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Daniel Paiola (Badminton)

12/04/2012
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Construindo uma nova tradição

Por João Rabello e Thyago Mathias


daniel_194_01“É impossível viver de Badminton no Brasil.”

Daniel Paiola, 21 anos, já faz sua história como o brasileiro com a melhor colocação no ranking mundial de badminton. Em outubro de 2010, ele chegou a sua melhor posição, como o número 62 do mundo.

A decisão de dedicar-se a um esporte com quase nenhuma tradição no Brasil surgiu quando ele fez 18 anos e deparou-se com a realidade de outros atletas nas mesmas condições.  Com apoio exclusivo de sua família, decidiu deixar o Brasil para treinar em alto nível. Mudou-se para Portugal e, depois, passou a treinar na Malásia. Como conseqüência, Paiola teve que interromper os estudos. Hoje, encara uma rotina que vai de segunda a segunda, com seis horas diárias de exercícios e treinamentos intensivos. As metas são até duas medalhas no Pan-Americano de Guadalajara e a primeira classificação olímpica do Brasil no badminton, em Londres 2012.

Memória Olímpica: Quais são os esportes que você gosta de praticar, além do badminton?

Daniel Paiola: Eu amo esporte. Sempre que posso, pratico algum. Em geral, prefiro os de raquete, como tênis e squash, mas jamais deixei de lado um vôlei de praia e um futebol com os primos e amigos.

MO: Como você conheceu o badminton? E quando decidiu apostar na carreira de atleta?

DP: Eu sou natural de Campinas, São Paulo, e desde pequeno fui sócio do Clube Fonte São Paulo, que, por sinal, sempre foi muito forte no badminton nacional. Assim, sempre escutava sobre o esporte e comecei a jogar entre os 12 e 13 anos. No começo, foi apenas diversão, mas, quando cheguei aos 18, decidi que queria tentar as Olimpíadas de Londres 2012. Aí é que fui para Portugal, no ano de 2009, para treinar. Desde então, parei meus estudos e estou apenas me dedicando aos treinamentos em busca de um sonho. Decidi parar meus estudos por um tempo, para me dedicar e conseguir a classificação inédita para o Brasil, mas quero cursar Fisioterapia, depois do ano olímpico.

MO: Depois de passar por Portugal, onde você treina e como é sua rotina de treinamentos?

DP: Atualmente, estou treinando na Malásia, junto com mais três atletas da equipe brasileira. A rotina é puxada, com treinos diários, de segunda a segunda. São, em média, 6 horas por dia. E apenas 3 horas por dia, aos sábados e domingos.

MO: Quem são seus maiores incentivadores?

DP: Minha família! Sem eles, nada teria começado. Tudo o que já conquistei é devido ao sacrifício da minha mãe e irmão, que deixaram de fazer várias coisas para eu conseguir me manter na Europa e realizar meu sonho. Também a alma do meu falecido pai é o que mais me inspira para ultrapassar os obstáculos e jamais deixar de lutar.

MO: Quais seus maiores ídolos no esporte? Por quê?

DP: Tenho dois ídolos no esporte: um é o Ayrton Senna, devido ao amor com que ele representava o Brasil, à paixão imensa em ser brasileiro. Era um guerreiro nato! Outro ídolo é o Guga (o tenista Gustavo Kuerten), por seu carisma, humildade e a alegria de estar em quadra fazendo o que ama.

MO: Como é representar o Brasil em uma modalidade que o país tem tão pouca tradição?

DP: É uma sensação de superação! Estamos correndo atrás para chegar ao nível das outras nações. Pensando no futuro, o Brasil ainda vai ser muito grande no badminton.

MO: Você tem algum patrocínio ou recebe algum outro tipo incentivo financeiro?

DP: Tenho patrocínio apenas de equipamentos. Neste ano, que antecede às Olimpíadas, estou tendo uma enorme ajuda do COB, mas, nos anos anteriores, foi tudo pago pela minha família, sem nenhum incentivo financeiro.

MO: A que você atribui o fato de o badminton ser tão pouco popular no Brasil?

DP: Em minha opinião, é uma questão de cultura. Devido à falta de conhecimento da população com o esporte, diminui o número de praticantes e, consecutivamente, diminui o espaço da modalidade em relação às outras. Não traz benefícios para as emissoras de TV... Todos sabem que, não havendo ganhos financeiros, não há investimento no esporte.

MO: Em 2010, você atingiu a melhor posição de um brasileiro no ranking mundial, isso aumenta a cobrança por resultados?

DP: Eu penso que não. Às vezes, brinco que se ganhasse milhões em apoio, teria obrigação de trazer o ouro para o Brasil. Mas faço tudo por paixão ao esporte. Tudo, para ver o Brasil no lugar mais alto do pódio. Dou o melhor de mim sem pensar em recompensa. Então a responsabilidade por resultados é minha.

MO: Até agora, quais são as vitórias mais marcantes de sua carreira?

DP: As em que eu me senti realmente realizado aconteceram no ano passado, quando fui campeão dos Jogos Sul-Americanos de Medellin, na Colômbia, e no Pan-Americano de Badminton, realizado em Curitiba (PR). Ali, conquistei a prata na categoria de dupla masculina, com meu parceiro Hugo Arthuso. Foi a primeira vez que o Brasil chegou a uma final Pan-Americana.

MO: Qual é a maior dificuldade para quem pratica badminton no Brasil?

DP: A dificuldade para quem quer levar o badminton a sério é a questão de o esporte no país ainda ser muito amador. É impossível viver de badminton no Brasil. Ótimos atletas se dedicam enquanto estão no Ensino Médio ou quando vão para a faculdade. Depois, uma boa porcentagem vai desistindo ou saindo devido à inércia da vida, ao trabalho, aos filhos, etc..

MO: Quais suas principais metas para os próximos anos?

DP: A meta deste ano é conquistar uma medalha no Pan-Americano de Guadalajara, no México. Se possível, duas medalhas: Uma na categoria individual e uma nas duplas. Para o ano que vem, a meta é a classificação olímpica, é a de ser o primeiro atleta brasileiro a conseguir se classificar para o badminton em jogos olímpicos. Tenho ainda muito trabalho pela frente. Tenho muito o que evoluir, mas estou trabalhando firme e animado. Tenho o apoio do COB. Agora é treinar e batalhar dentro de quadra.

MO: Você acredita que o seu auge possa coincidir com os Jogos Olímpicos do Rio em 2016? O que espera das olímpiadas brasileiras?

DP: Não tenho como dizer. A cada ano, venho melhorando. Nos Jogos do Rio, estarei muito mais experiente. Provavelmente seria meu auge... mas, ultimamente, estou com cabeça apenas em 2012! De qualquer maneira, seria um sonho jogar no Rio. Eu imagino que as Olimpíadas de 2016 serão inesquecíveis. O brasileiro ama esporte. Assistir um jogo no meio da torcida brasileira é totalmente diferente de assistir na Europa ou Ásia. O clima será contagiante.

MO: Há alguma mensagem que você gostaria de deixar ao Memória Olímpica?

DP: Gostaria de mandar um abraço a todos que torcem por mim, a todos que já me ajudaram. Estou na luta em busca de um grande sonho e é muito bom saber que há pessoas transmitindo tudo de melhor para mim. Muito obrigado!


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