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Luis Camargo (Beisebol)

20/05/2015
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Por Katryn Dias

No Brasil, ainda é comum que atletas de alto rendimento dediquem-se ao esporte por paixão. É o caso do beisebol, esporte presente no programa dos Jogos Pan-Americanos e que não recebe nenhum grande incentivo ou patrocínio.

Jogador há mais de 10 anos com passagens por times e seleções internacionais, Luis Camargo tem a vivência das melhores estruturas, algo muito diferente do que é encontrado no Brasil. Para ele, a solução para a modalidade por aqui é simples: instalar iluminação artificial nos estádios. Entenda um pouco mais o problema na entrevista. 


Esporte Essencial: Você pode contar um pouco da sua carreira no beisebol?

01_200_28Luis Camargo: A história é longa, dei a volta ao mundo (risos). O beisebol me deu muita coisa, muitas alegrias e tristezas também. Mas faria tudo de novo com certeza, não me arrependo.

Comecei por volta de 1984 com dois amigos japoneses que moravam próximos. Um deles tinha uma casa grande, tipo uma chácara, e nós começamos ali, brincando. Um dia o técnico passou, nos viu brincando e me convidou para treinar. Como minha mãe deixou, aceitei o convite. Em pouco tempo peguei gosto pelo esporte. Depois de três meses jogando, já ganhei uma medalhinha e, em 1988, fui para a seleção infantil, que disputou o Mundial do Japão. No começo até nem queriam me mandar para o teste, mas eu insisti para ir e acabei entrando para a equipe.

EE: Como era a situação do beisebol naquela época? Tinha bastante gente treinando?

LC: Olha, tinha mais do que hoje. Pelo menos aqui por perto, havia muito mais equipes. A região Sudoeste hoje tem três ou quatro equipes, naquela época eram 12 ou 14. Por aqui o beisebol sempre foi forte, mas depois começou a mudar muita coisa. No início, o beisebol foi comandado por japoneses e era aquela coisa mais familiar. Os japoneses, que tinham dinheiro, investiam no beisebol e levavam seus filhos. E nós acompanhávamos. Tanto que quando comecei, só eu e mais um garoto não éramos descendentes de japoneses.

luis-camargo-10-textojpg_450EE: Você acha que naquela época o beisebol era mais difundido por causa dessa questão dos imigrantes ou por ser um esporte olímpico?

LC: Era por conta dos imigrantes mesmo. O pessoal nem sabia de Olimpíada. Foram os japoneses que realmente levaram o esporte a sério. Até hoje a base principal da maioria das equipes é de descendentes japoneses, principalmente em São Paulo.

EE: Você se sentiu discriminado por ser um dos únicos brasileiros na modalidade?

LC: Eu não tive problema. No começo, posso dizer que houve um pequeno preconceito. Mas depois, quando comecei a jogar bem, eles me respeitaram. Eu sempre fui bem tratado pelos japoneses e acho que isso me ajudou quando fui para o Japão, onde morei por cinco anos. Claro que houve aquele impacto cultural, mas foi menor. Eu já conhecia a comida e uma parte da cultura, então acabou sendo mais fácil para mim.

 

A carreira profissional

 

EE: Como foi essa sua experiência internacional?

04_200_28LC: Foi sensacional. O homem que sou hoje é em virtude dessas experiências no beisebol. O esporte, independente da modalidade, faz com que o ser humano cresça, tanto dentro de campo, quanto na vida pessoal. Ensina a conviver com as pessoas, a ganhar e perder, a ser honesto. Isso tudo também faz parte da vida. 

E a experiência internacional foi muito bem-vinda. Hoje falo cinco línguas graças ao beisebol. A única língua que estudei na escola foi o inglês. Tenho que agradecer aos meus pais que insistiram para que eu estudasse inglês, aos 15 anos. Quando fui para o Japão, foi a língua que me ajudou demais. Em inglês eu conseguia me comunicar, enquanto aprendia aos poucos o japonês. 

EE: Além da experiência de vida, o que mais você aprendeu nessa temporada asiática?

