Últimas Notícias

Homem é preso após ameaça de bomba e tenta levar avião a Soshi...
Esporte que constrói o Brasil.

ENTREVISTAS

General Azevedo e Silva (presidente da APO)

14/05/2014
Esportes relacionados:

headfernandoazevedo-aspas_680


À Espera de um Rio de Janeiro Olímpico


Por Fabiana Bentes

Há um pessimismo desenfreado, com razão, influenciado pelas notícias de atrasos na Copa, mortes nas construções dos estádios, uso indevido do dinheiro público, na falta de legado, nos aeroportos sem as condições prometidas, enfim, um pessimismo obvio e cheio de argumentos. Eu mesma tenho sido contaminada pela sensação de que tudo vai dar em oba-oba na Copa e que vamos, também, passar vexame nos Jogos Olimpicos de 2016. Mas há um elemento neste jogo que não esteve na organização da Copa e que, há seis meses, entrou na organização dos Jogos: esse elemento é o que me faz voltar a acreditar que teremos os Jogos Olímpicos no Rio com um legado inquestionável: General Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO).

O General Azevedo e Silva, além de ser um esportista nato, com grande carisma, foi o grande responsável pelo sucesso dos Jogos Mundiais Militares, realizado em 2011, e demonstra o que a gente não vê no dia dia da cobertura da Copa e dos Jogos: vontade de dar certo, de servir ao Brasil, e a necessidade de ser transparente e de executar as obras dentro da lei. Para ele, não se pode mais olhar para trás, o tempo urge e é hora de dar certo.

Vamos cobrar, claro, queremos um legado sustentável real, sem que haja o uso irresponsável do dinheiro público. Caberá ao General, com a responsabilidade da APO, como ele mesmo disse, servir porque está em uma Missão. E como militar ele sabe que Missão é para e em prol de um país. Neste caso, o Brasil, e para tão somente o povo brasileiro.


EE: Qual é a magnitude da interferência da APO no andamento da organização dos Jogos Olímpicos? 

cadernos_da_matriz_de_responsabilidades_-_divulgao_apo_-_texto_400Fernando Azevedo e Silva: A APO tem que seguir o que é previsto em lei. É uma lei de 2011 que criou a gestão dos Jogos e nela o consórcio interfederativo que dá as atribuições à APO. A APO tem uma missão muito simples, tem uma finalidade pela lei e oito objetivos. A grande finalidade é fazer a coordenação entre os entes, que são a União, o Estado, o Município e o Comitê Organizador dos Jogos para ver se estão sendo cumpridos os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro perante o Comitê Olímpico Internacional para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Tem oito finalidades específicas, sendo uma delas a elaboração e a atualização da matriz de responsabilidade. Essa integração dos entes, que é necessária, é a do modelo de Londres, que foi de sucesso. É só seguir o que está previsto em relação às atribuições em lei.

EE: Quando o senhor aceitou ser o presidente da APO, quais eram suas expectativas?

1_200_09FAS: Eu não aceitei. Eu sou militar da ativa e foram consultados o comandante do Exército e o Ministro da Defesa para saber se podiam me liberar para exercer essa função. Foi uma missão e missão nós não escolhemos, cumprimos. Eu tenho que ajudar, de certa maneira, fazendo exatamente aquilo que é previsto e que nós gostamos de seguir, que são as regras, neste caso, a lei.

EE: O senhor está realizado com o andamento da sua gestão?

FAS: Uma coisa muito boa que aconteceu, no meu caso, foi a muito boa aceitação dos entes até agora. Tanto União quanto Estado, Município e Comitê, por intermédio do COI, compreendem muito bem o papel da APO, a ajuda que pode dar e o suporte legal que ela tem. Isso me facilitou muito o trabalho. Eu não tenho que estar contente, tenho que tentar cumprir minha missão aqui. É lógico que um evento dessa magnitude, que são os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, é complexo. Não é um evento simples. É uma coisa que precisa de uma coordenação, de um esforço muito grande, ainda mais num evento que é o primeiro da América do Sul.

