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Morgana Gmach (Ginástica Rítmica)

24/11/2015
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Por Fernando Hawad

A relação entre Morgana Gmach e o tablado vem de longa data. Com apenas três anos de idade, a ginasta, que hoje tem 21, iniciou na modalidade que é considerada uma das mais belas do programa olímpico. Natural de Toledo, a paranaense faz parte de uma família que tem a ginástica rítmica no DNA. 

Irmã das também ginastas Monize e Mayra, Morgana pode ser definida por uma palavra: persistência. Foi assim que ela conseguiu uma vaga na seleção brasileira de conjunto, após muitas tentativas. Em 2015, a toledana viveu o momento mais especial da sua carreira, com a conquista de três medalhas no Pan de Toronto. Entre fitas, maças e arcos, Morgana alimenta o sonho de ser uma das cinco atletas que vão formar o conjunto brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio.

 

morgana-fitas-texto_404Esporte Essencial: Na ginástica normalmente as atletas começam bem novas. Com você também foi assim?

Morgana Gmach: Eu comecei muito nova porque tinha uma prima que fazia ginástica. Minha mãe achava muito bonito. Aí ela colocou a minha irmã e eu fui mais no embalo, porque tinha apenas três anos. Comecei acompanhando a minha irmã e estou até agora.

EE: Quando que você começou a participar de competições e o esporte foi se tornando algo mais sério na sua vida?

MG: Eu sempre fui muito competitiva desde pequena. Então, tudo para mim era um grande desafio. Eu considerava muito qualquer competição pequena que disputava, como Estadual, por exemplo. Mas meu primeiro campeonato importante foi em 2003, quando tinha nove anos. Foi o meu primeiro Brasileiro.

 

 

Seleção: o sonho realizado

 

EE: A chegada à seleção de conjunto, como foi?

MG: Sempre busquei entrar na seleção. A primeira tentativa foi em 2009. A partir dali, eu tentava uma vaga todo ano e consegui entrar em 2015.

EE: Você também participa de competições individuais. Como foi a decisão de tentar uma vaga no conjunto e não no individual? 

MG: Eu sempre gostei muito do conjunto porque acho muito bonita a sincronia de várias meninas fazendo os exercícios. No meu clube, eu fazia individual e conjunto. Mas sempre quis entrar na seleção de conjunto. Ainda mais porque minha irmã mais nova (Mayra Gmach) já tinha entrado. Ela entrou em 2012. Então, sempre tentava para poder acompanhá-la e agora eu consegui. 

olho7_200_08EE: O que é mais difícil: competir no individual ou em conjunto?

MG: No individual você tem o seu próprio estilo, a sua perna dominante. Já no conjunto, tem que ser tudo igual. Cabelo, maquiagem, detalhes na mão, no pé, tudo tem que ser muito parecido. É um pouco mais difícil a sincronia de todas as meninas. Tem que trabalhar bastante.

EE: Como é a estrutura do Centro Nacional de Ginástica Rítmica em Aracaju (SE), local dos treinamentos da seleção?

MG: A estrutura aqui é boa. Além disso, tem o acompanhamento dos fisioterapeutas, que é muito importante para as nossas recuperações de lesões, e o acompanhamento médico, que também é muito bom. Temos um plano de saúde que ajuda bastante. A estrutura do ginásio é muito grande e o apartamento onde moramos também é muito bom. Uma van fica à nossa disposição e nos leva o tempo todo para o ginásio, para a casa e para a fisioterapia. 

olho13_200_01EE: Antes você treinava lá em Toledo, não é?

MG: Isso. Lá também tínhamos acompanhamento dos fisioterapeutas, mas não era direto como é aqui.

EE: O Paraná é um grande revelador de talentos para a ginástica rítmica do país. Qual o segredo disso?

MG: Aqui na seleção, cinco ginastas são do Paraná. Lá o trabalho é muito puxado. Isso é fundamental para as meninas se destacarem. E também as técnicas se comunicam bastante. Uma pega um pouquinho do trabalho da outra.

