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Francisco Jefferson (Atletismo Paralímpico)

12/04/2012
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Do interior do Ceará para a República Tcheca

Por João Rabello e Thyago Mathias


francisco_194_02“Podem existir muitos jovens com potencial em lugares distantes e que não conhecem as modalidades paraolímpicas”.

Francisco Jefferson, morador de Pindoretama, pequena cidade do Ceará, é uma revelação paraolímpica brasileira. O jovem, que teve má formação dos membros inferiores, pratica o esporte adaptado há apenas três anos e já conquistou resultados surpreendentes. Mesmo assim, ainda batalha por patrocínio. “É preciso investir nos esportes. Podem existir muitos jovens com potencial em lugares distantes, como eu em Pindoretama, que não conhecem as modalidades paraolímpicas”.

Por iniciativa de um professor e orientado pela Associação de Deficientes Motores do Ceará (ADM-CE), Francisco conheceu e passou a praticar o esporte adaptado. Já na primeira competição oficial que disputou, foi medalhista de prata em lançamento de dardo no Circuito UniFor de Atletismo 2010, promovido pela Universidade Federal de Fortaleza.

A conquista mais expressiva foi o ouro no Mundial de Jovens da IWAS (International Wheelchair & Amputee Sports Federation), ocorrido em agosto, na República Tcheca, que credenciou a Francisco uma vaga na seleção brasileira de jovens. “Quando comecei a praticar, não esperava nem sair do Ceará. Agora, além de conhecer outros estados, já viajei até para fora do Brasil.” Com a marca de 45m66cm no Mundial, além da medalha de ouro, o cearense, nascido em Cascavel, se tornou o recordista mundial de lançamento de dardo e, junto ao amigo paraense Alan Fonteles, recebeu uma homenagem especial no fim da competição.

Na última semana de março, no Circuito das Loterias Caixa de Atletismo, Francisco foi mais uma vez destaque, quebrando recordes brasileiros de lançamentos de dardo e disco. O atleta ganhou dois ouros e uma prata. Na semana seguinte, foi convocado para a sua primeira semana de treinamentos na seleção brasileira principal. “Acabei de chegar, mas já com aquele sentimento de quem não quer sair mais”, confessa.

Atualmente, Francisco segue em busca de patrocínio e se preparara para o Pan-Americano de Guadalajara, no México, que acontece em novembro desse ano. Sem pressa para os Jogos de 2016, o atleta prefere se planejar. “Espero participar e conseguir bons resultados em Londres para treinar confiante para os jogos no Brasil”, afirma.

Memória Olímpica: Como você começou no esporte adaptado?

Francisco Jefferson: Em uma viagem a Fortaleza, um professor meu encontrou um grupo de pessoas que divulgavam o esporte paraolímpico pelo nordeste e, então, procurou se informar com a ADM sobre as competições. Na semana seguinte fui com ele na ADM para conhecer e logo comecei a competir no dardo e conseguir ótimos resultados.

MO: Você pratica outro esporte?

FJ: Gosto muito de competir no lançamento de disco, mas prefiro o dardo, no qual o meu desempenho é melhor.

MO: Quais as principais mudanças que o esporte trouxe à sua vida?

FJ: Mudou tudo. Quando comecei a praticar, não esperava nem sair do Ceará. Agora, além de conhecer outros estados, já viajei até para fora do Brasil.

MO:: Quem são seus maiores incentivadores?

FJ: Minha mãe e meus técnicos Gevanildo e Antonio José.

MO: Como é sua rotina de treinamentos?

FJ: Eu treino em Pindoretama (CE), onde moro. Treino os lançamentos todos os dias de manhã e a tarde faço academia. No total, são mais ou menos cinco horas por dia.

MO: Qual a maior dificuldade que você encontrou no esporte?

FJ: A maior dificuldade que tenho para praticar não são treinamentos e competições, mas a falta de apoio, de patrocínio. Eu ainda não tenho. Na seleção brasileira de atletismo sou o único sem patrocínio. Acho que é preciso investir mais nos esportes. Podem existir muitos jovens com potencial em lugares distantes, como eu em Pindoretama, que não conhecem as modalidades paraolímpicas.

MO: Para você, qual é hoje a maior dificuldade para um atleta paraolímpico brasileiro prosseguir na carreira?

FJ: No caso do atletismo é mais complicado porque é um esporte que não recebe tanta atenção como, por exemplo, o futebol.

MO: Você ainda estuda?

FJ: Já terminei os estudos, mas pretendo fazer faculdade de Educação Física.

MO: Quais as principais competições das quais participou até agora e quais foram seus resultados?

FJ: Minha primeira competição foi na UniFor e fiquei em segundo lugar. Em agosto do ano passado, estive na República Tcheca e fui medalhista de ouro e recordista mundial de dardo.

MO: Qual foi o melhor momento da sua carreira?

FJ: Foi a homenagem que recebi entre os recordistas mundiais, na República Tcheca.

MO: Como se sente agora que treina com a seleção brasileira?

FJ: Estou muito feliz. Acabei de chegar, mas já com aquele sentimento de quem não quer sair mais. Lá você reencontra pessoas que conhece ao longo da carreira, como um antigo técnico meu que era do Ceará e hoje trabalha em Brasília e o Allan Fonteles, dois amigos que fiz por causa do esporte.

MO: Você tem algum ídolo no esporte?

FJ: Uma pessoa que admiro muito é o Ronaldo Fenômeno, por tudo que ele passou. Eu nunca passei por uma cirurgia, mas muitos entre os paraolímpicos passam e ele é exemplo para essas pessoas. É normal para qualquer atleta passar por dores e o Ronaldo superou tudo.

MO: O que você faz quando não está treinando ou competindo?

FJ: Fico em casa com a família, mas, na verdade, sobra pouco tempo. Estou sempre treinando.

MO: Jogos Paraolimpícos de Londres 2012. Quais as suas expectativas de participação?

FJ: A expectativa para minha primeira paraolimpíada é grande. O sonho de qualquer atleta é chegar aos Jogos Olímpicos e representar o Brasil.

MO: E qual a sua expectativa para os Jogos de 2016 a serem realizados no Rio de Janeiro?

FJ: Quer competir o máximo que puder até lá. Estou concentrado no Pan de Guadalajara e nos Jogos Olímpicos de Londres. Depois penso no Rio 2016.

MO: Até lá, quais são as suas metas?

FJ: Espero conseguir um patrocínio. E estou muito concentrado para o Panamericano de Guadalajara, que vai acontecer no México, em novembro desse ano. Depois espero participar e conseguir bons resultados em Londres para treinar confiante para os jogos no Brasil.

 


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