EE: Há um risco real de perdermos a Olimpíada, que os Jogos sejam disputados em outro país?

FAS: Não, tenho certeza que não. É um compromisso de Estado. Na história olímpica, não aconteceu isso ainda e não vai acontecer aqui. Uma certeza eu tenho  é que dia 5 de agosto de 2016 haverá a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio. Isso é um compromisso que o Brasil tem que cumprir e vai sair.

EE: Qual a razão do atraso, segundo o COI, na construção das instalações? Liberação de verba? Licitações? Falta 2_200_06de planejamento e/ou organização? Burocracia?

FAS: Eu cheguei à APO há cerca de seis meses. Então, eu não queria olhar para trás e não participei disso. O que eu consegui fazer em dois meses foi lançar a matriz, que é o que determina quem é o responsável pela parte orçamentária e quem é o responsável pela execução. Está tudo mapeado e escrito. Pelo que eu estou vendo, não tem nada impossível. Não tem uma consideração do atraso que vai se tornar alguma coisa irreversível. O que não tem é grande flexibilidade em questão de tempo. É lógico que o ideal seria acabar as construções, as obras, os projetos, os serviços com a maior antecedência possível, porque dá mais tempo para ajustes e testes. Mas não há nada que nós estamos fazendo, a organização dos Jogos, os entes responsáveis, que não seja possível. Os maiores projetos, aquilo que é o coração da Olimpíada, como a Vila do Atleta, o Parque Olímpico da Barra e agora lançamos todos os projetos de Deodoro, estão sendo feitos. E Deodoro, licitado. Então, acho que isso aí já é um avanço e uma preocupação a 3_200_05menos. Mas o tempo não para...

EE: Sei que essa é uma pergunta delicada. Mas venho fazendo aos meus entrevistados e pessoas que converso sobre o assunto e há quase uma unanimidade na resposta: "A Olimpíada ficará pronta tempo, vai dar certo, mas os estrangeiros não entendem que no planejamento brasileiro o atraso além de necessário é o ideal para favorecer alguns". É isso o que vai acontecer para os Jogos do Rio?

FAS: Todas essas obras que estão apontadas na matriz como maturidade 3* foram feitas dentro da regulamentação normal, dentro da Lei 8666, dentro do escopo de uma parceria público-privada. Uma coisa que temos que reconhecer nesse modelo da Olimpíada Rio é que nós estamos com uma porcentagem boa de recursos privados. Isso economiza o dinheiro do contribuinte. Então, acho que até agora não 4_200_04houve alguma coisa que fugisse à regulamentação normal. Londres foi uma Olimpíada elogiada, mas feita 100% com recurso público.

*Maturidade é desde o incipiente projeto, que é o 1, até o andamento do projeto e licitação, que é maturidade 3, onde a gente aponta pela primeira vez o orçamento. 

EE: Como a APO encara esta exposição negativa do país no que tange a organização dos Jogos e a própria intervenção do COI?

FAS: Eu vi algumas notícias que foram desmentidas oficialmente pelo COI. Então, oficialmente pelo COI não tem uma crítica reconhecida. Existe uma coisa, que acontece também agora no futebol com a FIFA... Conforme vai chegando perto das Olimpíadas, eles intensificam as vindas ao Brasil e as cobranças. E uma Olimpíada é um pouco diferente dos outros eventos esportivos, porque tem o padrão do COI e também os padrões das federações internacionais de cada modalidade, que querem o melhor para elas. Então, é um evento muito complexo, em que a organização e os entes têm que conversar com o COI e com as federações para que entendam que o modelo ideal é o modelo possível. O modelo que atenda às exigências, mas que não tenha um custo elevado. Cada federação quer o melhor para o seu esporte, o que é normal. Esse jogo, lá e cá, é normal num evento desse tamanho.

