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ENTREVISTAS

Vencedora por Natureza, com Jane Karla

18/10/2016
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Por Amanda Salles

Poliomelite na infância. Câncer de mama. Mudanças no corpo. Mudança de esporte há apenas 1 ano dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Assalto e roubo de equipamentos. Adaptação e eliminação em casa. A vida de Jane Karla pode ser contada aravés de um turbilhão de acontecimentos. Pausados e, muitas vezes, dolorosos. Mas basta falar com a atleta por para entender que abater-se é verbo fora do vocabulário.

A Sou do Esporte fez uma entrevista exclusiva com Jane para entender de onde vem tanta força. E acreditem: a risada com certeza é uma de suas fontes. Em cada resposta, a atleta demonstrava a alegria de ter vencido pouco a pouco cada um de seus desafios e a certeza de estar feliz com seu resultado nos Jogos Rio 2016.

16 de setembro de 2016 foi a data que marcou o adeus de Jane na disputa por medalhas na competição. Ela foi eliminada nas quartas de final do torneio feminino de arco composto da Paralimpíada pela chinesa Lin Yueshan, por apenas dois pontos: 141 a 139.

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"A gente sempre quer mais. A gente se esforça demais e com o objetivo de trazer uma medalha, estar com ela na mão. Eu chorei muito, porque vi que era possível estar no pódio. Foi uma infelicidade meu arco falhar três vezes num momento tão decisivo. Eu entrei liderando nas quartas, mas a chinesa também foi merecedora dos resultados dela. Mas foi muito legal, porque também levei muito aprendizado sobre como lidar com as falhas e poder reconhecer que meu resultado foi muito bom para o tempo de treinamento no esporte que eu tive".

Um ano e meio. Foi esse o tempo que Jane Karla teve para se preparar para competir no tirco com arco na Paralimpíada Rio 2016. Bicampeã pan-americana, terceira colocada no ranking mundial, Jane vinha de uma vitoriosa carreira competindo no tênis de mesa paralímpico. No dia 1 de janeiro de 2015, decidiu mudar completamente de rumo no esporte ao trocar as raquetes pelo arco para ficar mais perto da família. E o primeiro resultado foi de cara o ouro no Parapan de Toronto, em 2015, com apenas meses de treino.


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Jane Karla durante os Jogos Paralímpicos Rio-2016 / Foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB

"Todo mundo me disse: Jane, você já está com a vaga no Parapan pelo tênis de mesa. Que doideira! - Mas a verdade é que eu já tinha passado por muita coisa. Teve a morte da minha mãe, um tratamento de saúde e, de repente, quando finalmente estou ao lado dos meus filhos cem por centro, eu tenho que ir embora de novo e me mudar para São Paulo para treinar. Acho que encontrar um esporte que me mantivesse em casa essa foi minha melhor escolha. E deu tudo certo."

Jane também ficou nas quartas de final nos times mistos, ao lado do arqueiro de Goiás Andrey Muniz. Sobre o futuro, ela que passou por tantas mudanças, mantém um único desejo, aconteça o que acontecer: trazer uma medalha paralímpica para casa.

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"Foi incrível entrar no Sambódromo com tanta gente torcendo por mim, gritando meu nome. É um momento único e sóestando ali para entender o que a gente tenta explicar com palavras. Fiz o meu melhor e estou confiante disso. Acredito que ainda não era pra mim aquele momento. Vai ser na próxima e vou me preparar para isso. Eu tenho um espacinho aqui em casa que está esperando há muito tempo uma medalha paralímpica e eu vou colocar ela lá".

Confira abaixo a entrevista completa com a arqueira Jane Karla para a Sou do Esporte. A atleta conta mais detalhes sobre a mudança de esporte, a família e sua visão sobre o esporte paralímpico.

