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William Muinhos (Pentatlo Moderno)

12/04/2012
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Por Nayara Barreto e Thyago Mathias


willnew_194_01“A cobrança já aumentou, com a ida à final do campeonato mundial, em 2011, mas sei que no esporte não só quem ganha é o vencedor. Um atleta é um vencedor pela sua trajetória e esforço. Por isso, preciso continuar treinando cada vez mais.”

William Muinhos conheceu o pentatlo moderno pela transmissão  dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Com menos de dois anos de treino, participou de seu primeiro campeonato brasileiro, conquistou a primeira colocação de sua categoria e um segundo lugar no Campeonato Sul-Americano. No ranking, o carioca de 18 anos avançou duas posições na jovem A, em 2011, chegando ao topo da categoria com 92 pontos. Na sênior, é o terceiro melhor brasileiro, em 38º.

Indicado para o Prêmio Brasil Olímpico em 2010, Muinhos acabou de entrar para a história do Pentatlo Moderno, tornando-se o primeiro brasileiro a chegar a uma final de um Campeonato Mundial da modalidade. Enquanto mantém o foco nos treinamentos, já dividiu o tempo como atleta-blogueiro do Memória Olímpica e, agora, com uma graduação em Nutrição.

Memória Olímpica: Como foi a sua aproximação com os esportes?

William Muinhos: Fiz natação desde os quatro anos. Com quatorze anos, conheci o Danilo que é triatleta. Nessa época, ele treinava na Vila Militar e me convidou para conhecer tanto o esporte quanto o local de treinos dele. Gostei muito de tudo que envolvia o projeto, principalmente pela possibilidade de praticar uma modalidade que reúne mais de um esporte. Assim, sempre me envolvi com a prática esportiva, pratiquei mais a natação, mas sempre estive envolvido em atividades físicas. Posso dizer que, por ter feito natação desde tão pequeno, o esporte é parte integrante da minha vida, do meu cotidiano.

MO: O que lhe fez escolher a modalidade do pentatlo?

WM: Bem, o pentatlo como modalidade de competição, conheci com a Yane Marques no pan de 2007, quando ela conquistou a medalha de ouro. Não tinha ideia que uma modalidade poderia ser tão completa quanto essa, pois só praticava intensamente a natação. Primeiramente, o que chamou atenção e fez com que existisse uma identificação com a atleta e com o esporte foi o fato da Yane ser da mesma cidade do meu avô. Aquilo instigou minha vontade de conhecer mais a fundo e, naquele momento, já havia escolhido o pentatlo para minha carreira. A partir daí, procurei saber melhor o que era esse esporte e achei muito interessante reunir o tiro e o hipismo, que eram dois esportes que eu não havia praticado ainda. Fiquei mais instigado a treinar e me aperfeiçoar. Estou me dedicando e vamos ver o quanto ainda posso melhorar.

MO: Quando encarou o esporte como uma possível profissão?

WM: Na época que praticava natação, sabia que nenhum esporte seria para vida toda, no sentido de sustento, pois chega uma idade em que o atleta não consegue mais sobreviver do esporte. Mesmo assim, acreditava que poderia ser um grande nadador profissional e ganhar a vida fazendo aquilo, mas chegou um momento que comecei a me desmotivar, pois não estava nadando tão bem. Foi exatamente na época em que conheci e comecei a treinar o pentatlo. Acredito que a partir da experiência que tive com o pentatlo, voltei a ter uma consciência de que era possível me profissionalizar, mas que mesmo assim, deveria pensar como seria quando não desse mais. Por isso, sempre penso que é preciso ter a responsabilidade de se dedicar como um atleta profissional, mas, ao mesmo tempo, é preciso ter em mente outra carreira. Prestei o vestibular e estou estudando Nutrição, pretendo trabalhar nessa área de nutrição esportiva.

MO: Quais as contribuições teóricas que a faculdade trouxe para sua vida como atleta?

