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Nathan e Esmeralda Alborghetti (Esqui Alpino)

21/05/2013
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Por Katryn Dias

Eles ainda nem completaram 15 anos e já estão mostrando para o mundo que o Brasil também pode competir na neve. Os irmãos Nathan e Esmeralda Alborghetti vêm colecionando medalhas internacionais na categoria infanto-juvenil do esqui alpino. Ela, hoje com 14 anos, deu o pontapé inicial para os pódios quando ganhou o primeiro bronze há três anos. Ele, aos 13, registrou uma marca inédita para o Brasil ao conquistar três medalhas no Trofeu Borrufa 2013, um tradicional torneio de esqui alpino, realizado em Andorra.

"Os outros meninos pensavam que brasileiros não sabiam esquiar e riam de mim e da minha irmã. Agora, eles já sabem que a seleção brasileira está ficando bastante forte e que nós não temos só o futebol" 
(Nathan Alborghetti) 

Filhos de pai italiano e mãe capixaba, os dois nasceram em Salvador, mas hoje estudam e treinam na Itália. Apesar de morarem fora desde pequenos, os dois juram que nunca pensaram em representar outro país nos torneios. Além de sonhar com um longo futuro no esqui – de preferência, com participações olímpicas no caminho –, Nathan e Esmeralda também querem divulgar os esportes de inverno para que cada vez mais brasileiros conheçam e pratiquem.

Esporte Essencial: Por que vocês começaram a praticar o esqui?

Esmeralda Alborghetti: Quando eu tinha sete anos e o meu irmão seis, meu pai nos levou para as montanhas pela primeira vez.  Até então, nós nunca tínhamos esquiado, mas tentamos e logo nos apaixonamos. Como o lugar fica a mais ou menos uma hora de Roma, onde moramos, nós passamos a frequentar aquelas montanhas todos os finais de semana para praticar.

Nathan Alborghetti: Um dia, quando eu tinha seis anos, meu pai falou: “Vamos à montanha”. Eu nunca tinha visto a neve e nunca tinha ido à uma montanha, então fiquei muito ansioso, querendo chegar logo. Assim que eu comecei a esquiar, já me apaixonei e fui querendo treinar cada vez mais. Hoje, sempre que posso, eu vou esquiar. 

EE: E quando foi que vocês começaram a competir?

EA: Nós começamos participando de pequenas competições regionais italianas e algumas nacionais. Até que um dia nós encontramos com o Stefano [Arnhold, presidente da CBDN] na Argentina e descobrimos que existia a CBDN. Aí, quando a gente ficou um pouco maior, começamos a competir pelo Brasil, na categoria juvenil.

nathan-esmeralda-texto_504NA: Eu gosto muito da competição que tem no esqui, por isso me animei. O que eu mais gosto no esqui é não saber o que vou encontrar quando saio para esquiar. Tanto pode ser um dia de sol, que faça calor, quanto pode começar a chover ou até nevar. Então, todo dia o clima troca e o desafio é diferente.

EE: Antes de surgir o interesse por esportes de neve, vocês praticaram alguma modalidade de verão?

NA: Nessa época, por volta dos seis anos, eu praticava judô e natação. Continuei treinando as duas modalidades até acabar. No ano passado, eu comecei a fazer um pouco de atletismo, principalmente corrida, e também frequento a academia.

EE: É tranquilo conciliar o esporte com os estudos? E como fica o tempo para encontrar os amigos?

EA: É preciso muita dedicação para conseguir, porque é difícil. Eu frequento um colégio muito forte na Itália, então preciso estudar muito direitinho, mas também tenho que praticar esportes durante a semana. Às vezes eu levanto mais cedo, por volta das seis da manhã, para me exercitar um pouquinho. Depois vou para a escola e, no final do dia, vou à academia. Tem vezes que o tempo não dá e eu vou dormir tarde para poder estudar mais. Eu tenho fazer um sacrifício... Nos finais de semana, eu e meu irmão sempre esquiamos. Na montanha, também saímos com os nossos amigos que moram lá. E, às vezes, quando eu tenho um tempo livre durante a semana, fico com os meus amigos do colégio.

NA: É muito difícil. Eu vou à escola cinco vezes por semana e por isso só posso esquiar aos sábados e domingos. Algumas vezes, quando precisamos de um treinamento específico, nós passamos uma ou duas semanas na montanha. Mas é muito difícil acontecer isso, porque de segunda a sexta eu preciso estudar muito para fazer todo o dever. E aí, aos finais de semana, eu treino o dia inteiro, das 7h até por volta das 17h, que é a hora que fecha a estação de esqui. Depois, das 19h às 20h, eu faço um pouco de ginástica. Quando eu acabo, não tenho mais tempo para estudar.

nathan-esqui-cbdn-texto2_450EE: Vocês moram na Itália desde pequenos e atualmente competem pelo Brasil. Como é competir em casa, representando um país tão longe?

