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Giulia Mallmann (Golfe)

06/11/2012
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Talendo e dedicação ao golfe para realizar um sonho

Por Katryn Dias

Com menos de três aninhos, a pequena Giulia já sabia o que queria. Sua maior ambição era “jogar bolinhas”, como dizia para a mãe. Mas não como uma criança, Giulia queria fazer como as pessoas que via no clube. “Eu comprei um set de tacos e bolinhas de golfe numa loja de brinquedos e levei para casa, achando que era isso que ela queria, mas não era. Ela me disse ‘Não, mamãe, eu quero taco de verdade, eu quero bolinha de verdade”, lembra a mãe orgulhosa Ludmilla Chaves.

Enquanto a maioria das crianças ainda estava brincando no parque, Giulia Mallmann entrou para uma escolinha de golfe e se apaixonou. Não parou mais de treinar e vem evoluindo a cada ano. Apesar de jovem, Giulia já demonstra a maturidade de uma grande golfista e está começando a ser reconhecida por suas habilidades. 

No ano passado, ela foi convidada para acompanhar a disputa do LPGA Tour (liga profissional feminina), que aconteceu no Rio de Janeiro. Durante o torneio, Giulia teve a oportunidade de jogar com a chilena Paz Echeverria e ainda participou de uma clínica ministrada por uma das maiores jogadoras de golfe da história: Annika Sorenstam.

Em janeiro deste ano, já aos 16 anos, a adolescente conquistou seu primeiro título nacional, na categoria juvenil. Mas as conquistas não vão parar por aí, assegura a jovem golfista. Ela ainda sonha em participar das Olimpíadas do Rio, edição que marcará, depois de mais de um século, a volta do golfe ao programa da competição esportiva mais importante do mundo.

giulia-mallmann-texto_606Esporte Essencial: Giulia, você pode contar um pouquinho sobre o golfe na sua história?

Giulia Mallmann: Eu comecei a jogar com três anos de idade no Itanhangá Golf Club. Comecei na escolinha mesmo, mas depois eu passei a jogar esses torneios pequenos do clube mesmo e aí com 12 anos eu já estava jogando circuitos e torneios fora do Rio de Janeiro. E jogo até hoje.

EE: Como você se interessou pelo golfe?

GM: Meu avô jogava no clube e eu sempre ia com ele nos finais de semana e depois da escola. Na escolinha mesmo eu via todo mundo jogando e queria brincar com as bolinhas, foi aí que eu me interessei. Depois que a minha mãe comprou um set de tacos de brinquedo, eu quis logo os verdadeiros. Nesse momento, eu só jogava no final de semana e aqueles 30 minutos como profissional me fizeram ficar no golfe.

EE: Como você concilia o treinamento com a escola?

GM: Eu tento equilibrar os estudos com o golfe, mas é muito difícil, porque não dá para ficar 100% bem no golfe e 100% bem na escola. Mas eu tento ao máximo conciliar o meu tempo. Eu treino quatro vezes por semana. Nas quintas-feiras é obrigatório, porque é o treino da Federação Carioca Juvenil. E porque agora eu sou número um do Rio de Janeiro e também a número um juvenil do Brasil, eu tenho que ir mesmo, é obrigação. Sempre que dá depois da aula, ou quando eu saio mais cedo do colégio, eu vou treinar. E nos finais de semana o golfe já virou rotina.

EE: A sua família te incentiva? Para você, esse apoio é importante?

GM: Desde que eu comecei a jogar golfe, a minha família está sempre me dando apoio, me dando conselhos. Se eu jogo mal, eles me ajudam; se eu jogo mal, me ajudam mais ainda. Eles estão sempre por perto para conversar, para saber o que deu errado no dia e o que pode melhorar também.

"Não tinha mais golfe nas Olimpíadas há muito tempo e com essa volta, estão abrindo novas portas para a modalidade. Vai ser bom até para o público conhecer um pouco do golfe"

EE: Você conquistou o título do Campeonato Juvenil de Verão do Estado de São Paulo este ano. Como foi a sensação de ser campeã? E o que mudou para você depois desse resultado?

