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Nada frágil - com Marcela Souza, árbitra de boxe

05/10/2016
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Por Amanda Salles

Rio-2016. Os Jogos Olímpicos mais igualitários da história: 45% de participação feminina. 4,7 mil esportistas. A espera para a chegada desse número, que ainda não é ideal, foi muito longa. Proibidas de participar dos primeiros Jogos da Era Moderna, em Atenas-1896, a primeira participação feminina olímpica foi em Paris-1900, com apenas 22 atletas em um total de 977 competidores.

Boxe. Um esporte milenar que entrou para os Jogos Olímpicos em 1904. Para as mulheres, uma espera ainda mais longa. Somente em 2012 a modalidade feminina foi disputada. E foi somente em 2016,  que o Brasil pode ver pela primeira vez uma mulher arbitrando dentro de um ringue olímpico: Marcela Souza.

São dados como estes que pulsam no peito da entrevistada especial do Esporte Essencial neste início de outubro. Aos 44 anos, Marcela é única mulher brasileira a arbitrar no boxe internacional e foi a única do país nos Jogos Olímpicos Rio-2016. A competição contou com apenas quatro mulheres em um total de mais de 30 árbitros.

"Foi uma experiência única, onde pude perceber o carinho e o respeito que as pessoas tem comigo. Representou a conquista e o reconhecimento da minha dedicação ao esporte. Fiz provas para o quadro de arbitragem brasileiro, que me mostraram que sou tão capaz quanto qualquer um dos homens que estavam ao meu lado. Temos que acreditar em nós, independentemente da nossa função. Nós somos tão boas e capazes quanto qualquer um e nossa capacidade muitas vezes se revela maior do que a dos homens", declara.

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Marcela Souza atuando nos Jogos Olímpicos Rio-2016

INÍCIO NA DANÇA

olhos_1_200_05A trajetória de Marcela Souza até a Rio começou há 16 anos. Formada em Educação Física, ela praticava aeroboxe, quando a liga santista de boxe abriu um curso para árbitros. Desde então, ela passou por diversas competições regionais e internacionais,para homens e mulheres, mas apesar de toda a experiência conquistada nesses anos, a estreia na Rio-2016 foi como a primeira vez.

"A estreia foi como sempre. Com aquele friozinho na barriga, mas ao pisar no ringue, fui recebida calorosamente por toda a torcida brasileira, que me deixaram muito tranquila e confiante para exercer minha função de árbitra. A responsabilidade é grande. Estamos arbitrando e lidando com o sonho de quatro anos de um atleta. Ao pensar no boxe, as pessoas pensam na força, mas como árbitros o que importa é a concentração, atitude e conhecimento das teorias e regras".

BARREIRAS

olhos_4_200_06Marcela Souza garante nunca ter sido discriminada por seu gênero no boxe, mas lembra de situações que a impressionaram como a falta de banheiros ou vestiários femininos em torneios. "Como mulher e negra, esbarro em preconceitos em vários momentos e várias situações em minha vida, mas fui educada a entender e compreender que essas pessoas que são as diferentes. No Brasil nunca passei por esse tipo de situação no esporte. O olhar quando estou no ringue não é um olhar preconceituoso, mas sim de uma pessoa leiga, que se admira ao ver uma mulher exercendo talvez o que para ela seja uma "função de homem".

Eleita melhor árbitra e revelação em diversas competições pelo país, Marcela chama atenção para o apoio recebido pela Confederação Brasileira de Boxe. "A Confederação Brasileira tem um papel muito importante na minha carreira. Semore me apoiou, me ajudou e me auxiliou no meu crescimento como árbitra e continua a apoiar as demais mulheres que estão chegando e crescendo dentro da arbitragem. Precisamos melhorar trazendo a participação ativa das mulheres dentro das federações".

FUTURO NO BOXE

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Depois da experiência nos Jogos Olímpicos, Marcela quer mais. Vai continuar na arbitragem nacional e  internacional, participando dos campeonatos para poder concorrer a uma vaga nos Jogos de Tóquio 2020. E se mais mulheres estiverem ao seu lado nessa, a missão estará ainda mais completa.

"Ser mulher é ser mais forte do os olhos podem ver! Não deixe que nenhum olhar torto, de lado, faça com que você desista do seu objetivo. Todas nós mulheres somos capazes de estar onde queremos estar".


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