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Marcelo Cardoso (Natação Paralímpica)

12/04/2012
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Nadando contra a corrente

Por João Rabello e Thyago Mathias


cardoso_194_02“Minha vida sem o esporte seria muito sem graça”

O nadador carioca Marcelo Cardoso dos Santos nasceu com Mielomielingocele, deficiência que causa má formação da coluna. Seguindo orientações médicas, seus pais o levaram para praticar natação logo aos três meses de idade. Dessa forma, o esporte sempre esteve presente na vida do jovem e, gradativamente, o lazer e o tratamento ganharam seriedade a ponto de transformá-lo em um atleta. Nessa trajetória, foi fundamental o projeto Nadando contra a Corrente, do Instituto Superar em parceria com a Unimed, que oferece treinamentos esportivos para jovens com deficiência, formando atletas paraolímpicos. “O projeto representou a elevação da minha auto-estima, aumentou meu senso de responsabilidade e me direcionou ao esporte, algo que eu adoro desde pequeno”.

Marcelo entrou no projeto aos quinze anos, e, em cerca de três anos, já conquistou 23 medalhas em competições nacionais. “Na minha primeira participação no Circuito Brasil Paraolímpico fui medalha de bronze nos 50m borboleta”, conta o atleta. Em 2010, Marcelo teve seu primeiro grande teste e foi selecionado para treinar com a seleção brasileira de natação, na qual hoje pratica com alguns dos principais nomes da natação paraolímpica mundial, como o super campeão Daniel Dias.

Marcelo faz disso um aprendizado. “É muito bom treinar com atletas de ponta, que estão sempre preocupados em dar dicas, corrigir o meu nado e que também são grandes parceiros e pessoas super legais de se conviver.”

A promessa do nado brasileiro já mira os Jogos Paraolímpicos de Londres 2012. “A partir de abril, começo minha temporada com esse objetivo”. Pelo seu talento, Marcelo foi escolhido para protagonizar a campanha publicitária Dia de Sonho, promovida pelo Instituto Superar, na qual se vendiam sonhos na padaria de uma grande rede de supermercados para arrecadar fundos para a construção do Centro de Treinamento Superar. “No colégio foi o maior sucesso. Meus amigos e familiares me chamavam de sonho”. E é com muito trabalho e olhar de sonhador que Marcelo vislumbra os Jogos Rio 2016. “Espero estar no melhor momento da minha carreira e ter meus amigos e minha família torcendo por mim! Vai ser um momento mágico”, conclui.

Memória Olímpica: Onde você praticava antes de entrar para o Nadando Contra Corrente e o que o projeto representou em sua vida?

Marcelo Cardoso: Eu comecei a nadar com três meses de vida, por indicação médica. Depois começou a ser por lazer mesmo, geralmente no período das férias ou em alguns finais de semana. O projeto Nadando Contra a Corrente representou a elevação da minha auto-estima, aumentou meu senso de responsabilidade e me direcionou ao esporte, algo que eu adoro desde pequeno.

MO: Quando e como você decidiu se tornar um atleta profissional?

MC: A partir do momento em que comecei a me dedicar aos treinamentos diários e a perceber minha evolução durante as competições em 2009. Com essa visibilidade, fui posto a prova profissionalmente em 2010, e, graças a Deus, se confirmaram todas as expectativas em relação a mim: fui chamado para entrar na equipe do Instituto Superar com a Unimed Rio.

MO: Quais foram as principais competições das quais você participou e que resultados obteve?

MC: Participei das Paraolimpíadas Escolares 2009 e ganhei seis medalhas, sendo três de ouro, duas de prata e uma de bronze. Já no Circuito Brasil Paraolímpico, na Etapa Regional 2009, em Brasília (DF), conquistei minha primeira medalha de bronze na categoria S7. E em 2010, novamente no Circuito Brasil Paraolímpico, conquistei quatro bronzes e uma prata na etapa regional em Goiânia (GO) e uma medalha de ouro, três de prata e uma de bronze na etapa nacional em Brasília (DF).

