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Bruno Jacob (Jet Ski)

28/05/2013
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bruno-jacob-montagem_680Manobras radicais para chegar ao topo no jet ski freeride

 

Por Katryn Dias

Incentivado pelo pai, Bruno Jacob começou a se arriscar em esportes a motor quando ainda era criança. Após uma tentativa desastrosa no kart, o baiano conheceu o jet ski freestyle, modalidade em que são realizadas manobras radicais em águas paradas. Empolgado com a novidade, Bruno começou a praticar a cada dia mais, e foi vice-campeão brasileiro em apenas um ano.

"Com os resultados que nós brasileiros temos conquistado, estamos fazendo o nosso nome no esporte"

Atualmente, Bruno Jacob é o maior representante do Brasil na categoria freeride, disputada em mares, e ocupa o quinto lugar mundial. Além de buscar bons resultados, o atleta está constantemente tentando divulgar a modalidade, seja por meio de apresentações, seja pela venda de equipamentos – criados por ele – a preços acessíveis.


EE: Antes de mais nada, você poderia contar um pouquinho sobre sua categoria no jet ski e explicar como funcionam as competições?

Bruno Jacob: A modalidade freeride no jet ski começou há quinze anos. Basicamente, é uma junção do MotoCross Freestyle com o surfe. As competições funcionam com baterias homem-a-homem, como no surfe, e os pilotos têm que inventar manobras aéreas, como o backflip (mortal para trás), e utilizar as ondas como se fossem rampas. O jet ski é como se fosse a moto ou a prancha. Os juízes avaliam amplitude, perfeição e variedade das manobras. 

Existe diferença entre o freeride e o freestyle. O primeiro é praticado no mar, com ondas, e o segundo é feito em águas paradas.

EE: Como surgiu seu interesse pela modalidade? Onde você começou a treinar?

bruno_jacob_inglaterra_2013_wetsuit-texto_470BJ: Em 2013, fez dez anos que eu pratico jet ski. Meu pai sempre gostou de esportes a motor e, aos dez anos, ele me colocou para começar no kart, mas não deu muito certo. Mais tarde, por volta dos 15 anos, meu pai organizava competições de jet ski aqui na minha cidade e eu comecei a me interessar pela categoria freestyle, de manobras em águas paradas. Logo em seguida, ganhei um jet ski de presente e comecei a praticar. No meu primeiro campeonato baiano, terminei em sexto lugar. No ano seguinte, fui para o Brasileiro e consegui o segundo lugar na categoria “Estreantes”. Depois disso, vi que tinha um talento e não parei mais. 

Em 2007, eu migrei para o freeride, a modalidade que mais cresce, e onde eu vi que teria mais futuro. De lá para cá, ganhei alguns títulos internacionais e hoje eu vivo só do esporte.

EE: Sua paixão pelo esporte é herança do seu pai? Qual o papel dele no início da sua carreira?

BJ: Meu pai sempre sonhou em correr, começar no kart, chegar à formula 1... É um grande apaixonado por esportes a motor! Como ele não conseguiu seguir carreira, começou a colocar o filho para tentar. Ele quis me fazer gostar do kart, mas eu não tinha dom para aquela modalidade. Foi só quando eu descobri o jet ski, por ser motorizado e na água, que me apaixonei e consegui realizar, em parte, o sonho do meu pai.

EE: E onde você costuma treinar?

BJ: Eu treino em Barra do Jacuípe, na cidade de Camaçari, na Bahia. Aqui tem uma marina, onde temos uma loja, em que fabricamos e vendemos os cascos de jet, e uma escola. Então, eu vivo em função do jet ski.

 

De Barra do Jacuípe para o mundo

 

EE: Hoje, você ocupa o 5º lugar mundial. O que essa posição significa para você? Agora, você é visto de outra forma pelos seus adversários?

BJ: Fora outros títulos internacionais, hoje eu sou o quinto melhor no ranking mundial de freeride. Mas eu pretendo melhorar cada vez mais essa colocação. Esse ano, o meu objetivo é ficar entre os três. 

Mas não foi fácil chegar até aqui. Por representar um país com menos tradição no esporte, quando eu comecei, não tinham muita confiança em mim. Mas com os resultados que nós brasileiros temos conquistado – não só em Mundiais, mas também em outras competições –, nós estamos fazendo o nosso nome no esporte. Por isso, hoje existe o respeito. 

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EE: Qual a importância de disputar o Circuito Nacional Inglês?

BJ: É muito importante, porque aqui no Brasil nós temos poucos campeonatos isolados e não existe um circuito nacional. Anos atrás, existiram tentativas de se criar um torneio nesse nível, mas aconteceu uma série de problemas, eles programaram mais etapas do que era viável fazer. Por ser um país com pouca tradição, dificulta. A região Sul é o único lugar com uma forte tradição no jet ski, tanto que Santa Catarina faz parte do Circuito Mundial, é onde são disputadas as finais.

Por isso, eu tenho que estar sempre buscando competir em outros países, até para pontuar no ranking. No caso específico do Circuito Inglês, foi muito importante para a minha preparação para o Mundial, e o resultado foi excelente, que eu não esperava.

EE: Como está sendo a preparação para o Mundial de Jet Ski Freeride 2013? 

BJ: O Mundial começa no dia 2 de junho, mas eu já vou viajar na próxima quinta-feira (30), para ter um prazo grande para testar todo o equipamento, treinar e me habituar com as ondas e o clima do local. A preparação tem sido intensa, tanto na parte física, quanto dentro d’água. Esse ano, estou indo com toda a força, com o diferencial de ter um equipamento criado no Brasil. Com certeza, este ano estou muito mais preparado do que nos anos anteriores. 