EE: Ao vencer a possibilidade de realizar tanto a Copa do mundo quanto os Jogos Olímpicos, o governo fez o discurso que todo o brasileiro queria escutar: pouco uso de dinheiro público, aeroportos reformados, legado social e físico inquestionáveis. Chegando Copa do Mundo o resultado não foi bem esse, e a rejeição a cada dia aumenta. Qual é o discurso, agora, do Governo Federal perante estas "puxadas de orelha" que estamos 5_200_05recebendo constantemente?

FAS: Puxão de orelha do COI não teve nenhum. As notícias que foram veiculadas por aí foram desmentidas. O próprio secretário-executivo teve reunião conosco e demonstrou que a intenção dele é ajudar, com a experiência que o COI tem. E o COI tem um produto cedido ao Brasil, tem que se realizar uma Olimpíada. Ele tem a governança em relação às federações internacionais, ao pacote de mídia... Então, o COI está preocupado que tenha uma boa Olimpíada no Brasil, assim como nós. Eu vejo muito mais o COI como um parceiro experiente para nos ajudar com seus técnicos, porque eles são experientes em Jogos Olímpicos tanto de verão como de inverno. É o que está acontecendo. Essa semana, a equipe técnica do COI está em reunião com um pessoal nosso.

EE: Qual a sua opinião sobre o papel da mídia até o momento?

FAS: Outro dia veio um rapaz aqui que fez um estágio em Londres, antes e durante as Olimpíadas, e ele passou os slides da mídia inglesa até a véspera dos Jogos. Foi totalmente negativa, até quase o último dia. Faltando 20 dias para a Olimpíada teve aquela firma responsável pela segurança de Londres que abriu mão, disse que não tinha condições... Segurança é uma coisa muito séria, então pegaram tropa do Afeganistão para mandar para lá. Ele mostrou alguns exemplos... Conforme teve a cerimônia de abertura e a primeira medalha ganha por um inglês, as coisas começaram a mudar e terminou em uma apoteose.

EE: É a magia do esporte...

FAS: Sim. O esporte tem umas coisas gozadas... Eu vejo pelas lembranças que eu tenho do futebol. o Brasil ganhou 1958 e 1962, então a Copa de 1966 já estava ganha, porque estavam o Pelé, no auge da sua maturidade, e o Garrincha, nós treinamos quatro seleções para formar uma, tínhamos jogadores espetaculares... e nós saímos nas oitavas de final, perdendo para Portugal. O meu tio foi de navio e só chegou para as quartas de final em diante. O bumbo dele, ele jogou em alto mar (risos) porque o Brasil foi desclassificado. Na Copa de 1970, que nós tínhamos uma seleção espantosa, foi o inverso. Nós saímos daqui desacreditados. O João Saldanha, como técnico, classificou a seleção com um sofrido 1x0 no Paraguai e foi destituído na véspera do embarque. O Zagallo, que era da comissão técnica, entrou dizendo que o Tostão não podia jogar com Pelé e Rivellino, era vaga para um só. E durante a ida ajeitou: Rivellino na esquerda, Pelé com Tostão. Foi a melhor seleção que nós tivemos. Então, o esporte é uma caixinha de surpresas. E assim a opinião pública vai se moldando...

6_200_05EE: O senhor acredita que toda esta exposição negativa pode afetar nossa economia? O descrédito com o Brasil 
está grande...

FAS: Não, acredito que não. O Brasil tem capacidade e tem uma economia até sólida, está entre as dez maiores do mundo. É um evento que está economicamente planejado. O esporte fala por si. É um evento esporte e é assim que vai ser. Acho que não tem possibilidade de ligação com a economia.

EE: Alguns estudos referem-se  que 10% do endividamento da Grécia foram resultado dos Jogos Olímpicos.

