Jogos de Melbourne, na Austrália, em 1956, e foi finalista nos 200 m – terminou em 6º lugar, com 21.3 (21.56 na cronometragem eletrônica).

O menino José Telles sonhava em era ser engenheiro. Mas um dia, após uma competição na escola, em que venceu todas as provas que disputou, com a (curiosa) exceção do salto em altura, mudou de opinião. Em 1946, aos 15 anos, foi treinar no Vasco. Mais tarde, competiu pelo Flamengo, onde ganhou o apelido de homem-equipe, por causa do grande número de provas em que competia... e vencia.

Ícone do Atletismo no País, Telles alcançou a marca de 2 m no salto em altura em 1954, em São Paulo. O recorde foi superado somente 19 anos depois, quando Irajá Chedid Cecy saltou 2,01 m, em Brasília. Em 1954, Telles recebeu o Troféu Helms, como melhor atleta da América do Sul. Era um dos mais importantes prêmios esportivos da época.

Nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, em 1955, ganhou duas medalhas de bronze: no salto em altura (1,91 m), e nos 200 m (21.4). Na volta, leu o que o colega Adhemar Ferreira da Silva escreveu na coluna “Sapato de Prego”, do jornal Última Hora: “Telles, embora com dores, não hesitou em disputar as duas provas.” Uma das medalhas do atleta não aparecia nos registros oficiais do COB. Estudos da Confederação Brasileira de Atletismo e o empenho do presidente da entidade, Roberto Gesta de Melo, que encontrou a medalha com a viúva de Telles (dona Cely), restauraram os registros oficiais.

José Telles tinha excepcionais aptidões físicas e tornou-se o maior detentor de recordes do atletismo nacional – estabeleceu 21 recordes em cinco provas diferentes. Terminada a carreira, em 1966, Telles passou a atuar como consultor da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), precursora da CBAt, da CBF e de outras Confederações. O primeiro medalhista olímpico brasileiro morreu em 18 de outubro de 1974, vítima da violência, assassinado a tiros no Rio de Janeiro.

Texto: CBAT


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