EE: Qual a sua expectativa para a competição? Alguma meta específica?

BJ: Eu quero seguir os bons resultados que venho conquistando em 2013, como o bicampeonato no Peru, em fevereiro, e o pódio na etapa da Inglaterra. Por isso, quero manter o pódio agora na França, conseguir no mínimo o terceiro lugar. A meta é manter a boa fase o ano inteiro e terminar no Top 3.

"Infelizmente, como todo esporte no Brasil, se você não tiver um incentivo inicial da família, fica difícil. Por isso, eu acho que deveriam existir mais incentivos iniciais. Eu tive ajuda, mas tem muitos atletas por aí que não têm"

EE: Você afirmou que, como parte da preparação, optou por fabricar seu próprio equipamento. Por quê? Você sempre faz isso ou foi uma estratégia para esse Mundial?

BJ: Esse é um projeto que veio sendo desenvolvido nos últimos meses, como uma estratégia para melhorar a modalidade aqui no Brasil. Há muito tempo, eu vinha utilizando equipamentos importados e estava notando alguns defeitos que poderiam ser melhorados. A ideia se aliou aos meus estudos, em engenharia de produção, e meu técnico também topou. Hoje o projeto está dando muito certo, nós fabricamos o equipamento do jeito que queremos. Essa é uma estratégia muito boa, porque no jet ski, mais da metade do desempenho de um atleta é o equipamento. E além de melhorar meus resultados, o projeto já virou um bom negócio. Tem muita gente que admira nosso trabalho, de vários países, e está adquirindo o equipamento. 

EE: Você também tem uma preocupação ambiental durante a montagem dos equipamentos. Conta um pouquinho sobre essa iniciativa. Como surgiu a ideia?

BJ: Eu me formei há pouco tempo em engenharia de produção, na Unifap (União de Faculdades de Administração Pública), uma universidade conceituada em Salvador. Então, a ideia surgiu ainda na faculdade. Eu tive um orientador brilhante e, em conjunto com ele, elaborei o projeto, calculando todos os custos. A preocupação ambiental é uma tendência nos dias de hoje, então todas as empresas tem que pensar nisso.

Nós fizemos um estudo de gestão ambiental, pensando na sustentabilidade em todos os lados. Assim, optamos por materiais recicláveis, como a fibra de vidro. Esse esquema de produção é um segredo nosso, patenteado inclusive, porque poucas pessoas fazem isso no mundo.

 

O desafio de popularizar o Jet ski

 

EE: Existem muitos brasileiros praticando jet ski a nível profissional?

BJ: Olha, o jet ski como um todo é muito forte no Brasil, seja como hobby ou como esporte. Hoje, o Brasil é o segundo país no mundo em venda de jet skis, com 40 mil por ano, perdendo só para os Estados Unidos – esses são dados que eu busquei junto às distribuidoras. Essa estatística por si só já é muito boa.

Porém, o freeride, como ainda é uma categoria nova, só tem força no Sul. Então, o meu objetivo é popularizar a categoria. Também por isso a criação do equipamento com custo mais baixo, já que a dificuldade de acesso é o que mais impede a prática no Brasil. No mundo inteiro, o freeride é o que mais cresce, então queremos que seja assim também no Brasil.

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EE: Além de competir profissionalmente, você também faz apresentações. A ideia dos shows é divulgar a modalidade?

BJ: Isso mesmo. Eu tento fazer o máximo de apresentações possível, principalmente pelo interior dos estados, onde o esporte é pouco visto. Com isso, nós chamamos muita atenção, porque a categoria é bem plástica, as manobras são empolgantes. Então, aonde nós vamos, procuramos chamar bastante público e também empresas interessadas no ramo, e é sempre uma verdadeira festa. Essa é uma alternativa para buscar recursos financeiros e popularizar o esporte, ao mesmo tempo.

EE: E como fica a questão do patrocínio na sua categoria? Você já conseguiu alguém que te apoie?

BJ: Infelizmente, como todo esporte no Brasil, se você não tiver um incentivo inicial da família, fica difícil. Mas depois, quando o atleta chega em nível de destaque internacional, aí ele consegue. Por isso, eu acho que deveriam existir mais incentivos iniciais, que são muito importantes. Eu tive ajuda, mas tem muitos atletas por aí que não têm.

Meu pai sempre me incentivou e foi só há uns três anos que consegui novas parcerias. Hoje em dia eu tenho patrocínio, mas só porque batalhei muito e cheguei onde eu queria. Tem um programa do governo da Bahia que ajuda muitos atletas, que é o Faz Atleta. Além disso, tem uma empresa local, a Petrobahia, que incentiva muito o esporte e me apoia.

bruno_jacob_033-texto_430EE: Para você, o esporte é essencial?

BJ: Com certeza, eu não saberia viver sem o esporte, seja ele qual for. Eu fui criado assim. Além do meu esporte tradicional, pratico stand-up, wakeboard, surfe e vou para a academia. Então, eu vivo o esporte. Primeiro porque é saúde, depois porque é uma alternativa para você buscar resultados na vida, é lazer, é tudo. Acredito que quem encontra um esporte que gosta de praticar, muda o estilo de vida completamente. 

EE: Como atleta, como você encara a questão do doping nos esportes?

BJ: A minha opinião é a seguinte: cada esporte tem o seu regulamento, que deve ser seguido à risca.  A minha categoria não tem nenhuma regulamentação a respeito de doping, mas em qualquer esporte que tenha, isso deve ser respeitado. Para mim, as regras, sejam elas quais forem, devem ser seguidas.

Confira os vídeos do piloto Bruno Jacob em ação

Fotos: Divulgação/ Bendita Ideia Comunicação e Imagem


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