7_200_07FAS: Para fazer a Olimpíada, eles pegaram um financiamento externo elevado, que não é o caso do Brasil. Com certeza nós não vamos ter uma Olimpíada para esbanjar, rica, inclusive pelo modelo adotado entre os entes, pela negociação com o COI. Para mim, vai ser uma Olimpíada justa, sem mais do que o necessário. No Brasil o investimento público pode subir um pouco, mas quase 60% é dinheiro privado. 

EE: Legado já virou uma palavra banal como tsunami. Todo mundo usa para garantir um entendimento rápido. Mas assim como tsunami, muitas vezes as pessoas não entendem o que é o verdadeiro sentido da palavra, neste caso legado dos Jogos Olímpicos. E pensam que apenas as construções seriam o legado. O que é o legado para a APO? 

FAS: O legado para mim são dois segmentos: o legado tangível e o intangível. O legado tangível não tem dúvida. Eu sou do Rio e desde criança sei que a cidade sofre com problema de mobilidade, as grandes foram feitas há muito tempo e o Rio já precisava do que está sendo feito. Eu acho que se nós chegarmos ao final de uma Olimpíada com tudo o que está projetado feito, vai ser um ganho, um baita legado. A parte de mobilidade, a região do Porto, o metrô, 8_200_04Deodoro vai ter um parque tipo o Aterro, com parque radical... Isso é o tangível, isso é tudo que nós vamos ver bastante no Rio. Agora, para quem gosta de esportes como eu, o maior legado é o intangível. É o adolescente brasileiro vendo o esporte, os ídolos aqui, as coisas acontecendo, os exemplos... Essa massificação de 42 esportes olímpicos e 24 paralímpicos. Até o esporte paraolímpico vem crescendo muito. Como é bacana uma pessoa que adquiriu uma incapacidade, com o esforço dela, se superar. As outras pessoas com deficiência também vão ser contaminados com a ideia de que não há barreia e preconceito para nenhum tipo de deficiência. O esporte tem essa capacidade de união. Todas as religiões vão participar, todas as raças, é uma integração... Aquela cerimônia de encerramento, em que todos os povos dão a volta olímpica juntos, marca muito. E o jovem, a criança brasileira vendo isso... Aí é o legado intangível. E isso vai influir na educação, na saúde, na prática esportiva... Esse é o verdadeiro legado.

estande_de_10m_do_centro_nacional_de_tiro_esportivo_tenente_guilherme_paraense_-_divulgao_639

 Estande de 10m do Centro Nacional de Tiro Esportivo usado para torneios e treinamento da seleção

 

EE: Estamos perto de construir esse legado para o Rio de Janeiro e para o Brasil?

FAS: Eu acho que sim. Do orgulho do brasileiro ver que tem capacidade de organizar um evento olímpico... No dia 2 de outubro, que foi a vitória da nossa candidatura, foi todo mundo para a praia comemorar. Igual eu me senti na convenção do esporte militar, todos os representantes vieram me cumprimentar pelos Jogos Mundiais, todos os discursos falaram do Brasil... Ali eu me senti orgulhoso de ser brasileiro. Eu acho que vai ser bacana.

EE: O senhor tem total segurança de que vamos conseguir cumprir todas as obras para os Jogos Olímpicos a tempo?

FAS: Eu sou otimista, acho que sim. É o compromisso do Brasil. O Brasil teve a ECO-92, eu me lembro, eu participei, estava de serviço e trabalhei. Foi um grande evento, com todos os chefes de Estado vindo ao mesmo tempo com segurança... Não acreditavam na capacidade de uma organização, mas na época foi brilhante. Depois disso, nós tivemos o Pan-Americano, que foi muito bom, os Jogos Mundiais Militares e a vinda do Papa. Nós estamos organizando muitas coisas.

 

jogos_mundiais_militares_-_gov_rio_-_texto_660

A bela cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais Militares de 2011, realizada no estádio do Engenhão


EE: O estádio de remo, depois do Pan, era para ter se transformado em um CT de alto rendimento. O que temos agora é um complexo de entretenimento, com um estacionamento cobrado altíssimo e que esvaziou o público das regatas. Na mesma linha da baia de Guanabara e da vela, a lagoa é um cartão postal. Os remadores, com razão, não param de reclamar. Como é essa relação de legados prometidos e não cumpridos?

