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Esporte que constrói o Brasil.

ENTREVISTAS

Stefano Arnhold (presidente da CBDN)

12/04/2012
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stefanoarnold_660Lutando pelo Brasil na neve

Por João Rabello e Thyago Mathias

"Infelizmente, nós brasileiros temos menos tempo de treino na neve do que gostaríamos. Por isso alguns atletas vão morar no exterior ou passam a maior parte do tempo fora do Brasil”.

A importância de Stefano Arnhold para o esporte de neve brasileiro não se limita ao fato dele ser heptacampeão nacional de esqui alpino. O atleta se destaca também por sua atuação em favor da evolução da modalidade já que, atualmente, preside a Confederação Brasileira de Desportos de Neve.

Stefano esquiou pela primeira vez aos 11 anos de idade em uma viagem com os pais à Suíça. Mas só competiu pela primeira vez quase três décadas depois, com 40 anos de idade. “Minha primeira participação no Campeonato Brasileiro foi em 1994. Na época não conhecia outros competidores nacionais”. No ano seguinte, conquistou o primeiro dos sete títulos nacionais na categoria master.

Hoje, aos 56 anos, treina com intensidade para continuar competindo. O heptacampeão não desconsidera a construção de um esqui dome (estrutura indoor que simula ambientes de competição) no Brasil como uma possível solução para amenizar a desvantagem das condições climáticas.

Há mais de dez anos Stefano ocupa funções importantes nos órgãos gerenciais dos desportos de inverno. “Não tinha nenhuma intenção de dirigir a Confederação, mas fui nomeado Diretor Técnico pelo Sr. Giobbi e depois passei a Secretario Geral, função na qual levei nossos atletas para os Jogos Olímpicos de Salt Lake City, em 2002. Quando retornei dos Jogos, fui eleito Presidente e depois re-eleito em 2006 e 2010”.

Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o esquiador aproveita sua experiência no mundo empresarial na gerência da CBDN. “Os conceitos mercadológicos de uma empresa de produtos eletrônicos de consumo também geram planos de marketing e de comunicação para nossas modalidades na neve. Temos um ambicioso projeto para os Jogos Olímpicos de Sochi 2014, na Rússia, para os quais queremos classificar uma quarta modalidade”. E o discurso se torna ainda mais otimista quando enumera os jovens brasileiros que já têm experiência olímpica e os atletas do infanto-juvenil que enxerga como fonte de bons resultados em 2018.

MEMÓRIA OLÍMPICA: Quando e como você conheceu os esportes de neve?

STEFANO ARNHOLD: Eu tinha uns 11 anos quando esquiei pela primeira vez. Estava com meus pais em Crans-Montana, na Suíça. Minha primeira participação no Campeonato Brasileiro foi em 1994. Na época, não conhecia outros competidores nacionais

MO: E como é representar o Brasil em um esporte que não tem tradição nacional?

SA: O Brasil participa de campeonatos mundiais de esqui alpino desde 1966. Não é um novato na modalidade, mas chama a atenção por ser um país tropical, mais ligado ao futebol, samba e carnaval. Essa percepção ocorre principalmente entre aqueles que não conhecem ou acompanham o esporte com maior profundidade. Nos masters, a participação do Brasil já não surpreende. Estamos no circuito há mais de 10 anos e eu também sou vice-presidente do Comitê de masters da FIS (International Ski Federation), onde represento o esqui alpino e o snowboard.

MO: Os principais resultados que você obteve são no esqui alpino. Nesta categoria, como são organizadas as competições?

SA: O esqui alpino para os masters possui as disciplinas Super G (SG), Slalom Gigante (GS) e Slalom Especial (SL). A primeira é uma prova de velocidade, enquanto as outras são técnicas. Na categoria principal, temos ainda o downhill (DH), que é a prova mais rápida do esqui, e as provas combinadas que unem uma prova técnica e uma de velocidade, geralmente DH (ou SG) com SL. O SG é uma prova disputada com esquis mais longos. As provas técnicas são disputadas em duas descidas com traçados diferentes e somam-se os tempos de ambas. As provas de velocidade são disputadas em uma única descida.

MO: Como é a rotina de treinamento para um esporte de neve, no Brasil?

SA: Os treinos são divididos em uma parte sem neve (dry land training) e outra de técnica na neve. Infelizmente, nós brasileiros temos menos tempo de treino na neve do que gostaríamos. Por isso, alguns atletas vão morar no exterior ou passam a maior parte do tempo fora. Eu treino na América do Sul em setembro, antes da abertura da Copa do Mundo de Masters, que ocorre no Chile, e, depois, no inverno, vou para o norte da Europa durante a semana. Geralmente, as provas de Copa do Mundo são no fim de semana. No Brasil, treino seis vezes por semana, combinando esqui e corrida. Faço provas de rua como corridas de 10 km, meia maratona e maratona. Treino corrida três vezes por semana, variando entre corrida progressiva, fartlek e um dia de “longão”. Também faço musculação e pilates duas vezes por semana.

MO: É possível adaptar treinamentos de um atleta de neve ao contexto brasileiro?

