Últimas Notícias

Homem é preso após ameaça de bomba e tenta levar avião a Soshi...
Esporte que constrói o Brasil.

ENTREVISTAS

Pierre de Coubertin: 150 anos

31/12/2012
Esportes relacionados:

Entrevista com o Presidente do Comitê Internacional Pierre de Coubertin - Norbert Müller
Por Günter Deister (Deutsche Presse-Agentur / Agência Alemã de Imprensa)

O  barão Pierre de Coubertin presenteou o mundo com os Jogos Olímpicos modernos. No dia 1º de janeiro de 2013 comemora-se o 150º aniversario de nascimento. Uma ocasião para conhecer melhor a obra e as consequências desse francês.

Hamburgo – O barão Pierre de Coubertin criou em 1913 os cinco aros olímpicos como símbolo de solidariedade pacífica por meio do esporte entre todos os continentes. Quinze anos mais tarde, o francês já não era presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Coca-Cola se converteu no primeiro patrocinador do Movimento Olímpico. O COI estabeleceu em 1949 em sua Carta Olímpica que os aros não poderiam ser utilizados com fins comerciais. Meio século depois, a entidade dos aros registra um volume de negócios recorde bastante superior aos 7 bilhões de dólares (mais de 14 bilhões de reais) durante o período da Olimpíada comercial de 2009 a 2012, a qual chega agora ao seu fim. Os aros e a Coca-Cola ocupam desde algum tempo um posto destacado na lista das marcas mais conhecidas em nível mundial.


stehend_1024

 Pierre de Coubertin, em foto cedida pelo Comitê Internacional Pierre de Coubertin

 

Como motivo do 150º aniversário de Coubertin, que se celebra no dia 1º de janeiro, Norbert Müller diz que “se soubesse dessa evolução, se viraria no túmulo. É a deturpação de sua idéia.” Mas o professor de Mainz, que tem investigado por mais de trinta anos a vida do famoso francês e que documentou seus textos originais em 18.500 páginas impressas, disse também que não existem apenas a figura do grande fundador, do idealista e do ideólogo, a iniciativa de quem restabeleceu os Jogos Olímpicos em 1894, mas que também existem a do pragmático, do relações públicas e do homem dos grandes equívocos – tudo isso na sua época.

Müller disse com convicção: “Sem Coubertin não haveria existido os Jogos Olímpicos”. Se isto é assim, então o francês é responsável em certa medida pela força que irradiam e dos problemas que suscitam as trinta edições dos Jogos de verão e dos vinte um de inverno que foram realizados até hoje, apesar de que se opusesse as competições olímpicas sobre gelo e neve. Segundo Müller, o pedagogo, historiador e amante das Belas Artes “uniu uma idéia esportiva com uma idéia de mundo e com uma idéia de paz.” Isto se pode parafrasear com os conceitos atuais de globalização, diálogo Norte-Sul, coexistência pacífica entre os povos, fair-play e também a paixão pelo rendimento.

O grande equívoco, adotado da Grécia antiga, de que as mulheres deviam permanecer fora dos recintos olímpicos, só pôde ser imposto pelo francês durante o período inicial de restauração dos Jogos Olímpicos. Müller chama este período de “a loucura machista” coubertiniana. Esta teve uma última confirmação nos jogos nazistas de Berlim 1936, nos quais tomaram parte 328 mulheres de um total de 4218 participantes. Para satisfação de Coubertin, que seguiu esses “pomposos” Jogos impregnados de um caráter étnico-populista na solidão, empobrecido e doente desde a distante Suiça, um ano antes de sua morte. Em uma carta de felicitação a Berlim agradeceu ao “povo e a seu Führer” pelos Jogos terem colocado em prática suas idéias.

Algumas coisas que se atribuem a Coubertin, como a expressão “participar é mais importante que ganhar” ou o lema “citius, altius, fortius” (mais rápido, mais alto, mais forte), não foram criados por ele. São adaptações de amigos de seu tempo. A questão do amadorismo e do profissionalismo foi para Coubertin, segundo Müller, um “problema secundário”, que encontrou uma resposta nas discussões com seu entorno intelectual. O “amador verdadeiro” se caracteriza fundamentalmente por sua própria convicção, segundo estabelecido por Coubertin. Como muitos de seus sucessores no cargo de presidente do COI, compartilhou o erro de pensar que era possível separar o esporte da política. Os Jogos de Berlim foram uma mostra do contrário.