FAS: Nesse aspecto específico, você tem razão. Agora, eu vou para outra situação que deu legado e eu acho sensacional. Um é o complexo de tiro em Deodoro, que está usado, já usamos no Pan, nos Jogos Militares e vamos usar na Olimpíada. As equipes treinam lá... O Centro Nacional de Hipismo é um legado do Pan que ficou muito bom e vai ser usado novamente agora. Então, tem o outro lado. Em relação ao que foi feito, os Jogos do Rio talvez sejam um dos poucos em que a gente já tem o lugar das quatro cerimônias pronto, que é o Maracanã. E o estádio do atletismo,  que foi visualizado para usar no Pan e está praticamente pronto. Tem reformas, tem consertos, mas com as Olimpíadas vai acabar de fazer o que precisa ser feito. E o atletismo está assegurado lá, assim como o futebol está certo no Maracanã, com algumas adaptações.

 

centro_nacional_de_hipismo_general_eloy_menezes_-_divulgao_680

Inagurado em 2007, o Centro Nacional de Hipismo é uma referência para a modalidade 


EE: Eu concordo, mas Deodoro não é Lagoa Rodrigo de Freitas, como ponto turístico. Os centros de tiro e de hipismo citados não estão em áreas como a Lagoa. Por que não houve legado esportivo na área nobre?

FAS: Olhando o remo, ali poderia ter ficado melhor. Agora você falou de Deodoro, em tiro, hipismo... Por exemplo, Londres fez toda a Olimpíada em uma área carente, resgatou uma parte que agora está vocacionada para o turismo. Essa foi uma visão estratégica. Eu acho que a vocação do Rio está para a zona Oeste, que é a zona mais carente.

EE: Eu não discordo do desenvolvimento das zonas para o legado. O que eu discordo é do tratamento elitizado de um local que deveria servir para o esporte e se volta para entretenimento. Já imaginou se nós tivéssemos ali um centro de remo, vela, canoagem, com escolinhas públicas?

FAS: Tem razão, ali já era uma área vocacionada para isso.

EE: No andamento dos Jogos, o que está dando errado e o que está dando certo?

FAS: Olha, eu não posso te dizer o que é certo, o que é errado. Eu posso dizer que é um evento complexo. As coisas normais da administração, que não pode passar por cima, esses locais normais da sociedade, que não pode isso, não pode aquilo, as normas, as regras... Um evento olímpico é muito grande. Não é que esteja certo ou errado, acho que são coisas muito complexas.

9_200_04EE: Então, as dificuldades existem, mas estão sendo dissolvidas passo a passo?

FAS: É... Primeiro, são muitos envolvidos. É um evento de uma magnitude... Eu conheço esporte, lidei com isso a vida toda, mas o evento olímpico é uma coisa fantástica em números. Sinceramente, não é fácil. Parece que não, mas o Brasil tem umas normas muito rígidas, que não se pode passar por cima. As nossas leis são complexas, para evitar o desperdício, para evitar fraudes. O sistema democrático é isso aí, tem que seguir uma sequência, as normas, as condutas do Município, do Estado, da União. Isso além do controle externo do TCU, CGU... Isso tudo com esses números macros torna a organização e a execução complexas.

EE: O orçamento será fechado como apresentado publicamente ou teremos surpresas como o da Copa do Mundo?

