Últimas Notícias

Homem é preso após ameaça de bomba e tenta levar avião a Soshi...
Esporte que constrói o Brasil.

ENTREVISTAS

Rafaela Lopes Silva (Judô)

12/04/2012
Esportes relacionados:

Da Cidade de Deus para o mundo

Por João Rabello e Thyago Mathias


rafaelalopes_194_01“Aos oito anos de idade o judô mudou minha vida.”

O judô chegou na vida de Rafaela Lopes Silva em 2000, quando ela tinha apenas oito anos de idade e morava na Cidade de Deus, comunidade localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, conhecida mundialmente em decorrência do famoso filme de mesmo nome e dirigido por Fernando Meirelles.

Sem sair do bairro onde nasceu, a jovem carioca aprendeu os primeiros golpes na academia Body Planet. É lá que ainda funciona o núcleo coordenado pelo professor Geraldo Bernardes, do Instituto Reação/polo Cidade de Deus, ONG criada pelo judoca e medalhista olímpico Flávio Canto. " Meu pai me incentivou muito. E sempre dizia que a rua não dava futuro. Eu teria que estudar ou fazer um esporte. Foi aí que o judô entrou na minha vida", relembra.

Filha de Luiz Carlos e Zenilda, e irmã de Raquel, também atleta do judô, Rafaela veio de família humilde e não tem dúvidas sobre a importância do esporte. "O judô me mostrou outro mundo. Com os recursos que ganho garanto meu sustento e ajudo minha família a pagar as contas”.

A judoca já conquistou os campeonatos carioca, estadual, regional, brasileiro e sul-americano. Também é bicampeã pan-americana e campeã mundial júnior. No início deste ano, em fevereiro, arrasou no Grand Prix de Judô, em Düsseldorf, na Alemanha: arrebatou a medalha de ouro na categoria leve (até 57 kg) depois de vencer cinco lutas derrotando as atuais campeãs olímpica e mundial.

Treinando para ficar com algumas medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, Rafaela também se prepara para conquistar uma vaga nas olimpíadas de Londres de 2012. “Minha meta é acumular pontos e me manter na margem do ranking”, confessa.

Memória Olímpica: Antes de começar a praticar judô, como era sua relação com as atividades físicas? Chegou a praticar outros esportes?

Rafael Silva: Não praticava esporte, apenas brincava na rua jogando bola com amigos...

MO: Quando e como conheceu o judô?

RS: Conheci o judô quando abriu a academia Body Planet na minha rua, em 2000. Então, fui ver se tinha algo que gostasse para eu fazer. Gostei do judô e comecei a treinar brincando, até que um dia resolvi levar a sério.

MO: Seu pai, na época, foi o responsável por colocá-la nas aulas dessa modalidade. O que achou da atitude dele?

RS: Meu pai me dizia que na rua não ia aprender muitas coisas boas, e que eu tinha que fazer um curso ou um esporte. Daí, escolhi o judô, porque pelo menos eu ia brincar. Achei uma atitude muito legal do meu pai.

MO: Como era sua vida antes disso?

RS: Tínhamos uma vida difícil, sem muitos recursos. Nunca tinha brinquedos ou as roupas que queria porque meus pais não tinham dinheiro pra me dar. E nunca pensei que fosse conhecer outro Estado quanto mais outro país... E com o judô já conheci vários!

MO: E o que mudou depois que começou a praticar?

RS: Mudou muita coisa. Se não fosse o judô não sei onde estaria agora. Com o dinheiro que eu ganho posso ajudar minha família a pagar as contas e até já fiz obra lá em casa.

MO: Mais alguém da sua família também seguiu a carreira esportiva? Quem e em qual modalidade?

RS: Minha irmã também pratica judô no Instituto Reação. Eu a convidei quando comecei.

MO: Como foi conhecer o Flávio Canto, criador do Instituto Reação e um dos maiores nomes do judô brasileiro?

RS: Foi legal conhecer uma pessoa como o Flávio, ele me ensinou muita coisa.

rafaela_silva_acervo_arquivopessoal2_619

 
MO: Como é sua rotina de treinos?

