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Bruna Alexandre (Tênis de Mesa)

30/03/2016
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30-03-capa-interna_bruna-alexandre_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

Desde muito cedo Bruna Alexandre esbanja talento no tênis de mesa. A catarinense de Criciúma começou a treinar aos sete anos. Bruninha, que teve o braço direito amputado com apenas três meses de idade, por causa de uma trombose, conheceu o movimento paralímpico aos 13 anos. Aos 17, já estava representando o Brasil em Londres. Chegou às quartas de final e sentiu que poderia ter ido mais adiante.

Em 2014, Bruna fez história ao faturar duas medalhas no Mundial Paralímpico de Tênis de Mesa. Atualmente, a catarinense treina com a seleção olímpica e com a paralímpica. Quer seguir os passos de sua referência, a polonesa Natalia Partyka, que disputou os Jogos Olímpicos de Londres e é tricampeã paralímpica. Mas, antes de pensar em uma Olimpíada, Bruna tem um objetivo claro: chegar ao pódio nos Jogos Paralímpicos do Rio.

Esporte Essencial: Como foi o começo no esporte?

olhos_1_1_200Bruna Alexandre: Meu irmão já jogava. Lá perto da minha casa, tinha o centro comunitário, onde ele treinava. Teve um dia que fui lá chamar o meu irmão e comecei a jogar. O técnico acabou me convidando para treinar. Gostei já no primeiro dia. A partir dali, fui melhorando bastante. Sempre joguei no olímpico. Depois que eu descobri o tênis de mesa paralímpico. Foi aí que veio a proposta para eu morar em São Paulo e treinar com a seleção. 

EE: Quando você descobriu o movimento paralímpico?

BA: Quando eu tinha 13 anos.

EE: E aos 17 você já estava participando dos Jogos Paralímpicos, em Londres. Como foi esse momento?

BA: Foi uma grande experiência. Depois de Londres eu consegui melhorar bastante. Naquela época eu não tinha umolhos_2_1_200 nível tão bom e uma cabeça tão boa como tenho hoje. Era muito nova e jogava contra adversárias bem mais experientes. Hoje eu estou bem mais preparada, tanto mentalmente, como fisicamente. Mas Londres foi uma ótima experiência. Cheguei até as quartas de final, estava ganhando por 2 a 0 da australiana e tomei a virada.

EE: Quando você lembra dessa participação em Londres, qual a sensação que fica? Uma satisfação por ter ido aos Jogos Paralímpicos tão nova ou aquele gosto de que dava para ter conseguido uma medalha?

BA: Eu nem pensei muito na minha idade lá. Acho que dava para ter ido à semifinal. Talvez até ter chegado à final. Eu penso que dava para ter conseguido algo mais. A idade não importa quando você está bem focada, bem preparada para competir. Tudo pode acontecer.

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EE: Sobre estrutura e condição financeira. Como está isso para você?

olhos_3_200_01BA: Hoje está tendo muito investimento. Tem a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, o Comitê Paralímpico, o Ministério do Esporte, a Caixa. Eu tenho tudo. Não falta nada para mim. Só vivo do tênis de mesa mesmo. Se esse investimento continuar, a modalidade tem muito a crescer.

EE: A seleção paralímpica de tênis de mesa tem conseguido grandes resultados. Quais os fatores que levaram a modalidade a subir de patamar nos últimos anos?

BA: O principal é o investimento. O tênis de mesa paralímpico tem um grande investimento. Depende muito do resultado também. O paralímpico tem muitos resultados bons e o olímpico não tem tanto quanto o paralímpico. Então, o investimento hoje é muito maior no paralímpico.

EE: Você acredita que a abordagem da mídia tem mudado em relação aos atletas paralímpicos? Em vez de focar na deficiência, foca no alto rendimento?

BA: Sim. De Londres para cá, a mídia cresceu bastante em torno do esporte paralímpico, até porque os Jogos serão no Brasil. É um grande evento mundial e o esporte paralímpico precisa crescer. Não é todo mundo que conhece. Mas agora, com o Rio 2016, com certeza vamos ter um grande sucesso. 

EE: Na sua carreira até agora, qual foi o jogo mais inesquecível?

BA: Eu penso muito em Londres, nas quartas de final. Penso bastante para não acontecer mais aquilo. E, graças a Deus, não aconteceu mais. 

EE: Entendi. Esse, então, seria o jogo que você gostaria de voltar no tempo, para tentar fazer alguma coisa diferente?

BA: Sim. E desde então eu nunca mais joguei contra aquela menina. Mas ela vai estar no Rio. Ela deve jogar a Olimpíada também, eu acho.

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EE: Você também participa de competições entre atletas olímpicos, não é?

BA: Sim. Hoje eu jogo no clube de São Caetano, onde tem o centro de treinamento da seleção olímpica.

olhos_5_1_200EE: O quanto isso é importante para você? Levar essa experiência para os paralímpicos.