 

Pan de Toronto: o grande teste

 

EE: Seu primeiro grande evento com o conjunto brasileiro foi o Pan de Toronto. Você acabou sendo chamada para substituir a Débora Falda, capitã da equipe. Conta como foi esse momento de saber que estava entre as convocadas para os Jogos.

MG: Eu era reserva, mas como sabia que a Débora estava machucada, a gente sempre revezava nos treinamentos para dar uma poupada nela. Ela ia para o Pan, mas fez os exames, a ressonância, e viu que não ia dar. Quando faltavam dois dias para o embarque, ficou definido que eu ia.

 

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Orgulhosa, Morgana exibe as três medalhas conquistadas no Pan de Toronto

 

 

olho2_200_05EE: Participar do Pan e ainda conquistar três medalhas: dois ouros e uma prata. Foi o momento mais importante da sua carreira?

MG: Sim. Foi muito bom para mim. Eu já estava há muito tempo querendo entrar na seleção e conseguir um resultado desse logo na estreia foi muito importante para a minha carreira.

 

Rio 2016: a meta

 

EE: Sobre Rio 2016, como vai ser fechado o conjunto que vai representar o Brasil nos Jogos?

olho3_200_07MG: São cinco ginastas que vão formar o conjunto. Por enquanto, nós somos oito aqui nos treinamentos. E acho que mais ginastas serão chamadas para a formação de dois conjuntos. As cinco que vão para a Olimpíada serão definidas bem perto da competição porque qualquer coisa pode acontecer. Não dá para definir nada com muita antecedência. No Pan, por exemplo, estava tudo definido para a Debora ir e dois dias antes, mudou. 

EE: Qual seria o resultado considerado satisfatório e possível para o conjunto nos Jogos Olímpicos?

MG: Um resultado muito positivo que vamos tentar conseguir é chegar à final, ficar entre as oito melhores. 

 

 

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 Morgana ao lado das companheiras que se apresentaram no conjunto em Toronto

 

 

EE: Disputar uma Olimpíada em casa. O que passa pela sua cabeça quando você pensa nisso?

olho11_200_03MG: É muito legal ter uma competição tão importante como a Olimpíada na nossa casa. Lá nos Jogos Pan-Americanos havia um número grande de brasileiros e nós nos sentimos quase em casa. A torcida contagia, ajuda muito porque parece que o pessoal está lá dentro com a gente. É muito bom.

EE: Até a definição da equipe olímpica vocês ainda vão participar de alguns campeonatos importantes?

MG: Sim. Para o ano que vem, nós temos muitas etapas de Copa do Mundo, acho que oito ou nove, além de treinamento na Rússia, que também vamos fazer.

 

Intercâmbios

 

morgana-maas-cbg-texto_342_01EE: A técnica da seleção é a Camila Ferezin, que foi atleta do conjunto nos Jogos de Sydney 2000, quando a equipe se classificou para a final e ficou em oitavo lugar. Como a experiência que ela teve no tablado é importante para o crescimento de vocês?

MG: É muito importante tudo que ela viveu porque ela sabe bem o que a gente precisa. Agora também veio uma técnica russa (Ekaterina Pirozhkova), que também já participou de Olimpíada, para nos auxiliar nos treinamentos. 

EE: Interessante. Esse intercâmbio com a Rússia, que é dominante na modalidade, deve ser fundamental para a evolução de vocês. O que vocês conseguem tirar desse contato com a Ekaterina?

MG: A previsão é que ela fique até a Olimpíada aqui. O treinamento que ela faz com a gente é bem puxado. É exatamente o que ela trabalha lá na Rússia. Aqui também é muito puxado, mas os métodos dela são diferentes. Tem detalhes que a gente não imaginava. Algumas coisas pequenas que eu acho que estavam faltando para a nossa equipe. 

EE: São esses detalhes que fazem a Rússia ser tão dominante no cenário mundial da ginástica rítmica?

