Últimas Notícias

Homem é preso após ameaça de bomba e tenta levar avião a Soshi...
Esporte que constrói o Brasil.

ENTREVISTAS

Eduardo Sylvestre (Expert em Vela da Isaf)

05/12/2014
Esportes relacionados:

sylvestrecapa2_680

 

Por Katryn Dias, com colaboração de Fernando Hawad

Um dos 12 experts em vela no mundo, eleito pela Federação Internacional de Vela (Isaf), é brasileiro. Eduardo Sylvestre agora tem a missão de promover o desenvolvimento da modalidade pelo mundo, com padrões internacionais, mas sem deixar de levar em conta os problemas de cada região ou país.

Apesar de ter uma vasta formação acadêmica na área, Sylvestre não é muito conhecido no Brasil. Mas ele é a pessoa certa para formatar projetos na vela e ajudar a montar escolinhas com didática e segurança.  


EE: Você começou a se envolver com a vela por causa da influência da sua família. Como foi esse primeiro contato?

ES: Eu comecei a praticar vela, na verdade, por causa do meu pai. Meu pai foi a primeira geração da família a se envolver com a vela. Isso porque ele tinha um grande amigo que era o Jörg Bruder, que foi um grande campeão mundial de Finn, que é uma classe olímpica até hoje. Ele era vizinho, então começou a trazer o meu pai para a vela, na década de 50, e o meu pai se apaixonou. Desde então, meu pai nunca mais saiu da vela. Quando eu e meus irmãos nascemos, meu pai já tinha um barco, fomos para um clube inglês em São Paulo, o Speak, e lá, desde criança, eu me envolvi com o esporte. Quando eu tinha mais ou menos 15 anos, meu pai comprou uma marina. E aí sempre aparecia alguém querendo aprender a velejar. Eu já velejava, corria e ganhava campeonato, então meu pai me colocou para ensinar. Essa foi, na verdade, a minha primeira mesada, comecei a trabalhar dessa forma. Acabei me apaixonando pela vela e por dar aula e, por causa disso, fui fazer Educação Física.

Depois, fui chamado para montar a primeira escola de vela da FEVESP. Quando me formei, há 26 anos, queria melhorar, progredir, fazer cursos. Então, entrei em contato com os Estados Unidos e mandei um fax para a Confederação Americana falando que era campeão de vela, tinha curso, era professor de Educação Física. Fui aprovado para um programa de troca de profissionais, o único da América do Sul a fazer esse projeto. Já cheguei lá fazendo curso, dando aula. Depois os caras gostaram tanto do meu jeitão brasileiro de ser que me convidaram para ser treinador na Academia Militar da Guarda Costeira. Eu fiz um trabalho lá de seis meses. O time das meninas, que era o meu time de vela, era o nono nacional. Eu consegui trazer, em seis meses, para quarto no ranking nacional. Depois fui contratado para ser diretor da Escola de Vela do Manhattan Iate Clube, em Nova Iorque. Trabalhei com eles dois anos, fazendo vários projetos. 

EE: Apesar de toda essa experiência, você quase não é conhecido no Brasil.

Foto: Míriam Jeske

sylvestre-miriam-jeske-texto_400ES: Pois é... A minha vida toda foi voltada para projetos. Então, muitos treinadores brasileiros, até olímpicos, perguntam de onde eu apareci. No meu auge, aos 20 anos, quando podia estar competindo, eu saí do Brasil e fiquei 15 anos fora. Trabalhei nos Estados Unidos, velejei pelo Caribe todo, tenho muita história para contar. 

Quando voltei, fui dar aula numa escola americana em São Paulo, a PACA, Pan-American Christian Academy, que é uma escola ligada ao consulado. Em seguida, montei a Escola de Vela Sylvestre, que é da família. Meus filhos já estavam crescendo, querendo participar. Eu fiz a mesma coisa que o meu pai fez comigo, coloquei para dar aula de vela. Hoje a minha filha, Caroline Sylvestre, está fazendo campanha olímpica na Nacra 17, pela equipe BMW, da qual sou o treinador.

EE: Foi uma decisão sua continuar com essa tradição da vela na família?

ES: Foi decisão dos meus filhos. Eles gostaram, foram se envolvendo e hoje são apaixonados pela vela. O Thomas, meu filho do meio, esse ano foi campeão mundial de Light, e meu filho de 11 anos acabou de ganhar o primeiro barco.

