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Victor Penalber (Judô)

09/06/2016
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09-06-victor-penalber-capa-interna_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

Dizem por aí que a primeira vez a gente nunca esquece. Imagina, então, o que deve estar sentindo Victor Penalber. O judoca vai estrear em Jogos Olímpicos justamente no Rio de Janeiro, a sua cidade. Aos 26 anos, o atleta chega ao momento mais aguardado de sua trajetória.

Confiante em uma boa participação olímpica, Victor acredita que a torcida brasileira tem tudo para fazer a diferença e levar muita energia para dentro do tatame. O carioca é o quarto colocado do ranking mundial da categoria até 81kg, melhor posição da seleção masculina atualmente. Embalado pela medalha de bronze conquistada no Mundial de Astana, no ano passado, Penalber quer manter a tradição do judô brasileiro, que desde Los Angeles 1984 chega ao pódio em Jogos Olímpicos. No último dia 2, durante a apresentação da seleção olímpica de judô, no Rio, o atleta conversou com o Esporte Essencial.

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Esporte Essencial: Qual a avaliação que você faz do seu ciclo olímpico?

olhos_1_5_200Victor Penalber: Foi um ciclo olímpico um pouco diferente, mas muito importante. No ano de 2012 eu comecei a ganhar competições internacionais. Em 2013, fui para o meu primeiro Campeonato Mundial (no Rio de Janeiro), já como o líder do ranking na minha categoria. Foi uma coisa bem atípica. Acho que tudo isso que eu tenho vivido só tem me feito crescer. No início do ciclo olímpico, talvez eu tenha subido muito rápido, até por ser uma surpresa, os adversários não me conhecerem. Mas durante o ciclo eu passei a ser bem estudado e tive que lidar para evoluir como atleta. Em 2015 eu tive a maior conquista da minha carreira, que foi a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Astana. Chego em 2016 mais maduro e preparado para uma competição ainda maior: os Jogos Olímpicos.

EE: Como cada país só pode ter um representante por categoria nos Jogos, você disputou a vaga com o Leandro Guilheiro, um grande nome da história do judô brasileiro. O fato de ter um grande atleta como concorrente ajudou você a evoluir?

VP: Foi fundamental. É um atleta que é um ídolo. Não apenas do judô, mas é um ídolo nacional, tem uma carreiraolhos_2_5_200 brilhante. Saber que eu tinha que brigar por uma vaga com um atleta desse nível, só me motivava a treinar mais duro todos os dias. Historicamente, no judô, a gente pode ver que as medalhas olímpicas do Brasil muitas vezes saíram de grandes disputas internas pela vaga. Grandes adversários fazem a gente evoluir todo dia.

EE: No Mundial de 2013, sua primeira grande competição, havia uma grande expectativa. Você era o líder do ranking e estava em casa, com muitos amigos na arquibancada do Maracanãzinho. Mas acabou perdendo nas oitavas de final e aquela derrota te abalou bastante. Dizem que os campeões aprendem nas derrotas. Quais as lições que aquele Mundial deixou para você?

VP: A derrota machuca muito o atleta que quer vencer. Ainda mais, lutando em casa, estreando em Campeonatos Mundiais. Aquele momento fui muito duro para mim. Mas, quanto mais forte é a queda, mais forte o judoca tem que levantar. Hoje, eu me vejo mais preparado para entrar em uma luta, para competir em grande nível. Tudo que eu passei contribuiu muito para a minha forma de pensar como atleta. O amadurecimento que eu tive neste ciclo olímpico foi fundamental para a minha evolução.

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EE: Em relação a competir em casa, é uma pressão a mais ou um fator motivacional?

olhos_3_5_200VP: A história mostra que o judô brasileiro sempre teve grandes resultados em casa. No Campeonato Mundial de 2007, foram três medalhas de ouro e uma de bronze. No Mundial de 2013, o Brasil conseguiu seu maior número de medalhas na história do torneio. Então, o judô brasileiro já provou que gosta de lutar em casa. Quem tem que sentir a pressão são os nossos adversários. A gente tem que estar feliz por lutar em casa.

EE: No Mundial do ano passado muitas lutas foram decididas por punições. A torcida pode influenciar os critérios dos árbitros nessa questão?

VP: Acho que pode influenciar, sim. Os árbitros, normalmente, são imparciais. Mas a gente sabe que a cada entrada, cada ataque que a gente fizer, a torcida vai cobrar. A cada ataque que a gente fizer, o árbitro vai sentir que fizemos um ataque. Então, nesse sentido, a gente tem que aproveitar o fator casa e usar tudo que pode a nosso favor.

EE: Fale um pouco sobre a estrutura da CBJ, considerada um fator primordial para os bons resultados do judôfoto_1_400 brasileiro.

VP: Hoje, a CBJ cresceu muito. É uma grande empresa e isso dá tranquilidade para o atleta. Muitas vezes a gente precisa buscar as coisas sozinho, pensar muito fora do tatame. Isso demanda energia, tempo. A gente acaba deixando de ficar algumas horas no tatame treinando, evoluindo, para resolver algum problema externo. Então, a Confederação Brasileira de Judô dá essa tranquilidade e nos deixa mais focado no que realmente nós precisamos para conseguir atingir a nossa melhor forma possível.

EE: Como você analisa o cenário da sua categoria? O ouro olímpico é uma meta factível ou estar no pódio já será um grande feito?

VP: Eu penso no ouro olímpico. Sou do Instituto Reação, do Flávio Canto, e uma frase que ele gosta muito é: “O homem é do tamanho do seu sonho”. Então, a gente tem que sonhar o mais alto que puder. Mas é claro que eu ficaria satisfeito com uma medalha olímpica. É muito difícil prever o que pode acontecer nos Jogos, mas o atleta tem que estar preparado para buscar o ouro. Não sei se eu vou estar em uma outra Olimpíada, se vou ter condições de buscar uma vaga no próximo ciclo olímpico. A gente não sabe o dia de amanhã. O atleta vive do hoje. Estou me preparando para chegar à melhor forma que eu puder nos Jogos do Rio e vou entrar, sim, pensando no ouro. Mas se vier qualquer medalha, todo mundo vai vibrar.

olhos_4_4_200EE: Victor, o esporte é essencial?

VP: No meu caso, o judô é essencial, não apenas por ser um esporte, mas também uma filosofia de vida que me fez ser a pessoa que eu sou hoje.

EE: Deixe um recado para a torcida brasileira.

VP: O trabalho está sendo muito bem feito. O judô está muito bem preparado. Nós vamos fazer uma grande festa dentro do Brasil e vamos torcer muito, fazer a arena virar um caldeirão. 

Fotos: Divulgação/CBJ/IJF


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