05_200_25LC: O período no Japão também foi bom para me tornar o jogador que sou hoje. Muito mais técnico, que sabe ver o jogo de outra maneira. Eu tinha ótimos treinadores no Brasil, mas nos cinco anos que fiquei fora, aprendi o dobro.

EE: Toda essa experiência te ajudou na volta ao Brasil?  

LC: Sim. Saí do Japão em 2002 e voltei para o Brasil. Quando cheguei, acabei quebrando o cotovelo em um campeonato intercontinental com a seleção brasileira, em Cuba. Eu estava no auge da minha forma física, mas aconteceu esse acidente e tive que ficar parado. Nesse momento, o sensei Sato, gerente administrativo do CT de Ibiúna, chegou para mim e disse: “Em 2003 nós vamos ter vários campeonatos e preciso que você se recupere. Se conseguir, pelo que te conheço, você vai ser o capitão da seleção brasileira”. Em janeiro comecei a treinar, no final de março estava pronto para jogar. Eu fui para os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, onde nós ficamos em quarto lugar. Depois tivemos um jogo histórico contra Cuba nas oitavas de final do Campeonato Mundial, em que nós quase ganhamos.

EE: Conta um pouco mais sobre esse jogo.

LC: Nós estávamos ganhando por 3 a 2 da seleção cubana, que era favorita ao título no Mundial. Mas na última entrada, eles viraram o jogo em 4 a 3. Ali acabou o sonho. Eu acredito que se nós tivéssemos ganhado aquele jogo contra Cuba, o beisebol brasileiro estaria mais evoluído hoje. A partir dali, a seleção brasileira ficou muito mais bem vista aos olhos do mundo. Nós abrimos portas para vários jogadores. A partir dali, eu me tornei capitão da seleção brasileira adulta, onde joguei até 2006, ano em que fui para a Itália.

 

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Luis Camargo atuando em sua passagem pela seleção italiana

 

 

06_200_20EE: Como foi a sua passagem pela Itália?

LC: Fui para a Itália jogar em um time de série B. Mas quando cheguei, acharam que eu tinha nível para jogar na série A, para onde migrei em 2007. Por conta dessa exposição, o técnico da seleção italiana me conheceu, gostou muito de mim e quis me convocar. Na época, conversei com o pessoal da seleção brasileira, expliquei que precisava aproveitar o meu momento. Infelizmente, até hoje o beisebol não recebe o incentivo que deveria no Brasil. Na Itália, percebi que tinha um apoio maior. 

Então, renunciei à seleção brasileira e comecei a jogar pela italiana. Posso dizer que era outra vida. Os jogadores têm patrocínio, não precisam tirar nada do próprio bolso. Aqui no Brasil é um esforço muito grande, porque é um esporte que não tem patrocínio. Nesse último Sul-Americano, os jogadores contribuíram para pagar o que precisava, 08_200_23além de fazer uma vaquinha na internet. Chega a ser até um pouco vergonhoso, mas recorremos ao que temos. No Brasil nós não achamos que vamos ganhar grana ao entrar na seleção. Eu posso dizer que gastei a maior grana com a seleção, na verdade. Nós fazemos isso pelo amor. Tanto é que estou com quase 40 anos e não consigo parar.

EE: Ao final da temporada na Itália, você foi bem aceito de volta ao Brasil?

LC: Quando voltei da Itália, em 2011, estava com o joelho meio estourado e fiquei quase um ano afastado do beisebol. Até que em 2013 me chamaram de novo para jogar a Taça Brasil, principal campeonato do país. Ganhamos em 2013 e 2014 e desde então tenho me mantido em forma. Como estava bem, fui convidado para voltar para a seleção, que iria jogar o Sul-Americano, classificatório para o Pan de Toronto. Eles disseram que precisavam da minha experiência no time. Para mim, é sempre um orgulho.  

EE: Não existe nenhum trâmite burocrático para você defender duas seleções diferentes?

LC: No beisebol, o máximo que um jogador pode fazer é isso que eu fiz. Pode renunciar uma vez, mas pode voltar. Não sei como seria para Campeonato Mundial, mas para o Sul-Americano não teve problema, até porque a última vez que joguei com a seleção italiana foi em 2010. Parece que depois que passam três anos já não tem problema nenhum. Não é como o futebol, que o jogador escolheu uma e não pode voltar mais. Tanto é que tinham jogadores argentinos na competição que estavam na mesma situação que eu. É uma mamata que só tem no beisebol e acabei me aproveitando disso (risos). Foi ótimo, porque agora tenho experiência dos dois lados, sei como funciona lá e aqui. 