BA: Ah, se não fosse o olímpico eu não estaria em um nível tão bom hoje. Estou em terceiro do ranking mundial na minha classe. Graças ao fato de jogar entre os atletas olímpicos eu cresci muito o meu nível. A minha classe é praticamente normal. Só não tenho um braço, mas os movimentos do jogo são todos realizados, o saque também é normal. E quando eu treino com a seleção paralímpica, isso também ajuda eles. Eu jogo com a seleção olímpica, então eu posso mostrar para eles que eles podem chegar lá também. 

 

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olhos_4_1_200EE: A realização dos Jogos aqui no Brasil vai fazer com que as pessoas aprendam a gostar mais de esporte paralímpico?

BA: Com certeza. A hora é agora. É hora de mostrar que o esporte paralímpico do Brasil é muito bom e o tênis de mesa também.

EE: Qualquer medalha que vier nos Jogos do Rio vai ser um resultado satisfatório para você, ou o foco é chegar ao ouro?

BA: O nível da minha classe está bem parelho. Tirando a Natalia Partyka, polonesa que é a terceira no ranking olímpico e está acima de mim, o resto dá para ganhar ou perder. Eu espero chegar à final dos Jogos Paralímpicos. Se eu conseguir ficar entre as três, vou ficar satisfeita, mas o meu pensamento é de chegar à final com a Natalia.

EE: Você estuda bastante a Natalia? Acredita que é possível ganhar dela?

BA: Nem estudo muito. Acho que a meta é treinar e conseguir melhorar o meu nível. Subir um degrau a mais. Elaolhos_6_1_200 realmente está acima de mim. Não apenas de mim, mas de todas as jogadoras da classe. É treinar mesmo para conseguir enfrentá-la.

EE: Entendi. Você tem algum ídolo no esporte, Bruna?

BA: É ela, a Natalia. 

EE: Almeja fazer como ela e disputar uma Olimpíada algum dia, ou isso não passa pela sua cabeça?

BA: Sempre tive esse sonho. Quando tiver uma oportunidade, espero conseguir realizar. Quem sabe em Tóquio 2020.

EE: O Comitê Paralímpico estabeleceu a meta de ser quinto lugar nos Jogos Paralímpicos do Rio. A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa também estabelece alguma meta para a equipe paralímpica?

BA: Não. É muito difícil ganhar uma medalha paralímpica no tênis de mesa. A gente tem uma só, que foi em Pequim 2008. É muito difícil mesmo. No Mundial, a gente teve uma grande evolução. Eu, inclusive, ganhei duas medalhas. Mas não tem uma meta específica. Até porque no tênis de mesa é individual e equipe. Não são muitas oportunidades de medalha, como a natação, por exemplo, que tem muitas provas.

EE: Acredita que vai ser a melhor participação do tênis de mesa brasileiro em Jogos Paralímpicos?olhos_7_1_200

BA: Acredito que sim. Agora é o momento porque todo o investimento foi feito, está sendo feito ainda. A oportunidade é agora. Difícil ter esse investimento de agora depois dos Jogos do Rio. 

EE: Sobre a meta do CPB, você acha que o quinto lugar é possível para o Brasil?

BA: É possível, sim. O esporte paralímpico brasileiro está conseguindo muitos resultados. Tem muita gente ganhando medalhas em Campeonatos Mundiais. É possível chegar ao quinto lugar. Quem sabe, até ao quarto lugar.

EE: O que você tem pensado sobre os Jogos do Rio? Competir em casa, com família do lado, torcida...

foto_3_340_01BA: É preciso ter foco. Na hora não vai ter como dar muita atenção para a família e para o público, porque tem que estar com o foco na competição. Prefiro ficar mais no meu canto, concentrada. Depois que vem a vitória, aí sim a gente pode brincar bastante, relaxar. 

EE: Sobre doping no esporte:

BA: Já fiz dois testes. Fui pega de surpresa. O primeiro foi às sete horas da manhã. Depois foi no treino. O exame ajuda bastante o esporte. Acredito que isso é muito importante.

EE: Você tem muito cuidado com tudo que toma? Procura sempre consultar os médicos?

BA: Sim. Para falar a verdade, eu nem tomo nada. Até por causa disso também, do medo. O tênis de mesa é mais treinamento mesmo. Ficar tomando suplemento não vai adiantar muita coisa.

EE: Para você, o esporte é essencial?

BA: Sem dúvida. Não só para mim, mas para todos os atletas que se dedicam a cada dia. A gente vive com dor, vive superando os obstáculos. A superação é essencial. Tem que sempre dar o melhor. Superar os seus próprios limites. 

EE: Conta com algum tipo de preparação psicológica?

BA: Sim, o François Ducasse, francês que cuida da seleção olímpica. Ele está me ajudando muito a focar no Rio 2016. É muitoolhos_8_1_200 importante porque, por estar jogando em casa, você pode se desconcentrar.

EE: Deixe um recado para a torcida brasileira que vai acompanhar os Jogos Paralímpicos do Rio.

BA: Eu espero contar com a torcida de todos. O esporte paralímpico está crescendo muito e vocês vão ver que está cada vez melhor. Espero que vocês gostem de cada modalidade.

Fotos: Divulgação/CPB


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