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Maria Silvia Bastos Marques (presidente da EOM)

27/05/2012
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A cidade olímpica em suas mãos

 

Por Fabiana Bentes e Thyago Mathias

“O engajamento da população é um dos desafios do projeto olímpico do Rio, que não se limita à organização do evento em si. O objetivo é aproveitar a oportunidade de sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 para tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para seus moradores e visitantes, com mudanças de infraestrutura, serviços e até de comportamento da população... As pessoas que jogam lixo pela janela do carro ou nas encostas podem ser alcançadas, por exemplo, com campanhas educacionais de conscientização.”

Empossada, em agosto de 2011, presidente da Empresa Olímpica Municipal, órgão responsável por coordenar a execução dos projetos cariocas voltados para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, Maria Silvia Bastos inaugura a seção de entrevistas do novo Memória Olímpica com um panorama da transformação que se espera para o Rio de Janeiro até 2016.

Com um currículo que inclui graduação em Administração Pública e mestrado e doutorado em Economia pela FGV-Rio, além de passagens em posições de destaque nos setores público e privado, Maria Silvia aproveita possibilidades oferecidas pela – agora – cidade olímpica, para praticar modalidades que incluem ciclismo, corrida e tênis. Mais do que infraestrutura e obras, a transformação cívica e a difusão dos valores olímpicos são os temas desta conversa.

Memória Olímpica: Ao assumir a Empresa Olímpica Municipal, em agosto de 2011, você destacou como um de seus desafios principais a necessidade de as pessoas se engajarem nos Jogos Olímpicos de 2016. Como estão os projetos voltados para essa mobilização?

Maria Sílvia Bastos: O engajamento da população é um dos desafios do projeto olímpico do Rio, que não se limita à organização do evento em si. O objetivo da Prefeitura é aproveitar a oportunidade de sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 para tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para seus moradores e visitantes, com mudanças de infraestrutura, serviços e até de comportamento da população. Faltando quatro anos para os Jogos de 2016, estamos muito focados em deslanchar o programa de obras, que tem sido comunicado à população por meio de campanhas de esclarecimento. Como exemplo, posso citar as campanhas do cidadeolimpica.com que promovem o encontro entre atletas e trabalhadores olímpicos, importantes agentes das mudanças da cidade para os Jogos de 2016. Nossos próximos passos, além de evoluir com o programa de obras e, paralelamente, mostrar à população esses avanços e seus benefícios, deverão ser direcionados também a outros aspectos do projeto olímpico, como serviços e mudança de comportamento, o que também deverá envolver não só campanhas institucionais e voltadas aos usuários, como de engajamento por meio de diversas mídias, incluindo as redes sociais.

MO: Qual é a maior dificuldade para envolver a comunidade local nos jogos olímpicos em si? Qual é a principal medida para que esse envolvimento seja viável?

MSB: O desafio do engajamento passa pelo esclarecimento da população sobre a grande transformação pela qual o Rio de Janeiro está passando. A cidade já tem um Plano Estratégico próprio, até 2016, no qual os Jogos Olímpicos estão inseridos. O evento servirá como catalisador de muitos dos projetos e ações previstos no Plano, acelerando os processos e estimulando o engajamento da população. Nossa estratégia deve ser a de comunicar, abrir canal de diálogo com a população, transmitindo informações claras sobre as soluções propostas e proporcionando interação, seja por meio de campanhas, concursos, ações específicas, até a busca de parcerias e formação de multiplicadores.  

MO: Você declarou, ao jornal Lance, que um dos grandes desafios no desenvolvimento do trabalho da Empresa Olímpica Municipal é mudar a forma de agir das pessoas. A que pessoas exatamente a senhora se referia e em que sentido essa mudança é necessária?

MSB: Na ocasião, me referia à mobilização da população carioca como um dos grandes desafios na preparação do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Temos a oportunidade de aproveitar os grandes eventos esportivos para desenvolver uma cultura de respeito pela cidade, crescimento e excelência de serviços. Nesse sentido, há vários aspectos que podem ser trabalhados a partir de campanhas de esclarecimento e campanhas educativas, como a questão do lixo. As pessoas que jogam lixo pela janela do carro ou nas encostas podem ser alcançadas, por exemplo, com campanhas educacionais de conscientização.

