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Ygor Coelho (Badminton)

05/11/2014
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Por Katryn Dias

Apesar de o badminton não ser um esporte tão popular no Brasil, tem muita gente se dedicando para fazê-lo crescer, como o atleta Ygor Coelho. Aos 17 anos, ele já alcançou grandes resultados e foi o primeiro brasileiro a se classificar para uma edição olímpica, nos Jogos da Juventude, este ano em Nanquim.

Agora, o novo desafio é continuar evoluindo na categoria adulta e se garantir nos Jogos Olímpicos do Rio, competição que fez Ygor optar pela carreira esportiva para realizar um sonho de infância.

 

EE: Você começou no badminton muito novo. Teve chance de praticar outros esportes antes para decidir o que mais gostava?

01_200_09YC: Não cheguei a treinar, mas gostava muito de natação e basquete. Essas modalidades tinham na minha escola e eu brincava de vez em quando. Se não fosse fazer badminton, acho que seria bom em um desses dois esportes. Mas o badminton é muito viciante! Quando você entra, não consegue sair. É muito bom, eu sempre gostei.

EE: O seu pai teve papel fundamental na sua escolha por uma carreia esportiva? Por quê? 

YC: Ah, foi o meu pai que me iniciou no esporte. Com três anos de idade, eu já dei minhas primeiras batidas. Foi ele que me criou no esporte e até hoje está comigo.

EE: Você se iniciou no esporte através da ONG Miratus? Pode contar um pouquinho sobre o trabalho?

02_200_13YC: Eu comecei na Associação Miratus de Badminton, que é uma ONG na comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro. Meu primeiro local de treino foi dentro de uma piscina vazia. Meu pai, o idealizador, queria fazer um projeto de natação, mas na época descobriu o badminton. Só que o terreno já tinha uma piscina pronta e uma garagem, dois locais que ele reformou para serem usados como quadras de badminton. Na garagem, ele dava treino para o alto rendimento. Como eu não era desse nível e ninguém queria jogar comigo, comecei na quadra da piscina. Nos tempos livres, o meu pai ia me encontrar na piscina, que era onde eu ficava brincando.

EE: Como está a Miratus hoje?

YC: Ainda está funcionando. A Miratus hoje é a instituição de badminton que tem mais resultados internacionais. Tem vários atletas se destacando, nas categorias sub-15, sub-17, sub-19. Inclusive, com vários medalhistas pan-americanos.

EE: Como foi crescer já tendo a responsabilidade de treinar?

03_200_11YC: Eu encarei de forma normal, até 2012. Depois que o Brasil foi anunciado como sede dos Jogos Olímpicos, as coisas mudaram. Todo atleta tem o sonho de estar nos Jogos, mas sendo no Brasil é uma coisa ainda mais fantástica.

Depois daí, fui me dar conta de que tudo ia mudar para mim. Em 2012, tive um dos meus melhores resultados e me inscrevi num site de seleção para o Time Nissan. Consegui esse patrocinador fantástico, que até hoje está comigo, e me dei conta de que tinha que levar o esporte mais a sério. Treinei bastante, fui o primeiro brasileiro a conseguir se classificar para uma Olimpíada. E agora estou pensando na classificação para 2016.

EE: Os Jogos Olímpicos do Rio foram importantes para essa decisão de seguir uma carreira esportiva?

YC: Sim, foram fundamentais. Desde pequeno, o meu sonho sempre foi participar de uma Olimpíada. Mas depois que os Jogos foram anunciados para o Brasil, todo dia eu dava meu sangue pensando em estar dentro dessas Olimpíadas. Não só eu, como todos os brasileiros...

EE: Como foi a experiência de competir nos Jogos Olímpicos da Juventude? Você saiu satisfeito com o seu resultado?

05_200_11YC: Nossa, saí muito satisfeito! Eu não esperava ganhar nenhum jogo lá, porque todos os atletas eram bons. Para classificar para uma Olimpíada, tem que ser muito bom, e eu classifiquei por pouco. Lá peguei o número 18 do ranking, que era o melhor americano, dez posições à minha frente. Mesmo assim, ganhei. Depois disso, adquiri uma confiança enorme. Dei tudo o que podia contra o campeão mundial e, por pouco, não consegui levar o jogo. Mas sei que agora meu nível é de igual para igual com os chineses da categoria júnior, os melhores do mundo. Agora estou indo para o adulto e vamos ver aonde vou chegar. Estou treinando fora para melhorar o nível. Estou testando todas as possibilidades. A Copa Internacional de Badminton, em São Paulo, foi um teste de nível, porque não tinha jogado nenhum campeonato depois de Nanquim e estou voltando agora já no adulto. Mesmo assim, passei de dois camaradas extremamente fortes.

EE: Qual a sua expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio? Qual sua estratégia para garantir uma vaga? 

YC: Ainda não tenho. Espero entrar na seleção brasileira adulta no ano que vem. Lá a equipe tem táticas que podem me ajudar a classificar. O badminton tem vaga garantida, mas teremos uma competição interna para ver que atleta vai participar e outra chance de classificação pelo ranking mundial. Mas para dois atletas de um mesmo país irem, um deles tem que estar entre os 15 melhores. Como o Brasil tem vaga garantida, acho que se um alcançar o 60º lugar no ranking, talvez já seja suficiente para classificar dois: um pelo ranking mundial e outro pela vaga do país.

ygor-coelho-artengo-texto_450_01EE: Atualmente você está zerado no ranking mundial do adulto, porque nunca tinha competido na categoria. Você teria tempo hábil para buscar a classificação pelo ranking?

