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Matheus Santana (Natação)

29/10/2014
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Por Katryn Dias

Matheus Santana fez sua estreia aos olhos do público brasileiro nos Jogos Olímpicos da Juventude, em agosto deste ano. Ele foi um dos grandes destaques da delegação ao conquistar três medalhas: o ouro nos 100m livre (com direito a novo recorde mundial júnior) e duas pratas no 50m livre e no revezamento 4x100m livre misto.

Na piscina desde os cinco anos, Matheus sonha em competir entre os maiores do mundo nos Jogos do Rio, daqui a dois anos. Ao mesmo tempo, não descuida do futuro e já está cursando uma graduação.

 

Esporte Essencial: Como foi sua iniciação no esporte? Desde o início você já gostava de nadar?

Matheus Santana: Eu comecei na natação aos cinco anos porque tinha uma bronquite leve. Então, foi por indicação médica. Eu era pequeno e não conhecia muito o esporte. Comecei a praticar para melhorar a saúde mesmo. Depois de um tempo, passei a gostar para caramba de nadar. Estava sempre na água e até quando ia para a praia queria nadar no mar.

EE: Quando você começou a sonhar com uma carreira na natação?

MS: Acho que quando era pequeno já sonhava. Eu via as competições na televisão, Olimpíada e Jogos Pan-Americanos, e sonhava em um dia conseguir representar o Brasil lá. Mas acho que passou a ficar um pouco mais sério depois do juvenil, quando vim batendo os recordes do Cesar Cielo e me destacando um pouco mais. Na categoria júnior, já consegui entrar na primeira seleção adulta e me firmar até hoje.

matheus-santana-unisanta-texto_450_01EE: Como foi conciliar a infância e a adolescência com os treinos? Você se arrepende de ter abdicado de muitas coisas?

MS: Não foi difícil porque é o que gosto de fazer. Tem gente que gosta de sair e ir para a balada, mas eu gosto de estar na piscina todo dia, treinando e me esforçando. Gosto de fazer o que faço, então para mim não foi nenhum sacrifício.

EE: Nem quando você era pequeno? Não teve a situação de você querer brincar com os amigos e ter que sair para treinar?

MS: Não, porque quando se é pequeno não tem tanta responsabilidade assim. Dava para brincar e levar uma vida normal, além de treinar. Depois de um tempo que as coisas começam a ficar meio sérias, mas nunca tive nenhum problema com isso.

EE: Você continua estudando? Como foi conciliar o esporte e a escola?

MS: Eu sempre estudei em escolas que apoiavam o esporte. Tiveram algumas escolas em que até competia. No Rio, tinha o Intercolegial, por exemplo, e eu competia pela escola em que estudava. Também tive ajuda dos professores e dos diretores, então conseguia conciliar bem. Agora estou cursando Administração. O começo da faculdade foi meio difícil de conciliar, até porque treino seis dias na semana, de segunda a sábado. Mas estou encaixando tudo aos pouquinhos.

01_200_08EE: No ano passado, você foi cortado às vésperas do Mundial Júnior. O que representou esse corte? Você chegou a pensar em desistir da natação naquele momento?

MS: Para falar a verdade, foi muito difícil aceitar esse corte, mas nunca pensei em desistir. O que eu mais queria era voltar e mostrar para todo mundo que estava bem de novo. O corte foi ruim, mas me incentivou e me tirou um pouco da situação de conforto.

EE: Na época, você foi cortado por ter diabetes. A doença atrapalha em algum sentido o seu rendimento? 

MS: Não atrapalha se eu me cuidar. Na época, não estava me cuidando um pouco, e por isso os resultados dos meus exames ficaram um pouco altos. Então, fui cortado por uma questão de saúde mesmo.

EE: Agora você tem acompanhamento médico e nutricional?

MS: Tenho sim. Sou acompanhado por endocrinologista, nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta. Tem toda uma equipe médica voltada para me ajudar na Unisanta, que é o clube por onde nado.

02_200_11EE: O que achou da experiência de competir nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim? Foi diferente de outras competições que você já tinha participado?

MS: Foi bem diferente, foi uma Olimpíada mesmo e uma competição nova para mim. É realmente um clima olímpico que rola na vila e nas competições. Mas acho que foi uma das melhores competições que eu já participei.

