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Tales Cerdeira (Natação)

04/05/2016
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3-05-capa-interna_tales-cerdeira_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

O carioca Tales Cerdeira vai ter um privilégio que é para poucos: disputar os Jogos Olímpicos na sua cidade natal. Mas quem pensa que o caminho até a classificação foi tranquilo está muito enganado. Após quase chegar à final dos 200m peito em Londres 2012, na sua primeira participação olímpica, Tales passou por um período turbulento.

O nadador ficou fora da seleção que foi ao Pan de Toronto, em 2015. Suas melhores marcas ficavam cada vez mais distantes e Tales chegou até a duvidar de si mesmo. Era quase carta fora do baralho para os Jogos do Rio. Mas na última seletiva, no Troféu Maria Lenk, em abril, o atleta da Unisanta conseguiu o que muitos acreditavam ser improvável. Garantiu o índice para a Olimpíada e, aos 29 anos, vai representar o Brasil novamente no maior evento esportivo do mundo. 

foto_4_690_01Volta por cima: Tales Cerdeira festeja o índice olímpico obtido no Troféu Maria Lenk

Esporte Essencial: Conte um pouco de como foi o seu início no esporte e de quando a natação começou a ficar algo mais sério na sua vida.

Tales Cerdeira: Comecei a nadar porque foi diagnosticado com asma, ainda bebê. Desde então, não parei mais. A natação ficou algo mais sério quando começaram as primeiras viagens e competições. 

EE: Como foi a experiência em Londres 2012, quando você ficou em nono lugar nos 200m peito e quase foi à final? 

TC: Foi muito especial porque era a minha primeira Olimpíada, mas, principalmente, porque tive algumas dificuldades em 2011, além da grave lesão que tive um dia antes de fazer o índice, no Trofeu Maria Lenk.

olhos_1_2_200EE: O ciclo olímpico de Londres para o Rio foi complicado para você. Chegou a desanimar ou nunca deixou de acreditar que conseguiria a vaga?

TC: Em alguns momentos, eu desanimei. Cheguei até um pouco desacreditado nessa última seletiva, por toda dificuldade que tive nesses últimos quatro anos. Mas consegui mobilizar tudo que eu podia para pensar apenas naquilo que eu tinha ido lá para fazer, nadar.

EE: Dá para dizer que por tudo que você passou nos últimos anos, ter conquistado a vaga para os Jogos do Rio foi o momento mais especial da sua carreira?

TC: Não sei se o momento mais especial porque em Londres, quase chegar à final depois de tudo o que passei, foi realmente muito legal. Mas com certeza essa foi a minha maior prova de resiliência e superação. 

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EE: Pensando nos Jogos, você traça algum objetivo em termos de resultado? Acredita que pode ser finalista dosolhos_2_2_200 200m peito?

TC: Com certeza. É de objetivos que o esportista vive. Tenho plena consciência da dificuldade que existe para chegar a uma final. Já tive a experiência de Londres, quando faltou muito pouco. Mas hoje me vejo em uma situação mais favorável, sem lesão, 100% saudável, e ainda mais motivado pelos Jogos acontecerem na minha cidade.

EE: É notório o crescimento da natação brasileira nos últimos anos. Antes nós tínhamos atletas isolados que conseguiam medalhas e bons resultados. Hoje, temos uma equipe, com várias possibilidades de medalhas e finais olímpicas. A que se deve essa evolução?

olhos_3_2_200TC: Tem dois fatores aos quais eu sempre relaciono essa evolução. O primeiro é o fato dos clubes terem se profissionalizado, tanto em relação as suas estruturas, quanto na capacitação dos seus profissionais. O segundo fator tem nome e sobrenome: Cesar Cielo. Ele trasformou a percepção e a forma de pensar de nós, atletas, e dos treinadores. Aquela medalha de ouro olímpica nos fez acreditar que realmente era possível ir além.

EE: Em Kazan, o Brasil conquistou quatro medalhas, sendo que duas foram em provas olímpicas. Existe alguma meta de medalhas traçada pela CBDA para a Olimpíada?

TC: Acredito que a CBDA trabalhe, hoje, com um numero entre duas e quatro medalhas.

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EE: Como é a sua estrutura de treinamentos? Está dando para viver bem com a natação? A estrutura melhorou nos últimos anos?

TC: A estrutura melhorou bastante nos últimos anos. Os clubes evoluíram muito estruturalmente e nós, atletas, temos aolhos_4_200_02 oportunidade de aproveitar essa evolução. A natação não chega nem perto do nível do futebol, mas não posso reclamar.

EE: Os Jogos do Rio podem deixar algum tipo de legado para o esporte brasileiro?

TC: Acredito que, além de poder, é uma obrigação. O investimento foi muito alto e a população, principalmente do Rio, sofreu bastante com a responsabilidade desse evento. Precisamos cobrar dos nossos governantes para que não aconteça o que aconteceu com Atenas.

EE: Você tem algum grande ídolo no esporte? Alguém que seja uma referência para você?

olhos_5_200_02TC: Ayrton Senna é um ídolo para mim e Cesar Cielo, uma grande referência.

EE: Um sonho já realizado e um que ainda queira realizar.

TC: O sonho realizado foi ter disputado uma Olimpíada, em Londres. Agora, o que eu ainda quero é chegar à final olímpica. 

EE: O que pensa sobre doping no esporte?

TC: O doping é um grande problema para o esporte em geral. Enquanto não tivermos uma ampla divulgação para educar os atletas, pais, treinadores, clubes e demais profissionais, o esporte estará sujeito a esse fantasma. É de extrema importância, também, o aumento do controle de exames.

EE: O esporte é essencial para você?

TC: A minha vida se confunde com a natação. Eu não me identifico sem o esporte. Então, para mim, o esporte é, deolhos_6_200_01 fato, essencial.

EE: Para encerrar, deixe um recado para a torcida brasileira que vai acompanhar os Jogos do Rio, especialmente para os fãs da natação.

TC: Sentir a vibração e a energia da torcida brasileira durante os Jogos vai ser o diferencial para que nós, atletas, possamos melhorar aquele centésimo, centímetro a mais. Espero que essa torcida faça muito barulho, e nos ajude a superar todos os limites.

Fotos: Divulgação/Satiro Sodré/CBDA


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