MO: A ideia é que a Empresa Olímpica Municipal atue como a coordenadora, a integradora e também a facilitadora no processo de preparação da cidade, correto? Como sua presidente, qual é a maior e mais prioritária responsabilidade do órgão?

MSB: A missão da empresa é coordenar, no âmbito dos compromissos municipais, a preparação da cidade para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, passando por diversos outros grandes eventos internacionais neste período, como a Copa do Mundo de 2014. A Empresa Olímpica funciona também como ponto de ligação e representação do Município junto ao Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 e aos governos Estadual e Federal. É, portanto, uma empresa focada, enxuta e ágil, ligada diretamente ao gabinete do Prefeito. Atualmente nossa prioridade é o Parque Olímpico, cuja construção começa em junho e deverá estar pronta em meados de 2015. É o principal equipamento esportivo dos Jogos, onde serão realizadas disputas de 14 modalidades olímpicas e 12 paralímpicas. As instalações ocuparão uma área de 1,18 milhão de metros quadrados, do tamanho do bairro do Leme. A Empresa Olímpica será responsável pela supervisão de todos os projetos dos equipamentos do Parque Olímpico e de sua infraestrutura.

MO: Dentro da atuação da Empresa Olímpica Municipal, existe algum espaço ou proposta para trabalhar o olimpismo e a educação através do esporte?

MSB: Sim. Difundir os conceitos do olimpismo e ampliar a educação através do esporte são objetivos que perseguimos e nos quais estou pessoalmente envolvida como incentivadora. Entre os projetos da Prefeitura que caminham nesta direção estão o Ginásio Experimental Olímpico (GEO) e o Rio em Forma Olímpico, com foco no legado dos Jogos para a formação contínua de esportistas e cidadãos. O Ginásio Experimental Olímpico é uma escola em tempo integral vocacionada para o esporte, que integra educação e esporte. Os alunos contam com treinamento esportivo de qualidade, sem deixar os estudos de lado. A primeira unidade inaugurada, em fevereiro de 2012, foi o Ginásio Experimental Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa. Em abril de 2012, foi inaugurada a Escola Municipal Doutor Sócrates, em Pedra de Guaratiba. Com a abertura da Vila Olímpica, no segundo semestre, o espaço será transformado, em 2013, no segundo GEO do Rio. A meta é que a cidade ganhe outras três unidades vocacionadas para o esporte, sendo que uma delas, paralímpica. O GEO oferece inicialmente sete modalidades olímpicas: vôlei, handebol, natação, judô, atletismo (salto e arremesso), tênis de mesa e futebol de campo. Já o projeto Rio em Forma Olímpico tem o objetivo de democratizar a prática esportiva a partir da ocupação dos espaços públicos disponíveis por toda cidade. Já são 436 núcleos em funcionamento em 115 bairros, que oferecem, gratuitamente, atividades esportivas, culturais, sociais, éticas e de saúde, todas instruídas por profissionais qualificados e registrados nos seus devidos órgãos de fiscalização, funcionando de segunda a sexta. Desde outubro de 2009, quando foi lançado, o projeto Rio em Forma Olímpico teve mais de 24 mil inscrições e realizou mais de 1,6 milhões de atendimentos. Os núcleos estão sendo implantados nas comunidades que dispõem de espaços físicos que comportem as atividades e também em áreas consideradas conflagradas, onde os alunos avaliados pela última prova do MEC apresentaram baixo índice de desenvolvimento educacional. Uma das metas é disponibilizar os espaços esportivos aos cidadãos em um raio de, no máximo, 2 km de distância de qualquer que seja a sua localização.

MO: Como funcionará o sistema de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para as Olimpíadas? Que áreas serão exploradas nesse sistema?

MSB: Os projetos municipais relacionados à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 estão sendo desenvolvidos de acordo com um planejamento que prevê a utilização de recursos do próprio município, do Governo Federal e também do setor privado, a partir das PPPs. Elas possibilitam a redução do uso de recursos públicos, sejam eles do Tesouro ou oriundos de financiamentos, porque atraem empresas privadas para os empreendimentos. Projetos como o de revitalização da Zona Portuária e as construções do Parque Olímpico e da Vila dos Atletas estão sendo desenvolvidos com aporte majoritário de capital privado. Na reforma do Sambódromo, que vai receber as provas de tiro com arco, largada e chegada da maratona dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, também foi adotado o modelo de PPPs. O Porto Maravilha é outro grande exemplo, é a maior PPP em curso no país: cerca de R$ 8 bilhões de reais que estão sendo investidos no Centro do Rio.