RS: Treino de segunda a sexta: à tarde faço musculação e à noite treino judô.

MO: E como concilia seus estudos com os treinamentos e as competições?

RS: É difícil conciliar tudo, mas dando um jeitinho aqui e ali, eu consigo...

MO: Você compete na categoria leve (até 57 kg). Como é a preparação para conseguir manter seu peso nessa margem?

RS: Além dos treinos, quando está perto de alguma competição, retiro bala, chocolate e refrigerante do meu cardápio.

MO: Quais são as maiores dificuldades do judô?

RS: Treinar é a maior dificuldade porque, mesmo gostando muito, tem hora em que fico cansada... Muita viagem, muito treino e o professor sempre em cima cobrando mais treino...

MO: Lembra onde conquistou seu primeiro título? Quando foi e o que você sentiu?

RS: Quando eu tinha oito anos participei de uma competição em Sulacap (bairro da zona oeste do município do Rio de Janeiro). Fiquei em 1º lugar e gostei muito de ter conquistado o ouro na minha primeira competição.

MO: Graças às competições, você já visitou vários países, como, por exemplo, Portugal, Alemanha, Holanda, Rússia, Argentina, entre outros. Como se sente representando o Brasil no mundo?

RS: Fico feliz por estar representando o Brasil pelo mundo e também gosto muito de conhecer os países. Acho que, se não fosse o judô, nem sei se poderia conhecer São Paulo, que fica aqui do lado...

MO: Tem algum país de que gostou mais? Por quê?

RS: A Alemanha. Achei um lugar muito bonito.

MO: Seu desempenho melhora, nitidamente, a cada ano, com cada vez mais conquistas: campeonatos mundiais, sul-americanos, brasileiros e estaduais. De todas as competições que já disputou, qual foi a mais especial?

rafaela_silva_acervo_arquivopessoal4-texto_470RS: O campeonato Mundial Júnior de Judô, na Tailândia, em 2008. Foi meu primeiro mundial e consegui a medalha de ouro. Fiquei muito feliz e ainda pude comemorar com a minha irmã, que também estava lá.

MO: Com apenas 19 anos, você é uma das atletas com grandes perspectivas para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Há chance de você disputar os Jogos de 2012?

RS: Tem, sim. Estou disputando a vaga para Londres 2012. Tenho que acumular pontos para poder participar. Já consegui alguns e estou batalhando para conquistar mais pontos e me manter na margem do ranking para os Jogos Olímpicos do próximo ano.

MO: Acha que seu sonho de ser campeã olímpica pode se realizar em 2016? Por quê?

RS: Acho que sim. Lutar nos Jogos representando o Brasil é muito bom e, com a torcida junto, em casa, melhor ainda. Vou treinar mais e mais pra realizar esse sonho.

MO: Outro sonho seu é se formar em educação física. Você acredita que o conhecimento teórico será importante para sua carreira de atleta?

RS: Ajuda na carreira e também mais tarde. No futuro posso, por exemplo, dar aulas.

MO: O polo do Instituto Reação, onde você treina, atende cerca de 500 crianças e jovens da Cidade de Deus. Como você define a importância desse trabalho realizado pelo Instituto na sua comunidade?

RS: É muito legal dar oportunidade para todas essas crianças que não têm muitas chances de crescer na vida, como eu tive e estou aproveitando.

MO: Quem são seus maiores incentivadores?

RS: Meus pais, minha irmã, meu professor Geraldo Bernardes, o Flávio Canto, meus amigos de treino, e minha “tia” Paula, mãe da minha amiga Thamara. Ela me incentiva bastante. Sempre que estou na casa delas, ela diz que a cada competição que eu for e não voltar com uma medalha devo ficar um mês sem aparecer por lá...

MO: Como o esporte tem mudado a sua realidade e também as perspectivas de vida da sua família?

RS: Hoje, com os patrocínios que conquistei por meio do judô, consigo ajudar minha família. E isso é muito importante para mim.

Fotos: Arquivo pessoal da atleta


Fatal error: Call to a member function getLink() on a non-object in /home/storage/a/b4/92/memoriaolimpicabrasi/public_html/incs/coluna_direita_noticias.codigo.php on line 27