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Brunna Hosser (Hipismo)

17/09/2013
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Por Katryn Dias

O hipismo brasileiro tem histórico de formação de grandes campeões. Para ser reconhecido e chegar a uma Olimpíada, porém, o caminho é longo. E é isso que está passando agora a pequena Brunna Hosser. Aos 12 anos, ela luta para se manter no esporte e seguir o seu sonho de se tornar uma amazona olímpica. O sacrifício diário é feito por ela e pela família.

"[Falta] vontade de ajudar o esporte a se tornar mais popular e famoso. Tem pessoas que nem sabem o que é o hipismo e isso precisa mudar."

Apesar da pouca idade, Brunna já acumula medalhas e títulos, um deles especial: o primeiro ouro do Rio Grande do Norte no Campeonato Norte/Nordeste. Recentemente, Brunna foi descoberta pelo Vitor Alves Teixeira e vai participar de uma clínica com o cavaleiro olímpico, uma grande oportunidade para a pequena talentosa que só está começando.

EE: Como você começou a praticar hipismo? Você acha que 4 anos era muito cedo para começar?

BH: Eu fui fazer uma aula experimental e gostei muito, tanto pelo fato de ficar em contato com a natureza, quanto por poder conviver com animais e, principalmente, com cavalo, que é o meu animal preferido. Eu fui fazendo, fui fazendo e estou aqui até hoje. Eu já gostava muito naquela época, com quatro anos. E no hipismo, é bom mesmo começar cedo para já se acostumar, até porque muitas pessoas que têm medo de cavalo. Além disso, é bom para ir criando a prática de montar e a técnica de como agir com o cavalo.

EE: Quando e como você decidiu que queria se tornar uma atleta profissional?

BH: Quando eu comecei a ver que eu tinha capacidade para fazer isso. Nessa época, eu estava saltando 90cm, e tinha por volta dos 10 anos.

EE: Hoje, aos 12 anos, qual seu maior sonho?

BH: O meu maior sonho é participar de uma Olimpíada. Como eu não posso competir ainda em 2016, o sonho fica para 2020.

brunna-hosser-texto_562EE: Como surgiu o convite para participar da Copa Grand Caraibe, na Guiana Francesa?

BH: Através do intercâmbio da Guiana com o Brasil. O meu treinador, Flávio Rafael, tem muitas amizades lá e foi convidado para representar o Brasil nessa competição. Então, pela minha capacidade e potencial, ele me chamou para competir. Ele sabe que eu sou esforçada, dedicada e gosto de ganhar. Mas mais importante do que ganhar é aprender em todas as competições. Eu não saio perdendo nunca, porque sempre aprendo alguma coisa nova a cada competição que participo.

EE: De onde surgiu a ideia de vender rifas para arrecadar dinheiro para as passagens?

BH: Eu quero muito ir para a competição na Guiana, mas se a minha mãe não for, eu não posso ir. Como as passagens são caras, a gente foi pensando em soluções para conseguir viajar, porque é uma oportunidade rara para mim. Daí eu pensei em fazer uma rifa de uma coisa legal, que as pessoas se interessassem em comprar. Eu tirei o meu dinheiro de mesada para comprar o prêmio, um tablet. Competir fora é uma coisa que eu quero muito e estou disposta a fazer sacrifícios para conseguir.

Até agora, eu já vendi mais de 20 blocos, mais ou menos 200 rifas. Eu tenho até o final do mês para arrecadar todo o dinheiro. A competição acontece dia 25, 26 e 27 de outubro. (Clique para ver como comprar as rifas e ajudar Brunna a competir no exterior).

EE: E você já está treinando especificamente para essa competição internacional?

BH: Lógico! Preciso me esforçar muito para conseguir sempre ser melhor que eu mesma. Até porque vai ser muito difícil chegar lá e pegar um cavalo que eu não conheço. Por isso, eu preciso estar bem treinada.

EE: Você já teve essa experiência de competir com um cavalo que não conhecia?

BH: Sim, nas escolas. Quando você chega no hipismo, não precisa ter um cavalo seu. Então, eu montava com os cavalos da minha escola de equitação. Mas ainda não tive essa experiência de competir com um cavalo que eu nunca tive contato antes. Dessa vez, com certeza vai ser um desafio maior. Para isso, eu preciso focar no meu objetivo.

EE: Como você consegue conciliar os treinamentos, assim tão focada, com os estudos?

BH: É assim, eu e minha mãe temos um trato: eu preciso me dar bem na escola para poder fazer treinar. Como o hipismo é uma coisa que eu quero muito, tenho que me organizar. Os meus horários de treino são definidos para não prejudicar o bem-estar da égua, as minhas aulas de inglês, o meu estudo e meus deveres de casa. 

EE: Depois disso tudo, sobra tempo para fazer outra coisa? Você costuma praticar outros esportes?

