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Guilherme Dias (Taekwondo)

06/05/2014
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Por Katryn Dias

Aos 21 anos, Guilherme Dias quer sair da sombra deixada por Diogo Silva e Natália Falavigna e ser reconhecido como a nova força do taekwondo brasileiro. Mesmo com pouca idade, os resultados já são promissores. Em 2013, foi bronze no Campeonato Mundial adulto, entrou no top 5 do ranking mundial e foi eleito pelo COB o melhor atleta brasileiro do ano no taekwondo.

Agora, Guilherme planeja os próximos passos cuidadosamente para conquistar uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio na categoria 58 kg e poder lutar por uma medalha, o que considera um “sonho possível”.

 

Esporte Essencial: Você começou no taekwondo porque era hiperativo. Como foi esse início?

Guilherme Dias: Quando era mais novo, com uns dois para três anos, eu era muito bagunceiro. Minha mãe me levou a um psicólogo para ver o que era, e ficou comprovado que eu tinha déficit de atenção. Depois, ela foi atrás de um lugar que tivesse arte marcial. Aqui perto de casa tinha taekwondo, então ela tentou me colocar para fazer aula, mas eu ainda era muito novo. Eu só pude entrar quando completei cinco anos.

EE: Nessa época, você gostava do taekwondo?

GD: Não. Na verdade, eu fui só porque minha mãe me colocou mesmo. Demorou um pouco para eu começar a gostar. Foi só em 2003 que eu peguei mais apego pela luta.

guilherme_dias_-_divulgao_g10_-texto_600_01EE: O que o esporte te ensinou ao longo desses anos?

GD: Hoje eu sou muito mais calmo e mais disciplinado. Consigo manter a atenção nas coisas que eu quero. Continuo bagunceiro, mas sou mais tranquilo agora (risos).

EE: Você começou a apresentar bons resultados ainda muito jovem, aos 11anos já era campeão brasileiro infantil. Ter começado tão cedo fez diferença?

GD: Acho que fez sim. Por ter começado cedo, eu já gostava muito de competir quando era pequeno. Então, quando cheguei à categoria adulta eu já tinha experiência de campeonato, já tinha competido bastante.

EE: Você continua hoje treinando com o mesmo técnico desde que era criança. Isso foi uma decisão sua, por quê?

GD: Não exatamente... Existe a possibilidade de eu me mudar para os Estados Unidos para treinar. Por enquanto, ainda estou aqui, porque não é tão simples mudar, é difícil.

EE: Essa ideia de sair do Brasil é recente ou sempre foi um sonho?

GD: Eu comecei a pensar nisso há pouco tempo. Porque agora eu tenho oportunidade, antes não tinha. Recebendo a Bolsa-pódio, tenho condições de mudar, de conseguir viajar mais vezes para fora do país e competir mais.

EE: Você acredita que o atleta brasileiro ainda precisa sair do Brasil para treinar em alto nível?

GD: Não necessariamente. Mas, ao mesmo tempo, para mim, a melhor opção agora seria essa.

EE: Você chegou a enfrentar dificuldades por praticar um esporte de pouco reconhecimento no país?

GD: Eu sempre tive o apoio da minha mãe, que me ajudou muito, principalmente em viagens. Por isso, competia mais do que os garotos da minha idade. Nunca me faltou oportunidade de ir para os campeonatos por causa de dinheiro. Minha mãe sempre se esforçou muito para me levar. Então, não senti tanto em relação a isso. E quando fui ficando mais velho, por volta dos 17 anos, eu já tinha bolsa. Por isso, para mim foi um pouco mais tranquilo.

EE: Você acha que o público brasileiro reconhece o taekwondo? Você se sente reconhecido?

GD: O público conhece muito pouco ainda. Na verdade, a maioria conhece o Diogo [Silva], a Natália [Falavigna] e só. 1_200_05Como referência nacional, nós só temos eles mesmo.

EE: De alguma forma, a geração vitoriosa de Diogo Silva e Natália Falavigna abriu caminho para essa galera mais nova, como você?

GD: Com certeza, eles abriram as portas para muita gente. Agora, nós temos que manter os resultados que eles tiveram. Não, manter não... A minha geração tem que conquistar resultados melhores que o Diogo e a Natália. Só assim o taekwondo vai ser reconhecido no Brasil.

EE: Em julho do ano passado, você conquistou o bronze no Campeonato Mundial adulto. Como você avalia sua trajetória na competição? Você já esperava uma medalha?

GD: Eu estava bem preparado. Saí daqui querendo ser campeão, não fui para lá para ser bronze. Com certeza eu tinha condições de chegar à final e até de conquistar o ouro. Eu tive uma trajetória equilibrada, não peguei nenhum adversário muito bom, mas também não peguei ninguém ruim. Fui muito regular durante o campeonato todo, até a semifinal. Na semifinal, eu errei um detalhe e não consegui avançar para lutar contra um atleta coreano na final.

EE: O que você espera do próximo Campeonato Mundial?

GD: Ah, eu quero ser campeão mundial! Mas tenho que ir um passo de cada vez, esse ano ainda tem muita coisa para acontecer antes do Mundial. Ano que vem o grande foco será o Mundial e os Jogos Pan-Americanos.

