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Bono (Surfdog)

14/10/2014
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Por Katryn Dias

Bono é um labrador que adora o mar. Desde que tinha cinco meses, pratica stand up paddle e surfe com seu melhor amigo, o personal trainer e ex-atleta Ivan Moreira. Agora, aos quatro anos, a brincadeira ficou mais profissional. Competindo com norte-americanos e canadenses, Bono venceu o campeonato Surf City Surf Dog na Califórnia, considerado o “mundial de surfe para cachorros”. 

EE: Como o Bono começou a praticar surfe? Conta um pouquinho da história de vocês com o esporte.

IM: O Bono é um labrador chocolate, que se chama assim por causa do biscoito (risos). Acabou de fazer quatro anos e é super sarado, bem magrinho, porque faz várias atividades junto comigo. Como sou meio hiperativo e personal trainer, faço muitas atividades físicas e ele está sempre comigo. Pelo fato de ser um labrador, ama água. Essa é uma raça que geralmente gosta de água. 

ivan-bono-surfando-texto_450O Bono começou a entrar na água ainda pequeno. Eu comprei uma prancha de stand up paddle quando ele tinha uns quatro, cinco meses, e nessa época já começou a brincar. Eu subia na prancha e o Bono nadava atrás de mim. Até que comecei a dar umas remadas com ele. Uma vez no Sul, na Praia do Rosa, tinham umas ondinhas pequenas, tentei remar com ele e consegui entrar. Já surfava de stand up, mas sozinho. A partir daí comecei a desenvolver o surfe com o Bono na prancha.

EE: Essa aprendizagem foi muito difícil para o Bono?

IM: Foi nada, foi rápido e adorou! O labrador pegou rapidinho onde ficar na prancha, que é um pouquinho atrás de mim, equilibrando o peso. Ele ama estar na água. Quando entro no mar, ele já começa a latir, com o rabo abanando. Eu subo na prancha e ele fica muito feliz, já esperando para pegar uma onda.

EE: Quando você decidiu adotar um cachorro, pensou em escolher uma raça que gostasse de fazer atividade física?

IM: É... Na verdade, eu e minha ex-mulher sempre gostamos de labrador. Ela fez aniversário, mas eu também estava “amarradão” para ter um cachorro, então foi uma boa desculpa para comprar. O Bono veio pequenininho, ainda com 40 dias. Obviamente depois se apegou mais a mim (risos), porque sou mais agitado. Agora é super grudado em mim. 01_200_06

Desde cedo, a gente começou a sair muito com ele. Com uns seis meses, o Bono ia muito à praia e já saía correndo para a água. Eu amo praia, já morei em Balí e no Hawaí, meu pai é surfista, então meio que vivo um pouco do surfe. Aí acabou que ele começou a ir comigo para os lugares, nós começamos a remar juntos e, de uns tempos para cá, foi evoluindo rápido. Eu passei a surfar mesmo, ondas grandes. Passo na onda normal, é muito engraçado... Surfo em alto nível com o Bono na prancha.

EE: Como o Bono começou a competir? 

IM: Na verdade, nós fizemos umas fotos para a capa da revista de domingo do Globo. Teve uma reportagem sobre cachorros que fazem atividades radicais com seus donos. Aí comecei a ver que tinha um campeonato muito conhecido na Califórnia, que era como se fosse um mundial, chamado Surf City Surf Dog. Foi engraçado, porque contei isso na entrevista, disse que o campeonato era bem legal. E o jornalista colocou lá mais ou menos assim: “O labrador Bono está treinando para participar de um campeonato 02_200_08na Califórnia”. Na verdade, eu não tinha falado nada disso. 

Mas partir daí fui amadurecendo a ideia de realmente tentar ir para o campeonato. Paralelamente, comecei um contato com uma produtora que vai fazer um programa para o canal Off sobre o Bono, em relação à surfe. Aí surgiu essa ideia da gente viajar, participar do campeonato, conhecer os cachorros na Califórnia e ver como é o universo das pessoas que surfam com cachorros.

EE: O programa foi gravado?

IM: Nós produzimos as imagens. Agora vai ser feita a edição e depois vão passar para o canal. Enfim, amadurecemos a ideia e, um mês antes, me inscrevi no campeonato. A partir daí comecei a agilizar o processo para a viagem. Fui ver as passagens, a papelada do meu cachorro – porque tem uma burocracia para viajar com cachorro –, as pranchas, a hospedagem... Acabou que consegui fechar tudo uma semana antes, foi muito em cima. Chegamos à Califórnia na quinta-feira e o campeonato era no domingo. Até para a adaptação do cachorro foi muito em cima.

