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Memória Olímpica

João Carlos de Olivieira (João do Pulo)

joao_do_pulo_afp_401Ouro de Moscou escapa

Dois pódios olímpicos e um recorde mundial que vigorou por uma década

João Carlos de Oliveira, ou simplesmente João do Pulo, apelido criado pelo parceiro de equipe Benedito Rosa Preta e imortalizado no coração de todos os brasileiros, bem que poderia estar no rol dos campeões olímpicos. Talento não faltava ao atleta nascido em Pindamonhangaba, na área paulista do Vale do Paraíba. Um dos primeiros a falar isso era uma autoridade em atletismo: Dietrich Gerner, o profissional que havia preparado Adhemar Ferreira da Silva para a conquista do bicampeonato olímpico na década de 50.

No entanto, os árbitros que atuaram na final do salto triplo nos Jogos de Moscou em 1980 invalidaram saltos que provavelmente dariam o título ao brasileiro. Tempos depois, João ainda falava, embora de forma discreta, que pelo menos um dos saltos anulados chegara bem perto dos 18 metros. Teria sido suficiente para garantir o ouro e um novo recorde mundial, que não foi movimentado nos Jogos de Moscou, embora estivessem na prova final ele próprio, dono da melhor marca do planeta com 17,89 m, e o ex-recordista (com 17,44 m) e tricampeão olímpico Viktor Saneyev.

Pois quem reclamou de forma mais incisiva foi o próprio Saneyev. Pouco antes dos Jogos de Sydney em 2000, quase uma década após o colapso político da antiga União Soviética, ele disse acreditar que “coisas estranhas” haviam acontecido naquela final de 25 de julho de 1980. Para o campeão das três edições anteriores dos Jogos, “não interessava que certos atletas fossem campeões”. Nunca se provou que houve “algo estranho”, mas os árbitros que atuaram na prova foram muito criticados.

João Carlos era apontado como favoritos ao título quando chegou a Moscou. Afinal, cinco anos antes, vencera o PAN na Cidade do México com um voo espetacular de 17,89 m, obviamente recorde mundial, 45 cm melhor que o anterior. Os especialistas lembravam ainda que ele ganhara experiência ao participar, quatro anos antes, dos Jogos de Montreal. No Canadá, o soldado (depois sargento) do Exército brasileiro subiu ao pódio como 3º colocado. Para isso deu um salto de 16,90 m, ficou atrás do norte-americano James Butts (prata com 17,18 m) e de Saneyev (ouro com 17,29 m).

De fato em Moscou João já fez 16,96 m no 1º salto. Na terceira série de saltos, marcou 17,22 m. Os árbitros anularam seus outros quatro saltos. Ainda assim, conseguiu a medalha de bronze novamente. Saneyev ganhou a prata com 17,24 m, e outro soviético, Jaak Uudmäe, originário da Estônia, ganhou ouro com 17,35 m.

Mas o mundo do atletismo sempre manifestou respeito pelo brasileiro, tanto que ele foi eleito um dos 10 melhores triplistas do Jubileu da IAAF (1912-1987) –, ele foi o 3º da lista de que, por sinal, fizeram parte também Adhemar Ferreira da Silva (3º) e Nelson Prudêncio (8º). E seu recorde mundial durou 10 anos, até 1985.

João também foi atleta de ponta no salto em distância: finalista olímpico em 1976, em Montreal, quando ficou em 4º lugar, e também foi recordista sul-americano, com 8,36 m. Em Jogos Pan-Americanos é o recordista brasileiro em títulos: foi bicampeão no triplo e no salto em distância, nas edições da Cidade do México em 1975 e de San Juan, em Porto Rico, em 1979.

Em 1981 ainda conquistou o tricampeonato na Copa do Mundo de Atletismo. Depois de vencer em Düsseldorf em 1977 e em Montreal em 1979, ele ganhou a competição pela terceira vez em Roma, em 1981, com 17,37 m – marca que foi recorde do Estádio Olímpico de Roma até o Mundial de 1987. Em sua última competição internacional, ganhou o título sul-americano em La Paz, na Bolívia, com um salto de 17,05 m.

Porém, três dias antes do Natal daquele ano, ele trafegava pela Via Anhanguera, vindo de Campinas para São Paulo, e seu carro se chocou contra outro. O resultado o obrigou a passar por 22 cirurgias, o que não evitou a amputação de sua perna direita no ano seguinte. João ainda entrou para a política e foi deputado estadual por dois mandatos. Morreu em 29 maio de 1999, um dia após completar 45 anos. Foi velado na Assembleia Legislativa e sepultado em Pindamonhangaba.

Texto: CBAT / Foto: AFP


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