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Charles Chibana (Judô)

08/10/2013
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chibana-montagem_680Lutando por um espaço no judô nacional

 
Por Katryn Dias

A edição deste ano do Campeonato Mundial de Judô, no Rio de Janeiro, apresentou ao público brasileiro muitos judocas em ascensão. Charles Chibana foi um desses rostos novos e impressionou pela determinação com que entrava no tatame. O judoca da categoria meio-leve (até 66kg) venceu suas lutas por ippon até chegar à semifinal, onde foi derrotado nos últimos minutos pelo campeão mundial de 2011.

"Há várias Olimpíadas o judô traz medalha, mas ainda precisa de muita coisa para ser reconhecido"

Apesar de ter terminado o seu primeiro Mundial sem subir ao pódio, Charles Chibana é um atleta de grande futuro e já vem colecionando títulos importantes nesta temporada, como os ouros no Pan American Open de Montevideu, de Buenos Aires e no Grand Slam de Moscou.


Esporte Essencial: Como foi seu primeiro contato com o judô? Você chegou a praticar outras modalidades antes?

Charles Chibana: Não pratiquei outros esportes não, desde criança estou no judô. Meus irmãos mais velhos faziam judô, então, com três anos eu já estava em cima do tatame. O meu pai me colocou no judô pela disciplina que o esporte dá. Nessa época, eu mais brincava do que treinava, na verdade (risos). Com seis para sete anos foi quando comecei a competir. Aos 12 anos, fui para o meu primeiro Campeonato Brasileiro e comecei a tomar gosto pela carreira esportiva. Fiquei empolgado com a ideia de viajar e conhecer outros estados.

Desde o início a minha família sempre me incentivou. Meus irmãos continuaram praticando também até que chegou a época de prestar vestibular. Eles acabaram seguindo outros caminhos, fazendo faculdade, e eu continuei.

charles-chibana-mundial-ijf-texto_450EE: Houve um momento em que você teve que decidir pela carreira esportiva?

CC: Quando eu fui contratado pelo Pinheiros, onde estou treinando até hoje, vi que a coisa era mais séria. Como um atleta do clube, passei a levar os treinos de outra forma, mais focado em uma carreira competitiva. 

EE: Como foi o seu caminho até chegar à seleção brasileira?

CC: Tem várias etapas até um atleta chegar à seleção. Tive que passar pelo Campeonato Paulista, Brasileiro, pelas seletivas... Essa fase é bem dura, porque tem que treinar bastante. Mas esses são só os primeiros passos. Depois que a gente entra na seleção, aí é que precisa treinar mais ainda. Até hoje tenho que treinar muito para conseguir me manter na seleção e me destacar no cenário internacional.

EE: No início, você enfrentou muitas dificuldades para se manter no esporte? Já sofreu com a falta de patrocínio?

CC: Na verdade, o judô não é um esporte muito visado no país e a gente não tem muito patrocínio, mas eu tive sorte. No início, fazia judô mais por hobby e minha família me ajudou bastante. Depois o Pinheiros me contratou e me deu uma grande estrutura. Nesse sentido, não tive nenhum problema.

EE: Depois da ótima participação olímpica em Londres, você acredita que o judô está sendo mais reconhecido no país?

CC: Acredito que sim, mas ainda precisa de muita coisa para o judô ser reconhecido. Há várias Olimpíadas o judô traz medalha, é o esporte que mais trouxe medalhas até hoje... Diante desses resultados, acho que o judô ainda não é reconhecido como merecia. Cada ano que vai passando, o trabalho que a equipe brasileira faz vai aumentando essa popularidade. O Mundial no Rio também ajudou bastante a melhorar a visibilidade.

EE: O que falta para o judô ser mais popular?

CC: Eu sinceramente não sei. O nosso papel a gente está fazendo. A seleção vem treinando e conquistando medalhas importantes.

charles-chibana-grandslam-moscou-ijf-texto_450EE: Assistindo às suas lutas, é possível perceber que você sempre entra muito focado em aplicar um ippon. Por quê? Você acha que esse é o melhor caminho ou esse foco pode te prejudicar?

CC: Eu tenho um princípio, que é sempre buscar o ippon. Eu não luto na “retranqueira”, sempre que entro no tatame, luto para buscar o ippon. Às vezes, isso pode ser meu defeito, mas também pode ser uma grande qualidade. Como vou muito para cima do adversário, isso pode acabar sim me prejudicando. Tem atletas muito táticos que ficam só esperando um pequeno descuido para me contragolpear. Eu procuro sempre jogar de ippon, mas se o cara defender, o caminho fica mais aberto para um contragolpe.