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MO: Com o detalhamento da matriz de responsabilidades será possível estimar o novo orçamento das obras de infraestrutura para os Jogos 2016. No entanto, naquela mesma entrevista, você declarou que o fechamento orçamentário só será feito ao fim das obras. Como têm sido geridos os gastos e andamento das obras? De algum modo, você acha que este e outros aspectos do orçamento dos Jogos podem prejudicar justamente o engajamento da população neles?

MSB: A previsão de gastos apresentada pela cidade no Dossiê de Candidatura é um ponto de partida. Os projetos passam por diversas etapas, algumas delas com mudanças de localização, de traçado e mesmo de fontes de recursos em relação ao que foi pensado inicialmente, até chegarem a um nível de detalhamento em que é possível ter uma previsão orçamentária mais definida. Isso acontece tanto numa grande obra quanto numa reforma como as que realizamos nas nossas casas. Um exemplo de mudança em relação ao que foi apresentado no Dossiê de Candidatura do Rio é o Parque Olímpico Rio 2016, considerado o coração dos Jogos de 2016. No Dossiê de Candidatura, a construção do Parque Olímpico era responsabilidade do Governo Federal, mas passou a ser atribuição da Prefeitura, que optou por uma Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar financeiramente parte do empreendimento. Outro exemplo é o Porto Olímpico, que não constava no Dossiê de Candidatura, mas foi incluído posteriormente na lista de projetos da Prefeitura a partir da retirada da vila de mídia da Barra e da transferência de parte de seus quartos para a região portuária, para garantir um legado olímpico maior para a região que está sendo revitalizada.

MO: O plano de legado dos Jogos olímpicos de 2016 está centrado em quatro prioridades-chave, que são: transformação da cidade; inserção social: habitação, treinamento e emprego; juventude e educação; e Esportes. Pode falar um pouco mais sobre como será a atuação da Empresa Olímpica Municipal em cada uma dessas áreas? O que podemos esperar desse legado?

MSB: Preparar a cidade para receber os maiores eventos esportivos do planeta representa um grande desafio que abrange todas essas áreas mencionadas. Nós partimos do princípio de que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos devem servir à cidade. Por isso, nosso objetivo maior é tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para seus moradores e para os visitantes, com mudanças estruturais nos transportes, infraestrutura urbana, meio ambiente e desenvolvimento social. No setor de transportes, o objetivo é implantar um novo sistema de ônibus expressos e de alta capacidade (BRTs). Com a integração dos BRTs com trens, barcas e metrô, haverá um aumento do uso de transportes de alta capacidade de 18% para 63%. Um dos principais projetos de infraestrutura urbana é o Porto Maravilha, que vai revitalizar completamente a região portuária. Mas a requalificação urbana, com acessibilidade garantida, acontecerá nas quatro regiões olímpicas – Copacabana, Deodoro, Barra da Tijuca e Maracanã – e seus arredores. Na área de meio ambiente, o projeto prevê a recuperação dos sistemas lagunares, a garantia de acesso a saneamento para 700 mil pessoas, a duplicação da rede de ciclovias e a redução da emissão de gases de efeito estufa em 16%. Já estão em andamento, ainda, projetos que visam ao desenvolvimento social como o Morar Carioca, de urbanização e integração dos serviços públicos nas comunidades da cidade; o Rio Criança Global, de universalização do ensino da língua inglesa na rede municipal; e o Rio em Forma Olímpico, de fomento à prática esportiva e à atividade física em áreas públicas.

MO: Nem todas as estruturas físicas construídas para o Pan de 2007 estão sendo utilizadas como era esperado. Fora as estruturas de futebol – notadamente o Engenhão –, as construídas para as demais modalidades têm sido utilizadas de forma esporádica durante o ano. De que maneira é possível tornar mais completo esse legado físico?

MSB: A preocupação com o pós-Jogos foi um ponto central na candidatura do Rio como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Os projetos estão sendo desenvolvidos considerando um planejamento para o modo Jogos e o modo legado. Ou seja, pensando previamente em instalações que deverão ser permanentes ou temporárias – desmontadas após os eventos esportivos, evitando a criação dos chamados elefantes brancos, instalações subutilizadas e que geram custos elevados de manutenção para a cidade.

