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Juliana Domingues (Pentatlo Moderno)

12/04/2012
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A mais jovem atleta de pentatlo da América do Sul

Por João Rabello e Thyago Mathias


mj_194_01“Se eu me esforçar, vou merecer estar no lugar mais alto do pódio.”

Aos 14 anos, Juliana Domingues, com traços de bailarina, pode surpreender aos desavisados. A mais jovem atleta de pentatlo da América do Sul, apesar do jeito de menina, pratica um esporte que, embora exija extrema apuração técnica, põe fundamentalmente à prova a força e a resistência. O pentatlo moderno é composto por corrida, natação, tiro, esgrima e natação.

O perfil de bailarina se justifica pelos dez anos dedicados à dança. Outra atividade física que encantava a menina era o hipismo. Há quatro anos tem um cavalo e costumava montar nos fins de semana, apenas por lazer. Porém, durante as férias de verão de 2010, os amigos do hipismo convidaram Juliana para participar de uma seletiva para entrar no projeto Penta Jovem, sediado na Vila Militar (Bairro de Deodoro), Rio de Janeiro. “Eu ainda não tinha tido muito contato com outros esportes, mas nadei bem, corri e fui aprovada. Comecei a treinar e gostei muito. Falei para minha mãe que era isso que eu queria e ela aprovou”, conta a atleta.

Aluna do 9º ano do Ensino Fundamental, a atleta tem uma rotina bastante pesada para conciliar a escola e os esportes. Geralmente, treina natação, corrida e uma terceira modalidade todos os dias. Aos fins de semana costuma montar. A dedicação ao hipismo tem influência direta nos resultados da atleta. “O Hipismo é a minha grande vantagem em relação às garotas da minha categoria. Como já pratico há quatro anos, saio na frente. Normalmente as outras pessoas da minha idade ainda não montam ou, no máximo, cavalgam há um, dois anos”.

Considerando a divisão etária, Juliana é da categoria jovem C (atletas de 13 e 14 anos), mas com suas marcas expressivas, pratica entre atletas mais velhas. “A minha evolução foi rápida. Com seis meses de treinamento consegui o índice de jovem B para competir no Sul-americano de Quito, no Equador, em 2010. Já competi no brasileiro como jovem A, no Rio de Janeiro. E em São Paulo, em março deste ano, completei todas as provas, como uma atleta da categoria Júnior”.

Focada em superar suas próprias marcas, Juliana não se preocupa muito com a posição final. “O que vale, para mim, não é a posição que termino e sim baixar meu tempo ou evoluir de alguma maneira”. Quando o assunto é Rio 2016, ela se inspira na brasileira número sete do ranking mundial, Yane Marques, medalha de ouro no Pan do Rio em 2007. “Vai ser excelente competir em casa e pretendo chegar no topo do pódio, como a Yane no Pan 2007”.

Memória Olímpica: Que atividades físicas que você costumava praticar antes de se dedicar ao esporte?

Juliana Domingues: Eu dancei durante dez anos, desde muito pequena. Também tenho um cavalo e sempre gostei de montar nos fins de semana.

MO: Como você conheceu o pentatlo moderno?

JD: Como eu disse, sempre gostei de montar. Durante as férias do início de 2010, alguns amigos do hipismo me chamaram para fazer uma seletiva para entrar no projeto. Eu ainda não tinha tido muito contato com os outros esportes, mas nadei bem, corri e fui aprovada. Comecei a treinar e gostei muito. Falei para minha mãe que era isso que eu queria e ela aprovou.

MO: Foi difícil abandonar a dança para se dedicar ao esporte?

JD: Mais ou menos. Eu gostava muito de dançar, só que queria muito conhecer o esporte, praticar. Então não foi tão difícil fazer essa opção.

MO: Por se destacar na sua categoria, atualmente você treina com atletas mais velhos. Conte um pouco da sua evolução.