EE: O que você achou da estrutura do campeonato na Califórnia?

IM: Cheguei lá e a estrutura do campeonato era enorme. Eu estava esperando um campeonatinho, uma coisa mais simples. Mas a estrutura, como tudo nos Estados Unidos, era uma megaprodução. Tinham 80 cachorros de várias partes do país e também do Canadá. Mesmo assim, o Bono surpreendeu as pessoas. 

Na sexta-feira, também teve a festa de abertura do campeonato, um megaevento num hotel, com vários fotógrafos e jornalistas. Tinha uma galera do New York Times, uma TV de Londres... Enfim, a estrutura era bem acima do que eu imaginava. Eu e o Bono fizemos umas fotos legais... 

bono-leblon-texto_450_01EE: Como foi a adaptação do Bono? Porque vocês precisaram viajar de avião, chegaram num lugar novo, com pessoas novas que ele não estava acostumado...

IM: Para viajar, eu tive que comprar uma caixa e o Bono precisou entrar no departamento de cargo. O nosso voo era 21h e tive que chegar às 13h no aeroporto para agilizar toda a documentação, fazer a parte burocrática da viagem de ida. Às 17h, ele já teve que entrar na caixa em direção a Los Angeles. Nesse momento, foi a maior tristeza! Ele não queria entrar, eu tive que empurrar... Aí o pessoal da filmagem já estava junto, eles queriam saber como seria a minha reação. O Bono ficou olhando para mim de dentro da casinha, dando umas patadas na porta. Essa hora foi o pior momento! 

Eu larguei o Bono e nós fizemos um voo de nove horas para Huston. Quando nós desembarcamos, fui lá no departamento de animais do aeroporto, onde tem um canil grande, e tentei encontrar com ele, mas não deu. As pessoas que estavam trabalhando lá dentro me disseram que ele estava super bem. Depois disso, nós pegamos um voo de quatro horas até Los Angeles. Chegando lá, fui rapidinho até o departamento para pegar o cachorro. Graças a Deus deu tudo certo, ele estava bem, saiu pulando e fez uma festa tremenda. 

Depois que chegamos a casa em que íamos ficar, logo no primeiro dia já levei o Bono para caminhar na praia no final de tarde. Nós fomos à Beach Dog, que é uma praia liberada para cachorros. Já dei um mergulho com o Bono, passeamos, para ele se adaptar... Nos dias seguintes, sexta-feira e sábado, levei a prancha para surfar e fiz treinos com ele. Depois disso, ele já estava preparado.

03_200_07EE: Como foi competir no Surf City Surf Dog?

IM: No dia do campeonato nós acordamos super cedo, por volta das 6h. Quando cheguei lá era uma estrutura que não podia nem imaginar, até para os cachorros. Tinham tendas gigantes para os cachorros. Cada equipe com camisa, barraca... Passou até um avião carregando uma faixa para anunciar um cachorro (risos). Uma milionária, que eu até conheci depois porque ela deu uma entrevista para o nosso documentário, mandou fazer uma faixa com o nome do cachorro dela. Era nesse estilo... 

04_200_09Mas no final, o Bono foi a sensação do campeonato, pela felicidade e pela facilidade com que nós conseguimos surfar juntos na mesma prancha. Todo mundo comentava, até o pessoal que estava lá há cinco anos, já estava acostumado com o evento. A alegria foi o diferencial do Bono. Diziam que nunca tinham visto um cachorro tão feliz em cima da prancha. Tinham vários cachorros lá que já surfavam há um tempo, mas estavam com o rabo para baixo, meio apreensivos. O Bono, não. Tanto que no dia seguinte, depois da gente ganhar o campeonato, a capa do jornal Los Angeles Times foi a foto do Bono (risos). Foi muito maneiro.

EE: O Bono não sentiu diferença com esse tanto de gente por perto, olhando?

IM: Nada! Na verdade, eu o levo para a praia direto, para Grumari, para a Praia da Macumba... Final de tarde, às vezes, levo para o Leblon, onde moro... O Bono estava completamente solto. Ele estava em uma praia em que ninguém perturbava e cheio de cachorros em volta. Em vários momentos, eu perdia o Bono. Aí assobiava e surgia ele correndo. Estava curtindo (risos)! Ele aproveitou muito, e quando voltou, passou três dias dormindo. Está morto, dormindo de 10 a 12 horas por dia.