MO: Qual foi o momento mais emocionante da sua carreira? E qual o pior momento por qual passou?

MC: Na minha primeira participação no Circuito Brasil Paraolímpico fui medalha de bronze nos 50m borboleta. O meu pior momento foi a lesão que tive na patela do joelho, há mais ou menos um mês, no regional do ano passado, quando tive que ficar parado e não pude disputar.

MO: Onde treina atualmente e como é sua rotina?

MC: Atualmente treino na academia Rio Sport Center, na Barra da Tijuca. São 18 horas de treino semanais, de segunda a sábado. Nas segundas, quartas e sextas os treinos são mais puxados e acontecem de manhã e de tarde.

MO: Você treina junto com o Daniel Dias, Phelipe Rodrigues e Marcelo Collet. Como é estar ao lado de atletas tão importantes do esporte paraolímpico nacional?

MC: É muito bom treinar com atletas de ponta, que estão sempre preocupados em dar dicas, corrigir o meu nado e que também são grandes parceiros e pessoas super legais de conviver.

MO: Você tem algum ídolo no esporte?

MC: Meus principais ídolos são Daniel Dias, César Cielo, Michael Phelps e Ronaldo Fenômeno.

MO: Você acabou de se formar no Ensino Médio. Pretende continuar os estudos, cursar a universidade? Qual carreira gostaria de aliar ao esporte?

MC: Pretendo sim, mas ainda tenho dúvidas sobre o que vou cursar na faculdade. Estou dividido entre turismo e educação física.

MO: Você protagonizou a campanha “Dia de Sonho”, realizada pelo Instituto Superar, cujo dinheiro arrecadado será investido em um moderno centro de treinamento. Como foi essa experiência?

MC: Foi uma experiência muito boa. No colégio foi o maior sucesso. Meus amigos e familiares me chamavam de sonho. Foi um sucesso principalmente porque o objetivo foi alcançado e até ultrapassamos as expectativas. A população carioca aderiu e aprovou.

MO: Quem são seus maiores incentivadores?

MC: Com toda certeza, sem sombra de dúvidas, meus pais.

MO: Jogos Paraolimpícos de Londres 2012. Existe alguma chance de você participar? Em caso positivo, quais são as suas expectativas quanto aos resultados?

MC: Existe sim e estou em busca disso. A partir de abril começo minha temporada com esse objetivo.

MO: E qual a sua expectativa para os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro?

MC: São as melhores possíveis. Espero estar no melhor momento da minha carreira e ter meus amigos e minha família torcendo por mim. Vai ser um momento mágico!

MO: Até lá, quais são as suas metas?

MC: Melhorar a cada ano meu desempenho na natação e cursar uma faculdade.

MO: Como você avalia a estrutura do esporte paraolímpico no Brasil?

MC: Diria que é boa, mas precisa ser mais difundida. No nosso país há muitos deficientes que não conhecem ou nunca ouviram falar de esportes paraolímpicos. É preciso maior divulgação para ver o esporte paraolímpico nacional entre os três melhores do mundo.

MO: O que o esporte representa em sua vida?

MC: O esporte é tudo. Minha vida sem o esporte seria muito sem graça e eu não conheceria pessoas que hoje são importantíssimas para mim.

MO: O que você faz quando não está treinando ou competindo?

MC: Muitas coisas. Vou à praia surfar com a galera do Adaptsurf, saio com meus amigos e uso a internet, especialmente as redes sociais.

MO: Como representante dos jovens brasileiros, que mensagem gostaria de deixar para eles?

MC: Corram atrás dos seus sonhos e objetivos, por mais difícil que pareçam, porque um dia eles vão se concretizar.

MO: Gostaria de acrescentar algo mais?

MC: Eu gostaria de frisar que todas minhas conquistas aconteceram graças ao apoio dos meus pais, que são fundamentais. Há também o Instituto Superar, que me deu condições de elevar meu desempenho, e meus amigos verdadeiros, que estão sempre comigo, me apoiando de todas as formas possíveis.


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