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Memória Olímpica

João Derly

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Arte: Amanda Parmegiani

O ano era 2005. O judô brasileiro já tinha uma história bonita. Aurélio Miguel e Rogério Sampaio foram campeões olímpicos. O país havia conquistado inúmeras medalhas em Campeonatos Mundiais, mas faltava alguém ser o campeão do mundo. Foi então que um gaúcho baixinho, de 1,63m, chegou ao Cairo, no Egito. João Derly havia trocado a categoria ligeiro (60kg) pela meio-leve (66kg). 

Vivendo um bom momento, Derly era apontado com candidato à medalha, embora não fosse o favorito ao topo do pódio naquele Mundial. E o gaúcho foi avançando. Os adversários ficaram pelo caminho, um a um. Até chegar ao último embate, a decisão da medalha de ouro contra o japonês Masato Uchishiba. Campeão olímpico em 2004, o asiático era o grande nome da categoria. Para muitos, João Derly já tinha feito o seu papel e sairia de Cairo com uma bela medalha de prata. Ledo engano. Com menos de um minuto de luta, o brasileiro aniquilou o japonês, venceu por ippon e se tornou o primeiro campeão mundial da história do país.

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A conquista teve um sabor de redenção para o judoca. Em 2002, João Derly ficou seis meses suspenso por doping, após usar um diurético que ajudava a perder peso com rapidez. Depois de chegar ao topo, o gaúcho manteve a grande forma. Em 2007, Derly conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. No mesmo ano, na mesma cidade, pouco tempo depois, o brasileiro foi defender seu título mundial. Em um Campeonato Mundial inesquecível para o país, João Derly já tinha visto as conquistas de Luciano Correa e Tiago Camilo. Não estava mais sozinho, mas quando subiu no tatame, voltou a ser único. Com uma campanha brilhante, o gaúcho faturou o bicampeonato mundial batendo o cubano Yordanes Arencibia na final, em uma luta acirrada, decidida apenas no golden score. Derly é até hoje o único judoca brasileiro a conquistar por duas vezes o Campeonato Mundial.

Em 2008, João Derly chegou aos Jogos Olímpicos de Pequim credenciado por seus feitos nos anos anteriores. O brasileiro era um dos favoritos ao pódio, mas acabou perdendo na segunda luta e deixou a capital chinesa sem medalha. A partir dali, sua carreira foi atrapalhada pelas lesões. Derly fez duas cirurgias no joelho e não conseguiu voltar ao nível que tinha antes. Em 2012, resolveu deixar os tatames. Em uma grande festa promovida pela Sogipa, seu clube no Rio Grande do Sul, o bicampeão mundial derrotou Murilo Osmam, da Costa Rica, em sua última luta. 

Ainda naquele ano, João Derly ingressou na política, se candidatando a vereador de Porto Alegre pelo PCdoB e sendo eleito como o segundo mais votado do pleito: 14 mil votos. 

Texto baseado no livro "Heróis do Esporte Brasileiro", do autor Eduardo Costela (Editora Europa, 2010).


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