EE: Depois da vitória, o que vocês fizeram?

bono-ivan-montagem_400IM: Depois do campeonato, nós trabalhamos em cima do documentário. Nós marcamos entrevistas com outros donos e fomos passar o dia com vários cachorros, dentre eles, o cachorro mais famoso dos Estados Unidos, que é um bulldog chamado Tillman que anda de skate. O dono dele está louco para vir ao Brasil e nós estamos montando um projeto para trazer os dois. Foi ele que apelidou o meu cachorro de Bono Medina [uma referência ao surfista profissional brasileiro, Gabriel Medina]. Aí todo mundo só chamava de Bono Medina, foi muito engraçado (risos).

Depois fui com o Bono para Malibu, o berço do surfe na Califórnia. Surfei lá com o Bono, uma das ondas mais famosas... Ele pegou umas ondas que ninguém acredita! O cachorro foi muito bem, todo mundo falou dele.

EE: Você pensa em continuar competindo com o Bono?

IM: Penso, claro. Ainda mais agora que fechei um monte de patrocínios. O negócio está se encaminhado... Eu pretendo voltar para os campeonatos lá fora com certeza.

EE: Aqui no Brasil já existe algum campeonato de surfe para cachorros?

IM: Não tem. Na verdade, aqui no Brasil nós temos uma dificuldade maior porque não temos “beach dog”, uma praia de cachorros. A Praia do Diabo é a única que é mais ou menos liberada, mas tem regras. Tirando isso, não existem praias, como nos Estados Unidos, em que os cachorros podem ficar livres, sem coleira. Existe até um projeto para enchaminhar para a prefeitura do Rio de fazer isso naquela área final do Leblon, a partir do posto 12.

É engraçado que falam tanto que não pode cachorro na praia, que é falta de educação... Eu ouço muito isso, porque frequento muito. Mas nos Estados Unidos, país de primeiro mundo, tudo funciona. Todos os cachorros brincando, todo mundo com saquinho limpando a sujeira, não acontece nada demais... É impressionante. É uma hipocrisia dizer que cachorro na praia não pode...

EE: É questão de educação do povo mesmo, não é?

IM: É, com certeza. Na França, também tem beach dog, com tudo liberado... É engraçado ter que proibir no Brasil. 

05_200_08EE: Quais seus próximos planos?

IM: Acho que nós vamos trabalhar em projetos para cachorros mesmo. Eu tenho um projeto de surfar com o Bono a pororoca, a onda mais longa do mundo, para entrar no livro dos recordes. Acho que isso vai rolar... E vamos continuar nos divertindo juntos.

EE: O Bono já sofreu algum acidente no mar?

IM: Nunca, mas já tomou caldo para caramba. Uma vez em Búzios e outra na Macumba, nós tomamos ondas grandes na cabeça. Foram caldos daqueles de sumir dentro da água. Mas aí cinco segundos depois levanta ele...

EE: Depois dessas experiências ele não teve problema para voltar ao mar?

IM: Não. Foi zero de trauma. Ele é apaixonado pelo mar.

06_200_07EE: Antes de começar a praticar, ele passou por avaliação do veterinário? Ele tem acompanhamento?

IM: Passou sim. O Bono fez exames de sangue e um check-up completo. Além disso, para poder viajar de avião, existe um procedimento em que o cachorro passa por avaliação de um veterinário. Tanto do Brasil para fora, quanto dos Estados Unidos para cá. Mas ele acabou de fazer quatro anos, então para um cachorro-atleta, está no auge da sua forma física.

EE: A alimentação dele é regulada?

IM: Não era, mas agora vai ter que ser. Eu estou levando o Bono numa nutricionista especializada e ele vai começar a tomar um suplemento para cachorro.

EE: Isso faz diferença?

IM: Faz sim. Como é um cachorro muito ativo, faz muitas atividades, ele precisa ter uma alimentação diferenciada. O Bono corre comigo na praia, surfa, então todos esses exercícios fazem com que ele seja um labrador bem sequinho, não tem gordura quase nenhuma.

07_200_08EE: Esporte é essencial para você e para o Bono?

IM: Fundamental! Na verdade, sou ex-atleta. Fui federado em vários esportes. Sou faixa preta no jiu jitsu, competi por muitos anos. Já fui surfista profissional, morei em Bali, morei no Havaí. E eu trouxe o cachorro para mim, ele hoje é fissurado em atividades físicas. Eu consegui conciliar as atividades que amo fazer com a companhia do meu melhor amigo. Não existe coisa melhor! O amor é incondicional, difícil até de mensurar...

EE: Ele pede para sair quando fica muito tempo em casa?

IM: Sim! Mas não só para mim... Se qualquer pessoa estiver com uma prancha por perto, ele vai sair correndo para subir em cima (risos).

Clique para ver vídeos de Bono e Ivan surfando

Fotos: Arquivo pessoal de Ivan Moreira


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