Para mim, essa ainda é a melhor estratégia, porque eu procuro sempre pontuar. Senão fica aquela luta dura... Às vezes, se um atleta entra na luta só para se defender, acaba tomando punição sem necessidade. Por isso, meu foco é sempre tentar ir para cima do adversário. 

EE: O ano de 2013 tem sido muito bom para você, com algumas conquistas importantes. Ao que você credita isso?

CC: Eu comecei o ano em uma posição bem baixa no ranking mundial, por volta do 90º lugar, e tive que correr bastante para poder conquistar a classificação para o Mundial. Então, tive que me dedicar bastante, junto com as pessoas que me apoiam, como o clube Pinheiros, a CBJ, meu sensei e meus treinadores. Até agora, tem sido um ano maravilhoso para mim.

 

A estreia em um Campeonato Mundial


charles-chibana-arq-pessoal_284EE: Como você avalia sua estreia no Mundial, este ano no Rio? 

CC: Pelo meu resultado, eu fico satisfeito, até porque esse foi o primeiro Mundial individual que eu lutei. Mas, por outro lado, fico triste por ter faltado tão pouco para alcançar meu objetivo, que era a medalha de ouro.

EE: Você vinha muito bem, ganhando todas as lutas por ippon, até pegar um dos principais favoritos ao ouro na semifinal, o japonês Masashi Ebinuma. Antes da luta, você encarava esse atleta como um dos seus maiores adversários?

CC: No judô, tem isso de “maiores adversários”. O japonês foi campeão do Mundial passado, mas tem outros atletas que vinham se destacando muito. Acredito que ele seja um dos vários adversários fortes da categoria. 

Eu estava super bem e um pequeno descuido que tive decidiu a luta. Eu estava ganhando, mas o japonês acabou me surpreendendo no finalzinho. No judô tem muito isso, no último segundo, a luta pode virar. É um risco que a gente corre.

EE: O que você sentiu quando o juiz retirou o seu ippon no início da disputa pelo bronze? Essa decisão te prejudicou no restante da luta? 

CC: A decisão me abalou bastante. Quando eu perdi a semifinal, fui conversar com o sensei e ele falou: “Você tem que conquistar medalha. Não foi o ouro, mas agora vai o bronze”. Então, entrei bastante focado e logo consegui jogar de ippon. Nesse momento, passou tudo pela minha cabeça, pensei no quanto eu batalhei para chegar ali... A emoção tomou conta e eu aliviei meu corpo inteiro. Depois que o árbitro retirou o golpe, eu já não tinha mais cabeça, foi difícil voltar para a luta. Foi meio duro para mim, porque eu estava muito bem na luta...

EE: Por várias vezes durante o Mundial, você evitou ser golpeado com ippon, virando o corpo no ar. Como você consegue? Essa é uma estratégia que você costuma usar? 

CC: Eu tenho costumo de fazer isso sim. Quando vejo que o meu adversário entrou com um golpe forte e não vai dar tempo de segurar, eu procuro soltar o corpo. Como o golpe é muito forte, o corpo vira sozinho. Por isso às vezes eu acabo virando e caindo de barriga. O Felipe Kitadai [medalhista olímpico da categoria até 60kg] também faz isso. Não é difícil, é prática. No meio da luta a gente faz de tudo para não cair de costas! (risos)

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EE: Quais são suas próximas metas?

CC: Agora todo ano vai ter o Mundial, então a meta é a medalha de ouro. Mas esse ano ainda não acabou. Tem o Grand Slam de Tóquio e uma competição nova em outubro chamada World Combat Games. Essas são metas que eu também quero conquistar em 2013 e, por isso, estou focado nelas. Ano que vem, começo a pensar mais para frente.

EE: Você já pensa nas Olimpíadas de 2016?

CC: Com certeza! Por ser Olimpíada e ainda mais por ser dentro de casa, todo atleta sonha em competir em 2016. Eu também sonho em disputar a Olimpíada. Mas não só disputar, sonho em ser medalhista. Nós ainda estamos em 2013 e tenho metas a serem cumpridas a cada ano. Tenho que pensar em um passo de cada vez, continuar fazendo o que estou fazendo, treinando muito, porque aí o objetivo vai se tornando mais próximo. 

EE: Para você, o esporte é essencial?

CC: Na minha formação, o esporte com certeza foi essencial. O judô me ajudou bastante, tanto na vida profissional, quanto pessoal.  

EE: Como você encara a questão do doping?

CC: Acredito que é importante ter um controle do doping, porque muitas pessoas usam substâncias proibidas para se beneficiar, jogando sujo. O atleta tem que ganhar as competições pelo que ele é, pelo que ele treinou, e não por ter colocado algumas substâncias no seu corpo.

Fotos: Divulgação/FIJ e Ricardo Bufolin/ECP


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