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Duda Amorim (Handebol)

01/07/2016
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handebol-capainterna_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

Duda Amorim é um dos símbolos da geração mais vitoriosa da história do handebol brasileiro. Melhor do mundo em 2014, a catarinense de Blumenau é um dos principais nomes da seleção que alçou o Brasil à categoria de protagonista no cenário internacional do handebol feminino. 

Eleita a melhor jogadora do Campeonato Mundial de 2013, que terminou com o inédito título da equipe brasileira, Duda quer seguir quebrando marcas. E nada melhor do que uma Olimpíada em casa para ela conseguir outro feito grandioso: dar ao país a primeira medalha olímpica na modalidade. A briga pelo pódio será acirrada, mas Duda confia na força do conjunto brasileiro e no trabalho do dinamarquês Morten Soubak, que comanda o time desde 2009. Nesta quinta-feira (30), após o treino da seleção no Rio de Janeiro, ela bateu um papo com o Esporte Essencial. 

Esporte Essencial: Como foi o primeiro contato com a Arena do Futuro (Brasil bateu a Suíça por 30 a 24 em amistoso no úlitmo domingo)? Já deu para entrar no clima dos Jogos?

Duda Amorim: Deu para entrar no clima. A gente até simulou uma emoção de estar entrando no primeiro jogo da Olimpíada. Eu até senti isso nas meninas. Nós ficamos um pouco nervosas nos primeiros minutos, então deu para simular bem. Foi super importante a gente jogar lá, ajuda na nossa visualização de imaginar a gente entrando em quadra, imaginar a torcida. O público estava excelente e na Olimpíada vai ser muito maior que isso. Foi um bom teste para o nosso time.

olhos_1_6_200EE: Em Londres o Brasil chegou muito perto da briga por medalha. Perdeu nas quartas de final para a Noruega em um jogo muito parelho. O que aquela derrota pode ensinar para o grupo já que a maioria das jogadoras estava lá?

Duda: Eu acredito que aumentou a importância que a gente tem que dar para um jogo de quartas de final. Infelizmente, o esporte não é justo. Houve algumas competições em que ganhamos todas as partidas da primeira fase, mas perdemos uma na eliminatória. No Mundial de 2011, em São Paulo, fizemos nove jogos, perdemos apenas um e ficamos em quinto. Hoje em dia eu não me importo em perder um jogo na primeira fase desde que a gente se classifique. A partir das quartas o foco tem que ser maior. Foi isso que a gente levou de lição da última Olimpíada.

EE: Você está na Europa há mais de dez anos, atuando com grandes jogadoras de vários países. Dá para perceber que com o título mundial de 2013 o Brasil passou a ser bem mais respeitado pelos adversários?

Duda: Sim. O patamar mudou. A gente sempre é muito humilde. Nosso time sabe que não pode ser cogitado comoolhos_2_6_200 favorito. Mas todos os times europeus cogitam o Brasil como favorito. Então, isso mostra o respeito que eles têm por nós, o que torna a nossa vida mais difícil. Seria melhor se eles subestimassem, mas não temos que pensar nisso. O foco tem que ser na nossa performance.

EE: A derrota para a Romênia no Mundial do ano passado machucou bastante a seleção. Mas você não acha que, seguindo o clichê do “perder na hora certa”, se o Brasil tivesse conquistado outro título ou até mesmo uma medalha, a pressão para os Jogos Olímpicos seria muito grande? De certa forma, aquela derrota não pode ter sido boa nesse aspecto?

Duda: Eu sou uma das únicas pessoas que não acreditam nesse clichê. Acho que as pessoas falam isso para a gente se sentir bem. Para mim, não existe melhor experiência do que jogar uma semifinal e uma final. Isso estaria trazendo mais confiança para a gente chegar bem na Olimpíada. Mas Deus sabe o que faz. Como eu te falei, o esporte não é justo. A gente ganhou cinco e perdeu uma na hora que não podia. Talvez ele tenha tirado aquilo da gente para dar agora. Então, vamos continuar trabalhando. 