 

O fim do sonho do Pan de Toronto

 

EE: Já que você comentou do Campeonato Sul-Americano, esse ano a seleção perdeu a disputa e não participará do Pan de Toronto. A que se deve essa derrota? 

LC: Realmente foi uma pena o resultado do Sul-Americano. O time estava muito bom e unido. Mas a Colômbia veio com uma determinação forte de ganhar, tanto é que estava ganhando vários jogos na Liga do Caribe, uma das mais fortes do mundo. Posso dizer que o jogo foi decidido em alguns detalhes. Nós jogamos de igual para igual. O placar final ficou em 6 a 4. Eles tiveram mérito em ganhar. Tem hora que nós temos que tirar o chapéu e reconhecer a superioridade do adversário.

 

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A seleção brasileira posa após vitória o jogo de estreia, contra o Peru, no Sul-Americano

 

 

EE: Você acha que ficar fora do Pan vai afetar a visibilidade do beisebol?

LC: Vai fazer muita diferença. O Pan-Americano é uma visibilidade grande, porque reúne os melhores atletas do Brasil, independente da modalidade. Por mais que a gente não tenha a Olimpíada e o apoio do Comitê Olímpico do Brasil (COB), ainda temos o Pan. Com certeza nesse período teríamos atenção da imprensa, com matérias acompanhando os treinos da equipe e apresentando os jogadores que estão fora do Brasil. Então, nós teríamos exposição desde cedo, com os treinos, até os jogos no Pan.

EE: O beisebol só recebe atenção da imprensa em época de Jogos Pan-Americanos ou existe alguma cobertura?

LC: A cobertura é muito pequena. 

 

Como anda o beisebol no Brasil

 

10_200_12EE: Você contou das suas experiências internacionais. O que acha que poderia ser usado de exemplo de outros países para melhorar o esporte no Brasil?

LC: A primeira coisa a ser feita para melhorar o esporte seria iluminar os estádios. É assustador, não existe nenhum estádio de beisebol com iluminação no Brasil. A consequência disso seria que as pessoas teriam mais acesso aos jogos. Atualmente, os jogos e treinos só podem acontecer de dia. Durante a semana, é impossível de se jogar, porque tem muita gente que trabalha. Então só podem acontecer aos finais de semana. Por isso, as pessoas que querem assistir aos jogos em seus momentos de lazer precisam acordar às 6h, 7h para ir ao estádio. Quem vai fazer isso? Ninguém!

11_200_04Se nós tivéssemos iluminação, teríamos mais público e mais praticantes, porque poderíamos fazer jogos à noite durante a semana. Assim, o pessoal que trabalha ou estuda poderia assistir, jogar ou até mesmo treinar depois das obrigações. Consequentemente, o esporte iria melhorar e poderíamos ter maior repercussão na mídia também. 

EE: Atualmente, como os atletas treinam?

LC: Nós passamos nossos finais de semana treinando. Isso não seria um problema tão grande, se tudo não estivesse concentrado em sábados e domingos. Acarreta dificuldade na programação. Por falta de horário, uma final de campeonato como a Taça Brasil às vezes acontece em um domingo de dezembro, às 13h, debaixo de um sol muito quente. 

Os nossos jogos do Sul-Americano, por exemplo, foram em Cuiabá, onde fazia cerca de 42º C de dia e chovia sempre. Por isso, transferiram os jogos para as 8h30. Para conseguir jogar essa hora, um atleta precisa acordar, no mínimo, 5h30 – e já é tarde. Agora, se o campo tivesse iluminação, não ia ter problema com o calor, porque os jogos seriam realizados à noite. Durante a semana, nós teríamos público. Podia ser um jogo na segunda-feira à noite que ia estar cheio de gente assistindo. Mas essa não é a realidade. Nós jogamos durante a semana e vários dias apenas familiares dos jogadores foram assistir.