JD: O projeto é aberto a crianças a partir de oitos anos até adultos. O mais velho, se não me engano, tem 24 anos. A divisão das categorias é pela faixa etária. Todos com idade até jovem C (13-14 anos), que são as categorias de jovem D, E, fazem somente corrida e natação e começam na esgrima. O jovem B já começa a atirar. O jovem A treina tiro e luta esgrima. Nas categorias júnior e sênior, o atleta compete em todas as provas. Por minha idade, eu sou Jovem C. A minha evolução foi rápida. Com seis meses de treinamento, consegui o índice de jovem B para competir no Sul-americano de Quito, no Equador em 2010. Já competi no brasileiro como jovem A, no Rio de Janeiro. E em São Paulo, em março deste ano, completei todas as provas como uma atleta da categoria Júnior.

MO: Quais, para você, são seus principais resultados até agora?

JD: Para mim, todo resultado é importante. Agora em abril, baixei meu tempo em um minuto e vinte. O que vale para mim não é a posição que termino e sim baixar meu tempo ou evoluir de alguma maneira. No Equador, tive chance de competir em altitude. Posso não ter melhorado meus tempos, mas já foi uma oportunidade diferente e valeu para acumular experiência. Ganhar ou não é conseqüência do meu esforço, é o que meu técnico diz. Então, se eu me esforçar, vou merecer estar no lugar mais alto do pódio.

MO: Quem são seus principais incentivadores?

JD: Meus técnicos, em especial o Fábio Corrêa, minha mãe e minha família.

MO: Em qual série você está? E como concilia os estudos ao esporte?

JD: Estou no nono ano do Ensino Fundamental. De manhã, estudo das sete ao meio-dia, vou para casa almoçar e saio para o treino às duas da tarde. O horário que volto treino varia um pouco, mas, quando chego em casa, estudo. Alguns dias saio do treino e vou direto para o curso de inglês. Como durmo cedo, por volta de nove horas da noite, tem dias que estudo menos. Há também dias em que aproveito os intervalos do treino para estudar. Nos fins de semana sempre tiro uma horinha para estudar.

MO: Você poderia analisar separadamente o seu desempenho nos cinco esportes?

JD: O Hipismo é a minha grande vantagem em relação às pessoas da minha categoria. Como já pratico há quatro anos, saio um pouco na frente. Normalmente, as outras pessoas da minha idade ainda não praticam ou praticam há no máximo um, dois anos. A corrida é determinante e faz muita diferença nos meus tempos. Eu corro bem. É meu segundo esporte. Já na Esgrima, comecei do zero no ano passado e tenho competido e me saído bem.  No tiro, estou melhorando, treinando bastante. Só não gosto muito da natação. Não me identifico compromete meus tempos, ainda que eu me esforce.

MO: De onde vem a força para lidar com uma rotina tão pesada?

JD: Eu não tenho muita dificuldade porque tenho ajuda da minha mãe, do meu padastro, dos meus familiares e do meu técnico.

MO: Quem é seu ídolo no esporte?

JD: A Yane (Marques), que já conheço. Ela é um exemplo de determinação e garra. Sou fã dela. E também sou fã de todas as outras meninas do pentatlo.

MO: Você acha que o pentatlo pode ser mais popularizado?

JD: Muitas vezes as pessoas pensam: “Nossa! Praticar cinco esportes, correr 3 km, atirar, nadar 200 metros”. Muita gente desanima só em pensar. Mas tem também os que não tem condições de arcar com os custos – inclusive algumas pessoas que fazem parte desse projeto. Além disso, há pouca divulgação na mídia, não se desperta o interesse das pessoas.

MO: Você tem patrocínio?

JD: Não. Seria muito bom conseguir um patrocínio. E falo isso também em relação ao projeto. Muitas despesas ficam para a confederação. Seria importante se o projeto recebesse incentivo. Isso abriria portas e daria mais oportunidade para outras pessoas.

MO: Quais seus principais objetivos para os próximos anos?

JD: Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014, Olimpíadas 2016 e, quem sabe, de 2020.

MO: Qual sua expectativa para Rio 2016?

JD: Vai ser excelente competir em casa e pretendo chegar no topo do pódio, como a Yane chegou no Pan 2007.


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