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Natália Mayara (Tênis em Cadeira de Rodas)

12/04/2012
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Do reaprender a andar ao competir e vencer

Por João Rabello e Thyago Mathias


mayara_194_01“Meu objetivo são os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro”

Em 1996, quando tinha um pouco mais de 2 anos, Natália Mayara foi atropelada, em Recife (PE), por um ônibus que invadiu acidentalmente a calçada onde estava e que trouxe sérias consequências: teve um edema cerebral, sofreu graves fraturas nas pernas e passou por doze cirurgias, entre elas a amputação dos membros inferiores.

Com 8 anos, mudou para Brasília (DF) para se tratar no hospital da rede Sarah Kubitschek, centro de referência em reabilitação locomotora, onde voltou a caminhar. “O Sarah foi muito importante para mim. Foi lá que fiz algumas de minhas cirurgias e reaprendi a andar com a ajuda de próteses.” Entre as atividades de reabilitação, Natália conheceu os esportes adaptados e passou a praticar natação e tênis a partir dos 12 anos.

Em 2010, em sua primeira participação no Cruyff Foundation Junior Master, realizado anualmente em Tarbes, na França, foi vice-campeã na categoria simples e 2º lugar em dupla. O evento reúne os melhores atletas juvenis do mundo no tênis em cadeira de rodas e se assemelha ao Master Cup do tênis profissional. “Foi o melhor momento da minha carreira e também o meu resultado mais divulgado”, conta a atleta.

No Cruyff Foundation Junior Master de 2011, Natália ficou novamente com o vice-campeonato no simples, quando enfrentou a sua principal rival na modalidade, a colombiana Maria Angélica. “Deixei escapar o título de campeã por pouco...” Um fato curioso é que as duas tenistas jogaram em dupla e se sagraram campeãs na mesma competição. “Nos damos muito bem. Já tinha enfrentado a Maria Angélica antes, no Parapan Juvenil na Colômbia, em 2009, e ganhei, mas não nos falávamos muito. Na França, conversamos bastante e nos tornamos amigas.”

A paixão da tenista pelo esporte  é dividida com uma grande preocupação: os estudos. Natália está no 3º ano do ensino médio e se esforça para conciliar o esporte e a escola. Para isso, conta com o apoio do Centro Educacional Católico de Brasília, que possibilita a remarcação de provas para que possa competir. Além disso, a atleta leva os livros didáticos para suas viagens e tem a ajuda das amigas para repor o conteúdo perdido. Por causa dos estudos, Natália não acredita que tenha muitas possibilidades de disputar os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, mas já mira 2016. “Existe uma chance pequena, mas, como estou na escola, não posso participar de muitos torneios. Fica complicado conseguir pontuação para Londres e meu foco são os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro”.

Memória Olímpica: Qual a importância do Hospital Sarah Kubitschek na sua trajetória?

Natália Mayara: O Sarah foi muito importante para mim. Foi lá que fiz várias de minhas cirurgias e reaprendi a andar com a ajuda de próteses. Então, teve uma importância relevante na minha trajetória.

MO: Como era a sua vida antes dos esportes e como é hoje?

NM: Antes de conhecer o esporte, minha rotina era muito parada... Depois que passei a jogar, vivo conhecendo pessoas novas. Mais disposta, estou sempre viajando, aprendendo com novas culturas e até mesmo sendo reconhecida pelo que faço.

MO: Você praticou natação e tênis, correto? Quando e por que escolheu o tênis em cadeira de rodas para competir?

NM: Fiz natação por um tempo. Cheguei a participar do mundial juvenil, mas, pouco tempo depois, optei pelo tênis, porque é um jogo no qual você se diverte mais, pensa mais e interage com seu adversário o tempo todo, ao contrário da natação. Desde o começo me identifiquei muito com o tênis.

MO: Ainda pratica natação?

NM: Não, mas ainda gosto da modalidade. Só parei porque não tenho tempo. Viajo muito e tenho que repor as aulas, então voltar a nadar poderia me prejudicar na escola.

MO: Onde você treina e como é sua rotina?

NM: Treino no Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE), em Brasília (DF), duas vezes por semana: toda terça e quinta-feira, das 15 às 17h, aproximadamente. Mas, quando tenho competições importantes, tento aumentar a frequência do treinamento.

