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Byanca Brasil (Futebol)

12/04/2012
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Promessa de gols e medalhas com olho em 2016

Por Nayara Barreto e Thyago Mathias


byanca_194_01“O Carioca é um campeonato amador. Nós temos apenas nove ou dez jogos e que só acontecem aos fins de semana. Em São Paulo, o campeonato é profissional. Não poderia ser igual aqui? Os clubes deveriam dar mais valor às meninas.”

Especialista em dar lambretas, Byanca Brasil, com 15 anos em 2011, foi artilheira das competições de que participou e tem chamado a atenção de grandes clubes. Menina do subúrbio do Rio de Janeiro, ela jogou pelo Bangu o Estadual Feminino sub-17 – quando ainda tinha 14 anos, em 2010 – e pelo Vasco o Estadual sub-15. Nos dois torneios foi campeã, goleadora e a principal destaque. Seu primeiro título foi aos 10 anos, quando disputou o Mundial Sub-12 representando a Seleção Brasileira. Foi campeã e goleadora da competição, com seis gols.

Com passagem também pelo Flamengo, Byanca é uma das promessas para o futebol feminino olímpico do Brasil, em 2016. Ainda adolescente, ela revela nas entrelinhas os reflexos das relações familiares nos resultados de um jovem atleta e fala com maturidade das dificuldades que as mulheres ainda encontram para viver do futebol, mesmo na pátria de chuteiras.

Memória Olímpica: Como foi o seu primeiro contato com a prática de um esporte?

Byanca Brasil: Quando era mais novo, meu pai fazia atletismo. Meu primeiro contato com o esporte se deu por incentivo dele, quando me perguntou se eu queria fazer também. Comecei a treinar com ele no centro esportivo, em Campo Grande (Zona Oeste do Rio de Janeiro). Além disso, praticava esporte na escola, até jogava futebol e outras coisas, mas não era nada sério. Treinava mesmo era o atletismo. Um dia, assisti às meninas jogando futebol nas Olimpíadas e aí me apaixonei pelo esporte e percebi que queria jogar futebol. Falei com meu pai, pedi a ele para começar a treinar e ele aceitou.

MO: Nesse jogo, quem e o quê mais lhe despertaram atenção?

BB: De quem mais gostei foi a Marta, claro. E naquele momento me dei conta de que os Jogos Olímpicos são muito importantes para o futebol feminino, principalmente. É onde a atleta tem mais visibilidade no esporte – uma competição mundial em que você representa seu país e ganha notoriedade por isso.

MO: Quais são suas lembranças do Mundial Sub-12 quando tinha apenas 10 anos?

BB: Lembro de algumas coisas. Todos os mundiais sempre são muitos especiais, mas quando a gente é criança fica muito marcada a diversão. Lembro que fiz vários gols... nove gols, se me lembro bem. Também fizemos um ótimo campeonato e, com muito esforço, fomos vice-campeãs. Lembro também que, por não me sentir pressionada, encarava tudo com muita leveza. Afinal, eu jogo futebol porque amo muito fazer isso, mas encaro com responsabilidade também. Acaba sendo uma diversão profissionalizada, amo muito o que faço, mas faço profissionalmente. Entro em campo para dar o melhor de mim pelo esporte e pelo país que amo. Há pressão, mas as conversas com meu pai também ajudam a tirar todo o peso possível das minhas costas. Isso faz com que o rendimento aumente e tenha melhores resultados.

MO: Você foi artilheira pela Seleção Brasileira Sub-13 e também do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro Sub-17, pelo Bangu Atlético Clube. A que você acha que deve esses resultados?

BB: Isso tudo é fruto de muito treino, responsabilidade, compromisso e perseverança. Acho que o talento é muito importante, mas o que mais vale é o empenho do atleta. Mesmo, porque para tudo o que você quiser conquistar, é preciso se esforçar. Também devo muito ao meu pai, claro, pois ele é quem segura a onda, me apoia sempre, está em todos os campeonatos me ajudando, devo a ele isso tudo. Ele me ajuda a jogar com alegria

MO: O quão importante acha que foi o papel do seu pai no interesse de praticar esportes?

BB: O papel dele foi primordial, pois, sem ele, com certeza não estaria onde estou. Ele me incentiva sempre e nos momentos difíceis está sempre me ajudando. Ele me apoia em tudo, até quando perco, e está do meu lado para me explicar como tudo funciona. Também me levou sempre aos clubes e jogos, além de passar finais de semana comigo, jogando bola.

MO: O seu treinador no início era seu pai, não é isso? Como era esse treino e a relação de vocês?

BB: Na verdade, ele é meu treinador até hoje. A diferença é que no início era só ele e mais ninguém. Nossa relação era e ainda é muito boa. No início ele cobrava um pouquinho, puxava um pouco a orelha... mas só no início mesmo, pois, depois que peguei a prática, tudo ficou mais fácil e não tinha mais a necessidade de ele ficar ali em cima. Assim, no início, eu treinava de manhã com ele, quando estudava à tarde. E quando estudava de manhã, era o contrário. Isso tudo era de segunda a sábado, por umas quatro três a quatro horas por dia. Era um pouco complicado para conciliar com a escola, mas sempre me esforçava muito. Agora que estou terminando a escola, está mais fácil e estou conseguindo dedicar um pouco mais.