TRANSIÇÃO

"Gostei bastante da esgrima, mas precisava treinar com outros atletas, precisava de uma equipe por perto e, para isso, precisaria ir para o sul do Brasil. O mesmo problema do tênis de mesa. No tiro com arco, encontrei toda essa infraestrutura em Goiânia, podendo ficar ao lado da minha família, que era o que eu mais queria.

Eu tive que aprender tudo do zero. Até hoje, tem muita coisa que eu ainda pergunto para o meu técnico, Henrique Junqueira. Há momentos que eu fico perdida. É um esporte difícil, onde você precisa conhecer muito bem seus equipamentos e a técnica do tiro, além da respiração. A adrenalina que eu sentia no tênis de mesa, de gritar a cada ponto, tudo isso eu tive que esquecer e entrar num lado mais zen, porque o tiro pede".olhos_1_1_200_02

BRAÇO DIREITO

"Meu marido, Joachim Gogel, é meu porto seguro. Ele me deu todo o suporte que precisava nessa transição. Ele é um especialista no tênis de mesa paralímpico, era técnico da seleção alemã, veio para ser técnico no Brasil também, mas embarcou nessa mudança de cabeça comigo. Ele também não sabia nada sobre o tiro com arco. Ele brinca que é meu buscador de flechas. Os equipamentos não são fáceis de carregar. Antigamente eu só levava uma raquete. Agora, me sinto carregando a mesa do tênis de mesa comigo e ele me ajuda sempre".

PARALIMPÍADA EM CASA

"Nos Jogos de 2008, em Pequim, vivi um momento que jamais vou esquecer. Joguei contra uma chinesa, num ginásio lotado de chineses, pois o o tênis de mesa é um esporte muito popular por lá, e todo mundo torcia contra mim. Não fiquei assustada, achei legal e pensei: como eu queria viver isso no meu país. E esse dia chegou. Foi incrível entrar no Sambódromo com tanta gente torcendo por mim, gritando meu nome. É um momento único".

LEGADOolhos_4_1_200_01

"A Olimpíada é um legado maravilhoso que vai ficar para o Rio de Janeiro e para o esporte brasileiro. É um incentivo enorme para a prática entre jovens e crianças, que puderam acompanhar e viver isso de perto. É uma motivação, sem dúvida, muito grande. Além disso, foi muito legal ver as pessoas entendendo que o esporte paralímpico não é um esporte social, mas sim de alto rendimento. Nós batalhamos, treinamos muito, oito horas por dia, para trazer resultados também".

DESEMPENHO PARALÍMPICO

"O esporte paralímpico está a cada dia ganhando mais espaço no Brasil. O trabalho que o Comitê Paralímpico Brasileiro vem fazendo é realmente muito bom. Um exemplo é o Centro de Treinamento inaugurado em São Paulo, que conheci durante a climatização pré-olímpica. É gigante, tem tudo que a gente precisa e vai ser feito um trabalho incrível com aquela infraestrutura. Minha vontade era me mudar com toda a família para poder ficar lá trabalhando".

PATROCÍNIOS

"A mídia também está divulgando mais o nosso trabalho, o que nos ajuda com a questão dos patrocinadores, mas ainda temos muitas dificuldades. Contamos com o incentivo do governo, mas nem sempre isso sustenta ou é possível. 

olhos_5_200_03Meus equipamentos, por exemplo, são muito caros e necessitam de um transporte. Qualquer incentivo faz a diferença. Vivi uma época que ainda não tinha bolsa atleta. Cheguei a ir num campeonato de tênis de mesa na Argentina de ônibus. A gente não tinha condição de pegar um avião. As coisas foram melhorando pouco a pouco, mas ainda buscamos muito patrocínio. Não podemos só depender do governo, porque eu vivo do esporte".

FUTURO

"Continuem com a gente. O esporte paralímpico tem muito mais a mostrar. Quero lutar por muito mais resultados nesses próximos quatro anos, conseguir a classificação para Tóquio-2020 e chegar mais forte, trazendo essa medalha pro Brasil"
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