Outra pregunta ao professor Müller: Que faria Coubertin, se no próximo mês de setembro fosse eleito como seu sétimo sucessor? “Ele diria que se queremos sobreviver, temos que voltar a colocar os valores em primeiro plano.” Teria que surgir uma espécie de “Clube de Roma”, com eminências como Hans Küng, o teólogo suiço e promotor da Fundação Weltethos, Hans Lenk, campeão olímpico em Roma, impulsor da pesquisa acadêmica olímpica e filósofo, para refletir a fundo sobre o futuro olímpico. E o que faria Coubertin com um Comitê Olímpico Internacional que cada vez economiza mais em seus valores e aparece primeiramente como um comerciante de seus próprios jogos? Müller: “Como um bom pragmático, diria: com o dinheiro só temos que fazer coisas boas.”

 

 Texto editado a partir do original escrito por Norbert Müller,

Presidente do Comitê Internacional Pierre de Coubertin

 

norbert_mu776ller_283_02                                                                   
Norbert Müller em foto de Nelson Todt


Pierre de Coubertin – 150º aniversário de seu nascimento

Fundador do Movimento Olímpico e restaurador dos Jogos Olímpicos modernos. Nascido em 01/01/1863 em Paris, morreu em 02/09/1937 em Genebra.

Pierre de Coubertin costumava passar várias semanas todos os anos em Mirville, propriedade de família na França. Foi lá onde Coubertin desenvolveu suas ideias. Estudou humanismo na escola Jesuíta St. Ignace, em Paris. Apesar de um plano de carreira burguesa, depois de ser aprovado no bacharelado (1880) estudou política, história, sociologia e educação.

Graças à experiência adquirida durante suas numerosas viagens de estudo para a Inglaterra a partir de 1883 em diante e, pela primeira vez, à América do Norte em 1889, logo se tornou financeiramente independente. Coubertin possuía um excepcional talento jornalístico e se dedicou a tão necessária reforma do sistema educacional na República francesa.

Coubertin era um entusiasta do modelo anglo-saxão de educação esportiva, o qual havia descoberto por meio da literatura e durante suas viagens. Thomas Arnold que morreu em 1842, depois de ter sido diretor da Escola Rugby, era um modelo especial para Coubertin. Para ele, o esporte, considerado um capital e parte integrante da educação de jovens britânicos poderia dar a juventude francesa um novo impulso após a derrota de 1870/71.

Apaixonado pelo esporte (praticante de equitação, esgrima, boxe, remo e de tênis), Coubertin começou a criar associações esportivas de alunos, tornando-se posteriormente secretário-geral da Federação Nacional das Escolas de Esporte (FNEE). Organizou escolas esportivas variadas, tendo como referência o exemplo Inglês. Coubertin teve como objetivo revitalizar a juventude francesa de forma a reduzir por um lado a sobrecarga da mente (cognição) e, por outro, aumentar a atividade física. O sentimento de auto-responsabilidade passível de desenvolvimento através do esporte permitiria aos alunos a tornarem-se cidadãos democraticamente esclarecidos.

A ideia de internacionalizar os Jogos Olímpicos nasce do entusiasmo de Coubertin em relação ao legado grego, desvelado pelas escavações arqueológicas alemãs em Olímpia Antiga (1875-81), e dos eventos esportivos chamados "Olimpíadas" e, em especial, os Jogos Olímpicos de Much Wenlock na Inglaterra. As Ferrovias e rotas de navegação, a invenção do telégrafo, os escritos sobre esportes e as trocas comerciais internacionais fizeram o resto.