Então, graças a Deus, as coisas estão caminhando. Eu acho ótimo porque você, como pai, ter os filhos fazendo o seu esporte e não encostados na televisão, no vídeo game, é fantástico! 

EE: Existe diferença entre a carreira de técnico no Brasil e lá fora?

01_200_15ES: Eu sou nível 3 nos Estados Unidos, que é o nível olímpico. E lá é diferente daqui. Aqui, para ser técnico da CBVela, precisa ter ganhado pelo menos uma ou duas Olimpíadas. Qualquer lugar fora do Brasil, se você não tem o curso, por mais experiência que tenha, se não vai atrás da sua parte específica, de como crescer intelectualmente, não consegue nada. Então, fiz todos os degraus para isso fora do Brasil. E quando cheguei aqui, montei um curso para professores. É um problema, porque hoje, para ser professor de vela, tem que ser professor de Educação Física. Se você não tem o CREF (Conselho Regional de Educação Física), não pode dar aula. É um problema nacional, porque as escolas de vela estão fechando por falta de professor. Temos muitos velejadores que velejam bem, são auxiliares de instrutores, e contratamos um professor que nunca viu vela na vida para ele experimentar e poder assinar. Isso é que está todo mundo fazendo.Por isso, fiz um curso específico para ensinar o cara a dar aula, com didática, mostrando a ética, como se portar, como se vestir, como falar com o pai, como falar com o aluno. Hoje, a escola do ICSA, por exemplo, está com mais de 250 alunos por mês. Reviveu total. 

Vendo esse trabalho, a CBVela, através do John Bennett, que é o vice-presidente, me convidou para ser coordenador no desenvolvimento da vela. Ele me disse: “Olha, a gente não pode te pagar nada, vai ser por amor mesmo. É um legado que você vai deixar”. Aceitei esse desafio e estou tentando organizar a vela, tentando disseminar a vela pelo Brasil. 

02_200_19EE: Há quanto tempo você está nessa função?

ES: Eu estou com a CBVela faz um ano e meio. Nesse período, fizemos três cursos de professores e instrutores. Todos cursos testes, para ver se funcionava. E todos, sem exceção, foram um sucesso. Mudou, trouxe didática, trouxe modernidade. Hoje, para as escolas de vela do Brasil, nós temos três palavras: segurança, diversão e aprendizado. Quer ser professor? Tem que ter essas três palavras. Porque, antigamente, o que acontecia, o cara montava uma raia lá, colocava duas boias e mandava os alunos irem para um lado e para outro. Depois da terceira aula, o aluno não aguentava mais. É desmotivante. Hoje a gente tem pega-pega, polícia e ladrão, jogo de futebol, tudo com o barco. Porque é divertido. Se é divertido, o cara aprende e é seguro, ele vai querer voltar. Essa é a ideia. Com didática, com técnica, com planejamento, com programa de aula, com currículo, tudo que foi esquecido por vários anos. 

EE: O que eles têm lá que o Brasil ainda não tem? Falta estrutura? Além dessa questão dos técnicos capacitados, tem mais alguma coisa?

ES: O grande problema que eu vejo no Brasil é o seguinte: sempre o achismo. “Eu acho que dá, eu acho que vai, eu acho que eu faço.” Lá fora, os caras vão pela cartilha. Eles viram que uma coisa dá certo, eles programam essa coisa. É isso que falta no Brasil e a gente está tentando fazer. Você quer ter uma escola de vela? Ótimo. Olha, você tem que ter preocupação com segurança, tem que ser divertido, o cara tem que aprender alguma coisa. Se acontece alguma coisa no meio do caminho, por exemplo, houve um acidente e o cara machucou o braço, qual é o procedimento? Falta muito no Brasil o “como fazer”. 

03_200_15A ideia é ter cursos de vela nível 1, 2, 3, e assim por diante. É importante ter uma padronização dos cursos. É uma coisa que falta aqui e que existe em qualquer lugar do mundo. Por exemplo, se você vai no sul da França fazer um curso de vela, esse curso é orientado pela Confederação Francesa. Aí você recebe nível 1. Se você, no meio do curso, muda de lugar e vai para o norte da França, é só falar que começou a fazer no sul da França e queria terminar o número 1. Como é tudo padronizado, você vai continuar o mesmo curso. Quando for fazer o nível 2, vai ter uma carteirinha mostrando que tem o nível 1, que já sabe fazer determinadas coisas.