MO: Como recebeu a notícia de que tinha passado para um clube, o Bangu, pela primeira vez?

BB: Fiquei muito feliz por estar entrando em clube que é bem visado. Refleti muito sobre tudo o que já havia passado, tudo o que eu já tinha feito e o que buscava. Pensei que o esforço estava valendo à pena e que meu trabalho havia sido reconhecido, pelo meu esforço e talento. Pensei que era aquilo mesmo que amava e amo fazer e que ia e vou lutar para conseguir crescer no esporte mais ainda.

MO: E a ida para o Flamengo?

BB: O flamengo foi o primeiro grande clube carioca em que joguei. Fui pra lá muito feliz e ajudei na conquista do vice Campeonato Estadual do Rio, logo de cara. Significou muito pra mim, porque o Flamengo é um clube de grande importância e visibilidade. Infelizmente, nós perdemos na final do campeonato, por conta de alguns problemas, mesmo assim fiquei muito feliz por estar em um clube grande com apenas doze anos.

MO: Nos jogos, você consegue segurar o nervosismo e a ansiedade?

BB: No geral, levo esse aspecto com tranquilidade, mas até hoje fico um pouquinho nervosa no primeiro jogo, nos jogos de estreia, porque a expectativa é bem maior e você não sabe muito bem o que pode vir pela frente. Acaba dando um nervoso, mas depois relaxo e fica tudo mais tranquilo.

MO: E agora com mais destaque na imprensa, você sente que a cobrança aumentou?

BB: Não acho que a cobrança tenha aumentado não. Acho que isso que está acontecendo é muito bom pra mim como atleta, porque dá visibilidade ao meu trabalho. Vou continuar mostrando meu futebol do mesmo jeito e fico muito feliz que a mídia esteja reconhecendo isso. Além disso, acabo sendo uma representante das meninas, com voz na mídia pra mostrar o futebol que as meninas têm pra mostrar e o trabalho que temos feito.

MO: E em 2016, você sonha em que competir no seu país?

BB: Este, sem dúvida, é o meu maior sonho. Procuro não ficar muito ansiosa nem criar muita expectativa, mas tenho buscado aprimorar meu trabalho para conquistar esse sonho de conseguir representar meu país e sair de lá com uma medalha, dando o melhor de mim. Hoje, os atletas que mais me inspiram são o Ronaldinho Gaúcho, a Marta e o Messi.

MO: Você acha que futebol feminino ainda sofre preconceitos e tem pouco incentivo? Isso prejudica ou prejudicou muito a você e as suas colegas de campo?

BB: Realmente, o futebol feminino sofre muito preconceito e tem muita dificuldade para conseguir incentivo. Mas esse preconceito não prejudica no meu desempenho, pois procuro nem ouvir ou ligar para isso. Prejudica, sim, no sentido que nós não somos tão reconhecidas. Há muitas meninas pelo país esbanjando talento, mas elas não têm as mesmas oportunidades que os meninos. No desempenho, pelo menos no meu, não prejudica em nada. Faço a minha parte e deixo que falem o que quiserem.

MO: E como funcionam as competições de futebol feminino no Rio de Janeiro, que é onde você mais joga?

BB: As competições no carioca são amadoras ainda. É um campeonato amador. Com isso, nós temos apenas nove ou dez jogos e que só acontecem aos fins de semana. Acho que, no Brasil, o futebol feminino poderia ser mais valorizado para o campeonato deixar de ser amador... aí, o governo teria que apoiar mais e a mídia poderia ter um papel mais legal, também, de dar visibilidade e de mostrar o trabalho das jogadoras. Em São Paulo, o campeonato é profissional. Não poderia ser igual aqui? Os clubes também deveriam dar mais valor às meninas.

MO: Você ainda é nova e tem um longo caminho pela frente, mas qual foi o momento mais difícil da carreira?

BB: O momento mais difícil foi quando meus pais se separaram. Isso interferiu realmente na minha carreira, pois fiquei muito triste e tudo o que passei acabou se refletindo em campo. Meu rendimento caiu um pouco, mas levantei a cabeça. Com o tempo fui lidando melhor com a situação e com a ajuda do meu pai e de todos ao meu redor, fui melhorando.

MO: Você está começando agora nessas competições maiores, mas qual é a sua visão a respeito do doping?

BB: Acho que o doping é muito injusto e ninguém deveria entrar nisso. Isso não deveria nem existir, porque a pessoa que se dopa está estragando a própria carreira. Além de ser contra a lei, é algo que não só prejudica a ela, mas aos outros atletas que competem com lealdade ao lado daqueles que se dopam.


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