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EE: Fale um pouco sobre a campanha do título mundial de 2013. Em que momento o time acreditou que poderia chegar ao topo?

Duda: A partir do primeiro jogo, quando a gente entrou no campeonato mesmo. A gente nem estava na melhor fase do mundo antes, algumas jogadoras estavam machucadas. Mas no primeiro jogo veio aquela confiança. A partir do momento em que começamos a jogar bem, entrávamos em quadra com um sorriso no rosto. A equipe estava leve, tudo fluía. Foi uma competição muito feliz para a gente. 

olhos_3_6_200EE: Qual o papel do Morten Soubak (técnico dinamarquês no comando da seleção desde 2009) para o sucesso dessa equipe? Acredita que o time jogaria no nível que vem jogando se não tivesse o comando dele?

Duda: Não acredito. A entrada dele fez total diferença, principalmente na questão da confiança. O nosso handebol sempre se viu inferiorizado e ele mudou isso. A gente perdia muitos jogos por um ou dois gols e ficava com aquela crença de que não dava para ganhar. Ele mudou isso, fez a gente acreditar. Hoje, a seleção joga com muito mais confiança. Desde que ele está no comando, o nosso número de vitórias é muito maior que o de derrotas. Ele também trouxe uma comissão técnica que nos ajuda muito. Hoje, a gente tem tudo que precisa: preparador físico, nutricionista, psicólogo. O Morten reuniu o melhor do melhor para a gente. Nessa Olimpíada, mais uma vez ele deu um voto de confiança e optou por nos colocar na chave mais difícil. É o nosso pioneiro, é sempre o primeiro a acreditar.

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EE: Tem algum treinador brasileiro que seja capaz de dar continuidade a esse trabalho?

Duda: Acredito que deve ter alguém capacitado, mas eu não posso comentar porque eu não estou aqui no Brasil.olhos_4_5_200 Como eu não vejo o dia a dia dos treinadores brasileiros, é muito difícil saber. Mas é uma questão cultural. Não é que a gente não tenha alguém bom. É porque a gente respeita mais que vem de fora. Então, se o técnico do Brasil só trabalhou no Brasil, não acredito que ele seja capacitado o suficiente. Mas se ele já fez curso fora, já teve algum torneio internacional, não tem porque não poder assumir a seleção.

EE: Você concorda que essa maravilhosa geração do handebol feminino do Brasil seja mais por sorte de tantos talentos individuais terem surgido mais ou menos da mesma época do que por um bom trabalho da Confederação para massificar o esporte no país?

Duda: Sobre essa geração eu não concordo, não. Foi feito um trabalho muito legal antes. Acredito que tinha mais dinheiro, mais estrutura, mais clubes. Havia escolas de base em vários lugares. Só que os profissionais acabam perdendo a motivação se a Liga Nacional vai ficando cada vez pior. Na nossa geração tinha um bom trabalho. Talvez, agora não tenha. E isso pode dificultar a renovação da seleção. No masculino eu já vejo que tem uma renovação, mas no feminino ainda não. Talvez a medalha olímpica possa mudar esse cenário.

olhos_5_4_200EE: O título mundial de 2013 não mudou, não é?

Duda: Não. Já falei isso em várias entrevistas. A gente acreditou que ia trazer mudanças, mas não trouxe. Porque talvez tivéssemos que ter vencido mais um, em 2015, ou talvez ganhar uma medalha nessa Olimpíada.

EE: Deixe um recado para a torcida que vai acompanhar a seleção nos Jogos do Rio.

Duda: Prepare o coração porque sempre vai ter aquele jogo com um, dois gols de diferença. Mas mantenha a positividade porque a gente vai dar o máximo dentro da quadra.  

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Fotos: Divulgação/Photo&Grafia


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