WM: Com as matérias que faço na faculdade, consegui ampliar meu panorama a respeito da alimentação. É muito bom, pois consigo discernir o que é bom e o que vai me trazer algum malefício, mesmo que seja a longo prazo. Consigo ver na minha alimentação o que vai me beneficiar e em que aspecto será esse benefício. Está sendo muito proveitoso unir o que aprendo na faculdade com o meu dia a dia. Acho que consigo complementar minha formação como atleta e melhorar até mesmo meu desempenho.

MO: Como é esse dia a dia e quais são as dificuldades que enfrenta para conciliar o esporte com os estudos?

WM: A única dificuldade é a falta de tempo para fazer tudo, mas, como a paixão pelo esporte é maior, a gente sempre arruma uma forma e um tempinho para cumprir com todos os compromissos e responsabilidades. Acordo, normalmente, às 6 horas, vou para faculdade, saio e vou direto para o treino. Todo esse trajeto é feito de ônibus, o que toma muito tempo do meu dia. À noite, ainda faço o curso de inglês. Tudo isso é muito corrido, mas estou conseguindo conciliar, pois gosto muito do que faço, tanto do que estudo quanto do que treino, então é muito prazeroso, apesar de cansativo e desgastante, mas é preciso fazer um esforço para alcançar todas as metas na nossa vida.

MO: De onde vem sua inspiração para se dedicar com tanto afinco aos treinos e estudos?

WM: A cada competição que participo, vejo que tenho bons resultados. Além disso, posso melhorar e tenho conseguido melhorar. Isso traz um conforto e um estímulo muito grande na carreira de um atleta, motivando-o a se esforçar mais. Essa é minha maior motivação, continuar treinando para que nas próximas competições o resultado seja melhor.

MO: Você tem apenas 18 anos e acabou de entrar para a história do Pentatlo Moderno se tornando o primeiro brasileiro a chegar a uma final de um Campeonato Mundial da modalidade. A partir de agora, é possível que as cobranças aumentem. Como você esta encarando esse momento na sua carreira? Como se sente escrevendo seu nome na história tão jovem?

WM: Estou sem palavras para descrever minha felicidade ao conquistar mais essa vitória. É muito gratificante ver que todo meu esforço, todos os treinos, a disciplina, a dedicação renderam frutos. É muito bom poder trazer essa alegria para todos que me ajudaram e todos que me apoiam. Em relação à cobrança, realmente já aumentou, não tem jeito, e isso eu já sabia que ia acontecer. Ela já vem aumentando desde 2009, quando fui vice-campeão sul-americano. Tenho a cabeça bem no lugar para saber lidar com isso tudo e saber que nem sempre se vence, no esporte não só quem ganha é o vencedor. Um atleta é um vencedor pela sua trajetória e esforço. Por isso, preciso continuar treinando cada vez mais. No fim, lido bem com as pressões e cobranças e procuro fazer o melhor.

MO: Esse segundo lugar no Campeonato Sul-Americano Juvenil de Pentatlo Moderno, em Buenos Aires, veio quando você tinha apenas 16 anos. Que impulso ele deu a sua carreira?

WM: Esse título foi conquistado muito no início, quando tinha só oito meses de treino e, por isso, representou muito para mim, foi um grande estímulo para que eu pudesse acreditar no meu potencial. Foi com esse resultado, também, que pude perceber que o pentatlo era o que eu queria para minha vida, e pude ver que eu era bom e poderia chegar um dia ao topo e representar o meu país. Foi nessa competição que me motivei a treinar e buscar a vaga que consegui para o Mundial.  Além disso, com esse resultado, consegui um apoio do bolsa atleta e é esse apoio financeiro que me mantém hoje e me ajuda com todas as despesas.

MO: Quais as principais dificuldades de treinar uma modalidade que reúne esportes tão diferentes entre si: hipismo, esgrima, natação, tiro e corrida? A preparação é diferenciada?