GM: Esse foi o primeiro torneio que eu fiquei em primeiro lugar no juvenil. Eu fiquei muito feliz, até chorei no final. Tomara que aconteçam mais torneios assim, porque foi muito emocionante. Além disso, esse campeonato abriu muitas portas para mim. Com o resultado, eu consegui o bolsa-atleta, além de muita experiência, e as pessoas passaram a me olhar diferente. Eu me sinto muito bem e espero continuar assim. Eu estou muito feliz com o ranking agora e quero ficar com esse posto até os 18 anos, porque aí eu saio do Tour Juvenil e viro amadora.

EE: O que você achou da volta do golfe para o programa olímpico? Você acredita que depois das Olimpíadas do Rio, o golfe vai ter maior visibilidade nacional?

GM: Achei muito bom mesmo. Não tinha mais golfe nas Olimpíadas há muito tempo e com essa volta, estão abrindo novas portas para a modalidade. Vai ser bom até para o público conhecer um pouco do golfe, porque muita gente pensa que esse é um esporte só para um certo grupo, mas também pode ser para todos. Acredito que vai ser muito bom para o golfe mundial, mas principalmente para o golfe brasileiro. Eu acho que depois das Olimpíadas do Rio, o pessoal vai se interessar mais pelo golfe, principalmente os jovens, que com certeza vão ficar muito curiosos com esse novo esporte.

giulia-1999-2_589Na Copa Salinas de 1999, aos anos 2 anos e 11 meses, Giulia já foi personagem de uma matéria para a TV


EE: E você sonha em disputar uma Olimpíada? 

GM: Com certeza! Um dos meus maiores sonhos é jogar nas Olimpíadas. E agora que vai ser no Brasil, vai ser ainda melhor. O mundo inteiro ver você competindo no seu país, com certeza é um sonho. Para mim, e para todos os golfistas brasileiros também.

EE: Além do sonho olímpico, quais são as suas perspectivas para o futuro no golfe?

GM: Eu quero me tornar profissional, mas primeiro eu pretendo me formar na escola e também entrar para uma boa faculdade americana, com uma bolsa completa, jogando o college golf, que é o golfe universitário de primeira divisão. Além disso, quero tentar jogar o Tour Internacional nos Estados Unidos. Também quero ficar entre os grandes nomes do golfe feminino da história.

EE: E aí, passando para uma universidade nos Estados Unidos, como vai ser ficar longe da família?

GM: Eu não sei... Claro que eu vou ficar com muita saudade. A minha mãe sempre me deu muito apoio, a minha família toda, mas também vai ser uma boa experiência para mim, para eu aprender a ficar sozinha e para desenvolver o meu golfe.

"Um dos meus maiores sonhos é jogar nas Olimpíadas. Depois, eu quero me tornar profissional e ficar entre os grandes nomes do golfe feminino da história"

EE: E você tem algum outro sonho que já tenha conseguido realizar?

GM: Então, ano passado, eu pedi de aniversário de 15 anos para ficar uma semana na Hank Haney International Junior Golf Academy (algo como academia internacional de golfe juvenil, em português). Enquanto todo mundo pedia festa, viagem ou roupa de presente de aniversário, eu fui a única diferente que pedi uma semana numa academia de golfe. Pois é, esse era o meu sonho. E eu fiquei lá uma semana, mas foi muito pouco, porque a experiência lá fica marcada para sempre, então eu achei que uma semana era pouco por tudo que eu poderia aprender lá. E agora, quando eu fiz 16, eu pedi de novo de aniversário para ficar mais tempo na academia, e dessa vez eu fiquei um mês. E agora sim, tudo o que eu aprendi lá, toda a informação que eu recebi, foi fundamental para eu continuar sendo a número um do Brasil. E não só no swing, que é o movimento, mas até o mental golf também, que é a estabilidade nacional.

EE: Para você, o que uma pessoa precisa ter para ser uma boa golfista?

GM: Tem que ter muita paciência, porque é um jogo que você fica muito emocionado. Quando você faz tacadas boas você fica feliz, mas se você der tacadas ruins, fica chateado, triste e muito abalado. Então, você tem que ter um equilíbrio emocional para o jogo, porque o golfe exige muita estabilidade emocional e muito foco também.

giulia-annika_420Annika Sorenstam deu algumas dicas para Giulia durante clínica no Rio

EE: Por que o esporte é essencial para você?

GM: Porque eu comecei desde pequena, já virou rotina para mim. Sem o esporte eu não consigo viver, eu não imagino minha vida sem o esporte. O esporte é o que me faz ser eu mesma.

Fotos: Arquivo pessoal da atleta


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