Então, o que precisamos de padronização. Em termos de medalhas, somos um sucesso. A vela é o segundo esporte que trouxe mais medalhas para o país e o primeiro em número de ouros. Não é futebol que traz medalha de ouro olímpica, é vela. Porque a gente tem uma gama de caras bons que fizeram essa história. Mas será que nós estamos formando novos? Como nós estamos em relação há 30 anos? Muito menos. E quando isso começar a declinar? Se não tivermos uma escola de vela forte, não vamos ter um esporte forte. Esse é o nosso objetivo. 

EE: Recentemente você foi eleito um dos 12 experts em vela no mundo. Como foi essa nomeação? 

04_200_17ES: Por causa desse trabalho que a gente está fazendo no Brasil e pelo que eu já construí nos EUA, a Federação Innternacional de Vela (ISAF), que é o maior orgão de vela do mundo, me elegeu como expert. Eu fui eleito em três áreas: inciação à vela, vela de competição e aconselhamento. Esse ano já dei um curso na Colômbia, ensinando a eles como dar aula, como montar uma clínica, como fazer o programa de vela funcionar. E agora vou estar ajudando outros países. Por isso que é conselheiro.

EE: A sua principal função vai ser estruturar o desenvolvimento da vela?

ES: Sim, é isso que eu já faço aqui no Brasil. A gente está sempre preocupado com o que vai ser daqui a dez, vinte anos. Será que vão falar daquele cara chato, que berrava com todo mundo, ou daquele cara que ensinou a respeitar a vela, respeitar o meio ambiente e a ter percepção de todo o ambiente? Esse é o legado que o técnico tem que ter, que o profissional da vela tem que ter. Trabalhar só para ter medalha só vai trazer frustração quando não conseguir 05_200_14mais medalha. Tem um Robert Scheidt, tem dois Grael, agora três, mas quantos são? Duas famílias. Só. E os outros 400 mil que fazem isso? O que será deles? Por isso, acho que a visão da CBVela tem que estar mais voltada para formação e para o legado do esporte. Para conseguir tirar da cabeça do povo que vela é uma coisa só de rico, que só quem tem grana faz. O que não é verdade. A gente tem hoje muitos bons velejadores que nasceram em projetos como o do Grael, como o Navega São Paulo, como outros projetos que acontecem pelo Brasil afora.

EE: Lá na CBVela existe algum tipo de seleção de base, ou as crianças são formadas sozinhas e quando atingem algum nível é que entram para a seleção?

ES: Hoje, no Brasil, as crianças entram nas escolas de vela e começam a participar das competições. A partir do momento em que começam a despontar, os técnicos, principalmente os da Vela Jovem chamam. E aí vai começar a direcionar os caras. Nós tivemos agora, em maio, a primeira clínica jovem para quem está dispontando, para prepará-los para os Campeonatos Mundiais que ocorreram neste ano. Inclusive, desta clínica, saíram campeões mundiais, que foram o meu filho Thomas Sylvestre, o Felipe Caldeira e o José Hackerott. A CBVela pagou para eles irem até São Paulo, no ICSA. Existe a preocupação, dessa nova diretoria da CBVela, de investir em jovem, em clube, em treinamento, para que a vela cresça e dê bons resultados como sempre deu. 

 

eduardo-thomas_604

Eduardo velejando com o filho Thomas (Foto: Arquivo pessoal)

 

06_200_11E o nosso departamento quer juntar com o Vela Jovem para formar novos talentos. Vamos ter tempo para trabalhar com os jovens. A ideia da CBVela é padronizar isso para que a gente tenha vários “Scheidts”. Das 500 pessoas que estão velejando hoje, você tem dez “Scheidts”, cinco “Grael”. Um clube de vela não é forte se a escola de vela dele não for forte. Muitos clubes não têm nem ideia disso e estão perdendo muito espaço, até fechando as portas

EE: Como você vê a questão do patrocínio? O Jorge Zarif contou em entrevista ao Esporte Essencial que até 6 meses antes dos Jogos de Londres ele não tinha patrocinador, nem técnico.