WM: A preparação é completamente diferenciada, o atleta trabalha habilidades completamente diferentes o que proporciona um aperfeiçoando global bem maior. Também existe uma diferença muito grande ao trabalhar a resistência, pois se trata de uma prova que cansa muito. É feito um treino para que a resistência seja muito bem trabalhada, bastante puxada. E acho que o atleta de pentatlo precisa ser um homem ou mulher de ferro mesmo. Não que seja fácil treinar uma modalidade só, também é muito difícil ser um atleta de alto rendimento em uma modalidade só, mas é que o pentatlo cobra mais da resistência física e do esforço. Outra coisa bem diferente é a questão técnica do tiro. É preciso fazer um treino técnico especifico para conseguir se aperfeiçoar no tiro e acho que um grande diferencial meu é o fato de me dedicar em casa. Nos meus horários livres fora do treino, estou sempre praticando.

MO: Mesmo estando no início de sua carreira, quais foram a maior lição e a maior missão que o esporte lhe deu?

WM: A maior lição é que um atleta tem que se dedicar muito, ter responsabilidade, compromisso e, acima de tudo, treinar por prazer. Tudo o que é feito por prazer tem resultados mais promissores. Se um atleta treina por obrigação, é certo que seu rendimento vai cair. Por isso, uma das maiores lições é que o esporte precisa ser amado, o atleta precisa amar e se dedicar ao que se comprometeu a fazer. E a maior missão é levar o nome do pentatlo brasileiro para o mundo, é representar o meu país.

MO: Como estão preparação e expectativas para os jogos olímpicos de Londres em 2012 e do Rio 2016?

WM: Meu planejamento para 2012 é focar o Campeonato Mundial Júnior e na Copa do Mundo que será no Rio. Classificando bem nessas competições, poderei competir nas olimpíadas. Mas podem ter certeza de que estou dando tudo de mim, meu esforço é sempre centrado nos meus treinos para fazer o melhor representando o Brasil. Em 2016, também estou focando na classificação, prefiro me classificar bem logo em competições internacionais para garantir e não ficar dependendo do ranking brasileiro. O foco é o mesmo, de dar o melhor nos treinos e nas prévias para conseguir representar o Brasil.

MO: Você pode falar um pouco mais sobre a experiência de contribuir para o blog do Memória Olímpica? Como encarou a ideia de produzir conteúdo para web?

WM: Infelizmente, não pude continuar esse trabalho que foi muito importante para mim. Participei do blog por algum tempo, hoje não estou mais, pois não tenho mais tempo. Foi uma experiência ótima, muito bom poder ter um canal de comunicação e ser uma fonte de conteúdo, foi muito bom poder escrever em nome dos atletas do pentatlo e divulgar nossa modalidade na web, a iniciativa é realmente incrível. Foi muito bom poder escrever minhas opiniões sobre esporte. Esse espaço na mídia para atletas que estão começando, como eu, é primordial. Faz com que o esporte ganhe mais visibilidade e as pessoas passam a prestigiar cada vez mais. Um bom exemplo é que o ultimo campeonato brasileiro teve recorde de atletas inscritos, e acho que esse fato é uma consequência da visibilidade na mídia.

MO: Você ainda tem uma longa carreira pela frente. Quais são seus planos?

WM: Daqui para frente, pretendo me aprimorar cada vez mais, me aperfeiçoar, me dedicar aos treinamentos e focar nas competições mais importantes, tanto nas mundiais quanto nas nacionais também. Quero aumentar cada vez mais meu nível de qualidade como atleta e chegar ao topo e poder representar o país ainda por muito tempo, fazendo o que gosto de fazer. E, claro, pretendo continuar os estudos e me formar.

MO: Como você avalia o problema do doping nos esportes?

WM: Acredito que para um atleta conseguir um bom resultado, ele não precisa usar substancias proibidas. É sempre desleal. Acredito que os atletas que se dopam deveriam ser banidos do esporte, pois estão usando um medicamento para melhor desempenho e isso é bastante injusto com todos os outros que se esforçam e se dedicam. Sou contra.


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