EA: As pessoas sempre acham estranho a gente competir pelo Brasil, porque não é todo dia que se encontra brasileiros esquiando. Mas eu gosto muito. Os brasileiros se interessam muito em nos conhecer, todos querem entender um pouco da nossa história, e isso é muito legal. Por isso, eu tenho muito orgulho de poder representar o Brasil!

EE: Vocês chegaram a pensar em competir representando a Itália, país onde moram?

EA: Na verdade, não. Desde que comecei a participar de torneios internacionais, por volta dos 11 anos de idade, eu represento o Brasil.

NA: Não, nunca. Na Itália, é muito difícil. Lá, só gente grande se destaca, participa de Olimpíadas, porque eles treinam todos os dias e não vão muito à escola. Por isso, eu gosto de competir pelo Brasil, que também tem um povo muito mais divertido.

EE: Nathan, só esse ano você ganhou duas medalhas no Trofeu Borrufa, em Adorra, e mais duas na Copa Aquilotto, competições de alto nível no esqui. Qual é a sensação de subir ao pódio depois de tanto esforço? O que mudou para você depois dessas conquistas?

NA: Foi muito lindo! Eu adorei conquistar essas medalhas, principalmente porque os outros meninos pensavam que brasileiros não sabiam esquiar e riam de mim e da minha irmã. A primeira medalha quem ganhou foi a Esmeralda, três anos atrás. A partir daquele momento, ninguém riu mais da gente. Agora, que eu ganhei muitas medalhas, sou mais respeitado. Eles já sabem que a seleção brasileira está ficando bastante forte e que nós não temos só o futebol.

esmeralda-alborghetti-texto_434EE: Esmeralda, como você avalia o seu próprio desempenho nessa temporada?

EA: Acredito que eu fui bem. As competições que eu participei tinham em média 80 meninas, e eu sempre chegava entre as 40 melhores. Então, acho que não fui tão mal, mas também não fui tão bem. Sei que poderia ter feito melhor. Mas nessa temporada, fiz uma cirurgia no joelho e, com isso, perdi um pouco de confiança. Agora já estou recuperada e sei que, na próxima temporada, vou ter resultados melhores.

EE: Quais os sonhos e planos de vocês para o futuro?

EA: Eu quero continuar no mundo do esporte, ser atleta profissional, e participar de uma Olimpíada de Inverno. Depois que eu me aposentar, quero abrir uma academia ou viver na montanha ensinando o esqui. 

NA: No futuro, eu quero ir para as Olimpíadas e participar de uma Copa do Mundo de Esqui Alpino. Mais tarde, por volta dos meus 35, 40 anos, quando eu não conseguir mais ser atleta, quero ser treinador. E, quem sabe, até treinador da seleção brasileira.

EE: Vocês acreditam que os brasileiros conhecem os esportes de inverno?

EA: Não, os esportes de inverno não são muito conhecidos. Tem até muita gente que não sabe que existem atletas brasileiros competindo na neve. Mas acredito que, com o tempo e o crescimento da CBDN, os esportes vão ser cada vez mais divulgados.

EE: O que vocês acham que pode ser feito para incentivar o interesse de mais brasileiros por essas modalidades?

NA: Eu acho que os brasileiros precisam assistir mais competições de esportes de inverno e, depois, praticar também. Se as pessoas praticassem, tenho certeza que elas iam se apaixonar, porque é muito divertido.

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EE: Para vocês, o esporte é essencial?

EA: Sim, é muito importante. Eu amo esquiar e quero fazer isso para sempre! É sempre bom fazer uma coisa que a gente gosta e se diverte. Eu prefiro esquiar, no ambiente tranquilo da montanha, do que ficar na cidade.

NA: Muito! É essencial porque uma pessoa que pratica esporte vive mais e nunca fica mal de saúde.

EE: Como atletas, como vocês encaram a questão do doping no esporte?

EA: Eu acho muito errado. Se um atleta quer ter melhores resultados no esporte, ele precisa trabalhar, ir à academia, fazer exercícios. O doping é mau por dois motivos: primeiro, porque não é correto fazer uso dessas substâncias, e depois porque faz mal para a saúde.

NA: Eu não acho muito legal. Quem se dopa acha que fica muito mais forte, mas não é verdade. Para ser forte de verdade, o atleta tem que treinar muito.

Fotos: Divulgação/ CBDN/ Bendita Ideia Comuniação e Imagem


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