ES: Isso é um absurdo! Primeiro nós temos um problema da mídia. Qualquer esporte que não seja futebol, vôlei, basquete, não tem aparição. E aí, quando você quer um patrocínio, fica difícil. Precisamos mostrar que nós temos espaço. O Marcos Ferrari, por exemplo, que faz campanha com a minha filha, teve patrocínio toda a vida, porque ele foi atrás, fez projetos de incentivo. Hoje, os governos estaduais permitem, atráves das leis de incentivo ao esporte, que grandes empresas declarem 1 ou 2% para 07_200_15o esporte. Isso é uma coisa nova, que poucos países têm. É fantástico para gente. O que precisa? Profissionalismo, pessoas que façam bons projetos e apresentem. Hoje a CBVela contratou um cara que é específico para ajudar os atletas nessa questão. A minha filha, por exemplo, tem patrocínio da BMW, através das leis de incentivo ao esporte. Ela viajou o ano passado inteiro para competir, foi para a Europa, Estados Unidos, Fiji... Tudo pago pela lei de incentivo ao esporte, pelo patrocínio. Tem muito atleta que está sozinho, não tem acompanhamento. Isso é uma coisa que a gente quer ver se muda. Sem patrocínio, o Jorge não consegue ir para lugar nenhum. O barco dele é caríssimo e a vela dele, a cada dois, três campeonatos, tem que ser trocada. Custa dinheiro. E ele é campeão mundial. É uma coisa que a gente está batalhando. Começou no Brasil há pouco tempo. A ideia é crescer, mas, para isso, precisamos que as empresas entendam o benefício de ajudar o esporte, porque há muitos benefícios, mas às 08_200_14vezes eles não estão enxergando por falta de conhecimento. 

EE: Qual a sua expectativa para a vela nos Jogos do Rio?

ES: Eu creio, sendo bem honesto, que o Brasil pode pegar, pelo menos, quatro medalhas na vela. Tem o Jorginho [Zarif], que ano passado foi campeão mundial; tem a Martine [Grael], que esse ano ganhou o prêmio de Melhor Velejadora do Mundo; tem o Bimba, também campeão mundial. Já são três. E tem o Scheidt, que é a medalha praticamente feita nossa. Pode acontecer ainda, pelo fato de estar em casa, outros caras se darem bem. A gente tem, por exemplo, uma incógnita, que a Nacra 17, que ainda está muito nova no Brasil. Pode ser que a gente não consiga medalha, mas quem sabe não pode vir uma surpresa? Tem muita coisa interessante que pode acontecer aí em matéria de resultados.

EE: Falando um pouquinho mais sobre estrutura, o Lars Grael defendeu, em entrevista ao Esporte Essencial, que as provas de vela fossem realizadas em Búzios. O que você achou da escolha da Marina da Glória?

09_200_05ES: Eu também. É muito complicado dar uma resposta para isso, porque tem toda uma parte política. A cidade do Rio de Janeiro não quer abrir mão. Como sou de São Paulo, sou mais suspeito ainda porque não conheço a tradição de limpeza do local. A visão que tenho é como técnico que partcipou da Copa Brasil no ano passado. Eu vi sofá, cachorro morto, várias tampas de privada, um monte de saco plástico... É uma coisa absurda! Eu conheço vários estrangeiros que falaram ter a sensação de estar velejando dentro de uma privada quando estiveram na Baía de Guanabara. E por infelicidade, no último dia da Copa Brasil no ano passado, a água estava marrom escura. Ficou um aspecto horroroso! 

Podia ser em outro lugar? Podia. Mas é conveniente? Eu acho que não. Porque está tudo aqui, vai ser maravilhoso ser aqui. Quem sabe não cria uma expectativa de poder limpar a Baía, o que seria fantástico. A sensação que você tem velejando, de ver o Cristo Redentor, a Baía de Guanabara, poxa, arrepia. É maravilhoso! Está largado? Sim, está. Podia ter sido feito. Mas infelizmente, no Brasil, nós temos aquela ideia de fazer as coisas faltando uma semana, em vez de começar seis, oito anos atrás.

 

baia-de-guanabara-aquece-rio-alex-ferro_680

Velejadores disputam evento teste na Baía de Guanabara, a raia olímpica de 2016 (Foto: Alex Ferro/Rio 2016)

 

EE: Não sei se você conhece muito o Rio, mas como seria a condição dos ventos na época das regatas? O evento-teste, por exemplo, foi realizado na mesmo mês dos Jogos Olímpicos e em vários momentos a competição foi interrompida por falta de vento.