FAS: São duas coisas que eu sempre falo aqui. O dossiê de candidatura foi um documento em que o Brasil aceitou as condições propostas pelo COI e ali botou uma previsão inicial, é um planejamento. Esse documento é de 2009 e não tinha acontecido Londres. Os Jogos de Londres mudaram os parâmetros de muitas coisas. Mudou tanto que quatro novos esportes foram incluídos: dois olímpicos e dois paralímpicos. Então o dossiê de candidatura com a previsão inicial é adaptado. A própria matriz de responsabilidade é atualizada de seis em seis meses. Então, podem entrar projetos novos. A maioria já está ali, mas podem ter projetos de urgência. O Comitê Rio 2016 ficou de conseguir mais patrocínios, o que alivia o fluxo de caixa dela. Agora, alterações e modificações de emergência, isso na história olímpica já aconteceu.

EE: Como está a construção do novo Ladetec? Quando ficará pronto?

FAS: Agora passou a ser Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem. A obra será feita em quatro fases. Já finalizou a terceira e está iniciando a quarta. Então, em termos de instalação civil está indo de “bem” para “muito bem”. O mais importante ali será o novo credenciamento. Nós já tivemos o credenciamento da agência internacional, a WADA, perdemos e a nova acreditação está sendo feita por etapas. A acreditação envolve equipamento e recursos humanos. 

Eu não tenho dúvidas quanto a obra física e os equipamentos. O problema são os testes que a WADA impõe que sejam feitos para novamente creditar. Isso é uma responsabilidade do governo federal, que encampou isso através da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O legado dela é o novo laboratório de química, junto com o laboratório de dopagem. Foi uma estratégia boa.

 

obras_do_laboratrio_brasileiro_de_controle_de_dopagem_-_divulgao_apo_-_texto_650

General Azevedo e Silva visita obras do Laboratória Brasileiro de Controle de Dopagem, em fevereiro deste ano

 

EE: E vamos ter esse investimento em equipamentos e profissionais?

FAS: Já estamos fazendo.

10_200_05EE: Como o Brasil está contribuindo com o movimento olímpico?

FAS: Está contribuindo porque o Brasil teve a coragem de se candidatar em um processo longo, com quatro candidatos fortíssimos. O Brasil teve competência para ganhar a candidatura e vai entrar para a história como o primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada. E tenho certeza que isso tudo virá com novas modalidades, com uma nova roupagem, com uma cidade maravilhosa... É a oportunidade de “plugar” o mundo ao Rio. A contribuição olímpica vai ser essa.

EE: Se houver mudança de governo, o senhor deixará a APO ou é uma autoridade aquém das diretrizes políticas do país?

FAS: O meu nome foi escolhido tendo em vista um perfil técnico. Eu não sou político, eu sou militar da ativa e estou cumprindo uma missão. Eu acho que a Olimpíada se encaixa nisso, porque é um evento que não é de governo A, B ou C, é um compromisso do Estado brasileiro. Tanto que pode mudar governo e o perfil da Olimpíada vai ser mantido.

11_200_03EE: Por que o esporte é essencial?

FAS: Olha, eu sou suspeito para falar... Na minha vida, o esporte foi essencial. Eu pautei toda a minha vida e minha conduta pelo esporte. O esporte educa e faz bem à saúde. Hoje em dia, não se pode dissociar educação, saúde e esporte, que é incluído para dar uma auxiliada nesses dois segmentos que são importantíssimos. Eu considero o meu caráter... Na juventude, eu cheguei numa bifurcação. Ou eu ia por um caminho, por onde eu morava e pelas amizades que eu tinha, ou iria por outro. O caminho que eu escolhi foi o esporte. Se eu cheguei onde cheguei, com a personalidade que eu tenho, com honestidade, com objetivo de tentar vencer na vida, capaz de orientar a educação dos meus filhos, eu devo muito à prática esportiva. Então, cito o meu exemplo para dizer que o esporte é essencial.

Fotos: Divulgação/APO e Divulgação/Governo do Rio de Janeiro (Jogos Mundiais Militares)


Fatal error: Call to a member function getLink() on a non-object in /home/storage/a/b4/92/memoriaolimpicabrasi/public_html/incs/coluna_direita_noticias.codigo.php on line 27