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Mário Andrada (Comitê Organizador Rio 2016)

22/10/2013
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andrada-montagem_copy_680A voz do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio


Por Katryn Dias e Maria Clara Modesto

O Comitê Organizador é o órgão responsável pelo planejamento, entrega e legado dos Jogos Olímpicos do Rio. Segundo o site oficial, sua missão é promover a “transformação sustentável através do esporte no âmbito social e urbano”. Nesta entrevista, Mário Andrada, diretor de comunicação do órgão, tenta explicar os bastidores da organização do maior evento esportivo do mundo.

"Um dos meus trabalhos é garantir que todos [os brasileiros] vão ter espaço dentro dos Jogos Olímpicos"

Formado em Economia, Andrada atuou por muitos anos no jornalismo esportivo, passando por diversos veículos nacionais e internacionais. Recentemente, deixou o comando da área de comunicação da Nike para integrar o Comitê Organizador. “Aceitei o desafio porque acredito que a causa é nobre e que pode ter como consequência uma política esportiva mais abrangente para o país.”


EE: O público brasileiro não conhece muito os esportes olímpicos. O Comitê Organizador da Rio 2016 pretende fazer algum trabalho para apresentar essas modalidades?

MA: O público precisa conhecer para poder gostar e, quem sabe até, praticar. A primeira coisa é divulgar as regras. Até porque tem jogos muito complicados, como rugby e golfe, que só quem pratica conhece detalhes das regras. Então, nós vamos divulgar os detalhes de todas as regras. Porém, mais importante do que isso, é explicar para o público como ganha o jogo. No futebol, por exemplo, uma das regras é que não pode fazer falta, mas isso não é o que faz um time ganhar o jogo. Para isso, o grande diferencial vão ser os atletas. Os atletas de cada um dos esportes vão ser embaixadores e vão nos ajudar a contar para todo mundo como a modalidade funciona.

EE: O brasileiro está muito acostumado a torcer no futebol, mas às vezes não entende que outros esportes têm maneiras diferentes de torcer. Vai haver alguma campanha de conscientização?

mario-andrada_3-texto_506MA: É verdade... No futebol, o cara do outro time erra e todo mundo comemora, tem essa cultura de torcer contra. Mas, ao mesmo tempo, se o COI [Comitê Olímpico Internacional] colocou a Olimpíada no Brasil, é porque conhece o jeito dos brasileiros. Claro que vai ter um certo controle para não atrapalhar os atletas, mas também vai ter liberdade. Os atletas vão ter que entender que estão no Brasil e que aqui nós gostamos de torcer assim, comemorando até quando o adversário erra. É uma questão de adaptação. 

Em resumo, é isso: mostrar para o brasileiro todos os esportes e ensinar a se comportar. Mas também mostrar aos esportes que no Brasil a gente faz a festa do nosso jeito.

EE: Um dos maiores legados anunciados dos Jogos Olímpicos do Rio é a despoluição da Baía de Guanabara. Isso realmente vai acontecer ou já está fora do projeto?

MA: Não está fora do projeto, mas também não aconteceu ainda. O principal responsável pela questão da Baía de Guanabara é o governo do estado, que está trabalhando, não parou de trabalhar. Como essa meta não é minha, eu tenho condições de afirmar hoje se vai ser cumprida ou não. O que eu posso dizer com certeza é que nós vamos atuar na Baía, através do governo do Estado.

EE: Por conta do atraso para iniciar essa despoluição, pode ser que aconteça apenas uma “maquiagem” na Baía, como foi feito na época dos Jogos Pan-Americanos de 2007?

MA: Se tiver uma maquiagem, a imprensa e o povo brasileiro vão ficar sabendo. Nesse caso, o Comitê vai a publico dizer os motivos que impossibilitaram a despoluição e o que será feito. Mas garanto que ninguém vai dizer que despoluiu se não despoluir.

EE: Um dos maiores legado do Pan de 2007, o estádio do Engenhão continua fechado por problemas na estrutura. O Engenhão é uma preocupação para as Olimpíadas?

MA: Não, nem um pouco. A obra vai acontecer e vai dar tudo certo. O Engenhão faz parte da Olimpíada, vai ser o estádio do atletismo e não vai ter nenhum problema. Mas nós temos que terminar a reforma.

EE: Como vai ficar a questão da acessibilidade no Rio de Janeiro para os Jogos Paralímpicos?

MA: São duas coisas paralelas. Os Jogos Paralímpicos devem inspirar a cidade do Rio de Janeiro a cuidar da sua acessibilidade, que é de responsabilidade da prefeitura, do governo do estado e da população. Não adianta a cidade ter plena acessibilidade, se as pessoas param nas vagas destinadas a deficientes e saem fingindo que estão mancando. É um conjunto de ações e a população também precisa colaborar.

Os Jogos Paralímpicos vão servir de inspiração. Como não dá para o Comitê criar acessibilidade no Rio de Janeiro inteiro, nós vamos atuar onde podemos mudar. O evento vai funcionar como um agente inspirador. Os Jogos vão mostrar que nos estádios, nas filas, nos BRT’s tem acessibilidade e funciona. Então não custa nada ampliar o projeto para a cidade inteira.

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EE: Nem todos os cariocas terão condições de comprar ingressos para ir aos locais de competição. Como a população de menor poder aquisitivo vai poder participar dos Jogos Olímpicos?

MA: Vários lugares da cidade terão telões para que as pessoas possam ver os Jogos. Mas nós temos outras opções para integrar a população. A primeira forma de participar é por meio do programa de voluntários, que é bom para quem tem muita renda, pouca renda ou nenhuma renda. Além disso, a população poderá participar de várias atividades de legado, acompanhar a tocha olímpica, receber os turistas e atletas. 

A cidade inteira vai ficar uma festa. Milhares de turistas e atletas estarão circulando, então o carioca vai precisar se comportar como um bom anfitrião. É bom frisar que esses vão ser os Jogos do Rio e não da elite monetária que tem ingressos. Serão Jogos para todos. Esse é um dos meus trabalhos, garantir que todos vão ter espaço dentro dos Jogos.

EE: Que lição foi possível aprender com as Olimpíadas de Londres, no ano passado?

MA: A lição foi justamente essa que acabei de falar. Londres foi uma das Olimpíadas que mais engajou a população local. Todos os ingleses sentiram que participaram. Tanto que 93% dos habitantes de Londres querem os Jogos de novo.

Fotos: Divulgação; Katryn Dias/EE; Rodrigo Gomes


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