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Giovana Stephan (Nado Sincronizado)

12/04/2012
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Uma “elegantíssima” promessa

Por João Rabello e Thyago Mathias


giovana_194_01“A responsabilidade é imensa, embora esta não seja opinião unânime dentro do nosso esporte! Com o pouco tempo que me proporcionam, tenho que suprir as eventuais faltas e superar desempenhos.”

“Elegantíssima” foi a definição da Real Federación Española de Natación para Giovana Stephan, de 21 anos, atleta de nado sincronizado pelo Clube de Regatas do Flamengo. Mineira, da cidade de Itaú de Minas, a jovem estudante de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro foi reserva da equipe que conquistou o bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, e do dueto que participou dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Reconhecida como promessa para o Rio 2016 em uma modalidade sem forte tradição no país, Giovana acumula excelentes resultados nos campeonatos em que participou como titular: medalhas de ouro nas categorias solo, dueto e equipe do Sul-Americano Juvenil de Antofagasta 2005 (Chile); finalista por equipe na Copa Fina (Federação Internacional de Natação) de Nado Sincronizado do Japão, em 2006; finalista por equipe e combo no Mundial da Fina de Montreal 2007 (Canadá); bicampeã de solo e tricampeã sul-americana por equipe, no Sul-Americano de Medelin 2010 (Colômbia); e finalista em solo, dueto e equipe no Mundial Júnior da Fina, na Rússia em 2008. Ainda assim, ela reclama das faltas de apoio e de seriedade com que o esporte é tratado no Brasil.

Memória Olímpica: A primeira modalidade que você praticou foi a ginástica artística, além de ter jogado tênis, antes de se decidir pelo nado sincronizado. Que motivos levaram você a fazer esta escolha?

Giovana Stephan: Eu fazia ginástica olímpica, mas também gostava muito de natação. Então, resolvi juntar os dois. Enquanto fazia ginástica e natação, também fazia escolinha de equitação e basquete.  Fiz ainda escolinha de tênis, mas o nado sincronizado começou a demandar mais tempo e atenção na minha vida, porque comecei a participar da equipe do (Clube de Regatas do) Flamengo e de competições. Posso dizer que vinguei no nado ou que o nado sincronizado venceu na minha vida.

MO: Onde e como se dá sua rotina de treinamentos?

GS: Treino com a Seleção Brasileira às segundas e quartas-feiras, durante cinco horas seguidas, no Maracanã. Nas terças, quintas e sextas-feiras, chegamos às 7h30 no (Parque Aquático) Maria Lenk, onde treinamos na água, almoçamos e descansamos, para, depois, fazer musculação e voltar à piscina. Só saímos de lá às 18h. É uma rotina puxada, que também inclui treinamento aos sábados de manhã e ida a São Paulo a cada 15 dias, para treinar as coreografias do dueto. Quando acaba a temporada anual de competições internacionais, volto a treinar no meu clube, o Flamengo, em preparação para o Campeonato Brasileiro Absoluto.

MO: Quem são seus maiores incentivadores?

GS: Meus Pais, Giuseppe Stephan e Renata Aquino Stephan, e as minhas técnicas.

MO: Quais seus maiores ídolos no esporte? Por quê?

GS: No nado sincronizado, são a Gema Mengual (solista da Espanha), pela força e expressividade, e a Virginie Dedieu (solista da Franca), por seu carisma e técnica. Além delas, abrindo pra outros esportes, admiro os nadadores Fernando Scherer, pela alegria, e Gustavo Borges, pela disciplina, além do Pelé, pelo poder que tem de influenciar positivamente várias gerações de atletas e torcedores.

MO: Além de atleta, você cursa a Pontifícia Universidade Católica do Rio De Janeiro (PUC-Rio). Como faz para conciliar estudos com os treinamentos?

GS: Faço faculdade de Economia na PUC, o que exige determinação e disciplina. Admiro o modelo americano, em que há uma integração entre educação e o esporte praticado dentro das escolas e universidades. Eles mantêm toda a estrutura para seus alunos treinarem e competirem em alto nível pela instituição, sem prejudicar a formação acadêmica. Acho que seria um modelo interessante para o Brasil, trazendo ganhos inestimáveis para o esporte e, principalmente, para a educação. Os atletas garantiriam uma formação de qualidade, preparando-se adequadamente para a vida após o encerramento da carreira competitiva, e as universidades e escolas seriam celeiros para as seleções nacionais dos vários esportes.

MO: Como é representar o Brasil em uma modalidade que tem pouca tradição no país?