 

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Uma das lutas do Mundial de 2013, onde Guilherme Dias conquistou a medalha de bronze

 

EE: Aos 21 anos, você foi eleito pelo COB o melhor atleta brasileiro do ano no taekwondo pelo Prêmio Brasil Olímpico e está entre os melhores do mundo no ranking. O que essas conquistas representam para você e o que esperar daqui para frente?

3_200_04GD: Para mim, é uma honra ser o melhor do Brasil. Eu sou muito novo mesmo... Acho que não é todo mundo que tem essa oportunidade de ser eleito o melhor do país. Para esse ano agora, eu espero subir ainda mais no ranking mundial e olímpico para alcançar a classificação olímpica sem precisar da vaga do país. Hoje, eu sou o nono no olímpico e o sétimo no mundial. Para 2016, só os cinco melhores do ranking olímpico se classificam, sendo que só pode um atleta por país.

EE: O Diogo Silva, primeiro brasileiro campeão de taekwondo nos Jogos Pan-Americanos e nos Jogos Mundiais Militares, serviu de modelo para você? Você se inspirou em outros atletas?

GD: Ele é um exemplo. O Diogo, como você disse, foi o cara que abriu as portas do taekwondo. Ele, junto com a Natália, foram os atletas que inspiraram a minha geração.

EE: Esse ano, você entrou para a Marinha. Como foi essa decisão? Você já estava pensando nos Jogos Mundiais Militares?

GD: É um processo de concurso público. Saiu o edital, eu me inscrevi e fui selecionado pelo currículo. Estar na Marinha é mais uma possibilidade que o atleta tem de lutar em campeonatos que valem pontos para o ranking mundial. Além disso, também é a chance de lutar campeonatos importantes como o Mundial Militar e os Jogos Mundiais Militares. O Mundial já acontece esse ano, mas ainda não tem uma data definida. Agora, os Jogos Mundiais serão só em 2015.

EE: Você já disse que pretende ser medalhista nas Olimpíadas de 2016. Qual o caminho para chegar ao pódio em uma competição tão importante? Como vai ser a sua preparação?

GD: O primeiro passo é me classificar. Antes de qualquer coisa, eu tenho que ficar entre os cinco melhores do ranking olímpico para não precisar dessa vaga do país, que só um atleta vai ser escolhido. Conseguindo me classificar, depois tenho que estudar os adversários. Por ser Olimpíada, o número de atletas é menor. No Mundial são 74, no Grand Prix são 32 e nos Jogos Olímpicos são só 16. Então, dá para fazer uma análise melhor de cada atleta na competição. Depois, é entrar concentrado no dia da luta. Acho que é isso. Preciso continuar o que eu estou fazendo e treinar forte. Não tem muito mistério.

EE: Você nunca participou de uma competição desse porte. Você acha que por ser uma Olimpíada isso vai te afetar de outra forma?

GD: Eu acho que não e espero que não. Eu tenho um trabalho com psicólogos e tenho acompanhamento de uma equipe multidisciplinar muito boa. Espero que isso não me atrapalhe, pelo contrário, me favoreça na hora da competição. Mas eu realmente não faço ideia de como é uma Olimpíada. Na verdade, antes desse ano eu nunca tinha ido nem para Jogos. O primeiro foi agora, os Jogos Sul-Americanos. Essa foi a minha primeira experiência 
2_200_05dessa sensação de uma competição de grande porte.

EE: Os Jogos Pan-Americanos de 2015 podem ser um treinamento? Porque depois da Olimpíada, o Pan é uma das competições com mais visibilidade no Brasil.

GD: É, seria mais um teste antes das Olimpíadas. A medalha de ouro no Pan é um sonho possível, assim como em 2016 também.

EE: O que você acha que ainda falta hoje para o taekwondo brasileiro se destacar mais no cenário mundial?

GD: Não sei. Não consigo apontar uma única solução. É de cada atleta. Eu tenho a mesma estrutura que todo mundo tem, e tive resultado. O Diogo, a mesma coisa... É muito de cada atleta ir aos treinos, ser dedicado, focado... Não sei o que falta.

EE: A estrutura da seleção é suficiente para vocês treinarem em alto nível?

GD: Não para todos. Eu não sei como é a situação de todos, mas para mim, é bom.

EE: Para você, o esporte é essencial?

GD: Com certeza, o esporte é a minha vida. Eu não sei fazer mais nada, além disso. Tudo o que eu tenho, tudo o que eu sou é graças ao esporte.

EE: Como você encara a questão do doping no esporte?

GD: Eu sou contra o doping. Primeiro, acho que tem que ter formas de pegar os atletas que se dopam por vontade própria. E quando esses atletas são identificados, tem que ser punidos.

Como entrei na seleção muito novo, com 19 anos, eu não tinha nenhum conhecimento dessas coisas. Quando cheguei, a confederação e os técnicos me deram algumas informações, me deram a cartilha e disseram o que pode e não pode ingerir. Eles também me orientaram a não tomar nenhum remédio sem consultar um médico. Então, com relação a isso, estou muito tranquilo.

Fotos: Divulgação/G10 Assessoria


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