MG: Acho que são poucas coisas, porque todo mundo parte de uma nota. Conforme você vai errando, a nota diminui. São poucas coisas que erramos, mas alguns detalhes, que às vezes não sabemos, nos tiram pontos. A vinda da técnica russa ajuda a nos mostrar esses detalhes.

olho8_200_04EE: No Mundial da Alemanha, em setembro, vocês ficaram na 16ª colocação. Esse resultado foi frustrante?

MG: Conseguimos a maior nota da história do Brasil em Campeonatos Mundiais, 16.041 nas fitas. Mas a colocação não foi muito boa. Acho que a arbitragem nos tratou um pouco como “café com leite” porque a vaga olímpica já estava garantida. Nosso trabalho foi muito bom. Competimos super bem, com poucos erros. Agora é tentar melhorar para o ano que vem.

EE: A apresentação de vocês nas fitas realmente foi bem bonita, ao som de 'I'm still loving you', da banda alemã Scorpions. Deve ter sido um momento muito legal, não é?

MG: Levantou o público. Todo mundo reconheceu a música. O público aplaudiu bastante, gostou muito da nossa coreografia.

EE: Sobre o rigor da arbitragem, você acredita que em modalidades como a ginástica a tradição acaba pesando um pouco na hora da nota? Por exemplo, os árbitros tendem a ser mais benevolentes com as russas do que com as brasileiras, ou isso não interfere em nada?

olho9_200_03MG: Acho que existe um pouco disso sim, porque as russas são nossos ídolos. Nós, assim como outras atletas, nos inspiramos muito nelas. Acho que até os árbitros se inspiram nelas, porque muitos árbitros são técnicos também. Então, acham as russas maravilhosas. Isso tudo ajuda um pouco. 

EE: A hegemonia das russas na ginástica rítmica vai acabar um dia?

MG: Eu acho que sim. Tanto que no Mundial desse ano, as italianas ganharam das russas, não na disputa geral, mas nas fitas. Elas vieram como umas coreografias maravilhosas, impressionaram todo mundo e levaram o ouro.

 

 

Dedicação

 

EE: Atleta de alto rendimento precisa de muita dedicação para alcançar os objetivos. Você já abdicou de muita coisa por causa do esporte?

MG: Sim, já abri mão de muita coisa. O convívio com a família, namorado e muita coisa boa de comer também, que eu tenho vontade, mas não posso. Precisamos ter uma alimentação bastante regrada. 

olho10_200_03EE: Na ginástica artística a longevidade do atleta tem aumentado. Isso ocorre também na rítmica?

MG: A ginasta mais velha que já competiu foi até os 29 anos. Na ginástica rítmica é mais difícil porque acabamos indo muito além dos limites do corpo, então não dá para prolongar muito a carreira. Dá para ir até os 26, no máximo. Tem uma ginasta aqui com a gente que está com 26, mas é um pouco mais complicado. O corpo já não responde tanto como antes.

EE: Você convive bastante com lesões e dores?

MG: Sempre temos bastante dor muscular. Lesão, eu trabalho muito para não ter. Os fisioterapeutas aqui da seleção nos ajudam com exercícios de força para prevenir as lesões.

EE: Sobre doping no esporte, há bastante controle na ginástica?

MG: Sim, eles fazem sempre o exame antidoping. Mas nós também sempre temos uma ficha de controle para colocar os remédios que estamos tomando e sempre pedimos auxílio do médico para saber se podemos tomar determinado medicamento.  

EE: O esporte é essencial?

MG: Com certeza é essencial. Tanto para a minha saúde, como para a disciplina e o conhecimento que eu adquiri. 

EE: Seu grande sonho como atleta é...

MG: Conseguir participar dos Jogos Olímpicos. É o que eu vou tentar para o ano que vem. É um sonho que está mais perto, um pouco, de ser realizado. Agora estou na seleção, então, um passo já foi dado. 

 

Fotos: Divulgação


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