YC: Estou praticamente zerado, mas o ano pré-olímpico só começa em 2015. Esse ano, o ranking ainda não conta para as Olimpíadas, só para os Jogos Pan-Americanos. O meu primeiro objetivo é classificar para o Pan de Toronto. Se eu conseguir, vamos ver o que acontece em 2016. Mas o primeiro passo é Toronto.

EE: Recentemente você se mudou para a Dinamarca. Como foi essa decisão?

YC: Depois dos Jogos Olímpicos de Nanquim, meu pai sentou com outros profissionais para conversar sobre o destino do meu Bolsa-Atleta. Estou investindo essa bolsa e o patrocínio que ganho da Nissan para estar na Dinamarca. Estou lá treinando há cerca de dois meses e meu intercâmbio termina em novembro. Mas vou voltar ano que vem.

06_200_09EE: O que a Dinamarca tem para você que o Brasil não oferece?

YC: Jogadores mais experientes e treinamento mais intensivo, principalmente. Meu pai me ensinou muita coisa, é graças a ele que estou nesse nível hoje. Ele criou exercícios que me possibilitaram aprender muitas coisas antes de sair do país. E quando dominei todas essas técnicas, pensei em sair do país para evoluir mais. Na Dinamarca, estão me dando o complemento desse aprendizado, com algumas correções táticas e um treino mais físico.

EE: Então, você vai aplicar o que aprender na Dinamarca nos seus treinos no Brasil, não é?

YC: Eu já estou aplicando, na verdade. Cheguei às quartas de final da Copa Brasil Internacional, vencendo o número dois das Américas. Não esperava passar dele. Na verdade, não esperava nem passar do qualifying, onde ganhei de um cara chamado Matthieu Lo Ying Ping, que é o melhor jogador da minha marca de raquete. Eu passei dele e no round dois, ganhei do segundo melhor americano. Nossa, quando o jogo terminou foi uma festa! Eu não acreditei... Acho que até agora a ficha não caiu. Agora não sei até onde posso chegar. Porque estou só começando a jogar torneios internacionais adultos. Meu melhor ranking júnior foi o 17º lugar. Quando classifiquei para as Olimpíadas da Juventude, eu era o número 28 do mundo. Consegui ganhar um jogo lá em Nanquim e perdi para o campeão mundial de 21-19 e 21-17.

07_200_13EE: O badminton ainda é um esporte pouco conhecido em nosso país. O que poderia ser feito para que se tornasse mais popular?

YC: Essa é uma pergunta difícil... Acho que deveria fazer igual ao vôlei. Teve uma época que não era muito conhecido, e fizeram um trabalho de divulgação. Mas acho que depois das Olimpíadas do Rio, o badminton já vai ser mais famoso. Também espero que as pessoas tenham mais acesso à prática do badminton.

EE: Você faz parte do Programa Solidariedade Olímpica do COI. Esse apoio representou uma mudança para você?

YC: Essa bolsa é fantástica e vou usar para investir no meu treinamento. Vai me ajudar bastante a pagar minha estadia lá na Dinamarca. 

EE: Quais suas principais metas para os próximos anos?

YC: Eu voltar à Dinamarca, treinar mais um pouquinho e jogar dois torneios esse ano, um na Finlândia e outro em Porto Rico. Depois de cinco torneios, a minha meta é conseguir entre 5 e 7 mil pontos para ano que vem poder ser Top 200 ou Top 100 do mundo. A ideia é alcançar uma boa colocação no ranking para poder classificar para os Jogos Pan-Americanos de Toronto. E meu sonho é entrar na seleção brasileira.


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Ao lado do seu pai e treinador, Sebastião de Oliveira


EE: O badminton transformou sua vida? Em que sentido?

YC: Com certeza. O badminton me levou a morar sozinho num país diferente, o que eu nunca imaginei que um dia fosse acontecer. Aprendi a ter minhas próprias responsabilidades, tive oportunidade jogar torneios fora e conhecer pessoas novas. Se eu tivesse uma vida normal, acho que não teria conquistado nada disso.

EE: Qual você diria que é o ponto forte do seu jogo? Quais suas principais qualidades que te destacam em quadra?

YC: As minhas principais qualidades são minha movimentação e minha finta. Essas são as duas técnicas que me destacam.

EE: Para você, o esporte é essencial?

08_200_12YC: Eu acho que o esporte é essencial para tudo, para a saúde, para a formação... 

EE: Qual a sua posição sobre o doping no esporte?

YC: A minha opinião é que o doping é desleal. Os atletas têm que ser puros e verdadeiros e não devem usar nada que possa estimular e proporcionar uma vantagem. Eu acho errado, até porque ainda pode prejudicar a saúde. Teve um atleta famoso do badminton, Lee Chong Wei, que já foi afastado do esporte por dois anos por conta de doping. Talvez ele nem participe dos Jogos Olímpicos do Rio por causa da dopagem. Apesar de ser errado, acho que o doping ainda é comum em muitos esportes.

 

Fotos: Divulgação


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