O Estádio do Bom Retido, por exemplo, passou por uma reforma, está excelente, mas falta a iluminação. E a localização também é muito boa, perto para muitos moradores de São Paulo. Mas existem empecilhos políticos, já que se trata de um estádio municipal.

EE: Então, iluminar os estádios teria consequências enormes para a modalidade.

13_200_03LC: Sim. A solução para o beisebol seria muito simples. Claro que é custosa, mas para um esporte em que nós já temos vários representantes de alto nível, até mesmo na Major League [liga americana, a principal do mundo], vale a pena. Ainda mais agora, que a Major League está investindo no Brasil, fazendo elite camps. 

EE: O que são esses elite camps?

LC: Já faz cinco anos que os americanos vêm anualmente ao Brasil. Eles fazem uma seletiva e escolhem 40 jogadores de idades entre 14 e 17 anos. Então, ficam 10 dias preparando esses meninos para ver quais têm potencial para assinar contratos nos Estados Unidos. Eu participo disso como tradutor e é uma experiência excelente. 

Para mim, essa clínica funciona tanto como atleta quanto como treinador (hoje sou treinador da faculdade de Medicina da Unesp Botucatu). Se a Major League está investindo, é porque o Brasil tem futuro.

 

Perspectivas de futuro

 

14_200_05EE: E você, vê futuro para o beisebol?

LC: Esse ano vai fazer 31 anos que eu jogo. Vi muita coisa melhorar, mas também percebi muita coisa estagnada. É muito amadorismo. Desde a estrutura até a publicidade. Não tem uma página em que a gente consiga acompanhar as estatísticas e os resultados de competições nacionais. Em qualquer outro lugar do mundo (Europa, EUA, Japão) tem uma página referente à federação, onde são encontradas as estatísticas de cada atleta. Isso serve para quando um torcedor não consegue assistir ao jogo e, principalmente, uma vitrine para os técnicos lá de fora. O beisebol é movido a estatísticas. Tendo essa parte de estatísticas, os jornalistas conseguem identificar mais fácil quais são os melhores atletas da temporada. 

Nós precisamos criar ídolos no beisebol. Para que a molecada tenha um objetivo maior, queira ser como os jogadores que ela viu em campo. Mas hoje, se elas não vão ao estádio, não têm acesso a esses jogadores e não têm como ver em casa o replay de uma jogada. Para isso, elas vão ter que deixar de treinar no final de semana para ir assistir a um jogo do campeonato paulista ou sul-americano. Então, não vai rolar. Se a gente tivesse um canal para mostrar, mesmo que os melhores momentos das partidas, já melhoria a publicidade. Além disso, o atleta veria o seu trabalho reconhecido.

Quando uma modalidade começa a despontar, melhora tanto o esporte, quanto quem trabalha por causa dele, como os jornalistas. Assim, os jornalistas teriam algo novo para ser noticiado, porque futebol já está demais. Mais de 90% do que passa hoje em noticiários esportivos é só futebol.

16_200EE: Como você avalia a geração atual do beisebol brasileiro? Existe renovação? 

LC: Tem um pessoal novo que está despontando. Mas, sinceramente, eu esperava mais. A seleção ainda está dependendo um pouco dos veteranos. E os jogadores novos que conseguem se destacar estão indo para fora do Brasil.

EE: Mas eles não voltam para a seleção?

LC: Voltam sim. O problema é que tem épocas que eles conseguem a liberação, mas outras, não. O Sul-Americano, por exemplo, demorou a acontecer, então alguns jogadores tiveram que voltar para as suas respectivas equipes. Se eles não voltassem, podiam perder chances de entrar na Major League. Nós entendemos, porque esse é o trabalho deles. Infelizmente, só lá fora eles ganham dinheiro. No beisebol, seleção brasileira ainda é paixão. 

17_200Às vezes essa paixão acaba complicando a vida... Um atleta que tem um contrato profissional não pode deixar de ir quando convocado só porque tem jogo da seleção. Os meninos chegam em uma época que estão despontando, por volta dos 18 anos, se não conseguem nenhum contrato, precisam estudar. Ninguém vive de beisebol hoje.

EE: Você apoia esses jogadores que vão para fora, certo? 