SA: Toda a parte física pode ser feita no Brasil, sem qualquer restrição. No esqui cross country, por exemplo, pode-se emular bem os movimentos com o auxílio de rollerskis. Para o esqui alpino é mais difícil, mas algo pode ser feito com esqui na grama e patins inline.

MO: Qual foi o melhor momento da sua carreira?

SA: Meu melhor resultado em Copa do Mundo foi o segundo lugar em um slalom, em Valle Nevado (Chile), quando venci a Copa Continental Sul-Americana da minha categoria. Um americano, que não havia participado da primeira prova, em Las Leñas (Argentina), e que tinha tudo para vencer a prova de slalom, era favorito para o overall da Copa Continental. Mas ele acabou sendo desclassificado na primeira manga (descida). Eu terminei a primeira manga na terceira posição, mas precisava do segundo lugar para ganhar do americano no overall. Fiz uma excelente segunda manga e acabei em segundo lugar, quase um segundo e meio a frente do terceiro colocado.

MO: Existe solução para a condição climática pouco favorável à evolução dos esportes de inverno no Brasil?

SA: Não acredito que seja um impedimento sem solução. Temos que considerar a possibilidade da construção de um ski dome no Brasil. Além disso, algumas modalidades, como o cross country e o biathlon, podem emular movimentos com os rollerskis. O treino de tiro pode ser feito no Brasil para o biathlon de Inverno e várias modalidades do freestyle podem ter acrobacias treinadas em trampolins acrobáticos e em rampas menores. Como acontece em muitas modalidades, inclusive de verão, os atletas vão morar fora ou passam a maior parte do tempo no exterior, treinando em locais onde o esporte é disputado em níveis mais altos

MO: Além de atleta, você é empreendedor. De que forma buscou contribuir para os esportes de neve no Brasil?

SA: Levar os conceitos empresariais para a CBDN auxiliou o seu desenvolvimento. Para a Confederação também é importante estar junto de uma empresa de capital aberto, o que, de certa forma, contribui com conceitos de governança corporativa e transparência de gestão. Desde 2002, temos nossas contas auditadas por profissionais independentes e as publicamos em jornal e no nosso site. Os conceitos mercadológicos de uma empresa de produtos eletrônicos de consumo também geram planos de marketing e de comunicação para nossas modalidades na neve.

MO: Quais foram seus objetivos ao chegar à presidência da Confederação Brasileira de Desportos de Neve?

SA: Comecei a ajudar o senhor Domingos Giobbi, fundador da ABS (Associação Brasileira de Esqui), em 1997. Ele é maior responsável pelo desenvolvimento dos esportes na neve no Brasil. Eu não tinha nenhuma intenção de dirigir a Confederação, mas fui nomeado diretor técnico pelo senhor Giobbi e depois passei a secretário-geral, função na qual levei nossos atletas para os Jogos Olímpicos de Salt Lake City (EUA), em 2002. Quando retornei dos Jogos, fui eleito presidente e, depois, reeleito em 2006 e 2010, após o Jogos de Turim (Itália) e Vancouver (Canadá).

MO: Quem são as grandes promessas brasileiras nos esportes de Neve?

SA: Temos um ambicioso projeto para os Jogos Olímpicos de Sochi 2014, na Rússia, para os quais queremos classificar uma quarta modalidade. Até Nagano (Japão), em 1998, participamos apenas com o esqui alpino. Classificamos o cross country pela primeira vez em Salt Lake City 2002 e o snowboard em Turim 2006, mantendo as três modalidades em Vancouver 2010. Nossas apostas são no biathlon de Inverno e no esqui cross. Ainda aguardamos a confirmação da inclusão do snowboard slope style no Programa Olímpico de 2014. No esqui alpino, nossos maiores expoentes hoje são Maya Harrisson e Jhonatan Longhi, representantes em Vancouver 2010 que estrearam em Jogos Olímpicos com apenas 18 e 22 anos, respectivamente. Com certeza, eles poderão chegar à Sochi com muito mais experiência. Ainda no esqui alpino, temos Paulo Egydio Setúbal, Chiara Marano e Fabio Guglielmini, em franco desenvolvimento técnico. Para 2018, temos seis nomes nas categorias de base do esqui alpino que, neste último inverno, conquistaram inéditos e importantes pódios em competições internacionais das categorias infanto-juvenis. Entre eles, destaco Esmeralda Alborghetti. Já no snowboard, as esperanças recaem sobre a experiente Isabel Clark, nona colocada nos Jogos Olímpicos de Turim 2006. Na mesma prova de Isabel, o snowboard cross, temos a paulista Nathali Oliani e três atletas no slope style: Marcos Batista, Gustavo Bauer e Andre Bornhausen. No biathlon feminino, assim como esqui cross country, Jaqueline Mourão e Mirlene Picin vêm ganhando medalhas para o Brasil e liderando o ranking Sul-Americano. No masculino, o destaque nestas modalidades é o paulista Leandro Ribela, nosso representante no cross country nos Jogos de 2010. No esqui cross, participamos pela primeira vez do Campeonato Mundial da Modalidade em 2011, em Deer Valley (EUA), com os atletas Christian Blanco e Bruno Monti.


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