MO: Qual a maior dificuldade da prática do tênis em cadeira de rodas?

NM: Para mim, a maior dificuldade do tênis em cadeira de rodas não é na parte dos golpes ou movimentação, mas, sim, o psicológico, que é um dos mais importantes requisitos da modalidade. É preciso manter-se focada, sem se deixar abalar, até o final da partida.

MO: Você estuda? Em que série está e como concilia os estudos com os treinos?

NM: Estudo, sim. Estou no 3º ano do ensino médio, no Centro Educacional Católico de Brasília. Para conciliar estudo e tênis, conto muito com a ajuda de amigas, que me passam o conteúdo das aulas quando volto de viagem, e também com a escola, que me apoia e possibilita que eu remarque as provas. Mas também tento sempre levar livros nas viagens e dar uma revisada nas matérias quando possível...

MO: Quais as principais competições em que participou até agora e quais foram seus resultados?

NM: Participei de dois mundiais na categoria júnior, um na Inglaterra, em 2009, e outro na Turquia, em 2010; do Parapan Juvenil em Bogotá, em 2009, no qual fui campeã de simples e de duplas mistas; e duas vezes do Cruyff Foundation Junior Master, na França: em 2010 fiquei em 2º lugar na simples e nas duplas. Em 2011, também fiquei em 2º lugar na simples, mas fui campeã de duplas.

MO: Qual foi o melhor momento da sua carreira? E o pior?

NM: O melhor momento foi quando fiquei em 2º lugar no Cruyff Foundation Junior Master de 2010, que foi meu resultado mais divulgado. Considero que não tive momentos ruins no tênis, pois todas as derrotas me fizeram aprender mais.

MO: Você foi campeã de duplas no torneio Cruyff Foundation Junior Master, jogando ao lado da colombiana Maria Angélica. No individual, se enfrentaram na final e você ficou com a medalha de prata. Como é a relação de vocês?

NM: É verdade... No individual deixei escapar o título de campeã por pouco... Mas nos damos muito bem. Já tinha enfrentado a Maria Angélica no Parapan Juvenil na Colômbia, em 2009, e ganhei. Mas não nos falávamos muito. Agora, na França, conversamos bastante e nos tornamos amigas.

MO: Ela é hoje a sua principal rival nas quadras em competições internacionais?

NM: Considero que sim, pois temos um nível de tênis muito parecido. A minha meta agora é superar esse nível para, quem sabe, ser campeã no próximo Cruyff Foundation Junior Master.

MO: E no Brasil? Existem grandes competições nacionais? Quem são seus maiores rivais?

NM: Atualmente tem alguns torneios internacionais em Belo Horizonte. Neste ano teve também a Master Cup brasileira, em Brasília (da qual foi campeã). Meus maiores rivais, por enquanto, são as meninas da América do Sul.

MO: Você tem algum ídolo no esporte?

NM: Adoro ver os jogos do espanhol Rafael Nadal. Gosto da maneira como ele joga.

MO: Para você, qual é hoje a maior dificuldade para um atleta paraolímpico brasileiro prosseguir na carreira?

NM: Com certeza é a falta de patrocínio, porque sem investimento fica complicado pagar inscrições, viagens e manutenção do material esportivo, o que ocorre também pela falta de divulgação do esporte paraolímpico.

MO: Quem são seus maiores incentivadores?

NM: Com certeza minha família e meu técnico Wanderson Araújo Cavalcanti.

MO: Nos Jogos Paraolímpicos de Londres 2012 você estará com 18 anos. Existe alguma chance de participar?

NM: Existe uma chance pequena, mas, como estou na escola, não posso participar de muitos torneios. Então, fica complicado conseguir pontuação para Londres. Minha meta mesmo são os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

MO: E qual a sua expectativa para os Jogos de 2016?

NM: Espero fazer o meu melhor. Vou jogar em casa, o que vai me favorecer muito. Meu objetivo é subir no pódio.

MO: O que você faz quando não está treinando ou competindo?

NM: Estou na escola, saindo com amigas ou em casa. No momento, não estou fazendo nenhuma atividade extra.


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