LC: Eu tento convencer ao máximo os jogadores a saírem do Brasil, se tiverem oportunidade. Se uma pessoa tem potencial, tem que ir atrás do sonho. Quem sabe um dia o Brasil ainda vai ter uma liga de beisebol bem forte... O sonho de todo atleta é jogar numa liga estruturada e com visibilidade, como a Major 
League. Eu mesmo não tive oportunidade de chegar lá e hoje estou velho, ninguém mais me quer. Mas não descartei totalmente a possibilidade. Se um dia me chamarem como técnico ou auxiliar, estarei lá.

luis-camargo3-texto_367EE: O que pode ser feito, então, para profissionalizar o beisebol?

LC: No meu modo de pensar, acho que deveriam ser feitos time de empresas, igual ao que acontece no Japão. Você trabalha e joga por uma empresa. Mas como uma empresa vai investir num esporte que ninguém vê? Agora, se nós tivéssemos estádios iluminados, poderiam ser promovidos jogos à noite entre times de empresas. Isso chamaria público e, consequentemente, envolveria jogadores adultos bons. Mas se esses caras não têm estádio para treinar à noite, eles vão treinar final de semana. Só que final de semana é tempo de ficar com a família, resolver sua vida... Muita gente usa o sábado para fazer o que não consegue durante o expediente de trabalho. Parece ridículo, mas é verdade. 

EE: O que é preciso para que uma pessoa interessada comece a praticar a modalidade? Onde pode praticar?

LC: Qualquer um pode praticar o beisebol e a melhor idade para começar é a partir dos 8 ou 9 anos. Se quiser começar antes, não tem problema. Mas no início vai ser mais uma brincadeira, para ir aprendendo como o esporte funciona. Nas categorias menores, os técnicos tentam fazer aulas mais lúdicas para as crianças não se desestimularem. Existem escolinhas, cada estado tem as suas. As equipes amadoras também estão em crescimento, principalmente no Nordeste.

20_200EE: Para você, o esporte é essencial?

LC: É essencial porque forma cidadãos, forma caráter, idoneidade, companheirismo. Ao mesmo tempo, ensina a vencer com respeito e a aprender com a derrota. Não só no esporte, como na vida. Por exemplo, você vai fazer uma entrevista de emprego e não é aceito. Você foi derrotado. O esporte te ensina que esse é o momento de treinar mais, ou seja, estudar mais para conseguir aquele emprego almejado. Eu acredito que a pessoa se torna mais forte com o esporte. Tanto é que muitas empresas americanas e japonesas, na hora de analisar currículos, valorizam candidatos que foram esportistas. Às vezes a pessoa não tem o melhor currículo, mas é contratada porque já praticou esporte. Exatamente porque esse cara aprendeu a lidar com situações de pressão, desilusão ou conquista em campeonatos, além de saber conviver em grupo, respeitar o próximo. E essa experiência pode ser levada para o “mundo business”. 

EE: Qual a sua posição sobre o doping no esporte?

21_200LC: Minha posição é totalmente contrária. O doping é uma safadeza. Um atleta que cumpre as regras não pode competir com um fora da lei. Para mim, existem dois caminhos justos: ou liberamos o doping para todos – mais aí acho que muitas pessoas vão começar a morrer por problemas de saúde – ou proibimos totalmente. 

Qualquer atleta de alto nível quer tirar o máximo de si. Então, se fosse tudo liberado, acho que iria acontecer como hoje vemos com essa busca incessante de pessoas normais pelo emagrecimento. Às vezes vejo notícias de pessoas que usam coisas absurdas, como remédio para diabetes ou anabolizante para cavalo, para tentar emagrecer. Imagina se isso fosse liberado no esporte? Os atletas iam tomar doses cavalares de diversas substâncias... Além disso, não seria possível nunca dizer quem é o melhor em um esporte, porque cada um poderia se dopar como quisesse. Então, para mim, o doping não está certo. Mas o atleta de verdade nem olha para as drogas. Simplesmente treina e faz o seu melhor.

 

Luis Camargo é atleta do Time Sou do Esporte, clique aqui para patrociná-lo

Fotos: Arquivo pessoal de Luis Camargo


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