MO: Os legados do Pan 2007 e das Olimpíadas 2016 são legados compatíveis, complementares ou divergentes?

MSB: Os Jogos Pan-Americanos foram um grande aprendizado em todas as áreas – desenvolveram mão de obra capacitada para trabalhar em grandes eventos, por exemplo. O Pan também deixou um grande legado esportivo, tanto que o Parque Aquático Maria Lenk, a Arena do Rio, o Estádio Olímpico João Havelange e o Centro de Tiro de Deodoro serão utilizados nos Jogos Olímpicos. A estrutura deixada pelo Pan foi importante para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos. Mas a preparação para os dois eventos é bem diferente, pois os Jogos têm uma dimensão muito maior do que a do Pan. Para receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a prefeitura tem seguido os cronogramas e planejado cada ação com o objetivo de deixar um legado tangível para a cidade. Na área de transporte, por exemplo, o legado dos Jogos Olímpicos será bem mais expressivo que o dos Jogos Pan-americanos, com a construção de quatro linhas expressas para ônibus de alta capacidade. Outra diferença em relação aos Jogos Pan-americanos é que a Prefeitura do Rio vem buscando a utilização de Parcerias Público-Privadas para diminuir o uso de dinheiro público nos projetos. Projetos como Porto Maravilha, de revitalização da Zona Portuária, reforma do Sambódromo e as construções do Parque Olímpico e da Vila dos Atletas são exemplos da utilização do modelo de PPPs. Por fim, vale destacar o legado no que diz respeito à oferta de acomodações da cidade do Rio de Janeiro. Até 2016, a cidade deverá ter pelo menos 32.434 de quartos, número que representa mais de 60% de crescimento em relação ao total existente hoje, de 19.970. Hoje, na cidade do Rio de Janeiro, estão em construção ou foram licenciados 7.316 quartos. Deste total, 4.964 estão em construção e foram licenciados com benefícios da lei de incentivos. Há ainda outros cerca de 10.000 novos quartos em análise e em consulta na Secretaria Municipal de Urbanismo. Para aumentar a oferta de quartos no Rio de Janeiro, a Prefeitura lançou, em novembro de 2010, um conjunto de incentivos para a rede hoteleira. Estes incentivos incluem a remissão de dívidas de IPTU e isenção de IPTU durante as obras para imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 2012 e imóveis com “habite-se” até 31 de dezembro de 2015; isenção de ITBI para operações de compra e venda de imóveis destinados à atividade hoteleira até 31 de dezembro de 2012; e redução de ISS (alíquota de 0,5%) durante o período de construção ou reconversão em empreendimentos hoteleiros concluídos até 31 de dezembro de 2015.

MO: No Rio de Janeiro, projetos como o Ginásio Olímpico buscam identificar crianças da rede pública que tenham potencial de se tornarem atletas de alto rendimento. De que maneira a Empresa Olímpica tem se integrado diretamente às escolas para que o legado físico seja mais bem aproveitado após a realização dos jogos?

MSB: Além das unidades do Ginásio Experimental Olímpico, há um grande trabalho de melhoria nas condições da prática esportiva nas escolas ou em seu entorno, com o aumento do quadro e a capacitação de professores de educação física, construção de quadras esportivas, reformas nas já existentes e melhorias nos demais equipamentos esportivos. Vale destacar a difusão dos valores olímpicos nas escolas, impulsionada pelas Olimpíadas e Paralimpíadas Escolares e pela inserção de conteúdos relacionados a esporte e olimpismo no currículo das escolas municipais. A Empresa Olímpica Municipal está trabalhando junto à Secretaria de Educação, envolvida nos projetos de legado esportivo com o objetivo de aprofundar as ações e atingir ainda mais estudantes.

MO: De que forma a Empresa Olímpica tem avaliado e trabalhado em relação ao controle do doping nos jogos olímpicos de 2016? Quais as medidas prioritárias quando o assunto é doping?

MSB: O controle de doping é uma atribuição do Comitê Organizador Rio 2016. A área de Política e Operações Esportivas do Comitê é responsável por esse tema, além de arbitragem, cronometragem, distribuição de resultados das competições, entre outros. No Dossiê de Candidatura do Rio, o Governo Federal se comprometeu a financiar uma grande ampliação e melhorias no laboratório credenciado pela WADA (a Agência Mundial Antidoping) no Rio de Janeiro, o LABDOP, parte integrante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).





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