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Enrico Pezzi (Esgrima)

10/12/2013
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enrico-pezzi-pedro_revillion-sogipa2-texto_650A batalha diária para sobreviver como esgrimista no Brasil 

 

Por Katryn Dias

O maior sonho do esgrimista Enrico Pezzi é disputar as Olimpíadas do Rio, em 2016. Mas como todo atleta de esportes individuais pouco tradicionais no país, sofre com a falta de patrocínio. Para tentar driblar esse problema, o gaúcho resolveu inovar: criou um bonequinho caricato de si mesmo para divulgação. Embora não tenha atraído patrocinadores, a venda da miniatura trouxe uma renda extra para ajudar nas viagens.

"É muito difícil conseguir patrocínio na esgrima. As empresas não querem investir porque o esporte não é divulgado."

Hoje, Enrico treina e compete apenas com o auxílio do programa Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte. Apesar dessa dificuldade, o esgrimista planejar disputar mais competições internacionais a partir do próximo ano, já como preparação para a disputa olímpica.

EE: Como você conheceu e começou a praticar esgrima?

Enrico Pezzi: Quando era pequeno, ficava bastante na casa do meu avô e um dia eu estava vendo na TV uma competição de esgrima e me interessei bastante. O meu avô percebeu que gostei e perguntou se eu queria começar a praticar. Aí ele me levou no clube para fazer a inscrição e começar. E desde então eu faço esgrima.

EE: A esgrima não é uma modalidade praticada em qualquer clube no Brasil. Foi fácil para você começar?

EP: Foi fácil, porque a esgrima já tem tradição aqui no clube Sogipa. Mas na questão financeira foi um pouco difícil, até por a esgrima ser um esporte caro.

enrico-pezzi-medalhas-texto_534EE: Teve um momento em que você percebeu que a esgrima poderia se tornar a sua profissão?

EP: Na verdade, eu sempre levei a esgrima como um esporte para diversão. Mesmo agora, pensando que posso ser profissional, eu levo como diversão, porque continua sendo um prazer para mim. Mas esse momento chegou quando eu comecei a ter resultados, em torno de 2007, 2008. 

EE: Quais, para você, são seus principais resultados até agora?

EP: Os meus resultados mais importantes foram o terceiro lugar no Campeonato Sul-Americano desse ano e o segundo lugar no Pan-Americano. Também fui duas vezes campeão da competição adulta do Brasil.

EE: Você acha que existe uma maneira de popularizar a esgrima?

EP: Claro! A mídia poderia tornar a esgrima mais popular. Hoje não se mostra esgrima na TV, não tem divulgação da modalidade. Nós vamos para competições em cidade pequenas do Brasil e às vezes nem os próprios moradores sabem. Por exemplo, nós fomos para Gramado e não tinha nenhum outdoor na rua, nenhuma propaganda do evento. Já quando nós vamos à Europa, todas as paradas de ônibus ou estações do metrô têm o pôster da competição, com todas as informações. Por isso, acho que falta interesse do Brasil em fazer uma boa divulgação aqui.

EE: Você enfrentou dificuldades na sua carreira? Alguma vez já pensou em desistir?

EP: Eu pensei em desistir quando fiquei um ano parado por ter quebrado dois dedos do pé. Para retornar, depois de tanto tempo, foi difícil. Eu demorei mais de um ano para voltar a ter bons resultados. Nesse meio tempo, eu pensei em desistir.

EE: E patrocínio? Esse ainda é um problema para você?

EP: O patrocínio é muito difícil de conseguir. De 2002 a 2008, que foi quando comecei a ter resultados, era eu que pagava tudo. Então, tinha que tirar dinheiro do bolso para poder viajar, competir, ter resultados e aí sim receber o dinheiro. Nesse início, a minha família me ajudou muito. Agora eu tenho o Bolsa-Atleta, que é o mais fácil, é só ter os resultados e se inscrever. Mas patrocínio é mais complicado. As empresas não querem investir porque o esporte não é divulgado. 

EE: E a Confederação Brasileira de Esgrima, não te ajuda nem em viagens?

EP: Não, em nada. Quando repassam dinheiro para a Confederação, ela ajuda sim, mas normalmente não dá para levar todos os atletas em todas as competições. A única ajuda extra que eu tive foi do COB para ir participar do Mundial.

enrico-pezzi-miniatura3_500EE: Este ano, você inovou na maneira de chamar a atenção de possíveis patrocinadores. Como surgiu a ideia de fazer uma miniatura sua?

EP: A minha mãe é a minha “gerente”, ela que cuida da divulgação, monta os meus projetos de patrocínio, essas coisas. Até que um dia, nós dois estávamos vendo no shopping aquelas miniaturas de jogadores de futebol e pensei: “Por que não fazer uma minha?”. Era um jeito de me divulgar e, ao mesmo tempo, ganhar um dinheiro para ajudar nas despesas das viagens.

EE: A ideia deu certo? Você conseguiu atrair patrocinadores?

EP: Eu não consegui patrocínio, mas vendi muitas miniaturas. Esse dinheiro já deu uma ajuda.

EE: Você já participou de campeonatos importantes como o Mundial Juvenil e o Pan-Americano. O que você leva de experiência dessas competições?

EP: Esse ano, eu participei do Mundial e Pan-Americano, tanto juvenil quanto adulto. O que eu aprendi é que falta muito para o Brasil crescer em outros esportes. Em qualquer país da Europa ou nos Estados Unidos há uma divulgação muito maior dos esportes, então eles têm um numero maior de atletas e aí fica mais fácil de achar talentos. Eu percebi que falta incentivo do governo brasileiro para o esporte. 

EE: Ainda hoje é preciso sair do Brasil para treinar esgrima em alto nível?

EP: Não, acho que não, os atletas conseguem treinar aqui. Mas se o atleta conseguir sair do Brasil, será muito mais fácil, óbvio. Lá fora, existem clubes bons a cada esquina. Aqui é preciso garimpar, descobrir onde os melhores atletas e profissionais estão trabalhando para poder treinar em alto nível.

enrico-pezzi-pedro_revillion-sogipa-texto_520EE: Sua principal meta é participar das Olimpíadas de 2016. Como você pretende se preparar até lá? Quais são seus objetivos mais próximos?

EP: Eu tenho as competições menores antes da Olimpíada, como os Mundiais, os Pan-Americanos, as Copas do Mundo, as Copas Satélites. Agora, eu preciso começar a participar mais dessas competições, porque ainda não fui a muitas. Acho que o que falta para mim é conseguir competir mais. Então, esse é um dos meus objetivos: ir para mais competições internacionais.

EE: Você já tem seu calendário de competições para o próximo ano?

EP: Sim. Em fevereiro, tem o Pan-Americano na Guatemala. Já em março, tem o Mundial juvenil na Bulgária. Essas competições já é certo de que eu vou participar.

EE: Para você, o esporte é essencial?

EP: Claro! O esporte é uma forma de diversão, de lazer, de saúde, de confraternização. Acho que o esporte é uma parte social muito importante na vida de todos.

EE: Qual sua posição sobre o doping no esporte?

EP: Eu sou totalmente contrário ao doping. Um cara que se dopa não treina metade do que os atletas normais treinam e consegue resultado em cima de substâncias ilegais. E aí, você que está treinando duro se sente mal. É injusto.

Fotos: Pedro Revillion/Sogipa/Arquivo pessoal do atleta


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