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Mayra Aguiar (Judô)

03/06/2016
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26-06-capa-interna_mayra-aguiar_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

Com apenas 15 anos, Mayra Aguiar já era titular da seleção brasileira adulta de judô e disputou os Jogos Pan-Americanos do Rio. A prata conquistada naquela ocasião foi um indício do que estava por vir. Nos anos seguintes, a gaúcha se transformou em um dos principais nomes da equipe brasileira.

A regularidade de Mayra impressiona. É raro vê-la fora do pódio em uma grande competição, como ocorreu no Mundial de Astana, no ano passado. Mayra já acumula quatro medalhas em Mundiais, incluindo o inesquecível ouro em Chelyabinsk, em 2014. Bronze nos Jogos de Londres, a atleta está pronta para a sua terceira participação olímpica. E novamente a brasileira será uma das principais favoritas na categoria até 78kg, responsabilidade que não assusta a jovem, porém experiente judoca. Nesta quinta-feira (2), durante a apresentação da seleção olímpica de judô, no Rio de Janeiro, ela bateu um papo com o Esporte Essencial. 

foto_3_650Mayra exibe a medalha de bronze dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012

Esporte Essencial: O que mudou da Mayra que participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, em Pequim, para a Mayra de agora?

olhos_1_4_200Mayra Aguiar: A principal mudança é a experiência. Em cada competição que a gente passa, em cada vitória, cada derrota, principalmente na derrota, a gente aprende muito. Claro que a Olimpíada é uma competição diferenciada, uma competição em que às vezes não é o melhor que ganha, mas, sim, quem está com mais vontade, quem está iluminado ali na hora. Eu me preparei tecnicamente, fisicamente e também psicologicamente para essa competição.  

EE: Como foi ter vivido uma Olimpíada com apenas 17 anos, lá em Pequim?

MA: Foi muito bom ter aquela vivência. Eu perdi na primeira luta, não tive uma competição boa. Mas acho que toda a caminhada até lá, o ciclo olímpico, a vivência na vila, tudo isso agregou coisas muito boas à minha carreira. Em Londres, na Olimpíada seguinte, eu já saí de lá com uma medalha. Então, essa vivência em Pequim foi muito importante.

EE: De Pequim para agora o judô feminino do Brasil só cresceu, atingindo um nível de excelência e, inclusive, superando a equipe masculina nos resultados das últimas grandes competições. Quais os principais fatores para essa subida?

MA: Na verdade a gente nem tem essa mentalidade de superar o masculino porque é um time. Estamos juntos,olhos_2_4_200 crescendo juntos. Mas eu acho que foi muito importante começar cedo. Eu, por exemplo, entrei na seleção adulta com apenas 14 anos. Então, vivi muita coisa já. Tenho 24 anos, mas uma experiência de dez anos competindo, viajando, conhecendo as seleções de fora, pegando nos quimonos estrangeiros, vivendo a realidade de grandes campeonatos. Acho que isso é muito importante. A gente está tendo uma base agora que também está fazendo a mesma coisa. Atletas, desde novos, estão pegando essa experiência. Acho que isso fez a diferença para os resultados aparecerem. Investir no atleta é fundamental. Acreditar no atleta, levá-lo para viajar, dar um foco para ele. Desde muito cedo nós estamos focados no judô, respirando judô. Isso nos trouxe muitas medalhas. 

EE: A seleção brasileira tem feito bastante intercâmbio nos últimos anos. O quanto isso contribui para a evolução de vocês?

olhos_3_4_200MA: Essa troca de experiências, de treinamentos, é muito importante. Apesar de o judô ser um esporte individual, o coletivo é fundamental. Se você não tiver um atleta para treinar contigo, um atleta que bata de frente com você, você não cresce, não evolui. Nós precisamos treinar com gente boa. Dá para sentir como o judô brasileiro evoluiu porque o pessoal de fora vem treinar com a gente aqui. Eles querem buscar o que tem de bom no judô brasileiro. Acho que há uma mistura no nosso judô. A parte asiática, principalmente o Japão, tem uma forma de lutar mais técnica. Na Europa prevalece mais a força. E eu acho que o Brasil conseguiu pegar um pouco de cada. É bem misturado. É bonito o judô brasileiro! 


foto_2_625_01Que momento! Depois de uma prata e dois bronzes, Mayra chega ao título mundial de judô em 2014

EE: Sobre essas diferentes escolas de judô, qual a que você sente mais dificuldade de enfrentar?

MA: Cada atleta tem a sua individualidade. A gente tem que saber lutar contra todos os estilos. Por isso que nósolhos_4_3_200 fazemos treinamentos em vários lugares. Na minha categoria há atletas fortíssimas. Cada vez uma está no lugar mais alto do pódio. Há uma diversidade muito grande. Tem que conhecer muito bem as adversárias e ficar tranquila lutando com cada uma. Os estilos mudam bastante. Tem atleta que é mais veloz, tem outra que é mais de força. Então, tem que saber lutar contra todo mundo. Eu procuro ver vídeos das adversárias, faço treinos específicos simulando o estilo de luta delas. Para cada situação a gente faz um treinamento. 

EE: Como você encara o fato de competir em casa? É um fator motivacional ou uma pressão maior por uma medalha?

MA: Tem esses dois lados. Eu adoro competir em casa. A torcida me joga muito para cima, me incentiva bastante. Além disso, estar no nosso fuso horário, na nossa alimentação, tudo isso favorece. olhos_5_3_200Mas é claro que a pressão vai ser muito maior aqui dentro. A gente já está sentindo isso. Mas o bom de ter um time tão forte é que a gente consegue dividir essa pressão, não fica tudo em cima de um só. A gente está conseguindo levar bem essa situação. 

EE: Muitas lutas estão sendo decididas no critério de desempate, com as punições. Várias lutas acabaram assim no Campeonato Mundial do ano passado e às vezes o critério dos juízes é contestado. Você acha que o fator casa pode ser fundamental para influenciar decisões da arbitragem nesse aspecto das punições ou não tem nada a ver?

MA: Às vezes pode influenciar um pouco, sim. Mas a gente não pode deixar na mão do árbitro. A gente tem que ir lá dentro e fazer o nosso melhor, dar oolhos_6_3_200 nosso máximo. Acho que a torcida pode ajudar bastante a nos dar força naqueles minutos finais, quando a gente precisa segurar uma vantagem, ou buscar uma virada. Espero que a torcida brasileira nos empurre bastante. Vamos dar o nosso melhor lá dentro do tatame e eles vão dar o melhor deles do lado de fora.

EE: Para você, o esporte é essencial?

MA: Com certeza. É uma alegria poder estar vivendo tudo isso, tanto pela saúde, como pelas amizades que a gente faz. O esporte é vida.  

 

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Fotos: Divulgação/CBJ


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