Por um lado, Coubertin desejava promover o esporte rapidamente por toda a França, e, por outro, ele queria colocar em prática o entendimento entre os povos e servir à paz mundial. Isto tudo, graças à regularidade da realização de eventos esportivos internacionais que reuniriam a juventude do mundo. Para isso, ele recebeu o apoio de um homem que representava uma figura paterna para ele, Jules Simon, o presidente da FNEE e também um dos protagonistas do Escritório da Paz, em Berna, 1889.

A fim de eliminar as barreiras nacionais que impediam intercâmbios esportivos internacionais, Coubertin, como secretário-geral da FNEE, organizou um congresso internacional para a harmonização dos termos do amadorismo em Paris, em junho de 1894.

A restauração dos Jogos Olímpicos no contexto da era moderna foi um assunto inicialmente posto no fim da agenda, mas acabou tornando-se o ponto central das discussões. Em 23 de junho de 1894, Coubertin funda o Comitê Olímpico Internacional (COI) de acordo com um plano de desenvolvimento preciso. Os primeiros Jogos Olímpicos modernos foram realizados em Atenas, em 1896.

Como representante do país anfitrião, o grego, Dimitrios Vikelas tornou-se o primeiro presidente do COI, e Coubertin secretário-geral. Em 1896, Coubertin assumiu a presidência como representante do país-sede da segunda edição dos Jogos Olímpicos, realizados em Paris, em 1900. Ele foi reeleito várias vezes até que deixou o cargo em 1925. Sua administração, embora um pouco dominadora, obteve grande sucesso, pelo menos até o final da Primeira Guerra Mundial. Coubertin teve que se adaptar às novas estruturações do esporte mundial. Independentes disto, poucos membros do COI se disponibilizaram a seguir seus objetivos relacionados à educação esportiva e sua filosofia do Olimpismo. Coubertin já havia publicado em 1901, propostas muito complexas de reformas no ensino. Ideias específicas sobre a educação de adolescentes iriam surgir em seguida com a trilogia sobre a educação dos jovens no século XX.

Além de suas propostas sobre a educação do corpo (1906), ele deu importância também para educação intelectual e edificação da mente (1915). Em 1920, ele resumiu em “Pedagogia Esportiva” seu conceito geral sobre este assunto.

Coubertin tentou colocar suas ideias educacionais em prática, entretanto ele foi obrigado a abandoná-las em fase de modelagem. Em 1906, ele fundou a Sociedade de Esportes Populares graças à massa de assalariados franceses. Esta sociedade, devido à difusão de uma série de testes esportivos, popularizou a ideia do cidadão de mente e corpo saudável.

Foi adicionado a esta campanha o discurso de que instalações esportivas para comunidade era uma necessidade humana.

Depois de transferir a sede do COI para Lausanne, em 1915, Coubertin e sua família se mudaram para esta mesma cidade, em 1919.

Outra iniciativa de Coubertin foi a fundação da União Pedagógica Universal que permitiu a difusão de uma nova forma de cultura geral, abrangendo cultura no sentido lato do termo. Para ele, o interesse em história era uma condição necessária para todos os outros tipos de conhecimento, um fato que ele sublinhou em 1925/26, com a publicação do livro História Universal em quatro volumes.

Tendo também iniciado, em 1926, um escritório internacional de educação em Lausanne, Coubertin difundiu suas ideias educacionais e esportivas com a Carta da Reforma do Esporte em 1930.

Coubertin grava para posteridade suas ideias, planos e visões em 1.100 revisões e artigos de jornal, cerca de 50 folhetos e 34 livros, totalizando cerca de 14.000 páginas impressas.

Morreu em Genebra, em 1937, após ter dado sua vida e fortuna para seus planos filantrópicos.

Os livros de história referem-se a Coubertin como um homem Olímpico, porém devem  se recordar da figura do reformador educacional que ele era. O filho do casal Jacques e filha Renée morreram em 1952 e 1968, respectivamente, sem deixar herdeiros.

Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin 
Presidente: Nelson Todt /
contato: coubertinbrasil@terra.com.br

(Colaborador do portal www.esporteessencial.com.br / Memória Olímpica)


Fatal error: Call to a member function getLink() on a non-object in /home/storage/a/b4/92/memoriaolimpicabrasi/public_html/incs/coluna_direita_noticias.codigo.php on line 27