EE: Mas essa avaliação é pelos seus próprios resultados ou pela competição em si?

MS: Olha, um pouco dos dois. A Olimpíada da Juventude é uma experiência boa para qualquer atleta que esteve presente. Além das provas, o espírito que rola na vila, o clima de amizade, todo mundo se conhecendo... Também tem algumas atividades culturais na vila, então acho que foi bem bacana.

03_200_09EE: Já foi uma preparação para você enfrentar os Jogos Olímpicos entre os adultos?

MS: Claro! Qualquer experiência é válida, ainda mais de uma competição no formato olímpico mesmo. A única coisa diferente da Olimpíada normal para a Olimpíada da Juventude foi o limite de idade.

EE: O seu tempo foi o quinto melhor do ano nos 100m livre, inclusive entre os profissionais, e pouco acima da marca de Cesar Cielo. Você considerou o resultado bom?

MS: Eu gostei muito do meu resultado na hora, tanto com o tempo que fiz, quanto com a colocação e a forma com que nadei a prova.

 

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O tão cobiçado ouro olímpico veio justo na prova mais disputada da natação, os 100m livre

 

EE: Você tem apenas 18 anos e já é campeão olímpico. A partir de agora, é possível que as cobranças aumentem. Como você está encarando esse momento? Já sente mais responsabilidade quando vai competir?

04_200_11MS: Acho que sempre vai ter uma cobrança, em qualquer competição que eu participar. As pessoas sempre vão estar me observando e esperando algum resultado bom. Mas isso não costuma me afetar muito. Eu sou um cara tranquilo, sei lidar com esse tipo de pressão. Acho que pressão é normal para qualquer atleta que chega a esse nível.

EE: Antes dos Jogos Olímpicos, qual tinha sido seu melhor resultado?

MS: Antes eu tinha sido vice-campeão brasileiro nos 100m livre, perdi só para o Cesar [Cielo]. Já tinha sido campeão sul-americano nos 100m livre, no 4x100m livre e no 4x100m medley. Além disso, fui vice no Campeonato Brasileiro Open, no final do ano passado. Acho que os principais são esses mesmo.

EE: Depois dos resultados de Nanquim, você foi convocado para nadar o Desafio Raia Rápida, que reuniu grandes nadadores do mundo, como o norte-americano James Magnussen. Como foi nadar com a equipe principal?

MS: Ah, foi bacana, porque é um formato de competição diferente e bem legal. O Raia Rápida tem um clima bem amistoso. E nadar do lado do Nicholas [Santos], do [Guilherme] Guido e do [Felipe] França foi bacana, até porque a gente se conhecia de outras seleções. Como eu já pude nadar com eles outras vezes, nós estávamos bastante entrosados.

 

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Equipe exibe troféu do Desafio Raia Rápia: Nicholas Santos, Guilherme Guido, Matheus Santana e Felipe França

 

EE: Quais as metas para o futuro?

MS: A próxima competição alvo que tenho é o Open, em dezembro, que é a primeira seletiva para o Pan-Americano e para o Mundial do ano que vem.

05_200_10EE: Você já pensa em disputar os Jogos Olímpicos do Rio? Para se classificar, você só precisa do índice ou tem que ser convocado?

MS: Claro, com certeza! O sistema funciona assim: os atletas precisam alcançar o índice de participação, mas cada país só pode levar dois atletas por prova. Ou seja, eu tenho que ficar entre os dois melhores do Brasil para me classificar para os Jogos Olímpicos.

EE: Qual a prova em que você se sente mais a vontade? 

MS: Os 100m livre. É uma prova que estou dominando muito bem na minha forma de nadar. Nós montamos uma estratégia que está funcionando e eu consigo colocar em prática toda vez que caio na água. Então, acho que os 100m livre essa é uma prova que eu diria que me sinto confortável para nadar a qualquer momento. Já nos 50m livres ainda estou evoluindo e os 200m livres é uma nova prova em que eu e a comissão técnica estamos pensando em colocar no meu programa.

EE: Se você for nadar os 100m livres na Olimpíada, provavelmente vai ter que disputar vaga com Cesar Cielo, que já foi campeão olímpico na prova. Isso te afeta de alguma forma ou essa disputa com ele é tranquila?