GS: Exige grande determinação, porque os campeonatos têm pouca divulgação e ainda atraem pouco público. Com pouco espaço na mídia, é difícil atrair patrocinadores. Por outro lado, é muito bom ver como as pessoas ficam encantadas e se apaixonam de vez ao ter um primeiro contato com o esporte. Principalmente, quando têm oportunidade de ver um campeonato ou uma apresentação em um evento importante como os Jogos Pan-Americanos do Rio ou o campeonato internacional Fina World Trophy, que aconteceram no Maria Lenk em 2007, com a participação de grandes equipes como as de Rússia, Espanha, EUA, Japão e Canadá. Ou, ainda, em apresentações como a que a Seleção Russa participou este ano, numa ação solidária em socorro às vitimas das chuvas na região serrana do Rio. Em 2011, teremos o campeonato Brasil Open, de 1º a 5 de junho, no complexo do Maracanã, que contará com a participação de muitos países fortes, como França, Canadá e Estados Unidos. Será um belo evento em que os brasileiros terão a oportunidade de ter contato com a elite do esporte, com o nado sincronizado de qualidade. Poderemos sentir, mais uma, vez toda a alegria e o calor da torcida brasileira, além de mostrar nossa hospitalidade para as equipes dos outros países.

MO: Você tem algum patrocínio ou recebe algum outro tipo incentivo financeiro?

GS: Recebo a bolsa atleta do Governo Federal e tenho desconto na mensalidade da PUC-Rio, porque ela tem convênio com o Flamengo. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) tem os Correios e alguns outros patrocinadores oficiais. Ela também aplica nas atividades do nado as verbas provenientes da Lei Agnelo Piva (Lei no. 10.264/2001). Fora isto, não tenho patrocínio direto e tampouco a nossa equipe, o que é uma pena, pois o nado sincronizado tem muitas características interessantes de serem vinculadas às marcas de empresas: espírito de equipe, colaboração, determinação, leveza e força, delicadeza e firmeza, suavidade e vigor, brilho, dedicação, beleza, alegria...

MO: Quais os momentos mais marcantes de sua carreira em apresentações solo? E, qual o momento mais complicado?

GS:  Como solista, o momento mais emocionante foi ser a primeira brasileira finalista de solo, no mundial de Roma 2009. Depois, ganhei o campeonato italiano, em junho de 2010. Também foi muito emocionante vencer a solista americana Mary Killman no campeonato espanhol do ano passado e conquistar a medalha de prata, recebendo palavras de reconhecimento dela e da Real Federación Española de Natación, que me definiu como “Elegantíssima”. É sempre um desafio, mas não consigo me lembrar de um momento que possa chamar de complicado.

MO:  Como você descreve a emoção da conquista do bronze em equipe nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007?

GS: Foi muito bom! Simplesmente, uma sensação de dever cumprido. Ao mesmo tempo em que foi emocionante poder treinar todos os dias na expectativa dessa grande festa, houve a realização de poder oferecer esse presente ao público e receber dele em dobro, em carinho e alegria.

MO: Como você avalia sua viagem aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, mesmo como reserva?

GS: Meu papel foi fundamental na preparação para 2008. Naquela época, treinei ininterruptamente e, dentro da formação em dupla, treinei por dois longos períodos, porque as outras duas atletas se contundiram sucessivamente. Essa atuação permitiu que o trabalho prosseguisse sem prejudicar a atletas que estava em condições de treino em um ou outro momento. Também fui ao campeonato pré-olímpico seis meses antes dos jogos. A competição foi no chamado Cubo d’Água, já na piscina que seria palco das olimpíadas. Fiquei com os olhos mareados só de ver aquela magnífica estrutura de longe... e não foi por causa da poluição, não (risos)!. O clima de preparação para as olimpíadas era empolgante e, se apenas por ver uma pontinha dos bastidores já fiquei muito feliz, quando eu participar realmente dos jogos, ficarei em “estado de Graça”, como diria meu avô!

MO: Quais suas principais metas para os próximos anos?

GS: Participar dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Para isso, preciso treinar muito, pois vejo a atual condição de reserva do dueto como apenas uma das etapas. A responsabilidade é imensa e devo estar pronta, pois o trabalho de vários anos está em jogo, embora esta não seja opinião unânime dentro do nosso esporte! Com o pouco tempo que me proporcionam, tenho que suprir as eventuais faltas sem deixar que percebam qualquer diferença entre mim e qualquer uma das titulares, além de ter que superar desempenhos, como ocorreu nos abertos da França e da Alemanha este ano, quando recebi diversos elogios.

MO: Você acredita que o seu auge possa coincidir com os Jogos Olímpicos do Rio em 2016? O que espera das olimpíadas brasileiras?

GS: Sim. Para isso, estou focada em ter a experiência prévia de Londres. Espero um megaevento, maravilhoso, com a reunião de todo o mundo e de todos os esportes, numa celebração de paz e diversidade, que são belas características da nação brasileira. Espero que, na esteira da credibilidade e destaque que o Brasil vem ganhando no cenário internacional, façamos um evento que ficará na memória dos brasileiros e de todo o mundo, como uma linda festa, que é o que sabemos fazer de melhor. Espero que seja um momento marcante para o esporte brasileiro e que ajude a aumentar o interesse da população por diversos esportes além do Futebol e da Fórmula 1. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela... eu diria que o melhor da festa é se preparar para ela. Portanto, espero que surjam muitos projetos de massificação dos esportes, para a formação de base, e também que se aumente o investimento nos atletas de alto rendimento, nos técnicos e demais profissionais envolvidos na formação e preparação, bem como nos centros de treinamento.  Lógico, espero que consigamos nos destacar em diversas modalidades para fazer a festa da torcida!


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