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Guilherme Foroni (Hipismo)

12/04/2012
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Medalhas que virão a cavalo

Por Natalia Furtado e Thyago Mathias


foroni_194_01“As inscrições para a bolsa atleta nem abriram ainda... este é o incentivo que temos! Não sei qual é o resultado que esperam de nossos atletas em 2016, sem apoio.”

Um dos mais promissores cavaleiros de Salto da atualidade, o paulista Guilherme Foroni representou o Brasil, em 2010, aos 18 anos, nas Olimpíadas da Juventude, em Cingapura. Foi uma primeira oportunidade olímpica para o atleta, vencedor em 2009 do Ranking da Confederação Brasileira de Hipismo na categoria Júnior, campeão do Paulista Pré-mirim e Brasileiro por equipes na mesma categoria, bicampeão Paulista Mirim, campeão Mundial Children por equipes e medalha de prata no Sul-Americano de Mirins. Agora, apesar de lamentar a falta de apoio, ele sonha e se prepara para Londres 2012 e Rio 2016.

Memória Olímpica: De onde surgiu e como se deu seu primeiro contato com o hipismo?

Guilherme Foroni: O meu pai já fazia parte do esporte quando eu nasci. Ele criava e comercializava cavalos. Cresci e fui criado assistindo a esta modalidade, o hipismo, e sempre fui apaixonado por ela. Aos três anos, já comecei a montar.

MO: Você é um atleta que está iniciando sua trajetória esportiva. Esteve nervoso durante as Olimpíadas da Juventude, em Cingapura, em 2010?

GF: Fiquei ansioso, porque fui com chances de medalha para a final, mas, quando chegou esse momento, estava bem focado e com a mente vazia. Competir foi como estar em um mundo diferente. Tudo parecia muito além do que imaginava, além de maravilhoso. Foi uma experiência incrível e que nos preparou para competir nas futuras olimpíadas de “adultos”, se posso chamar assim.

MO: Qual foi o caminho percorrido até chegar lá?

GF: A princípio, houve uma seletiva no Chile, em janeiro de 2010. Ali, fui convocado pelo Brasil para conquistar a vaga para o meu país e não para mim mesmo. A América do Sul tinha direito a três vagas e cada país, a um representante. Consegui e tive que fazer outra seletiva, da Confederação Brasileira de Hipismo, para ver qual seria o cavaleiro que iria para Cingapura. Ganhei de novo e, assim, ficou certo que iria participar do evento. Fiquei muito feliz, pois foi muito difícil conquistar a vaga. Tive que competir por ela duas vezes.

MO: Que tipo de apoio você recebeu para participar dessas olimpíadas?

GF: Houve uma organização bem completa pelo Comitê Olímpico Brasileiro. A palavra que melhor se encaixa para descrevê-la é “atenção”. Recebemos muita atenção dos profissionais em suas respectivas funções. Também tivemos contato com atletas mais experientes, que nos incentivaram e deram boas dicas por meio de palestras. A atleta que mais me inspirou foi a Fabíola Molina, da natação. Foram muito boas as suas dicas e inclusive pude conversar e fazer muitas outras perguntas a ela, depois da palestra.

MO: E qual é a sua avaliação sobre as seletivas para o Pan de Guadalajara? Você chegou bem perto...

GF: Sim, eu participei dessas seletivas com 18 anos, o que, no meu esporte, é considerada como uma idade bem jovem para os Jogos Pan-Americanos. Eu completei três das quatro seletivas e fiquei em segundo lugar em um dos grandes prêmios. Tive boas classificações, mas apenas um cavaleiro conseguiu a vaga, pois quatro delas já tinham sido garantidas pelos resultados dos cavaleiros brasileiros que competem na Europa, como o Doda e o Rodrigo Pessoa. Estou muito feliz com meus resultados. Acredito que, no ano que vem, nas seletivas para os Jogos Olímpicos de Londres, tenho chances reais....

MO: Quais são suas expectativa para 2012 e 2016?

GF: São grandes expectativas para Londres. Estou trabalhando para isso. Será a realização de um grande sonho... Já 2016 será uma meta pela qual eu vou lutar com todas as forças! O meu grande foco é uma medalha em 2016!

MO: Como é sua rotina de treino e o que tem aprendido nela e na passagem por essas competições?

GF: Treino de segunda a sábado, das 7h30 às 17h, com uma hora e meia de almoço. Sobre uma lição, sei que ainda sou novo e tenho um longo caminho pela frente, mas tenho aprendido, nos momentos mais difíceis, que, nas derrotas, o maior adversário era eu mesmo.

MO: O cavalo em que montou nas Olimpíadas da Juventude era emprestado pela organização do evento e não o seu... você tem recebido apoio para continuar competindo?

GF: A Confederação (de Hipismo) não ajuda. O apoio é extremamente precário, apenas o da família e o de amigos, que me mantêm no esporte. Agora, também de meu trabalho... No momento, graças a Deus, estou sendo patrocinado pela Lukarmona. As inscrições para a bolsa atleta, a que tenho direito, nem abriram ainda... este é o incentivo que temos! Não sei qual é o resultado que esperam de nossos atletas em 2016, sem apoio... Queria agradecer a todos que fazem parte da minha historia no esporte, mas não posso citar nomes porque levaria cinco dias para citar todos.

MO: Você acha que o hipismo é desvalorizado no Brasil?

GF: Sim. Acho que falta espaço na mídia para divulgar a modalidade... Aliás, muito obrigado pela oportunidade de me expressar e de contar um pouco sobre mim... espero que torçam sempre!

MO: Seu pai foi bicampeão brasileiro no Concurso Completo de Equitação e já foi seu treinador, não é isso? Como é a relação de vocês? Acredita que a exigência seja maior?

GF: No momento, meu pai só é incentivador, o que já é bastante. Mas, mesmo quando era meu técnico, tínhamos muita ligação e proximidade no esporte e dentro de casa. Agora, só temos boas experiências juntos, pois as briguinhas de treino não existem mais (risos).

MO: Você se inspira em outros grandes nomes do hipismo brasileiro como Rodrigo Pessoa, que foi campeão olímpico em Atenas 2004, ou Doda Miranda, campeão pan-americano por equipes em 1999?

GF: Tento copiar as maiores virtudes de cada um para criar o Guilherme Foroni. Não é nem um pouco fácil, mas me ajuda muito.

MO: Você está começando agora nessas competições maiores, mas qual é a sua visão a respeito do doping?

GF: No hipismo, além do doping do atleta, às vezes, também acontece o doping do animal. Então, acho que é importante ter uma equipe de médicos e veterinários de confiança e ser honesto e puro, pois, hoje em dia, não adianta tentar ser mais esperto do que os outros, porque você não vai ter final feliz.


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