BH: Sobra! Quando a gente acha que vale a pena, faz tudo para poder acontecer. Eu não tenho mais aulas, mas continuo praticando capoeira. Além disso, eu surfo, pego “jacaré”, jogo futebol, ando de skate, bicicleta, faço sandboard.

brunna-hosser-medalhas-texto_650Orgulhosa, Brunna Hosser posa com sua coleção de medalhas e troféus


EE: Em 2011, você venceu o Campeonato Norte/Nordeste, título inédito para o Rio Grande do Norte. Como foi subir ao pódio? Mudou alguma coisa para você depois?

BH: Eu já sou um pouco acostumada a subir no pódio atualmente (risos). Mas aquele foi um título importante para mim, inclusive, o único Norte/Nordeste conquistado pelo Rio Grande do Norte. 

Com certeza, depois desse título mudou muita coisa. Lá no hipismo, todo mundo é colega e eu sempre fala com o pessoal, com os tratadores. Eu já sou bastante conhecida, porque faço amizade muito fácil. Quando eu vou competir em outros estados daqui do Nordeste, como Pernambuco e Paraíba, por exemplo, já sou reconhecida. A minha égua, inclusive, é da Bahia e eu também tenho amigos por lá.

EE: Como muitos atletas, você também está procurando patrocínio. O vídeo de divulgação (clique aqui para ver) que você fez já atraiu muita gente?

BH: O Vitor Alves Teixeira, cavaleiro olímpico, viu meu vídeo e me convidou para participar da clínica que ele promove em janeiro, em Campinas. Só atleta top participa (risos). Eu estou muito animada!

 EE: Você tem algum ídolo em quem se inspire?

BH: Sinceramente, eu não tenho nenhum ídolo no esporte. Eu gosto muito dos cavaleiros olímpicos, do Doda, do Rodrigo Pessoa, do Vítor Alves Teixeira, mas só. A minha base mesmo é minha família, meu treinador e Deus, que me proporcionou tudo isso. O apoio da família também é essencial para eu continuar no esporte e ir mais longe.

EE: Qual a maior dificuldade você enfrentou no hipismo até agora?

brunna-hosser-hipismo4-texto_450BH: Quando eu fui para o Brasileiro de Escolas de hipismo, em Ribeirão Preto, no ano passado. No primeiro dia, fiz um percurso ótimo e zerado, sem faltas. No segundo, estava indo bem até que fiz uma curva errada e a minha égua escorregou. Foi difícil pelo fato de que, quando você cai, é eliminado. E, pelo meu desempenho do outro dia, a minha passagem seria para competir os três dias. No terceiro dia, foi muito difícil ver todas as pessoas competindo sem poder estar lá também. Como eu caí, estava toda dolorida, mas o que estava doendo mesmo era o fato de eu não poder competir.

EE: Qual o grande segredo do hipismo? O que é preciso para ser uma boa amazona?

BH: Precisa de concentração, dedicação, determinação, e amor pelo que faz.

EE: Você acha que o hipismo é mesmo um esporte de elite ou qualquer pessoa pode praticar? O que seria preciso fazer para que ele fosse mais popular?

BH: Eu acho que qualquer pessoa que queira praticar e dê o melhor de si, pode fazer. Se tiver amor pelo esporte, é possível. Mas é um esporte caro e, por isso, nem todo mundo consegue ir em frente.

Eu acho que devia ter mais investimentos, mais divulgação e vontade de ajudar o esporte a se tornar mais popular e famoso. Tem pessoas que nem sabem o que é o hipismo e isso precisa mudar. 

EE: Na sua opinião, por quê é tão difícil conseguir patrocínio no hipismo?

BH: O Brasil hoje está, vamos dizer assim, rodeado pelo futebol. Todo mundo acha que o Brasil é o país do futebol, mas, na verdade, ele esconde muitos outros talentos em outros esportes que não foram revelados ainda. O hipismo, o vôlei, o tênis, todas as modalidades, ainda têm talentos... Para ser sincera, acho que sou um desses talentos escondidos e estou procurando patrocínio para poder continuar fazer o que eu amo.

brunna-hosser-hipismo3-texto_450EE: O esporte é essencial para você? Por quê?

BH: Com certeza! Eu não vivo sem o esporte, e principalmente, o hipismo. O esporte ajuda no condicionamento físico e na concentração e ensina a ter responsabilidade e a lidar com a competitividade.

A base do hipismo, que é cair e ter força para levantar, ajuda muito no dia a dia, assim como muitas outras coisas que ele ensina. Quando você tem um problema, tem que saber passar por cima e voltar a ficar bem. E isso o hipismo ensina.

EE: No hipismo, a questão do doping nos cavalos está muito presente. Qual a sua opinião sobre essa prática? O que você acha da atitude de usar substâncias para melhorar o desempenho dos seus animais?

BH: Eu acho que não tem nada a ver. Para um cavalo ser bom, o que ele precisa é de carinho, de treinamento, da quantidade certa da ração e dos elementos certos, como remédios. Eu só tenho uma palavra para o doping: INACEITÁVEL. Um atleta tem que ser honesto, ganhar com o seu esforço e não fazer com que o cavalo seja melhor do que ele pode ser.

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Fotos: Arquivo pessoal da atleta/ Facebook


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