07_200_12MS: Na verdade, nem sei se o Cesar vai nadar os 100m livres na Olimpíada. Se ele se inscrever nessa prova, também vai ter que passar pelas mesmas etapas que eu. Tem vários caras no Brasil nadando bem essa prova, como o Bruno Fratus e o [Marcelo] Chierighini. Então, vai ser uma boa disputa. Mas acho que não tem uma rivalidade direta com o Cesar. A gente é amigo e se fala. Já competi com ele outras vezes, já nadei essa mesma prova do lado dele. Por isso, acho que seria uma coisa normal, como nadar com qualquer outro adversário.

EE: Você tem algum ritual particular antes de cair na água?

MS: Olha, se tenho, não sei (risos). Acho que fica meio automático depois de um tempo... Eu fico bem tranquilo e costumo tentar mentalizar a prova antes de entrar. Mas não saberia te descrever todos os meus passos. Claro que todo atleta tem aquela superstição. Eu, por exemplo, sempre subo pelo lado direito do bloco.

EE: Quem são seus maiores incentivadores?

MS: Quem me deu o maior apoio, sem dúvida, foi a minha família. Sempre estiveram do meu lado e me incentivaram a continuar nadando. Eles sempre estão presentes em todas as competições. Mas também agradeço o apoio dos meus patrocinadores Embratel, Correios e Unisanta. 

EE: Tem algum nadador que te inspire, um ídolo?

09_200_04MS: Eu já gostei de ver muitos nadadores, mas não diria que eram ídolos propriamente. Sempre acompanhei a natação e os grandes nomes. Uma pessoa que me inspira é o Nicholas Santos. Ele é até meu companheiro de equipe aqui na Unisanta, é campeão mundial no nado borboleta, em piscina curta e longa. É um cara muito bacana, humilde e que sempre procura dar conselhos e passar a experiência para os outros. Ele já viveu bastante coisa, é um atleta experiente... Tem atletas por aí que não querem saber de ajudar os mais novos e, às vezes, direcionar alguém que está começando agora. Mas o Nicholas não é assim. Eu acho o Nicholas um cara fantástico, não só como atleta, mas como pessoa.

EE: Você é novo e já alcançou títulos que muitos atletas sonham. O que você deixaria de mensagem para os jovens que estão começando a competir?

MS: A mensagem que posso deixar é sempre ter amor pelo que faz, não estar ali só por obrigação. Nada flui se for obrigação. Tem que ser natural e vir de dentro mesmo. Sempre acreditar no sonho e se esforçar ao máximo para tentar chegar aonde se almeja.

 

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Matheus comemora seu desempenho dentro da piscina em Nanquim, na China

 

EE: Para você, o esporte é essencial?

10_200_02MS: Sem dúvida! Para mim, o esporte agrega muito à minha vida. Eu sou novo e tenho diabetes, então o esporte ajudou muito na questão de saúde, de controlar a alimentação e ter disciplina. Além disso, o esporte te ajuda como pessoa, a ser humilde, companheiro, te traz os valores que só o esporte traz. Além de ajudar na vida. Eu tive várias bolsas de estudo por conta do esporte, por isso sempre tive condição de estudar e de praticar esporte. Para o futuro, o COB e a CBDA, tem vários planos de pós-carreira para quando eu quiser parar de nadar. Então, acho que o esporte agrega, não só valores, mas te faz crescer na vida e não te deixa desviar para outros caminhos.

EE: Você recebe orientações sobre doping?

MS: Sim. A gente recebe no clube, pela equipe médica, pelo COB e pela CBDA.

EE: O que você acha dos atletas que se dopam para melhorar a performance?

MS: Os atletas que se dopam por vontade não teriam nem que ser chamados de atletas. Quem se dopa sabendo o que está fazendo merece a punição. Talvez até, dependendo do doping, ser banido do esporte. Acho que isso não é uma coisa honesta de se fazer. O esporte tem que ser natural. Desde muitos anos atrás, os valores olímpicos já diziam que o esporte não é só uma competição, mas uma confraternização, uma reunião de todos que gostam de praticar aquelas modalidades. Por isso, acho que o doping vai muito para o lado de ser desonesto e querer se dar bem em cima de uma coisa que não é verdadeira.

Foto: Divulgação/COB e Unisanta


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