ES: Esse é um problema que a gente vai ter aqui. Por causa do nosso inverno, tipicamente, você tem essas semanas. Pode ter muito vento, tudo depende se vai entrar uma frente fria aqui. Como dizem que Deus é brasileiro, espero que ele mande bastante vento (risos).

EE: A Marina da Glória tem estrutura para receber uma competição do porte dos Jogos Olímpicos?

ES: Nós vamos ver (risos). Atualmente, não. Não creio. Porém, se tirando todos os barcos de lá, dando um trato, arrumando, tudo é possível. Eu creio que as Olimpíadas vão ser que nem a Copa do Mundo. Todo mundo falando que ia dar zica, não ia rolar, mas como o povo brasileiro é maravilhoso, receptivo, eu creio que a Olimpíada vai ser um sucesso para os brasileiros e estrangeiros.

12_200_01EE: Você acha que esse problema da poluição pode manchar a imagem do Brasil lá fora? Com atletas, jornalistas, turistas...

ES: Eu acho que isso já manchou. Já corre o mundo inteiro. Se você pegar qualquer matéria feita sobre vela no Brasil, em qualquer língua, o maior problema são as condições da água. Isso já está sendo falado. Eu não acho que isso vai ser um “plus”, até porque todo mundo sabe que está ruim. Agora é a hora do governo colocar aí um monte de rede de pesca na lateral das saídas de esgoto, saídas de rio, e montar um sistema para, pelo menos, segurar o lixo. Se não tiver o lixo, já vai ser duzentas vezes melhor. Lógico que cheirar xixi e fossa é um terror. Mas se algum barco tiver que desviar para fugir de uma poltrona no meio da competição, aí sim vai manchar a imagem do Brasil.

EE: Qual a sua posição a respeito do doping no esporte?

ES: Eu acho que isso tem que ser extremamente controlado. Sou professor de Educação Física por formação. Na vela, isso é levado a sério. Os atletas fazem exames antidoping. Não é uma coisa que eu me lembro de ter acontecido, como no atletismo, por exemplo. Mas pode acontecer do cara pegar um resfriado, ter que tomar um remédio e aí cair no doping. Mas acho que o controle tem que ser forte. Justamente para tirar qualquer ideia de qualquer pessoa, porque o esporte é esporte.

14_200_02EE: Para você, o esporte é essencial? Por quê?

ES: Sim, para mim é essencial. Eu acho que o esporte tem vários aspectos. A vela, por exemplo, quando você descobre a liberdade de sair, controlar o barco, poder ir para onde quiser, é uma sensação indescritível. Hoje, o Brasil precisa do esporte. A gente está vivendo uma situação que tem um estresse cotidiano aumentando a cada ano. Você está sempre atrasado para alguma coisa. Se não tiver um esporte para queimar energia, manter um batimento cardíaco legal, ter uma boa saúde e desestressar, é um problema. Na verdade, nós já estamos com um problema porque o esporte já deixou de ser prioridade há muito tempo. Agora estão discutindo se a Educação Física deve ser obrigatória ou não nas escolas. Isso é um absurdo! Nos EUA, por exemplo, a Educação Física é obrigatória cinco vezes por semana. O esporte é fundamental.

EE: Quer deixar alguma mensagem?

15_200_01ES: Queria falar que é preciso desmistificar a vela, é um esporte super interessante. Se tiver algum clube náutico, alguma marina ou algum lugar que queira montar uma escola de vela, queira ter um plano de treinamento, entre em contato com a CBVela que a gente vai dar apoio. Outra coisa, várias universidades têm procurado a gente. Universidades que querem ter um curso de extensão em vela. Nós, da CBVela, estamos montando uma comissão para formatar um projeto de aula para professores de Educação Física. Porque falta gente para dar aula. Hoje, você ganha mais dando quatro horas de aula em um fim de semana do que trabalhando na musculação com 40 horas por mês. É uma questão do pessoal descobrir que há um mercado totalmente virgem da vela, que é, principalmente, um esporte olímpico.


Fatal error: Call to a member function getLink() on a non-object in /home/storage/a/b4/92/memoriaolimpicabrasi/public_html/incs/coluna_direita_noticias.codigo.php on line 27