Últimas Notícias

Homem é preso após ameaça de bomba e tenta levar avião a Soshi...
Esporte que constrói o Brasil.

Memória Olímpica

Aurélio Miguel

Determinação, coragem e força de vontade

O campeão olímpico da história do judô nacional

Aurélio Miguel foi o grande responsável pela popularização do judô no Brasil, processo iniciado com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Seul, em 1988. Os representantes nacionais já haviam conquistado quatro medalhas anteriormente (a prata de Douglas Vieira e os bronzes de Walter Carmona, Luis Onmura e Chiaki Ishii), mas o topo do pódio trouxe uma maior visibilidade ao esporte. Uma verdadeira febre de judô tomou conta do país e a procura pelos tatames continuou rendendo frutos pelas próximas seis edições olímpicas.

aurelio-miguel-divulgacao-teto_450O judoca nasceu no dia 10 de março de 1964, na capital de São Paulo. Ainda bebê, Aurélio contraiu uma doença chamada broncopneumonia, uma inflamação do pulmão que gera diversas lesões no aparelho respiratório. Para superar o problema, os médicos recomendaram a prática de esportes, então ele entrou no judô aos quatro anos, mesmo contra vontade.  Começou a competir aos sete anos, ainda apavorado com a pressão, e, aos 18, foi convocado para o Campeonato Mundial Universitário, na Finlândia. 

A partir dessa competição, Aurélio percebeu que poderia lutar em alto nível e passou a sonhar com uma participação nos Jogos Olímpicos. Aos poucos, foi derrubando os obstáculos impostos: venceu o Pan-Americano adulto, em 1982; se tornou campeão mundial júnior, em 1983; enfrentou a arbitrariedade da Confederação Brasileira de Judô; se recuperou de uma cirurgia no ombro; conquistou o bronze no Mundial de 1987 e mais cinco medalhas no circuito europeu. 

O auge da carreira veio nas Olimpíadas de Seul, quando Aurélio alcançou o topo do pódio. NA grande final da categoria meio-pesado, derrotou o alemão ocidental Marc Meiling. O reconhecimento, porém, foi adiado. Na volta para casa, o campeão olímpico precisou continuar lutando contra os desmandos de dirigentes para sobreviver no esporte. Após várias divergências, Aurélio optou por se afastar das competições, só voltando em 1991.

Em Barcelona-1992, foi escolhido como porta-bandeira da delegação, o que os representantes nacionais consideram uma das maiores honras nos Jogos. Antes de deixar os tatames, o judoca ainda garantiu um bronze nos Jogos de Atlanta-1996 e uma prata no Mundial de 1997. 

A última medalha olímpica teve um gosto maior de vitória por tantas dificuldades que enfrentou. Apesar da falta de patrocínio, o campeão olímpico dedicou-se como nunca aos treinamentos e chegou a perder 20 kg para se enquadrar em sua categoria (até 95 kg). Após uma decisão contestada a semifinal contra o polones Pawel Nastula, o brasileiro foi para a disputa do bronze, em que venceu o holandres Bem Sennemans, sua última grande conquista.

Vale ressaltar que Aurélio Miguel conquistou a primeira medalha de ouro da história do judô nacional, inspirando dezenas de atletas a repetir o feito. Se hoje o judô é um dos esportes que mais rende medalhas ao Brasil, é também por conta das lutas pessoais desse paulista. Medalhista de bronze em Atenas 2004, Flávio Canto é um dos judocas da geração seguinte que teve Aurélio Miguel como espelho, como revelou em entrevista ao Esporte Essencial.

 

Texto baseado nos livros "Heróis do Esporte Brasileiro", do autor Eduardo Costela (Editora Europa, 2010), e "Heróis Olímpicos Brasileiros", da autora Katia Rubio (Editora Zouk, 2004).


Fatal error: Call to a member function getLink() on a non-object in /home/storage/a/b4/92/memoriaolimpicabrasi/public_html/incs/coluna_direita_os_jogos.codigo.php on line 28